10 Fevereiro, 2010

POSSESSED BY THE NIGHT (1993), de Fred Olen Ray

Este aqui é uma bizarrice estrambólica do mestre Fred Olen Ray, além de ser um prato cheio para os fãs de produções modestas que nunca tiveram atenção do grande público. POSSESSED BY THE NIGHT é um suspense erótico com um pé no horror estrelado pela musa do Cine Privé, Shannon Tweed, muito à vontade por sinal. Especialmente na caudalosa sequência onde malha com uma blusinha branca que é de um erotismo quase transgressor! Além dela, temos Sandahl Bergman, outra atriz sem frescura que não se inibe ao tirar a blusa em frente às câmeras (e o faz em vários momentos por aqui, mesmo no auge de seus 42 anos).

Para não dizer que eu sou um tarado que só pensa “naquilo”, o filme ainda possui uma pequena dose de porradaria com o ator Chad McQueen. O protagonista é vivido por Ted Prior, astro do cinema de ação cujos filmes passavam todos os dias no Cinema em Casa no início dos anos 90, grande parte dirigido pelo seu irmão, o “talentoso” (leia-se um dos piores diretores de todos os tempos) David A. Prior. Curioso é que os dois atores são muito semelhantes a outros astros de fama mais notável. Chad é uma espécie de Mickey Rourke dos probres, enquanto Prior é a cara do Christian Bale... é por isso que eu amo tanto esses filmes B.

Bom, eu ainda não acabei (eu disse que era um prato cheio, não disse?). O eterno Henry Silva marca presença como um mafioso, soltando frases impagáveis. Ele entra em cena recebendo massagem de duas garotas de topless e, ops, vamos mudar de assunto. Para completar, um recipiente com uma espécie de cérebro com olho influencia de forma negativa os personagens ao seu redor! Já é o suficiente para convencê-los a correr atrás desta pérola o mais rápido possível?

Prior interpreta um escritor sofrendo de bloqueio criativo. Vai a uma loja de artefatos orientais e compra o tal recipiente achando que vai lhe trazer inspiração… como uma coisa horrorosa daquela vai trazer inspiração a alguém é um desses mistérios no qual só poderia ter surgido na cabeça do Fred Olen Ray mesmo. Enfim, logo que volta pra casa com seu novo adorno, as coisas começam a ficar estranhas. Tudo é mostrado já na cena em que Prior tenta dar umazinha com a patroa (Bergman), mas age de forma agressiva demais para ela e acaba ficando na mão, passando a noite no sofá.

É, meu velho, difícil aguentar desse jeito!

Seu empresário, vivido por Frank Sivero (o Carbone de GOODFELLAS), lhe envia uma secretária para digitar seus manuscritos, a exuberante e insaciável Shannon Tweed. Brigado com a mulher e com uma secretária dessas malhando de blusinha branca suada em seu maquinário de musculação, não há coração que aguente… e não vamos esquecer do jarro oriental com o cérebro dentro enfeitando a mesa e espalhando cargas negativas entre os habitantes da casa, fazendo ferver os desejos eróticos de cada um deles.

Paralelo a isso tudo, há uma subtrama onde acompanhamos um gangster (McQueen) que cobra as dívidas de seu chefão (Silva), mas também passa por uma crise tentando sair dessa vida criminosa. Obviamente as duas estórias se encontram em algum ponto.

Esta subtrama dá ao filme alguns momentos mais agitados de ação, pois nem sempre as pessoas querem pagar o que devem e aí a coisa tem de ser resolvida à base do kung fu. É o exemplo da sequência na oficina, quando surgem algumas figuras ilustres, como o diretor Jim Wynorski, aparecendo apenas para apanhar, e também o ótimo Peter Spellos, o grande Orville de SORORITY HOUSE MASSACRE 2, dirigido pelo Wynorski. Até o próprio Fred resolve fazer uma ponta, mas nada de violência em sua participação, ele se apresenta apenas como um garçom comum em outro momento.

"Ah, vai ficar lindo na cômoda do escritório!"

Lançado diretamente para o mercado de vídeo, POSSESSED BY THE NIGHT se sobressai perante as muitas produções do gênero com as quais as locadoras viviam infestadas na época. A direção de Fred é um exercício único de economia. Devido ao tipo de produção, ele não perde muito tempo tentando amarrar as pontas soltas deixada pelo roteiro, elimina personagens de forma banal e explora somente os elementos que realmente importa: bastante sexo e um pouco de violência!

