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ALGUÉM ATRÁS DA PORTA (Quelqu'un derrière la porte, aka Someone Behind the Door, 1971), Nicolas Gessner

Assisti a vários filmes durante o feriadão (o meu feriado foi mais prolongado, começou na quinta passada e só hoje voltei a trabalhar), mas dentre os vistos, o que mais me impressionou foi este suspense psicológico, que eu achei num sebo em BH por 10 mangos, no qual temos Charles Bronson dividindo a tela com Anthony Perkins e Jill Ireland (na época, esposa do Bronson). Na verdade, o protagonista de ALGUÉM ATRÁS DA PORTA é Perkins, que interpreta um médico que resolve levar um paciente amnésico (Bronson) para sua casa, isolada nas montanhas de algum lugar litorâneo da Inglaterra, para lhe fazer uma terapia mais intensiva.

Mas o andamento da estória nunca deixa muito claro quais são as verdadeiras intenções do médico, inclusive, a principio, eu cheguei a pensar que o personagem de Perkins fosse homossexual (e era, na vida real), mas logo o próprio enredo descarta essa possibilidade mostrando a esposa do sujeito (Ireland) que se prepara para sair em uma viagem habitual. Então os planos são outros, e a coisa é intrigante, isso eu garanto. Mas não digo mais nada para não estragar a surpresa.

O diretor húngaro Nicolas Gessner mantém um suspense legal até determinado ponto, quando finalmente a motivação do protagonista começa a clarear-se. Nada que possua uma originalidade estupenda no objetivo do médico, e que já foi abordada milhares de vezes no cinema sob a batuta da busca do "crime perfeito", mas compensa tranquilamente toda a ambiguidade da trama, principalmente quando temos dois grandes atores contracenando com uma firmeza interessante.

Perkins está estranho e ótimo como sempre, mas a grande maioria vai se surpreender é com a atuação do velho Bronson, em plena fase européia (o filme é uma produção francesa), numa performance de verdade, convencendo como um homem que sofre de amnésia. É um filme perfeito para calar a boca de qualquer um que só viu as tralhas da Cannon que o Bronson fez nos anos 80 e pensa que ele só fez aquele tipo de filme / personagem (e que eu também adoro, diga-se de passagem, por pior que sejam).

Outros filmes que vi no feriado incluem A ILHA DOS HOMENS PEIXES, do Sergio Martino; RATOS: A NOITE DO TERROR, do Bruno Mattei; INFERNO CARNAL, do Mojica e uma revisão de THE TOXIC AVENGER, do Lloyd Kauffman.

Comentários

  1. Otimo saber que esse filme é bom. Tambem comprei essa versão fajuta que saiu no Brasil mas nunca assisti. No aguardo tambem de sua critica "revisionista" do The Toxic Avenger!

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  2. Os tempos em que um thriller psicológico não era sinônimo de indigência mental. Nicolas Gessner também fez o ótimo "A Garota do Outro Lado da Rua" com a Jodie Foster moleca e um Martin Sheen com cara de psicopata.

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  3. Este filme é um suspense bem interessante e como você escreveu, Anthony Perkins novamente interpreta um sujeito estranho.
    Quanto a Bronson, o cara deixou uma bela filmografia e era um bom ator e novamente concordando com você, não devemos levar em conta a enxurrada de fitas policiais que ele fez com a produtora Cannon em final de carreira.

    Abraço

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  4. Pô, também quero ter um feriado prolongado como esse hehehe!

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  5. Hehehe, tive que trabalhar dobrado pra conseguir... e agora o bicho tá pegando aqui! Mas vale a pena.

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  6. tou devendo de ver esse ae, mas algumas tralhas da cannon divertidinhas, melhor que uns atores consagrados que andam fazendo uns files horriveis e hollywood.


    mas agora algo nada a ver...hahah...deu fim no orkut ronald? se deu, ve se não desaparece viado.

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  7. Sim, dei fim de novo naquela porcaria...hehe

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  8. Esse do Bronson eu ainda não vi. Mas parece ser diferente da maioria das produções que vi dele, leia-se Desejo de Matar, que também adoro mas que é repetido a exaustão.

    E além disso tem Anthony Perkins ... vai pra lista rsrs.

    Abraço.

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  9. eu queria aquele dele com a liv ullman.

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