"Deixa eu te ajudar a desabotoar esse colete amarelo..."

O elenco também é fraco, deixando o filme ainda melhor, principalmente Ted Prior que é de fazer vergonha. Tweed não precisa atuar, basta fazer cara de safada e agir de maneira sexy. É o que sabe fazer muito bem, independente do tipo de personagem que representa. Os únicos com certo destaque na interpretação é o Henry Silva, velho de guerra neste tipo de personagem, e Sandahl Bergman, surpreendendo com a atuação mais expressiva do filme.

Recebeu o título no Brasil de FLUIDOS DO MAL ou apenas POSSUÍDA e não me recordo com precisão se chegou a ser lançado em vídeo no Brasil, mas do jeito pelo qual este mercado funcionava por aqui, eu aposto minha melhor camisa que sim.

08 Fevereiro, 2010

O FIM DA ESCURIDÃO (Edge of Darkness, 2010), de Martin Campbell

Bah! Não dou a mínima para o Mel Gibson ator, mas preciso reconhecer que às vezes ele acerta em cheio ao escolher alguns tipos de personagem, como neste veículo que serve perfeitamente ao seu retorno em frente às câmeras e que me lembrou bastante o mesmo papel que fez em O TROCO, um dos seu melhores trabalhos, embora não chegue nem aos pés do grande Lee Marvin em POINT BLANK...

O FIM DA ESCURIDÃO está longe de ser perfeito, mas assistir ao Mel Gibson à vontade atacando de policial durão amargurado num thriller político/policial é sempre interessante. Há bastante tempo o sujeito não atuava. Durante os anos de abstinência aproveitou para experimentar e amadurecer atrás das câmeras com A PAIXÃO DE CRISTO, que eu detesto, e APOCALYPTO, que eu gosto.

Este aqui é inspirado num programa de TV britânico homônimo da década de 80, tinha como seu diretor o mesmo cara que comanda esta versão, Martin Campbel, que me ganhou com sua visão de 007 em CASSINO ROYALE e que consegue imprimir um bom trabalho de direção neste aqui. O filme é um pouco truncado devido ao excesso de diálogos, informações e por causa da trama cheia de pretensões e detalhes que me desagradam, mesmo assim Campbell deu um pouco de vida a um material que nas mãos de alguns seria mais um filme medíocre feito exclusivamente para Mel Gibson. Na verdade, a impressão que dá é que se trata, realmente, de um filme exclusivo para o sujeito, mas Campbell tem seriedade e criatividade de sobra para impor seu estilo ao filme, diferente dos artesões da atual Hollywood.

Gibson, como eu disse, faz um tipo que eu adoro e consegue carregar a narrativa tranquilamente, mas não é o único destaque entre o elenco que possui ainda Danny Huston e o magnífico ator britânico Ray Winstone, marcando presença com sua voz meio rouca e muito talento.

O resultado disso tudo é um neo noir bem interessante que possui uma face dark e violenta e outra com um sentimentalismo banal para tentar agradar todo tipo de público, eu acho. Uma frieza maior por parte dos realizadores iria soar muito bem, mas difícil esperar por isso num filme deste porte, então tudo bem. Estória boa é que não faltou. Se não quiserem saber spoilers, parem de ler por aqui. A trama é sobre um policial (Gibson) que tem a filha assassinada e pensa, como todo mundo, que o alvo era ele. Começa a investigar por conta própria e descobre que os bandidos não haviam se enganado e que a situação é mais escabrosa que ele poderia imaginar!

Ok, se ainda estiverem com vontade, podem voltar a ler... Ah, mas também agora não tenho mais nada a dizer... chega por hoje.

ICARUS - trailer

Espero que o Dolph não estrague dessa vez, como aconteceu aqui...

06 Fevereiro, 2010

DRIVEN TO KILL (2009), de Jeff King

O ano passado foi muito bom para Steven Seagal. Agenda musical lotada, reality show estreando na TV e seus três filmes, produções direct to video, foram acima da média, sem contar que ele filmou a sua participação no próximo trabalho de Robert Rodriguez, o mais que esperado MACHETE. Os detratores vão continuar falando mal, tudo bem, nós já nos acostumamos com isso. Mas, para os fãs de Seagal, 2009 foi uma ótima oportunidade para poder conferir bons filmes do sujeito: DRIVEN TO KILL, THE KEEPER e A DANGEROUS MAN. Mais do que isso, independente de ser estrelado por Seagal, foram três bons filmes de ação à moda antiga, com roteiros legais e simples e sem as frescuras das grandes produções.

Claro que a presença de Seagal conta muito e é difícil imaginar esses papéis na pele de outro astro. Em breve eu comento sobre THE KEEPER e A DANGEROUS MAN, podem me cobrar. Por enquanto, vamos ficar com o DRIVEN TO KILL, que embora o título na tradução literal seja “dirigindo para matar”, em nenhum momento alguém pega um carro e sai dirigindo com a intenção de tirar a vida de alguém... Eu tenho a impressão de que os realizadores resolveram adotar um título que faça referencia a filmes antigos do Seagal, como HARD TO KILL. Acho até que gastaram um bom tempo na pós produção pensando em qual verbo, adjetivo, etc, poderiam colocar antes do “to kill”. Finalmente, apesar de não fazer sentido algum ao filme, todos aceitaram o “driven”. Pra mim está ok! Brincadeira, o "driven" pode estar no sentido de impulsionado, sacou? Impulsionado a Matar! Um belo título para um filme de ação!

De qualquer maneira, mesmo não atingindo o nível de seus primeiros trabalhos, DRIVEN TO KILL, dirigido de forma séria por Jeff King (que já havia trabalhado com o ator antes), é o mais próximo que se pode esperar neste sentido. Provável que seja o trabalho mais consistente de Seagal desde que entrou de vez na dos filmes que vão direto para o vídeo.

O homem interpreta um escritor muito bem sucedido especializado em romances policiais que vive tranquilamente numa cidadezinha qualquer. Embora assine como Jim Vincent, possui sangue russo correndo nas veias, seu verdadeiro nome é Ruslan e fora um perigoso membro da máfia russa em outra cidade qualquer no passado (eu realmente não me lembro em quais cidades o filme se passa, só sei que foram filmadas no Canadá, onde certamente estavam tentando recriar cidades americanas, ok?).

Seagal tatuado, concentrado em suas escrituras e tomando chá de alecrim...

Seagal tem aqui, além de uma boa performance, com direito a sotaque estrangeiro muito mal acentuado por sinal, uma rara mudança de visual com os braços tatuados e sem o famoso rabinho de cavalo. Percebe-se que Seagal está fazendo um esforço para melhorar seus trabalhos DTV, porque o nível de alguns filmes haviam baixado demais e era preciso uma tolerância extrema para gostar de coisas como FLIGHT OF FURY, por exemplo... e olha que eu sou um dos maiores fãs do homem que vocês vão encontrar por aí. Defendo até as mais absurdas porcarias que ele faz, mas às vezes é difícil!

Enfim, em DRIVEN TO KILL ele realmente constrói um personagem, apesar de suas limitações. É claro que acaba sendo a velha figura de sempre, mas já dá uma diferença. Para dificultar ainda mais o desafio da atuação, seu personagem possui um relacionamento distante da filha que vive com a mãe (na cidade onde era mafioso), hoje casada com um advogado milionário que tem “vilão” escrito na testa! Com sua filha prestes a casar, Ruslan precisa comparecer e fazer o papel de pai durante a cerimônia, conversar com seu futuro genro pra saber suas intenções com sua filha, etc...

Mexeram com a filha do homem errado!

O problema inicia quando a casa onde todos estão é invadida por mascarados e uma desgraça acontece. Casamento cancelado! Ruslan agora precisa reviver na pele o seu passado para descobrir a merda que aconteceu, isso inclui os ingredientes de sempre da boa e velha fórmula de um Steven Seagal's movie: brigas em bar, braços quebrados, vidros estraçalhados, muito tiro e até usar os corredores de um hospital como um verdadeiro campo de guerra... o que mais posso querer em um filme do sujeito?

Mais sobre Seagal e seus filmes aqui.

05 Fevereiro, 2010

Hoje tem CINE TERROR NA PRAIA

Oportunidade única e sensacional aos meus conterrâneos! Hoje inicia uma mostra organizada pela trupe de Rodrigo Aragão, diretor de MANGUE NEGRO, onde serão exibidas produções locais de gênero fantástico, além de outras atrações. Confira a programação a baixo. O Dementia 13 estará presente, com certeza!

5 de fevereiro, sexta-feira
20h00 Guarapari Trash Part I: Águas da Vingança • Cachorro do Mato • Balada Sangrenta • Peixe Podre • Chupa Cabras
22h00 Recurso Zero Produções: Gato • Junho Sangrento • O Assassinato da Mulher Mental • Minha Esposa É um Zumbi
23h30 Sessão Maldita: À Meia-Noite Levarei Sua Alma

6 de fevereiro, sábado
20h00 Guarapari Trash Part II: Águas da Vingança 2: A Vingança • Cachorro do Mato 2 • Peixe Podre 2 • O Massacre da Espada Elétrica • Eve
21h00 Sessão Seu Osório
22h00 Estranho Sul: Quarto de Espera • Quiropterofobia • Cortejo Negro • João Ninguém • Sessão das Oito • Zombio
23h30 Sessão Maldita: Zombie

7 de fevereiro, domingo
20h00 Sangue Capixaba: Vampsida • Rito de Passagem • A Lenda de Proitner
21h30 Premiados CineFantasy: Manual Practico del Amigo Imaginário • Forecast • Porque Hay Cosas Que Nunca Se Olvidan • El Hombre de la Bolsa • DVD • A Última Noite • Romance

04 Fevereiro, 2010

George Romero's birthday!


03 Fevereiro, 2010

FÚRIA SILENCIOSA (Silent Rage, 1982), de Michael Miller

Um dos meus filmes preferidos do Chuck Norris é FÚRIA SILENCIOSA. É também um dos filmes mais estranhos do homem. Uma híbrida junção de slasher movie oitentista com uma pitada de sci-fi e os filmes de porrada que Norris estrelava naquela época, inclusive o seu personagem é o habitual xerife casca grossa de uma pequena cidade americana.

O filme inicia na casa de um sujeito de família. Claramente perturbado, ele pega um machado e faz sua esposa de picadinho. O xerife é chamado e depois de uma luta corpo a corpo com o sujeito, consegue prendê-lo. Os elementos bizarros começam a surgir nesse momento. Ainda algemado dentro carro, o moço quebra as correntes, arranca a porta do carro com um chute e o espectador fica sem reação com a força descomunal do homem, que precisa ser parado à bala!
Chuck Norris mais uma vez é o xerife durão!

O cara acaba morrendo na mesa de operações do hospital, onde os médicos ainda tentavam salvá-lo. A partir deste ponto, nota-se que estamos diante de um filme diferente estrelado por Norris. O sujeito, na verdade, era uma cobaia de uma experiência médica que reconstrói os tecidos humano rapidamente, igual ao Wolverine. Dois médicos resolvem ressuscitar o cadáver com uma dose do medicamento ainda em teste, o que eles não imaginavam é que, após acordar, o sujeito se tornaria uma máquina de matar com uma super força e invulnerável.

Cenário de Suspíria ou um filme do Mario Bava?

É isso mesmo, meus caros, por incrível que pareça Chuck Norris enfrenta uma espécie de zumbi em FÚRIA SILENCIOSA! Ron Silver interpreta um médico que se opôs aos seus colegas nas experiências em interferir com o destino do morto. Como na filosofia desta espécie, a criatura acaba matando seus criadores. Aliás, o ressuscitado acaba matando quase todo o elenco, exatamente como os slashers oitentistas. Ele só não contava com os roundhouse kick’s de um certo xerife.

roundhouse kick na cara!

Tirando uma cena de briga de bar, onde Norris enfrenta uma gangue de motoqueiros, toda narrativa de FÚRIA SILENCIOSA é tratada como um filme de suspense. O diretor Michael Miller optou por longos planos, especialmente dentro de ambientes fechados, e não são poucos os momentos onde o assassino com um objeto cortante espreita atrás de alguma vítima, com direito a câmeras subjetivas e atmosfera típica do terror da época.

A briga no bar é inserida de forma nada orgânica. Apenas para que o ator possa dar uma demonstração de suas habilidades de defesa corporal e também para os fãs que esperavam um filme de mais ação não saiam reclamando que o filme é uma merda completa. Ou talvez estava no contrato e o diretor só percebeu depois que já havia feito um filme de terror. “Diretor, quando é minha cena de luta?” “Hã?!”. Mas a sequência é excelente, diga-se de passagem...

Chuck Norris paquerando.

Momento de amor...

O filme tem ótimos momentos, como o videoclip ao som de uma canção romântica e imagens de amor entre Norris e sua garota. É um momento de amor, o cara também tem coração. E claro, temos o grande final com o confronto entre o herói e a figura bizarra que não morre. Norris mete chumbo grosso, joga o sujeito pela janela do sexto andar, um carro explode com o homem dentro e nada. O jeito foi resolver no tapa mesmo!

FÚRIA SILENCIOSA é um filme fascinante para quem acha que já viu de tudo. Vale a pena uma conferida!

02 Fevereiro, 2010

Giulio Petroni

R.I.P.
1920 - 2010


31 Janeiro, 2010

NOT OF THIS EARTH (1988), de Jim Wynorski

Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como gozação quanto uma homenagem aos clássicos do gênero. A idéia é do próprio Corman, que colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski. Mas em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e estória ingênua que não faz a mínima questão de se levar a sério. Sobrou apenas aos fãs ardorosos de tralhas divertidas o prazer de desfrutar mais uma maravilha da dupla Corman/Wynorski.

Uma das principais atrações é a atriz principal, Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena que seus atributos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas uma ceninha de topless. Ela até que se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama onde um vampiro do espaço, que parece ter saído de OS IRMÃOS CARA DE PAU, precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta.

Para os créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH, foi feita uma montagem com cenas de vários clássicos dirigido pelo mestre Roger Corman e insere de uma maneira bem interessante o espectador no plano dos filmes B, produções de baixo orçamento realizadas em tempo recorde!

As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso, cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez gratuita, situações engraçadas, personagens burlescos, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

29 Janeiro, 2010

THE SWORD AND THE SORCERER (1982), de Albert Pyun

Não se preocupem, este ainda é o Dementia 13 de sempre, voltado para o lado obscuro do cinema, mas com um visual mais claro... aquele fundo preto, embora eu goste bastante, estava me dando dor nos olhos quando eu lia os textos. Então espero que não se importem, porque ainda temos muitas surpresas para serem comentadas, começando com mais uma pérola do Albert Pyun.

Fui logo de uma vez para o seu filme de estréia, que eu nunca tinha assistido, embora o gênero aventura/fantasia tenha sido um dos meus prediletos durante a infância. E como não me lembro de ter postado sobre algum Sword & Sorcerer movie aqui no Dementia 13, por que não começar com aquele filme cujo título nomeou o gênero?

O herói com sua espada cheia de surpresas...

Os anos oitenta deixaram um vasto acervo de exemplares deste estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que maracaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo...

O feiticeiro Xusia mostrando a Cromwell seu novo esmalte de unha.

Mas infelizmente, e até curioso isso, THE SWORD AND THE SORCERER acabou no ostracismo, como tantos filmes do gênero. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura, com bastante humor, mulheres nuas bem à vontade, violência gratuita e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Haviam cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor de 26 anos colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado pelo mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que quem lhe ensinou foi o Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de SWORD AND THE SORCERER, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B com bastante graça.

Não podia faltar, não é mesmo?

A trama é basicamente uma estória de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch, sinônimo de vilão) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível. Mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A estória continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do Rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino de seu pai, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração da princesa.

O conselheiro de Cromwell chegando por trás...

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo que esteja envolvido na maior das porcarias, o que acaba valendo a pena pela sua presença sempre marcante nas fitas dentre as quais participa. Não foi preciso aqui, pois se trata de um ótimo filme, embora a sua presença seja crucial.

Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito o grande Errol Flynn. Demasiado canastrão que sabe se impor em cena, inclusive a semelhança física entre os dois reforça esses devaneios meus...

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Eca!

Podemos dizer que Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme. Uma pena que seus trabalhos seguintes não tiveram a mesma repercussão. Mas há quem goste. Eu estou aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de THE SWORD AND SORCERER que estava nos planos dos produtores desde aquela época...

28 Janeiro, 2010

Zelda Rubinstein

RIP
1933 - 2010

25 Janeiro, 2010

MANSÃO DO TERROR, aka O POÇO E O PÊNDULO (Pit and the Pendulum, 1961), de Roger Corman

Se O POÇO E O PÊNDULO não for a melhor dentre as adaptações da obra de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. A ORGIA DA MORTE permanece no topo, na minha opinião, pela combinação visual impressionante, o uso das cores de maneira única como elemento de horror e a fotografia sensacional de Nicholas Roeg, além, é claro, por Vincent Price numa atuação impecável incorporando o diabólico Prospero.

Vincent Price e seu sorriso sapeca...

Mas O POÇO E O PÊNDULO também é uma autêntica obra de arte do terror clássico dirigido magistralmente pelo mestre Roger Corman. Desses filmes que chega a bater uma tristeza e nos faz refletir o que aconteceu com o gênero... Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

Um belo quadro filmado por Corman.

A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com mais ênfase em seu filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland (acredito que A QUEDA DA CASA DE USHER também tenha, mas ainda não assisti). O jovem Francis (John Kerr) chega ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price) em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva.

Ops!

O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado.

Ah, aí está o pêndulo do título!

Vincent Price está sublime, mais uma vez, interpretando Nicholas Medina, um personagem ambíguo e de transformações radicais e que já se tornou elemento essencial na composição do estilo de Corman, juntamente com o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da estória finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam ao filme tornar-se digno de antologia.

23 Janeiro, 2010

RANGERS (2000), de Jim Wynorski

Enquanto Hollywood prepara outro filme caríssimo qualquer que seja sobre a situação no Oriente Médio, guerras e intrigas políticas altamente elaboradas, com um elenco formado pelo alto escalão do cinemão americano, cenas de ação explosivas e efeitos especiais de primeira, com exceção de poucos filmes o resultado é sempre mais do mesmo.

Sendo assim, prefiro sossegar no meu confortável sofá, degustar de um bom inebriante e colocar na agulha uma tralha do nível de RANGERS, filme onde um roteiro cretino é mero detalhe, os atores são péssimos, as situações são forçadas e o resultado é ruim de doer! Ao menos não possui pretensão alguma e cumpre muito bem o papel ao qual foi designado: servir de diversão aos fanáticos por tosqueiras de baixo orçamento.

O filme é mais uma proeza do Jim Wynorski, discípulo de Roger Corman que apareceu com seus primeiros filmes nos anos 80 e não parou mais, possuindo atualmente 79 filmes catalogados no imdb, mas como nem o famoso site consegue acompanhar o ritmo desses caras, aposto que o número deve ser um pouco mais alto... principalmente quando se trata de pessoas que adora um pseudônimo, como é o caso de Jim. Em RANGERS ele assina como Jay Andrews. Costumo dizer que Jim Wynorski e Fred Olen Ray são Joe D’Amato e Jess Franco da nossa geração em termos de quantidade produtiva. Os filmes desses dois, somados, daria mais de 200 filmes de qualidade duvidosa para serem saboreados.

O protagonista com a esposa gostosa que só quer um pouco de atenção...

Jim ainda possui a façanha de ser considerado o mestre do “stock footage cinema”, como diz o meu amigo Osvaldo Neto. Ou seja, para que gastar um dinheirão filmando determinadas cenas se todas elas já foram filmadas por outras pessoas? Então não é novidade a inserção na montagem de cenas de multidões, explosões, aviões e helicópteros pertencentes a outros filmes. No caso de RANGERS, Wynorski pegou pesado! O sujeito catou sequências inteiras de INVASÃO USA, de Joseph Zito, estrelado por Chuck Norris, de 1985, para serem implantadas à narrativa na maior cara de pau!!!

A trama envolve um grupo de agentes especiais do governo americano que inicia o filme numa missão no Oriente Médio. O objetivo é capturar Hadad (Edouard Saad), um terrorista que possui a cabeça a prêmio. Só que a missão dá errado, traições acontecem, reviravoltas e mistérios super criativos para não deixar o espectador bocejando (e isso em menos de 10 minutos), tudo porque há uma jogada intrigante por parte do governo americano e da CIA para eliminar seus próprios agentes, fortalecer suas relações com os terroristas e obterem petróleo de uma forma mais fácil. É, a trama é barra pesada!

O oficial Shannon, de herói à bandido, fazendo cara de quem quer vingança!

Os agentes, liderados por Broughten (Matt McCoy), conseguem escapar levando Hadad como prisioneiro, mas acabam deixando pra trás o oficial Shannon (Glenn Plummer), que dá um jeito de se acertar com os terroristas prometendo Hadad de volta e aproveita para bolar seu plano para se vingar daqueles que armaram contra ele. É aí que entram em cena os enxertos de INVASÃO USA, já que os terroristas árabes invadem o país com a ajuda de Shannon para libertar seu líder. Mas, peraê, os terroristas do filme de Chuck Norris não eram árabes... ok, isso também não importa, mas é de rolar de rir com o resultado.

Não tinha uma arma menor?

Um tanque de guerra saído de INVASÃO USA

A sequência de ação final de INVASÃO USA na qual os terroristas enfrentam o exército americano nas ruas da cidade foi inserida TOTALMENTE em RANGERS. Existem várias outras cenas roubadas, é impressionante. Mas o melhor de tudo ainda está por vir.

Uma explosão de INVASÃO USA

O duelo final entre Broughten e Shannon é inevitável. O segundo foge do primeiro, pega o primeiro ônibus estacionado que encontra e foge dirigindo. Broughten para um outro ônibus, tira o motorista de dentro e inicia a perseguição pela cidade movimentada. Aposto que os mais nostálgicos e fissurados por cinema de ação já sacaram. Que filme acontece uma perseguição de ônibus no meio do trânsito entre o vilão e o mocinho no final? Acertou quem disse INFERNO VERMELHO, de Walter Hill, estrelado pelo Arnoldão. E vocês acham que o malandríssimo Wynorski iria filmar uma sequência como essa? É óbvio que não! E tome mais enxertos na cara dura!

Só mesmo num filme B de ação colocariam um sujeito com essa cara de bunda mole para ser o herói!

Para completar a diversão, não deixe de reparar os furos de roteiro, cortesia do fiel colaborador de Wynorski, Steve Latshaw, diálogos impagáveis, a sombra da câmera aparecendo diversas vezes dentro do quadro, as expressões faciais do protagonista Matt McCoy, disputando com Dartanyan Edmonds, Glenn Plummer ou Rene Rivera quem tem a atuação mais ridícula. Alguém consegue me explicar como um sujeito sendo perseguido de carro consegue acertar um tiro no vidro de trás do outro carro que está na sua cola sem acertar o vidro da frente? Na cabeça desse picaretas tudo é possível!

22 Janeiro, 2010

Filmes recentes...

Meu tempo de dedicação ao blog anda bem curto, por isso a falta de atualização com textos maiores, mas vou arriscar algumas palavras do que tenho visto neste primeiro mês de 2010 dentre os filmes novos. Fui ao cinema com a patroa assistir ao mais recente Guy Ritchie, SHERLOCK HOLMES. Como defensor confesso do cinema do ex-marido da Madonna, apesar de tantos detratores, saí um pouco decepcionado da sessão. Não que o filme seja ruim, mas não está a altura de seus melhores trabalhos. É uma boa diversão e só. Quem ganha muito com isso é Robert Downey Jr. que aproveita um bocado o momento para fazer o que sabe melhor (e que o público tem adorado): mais uma variação do mesmo personagem...

Assisti também a BLACK DYNAMITE, que é uma delícia de filme e merecia um post a parte. Fica a recomendação. 500 DIAS COM ELA tive que ver com a patroa, não faz muito o meu gênero, mas é bem simpático. Mas um filme que quase me colocou de joelhos foi HARRY BROWN, do estretante Daniel Barber, uma investida séria e bastante atual ao subgênero “Vigilante”, no melhor estilo de DESEJO DE MATAR, estrelado por Michael Caine, magnífico como o protagonista vingador que resolve pegar pesado com os meliantes de seu bairro após assassinarem seu único e velho amigo. Caine demonstra que não perdeu a intensidade como cabra durão apesar da idade, como fazia nos anos 70 com atitude e estilo. Certo, o filme não é nenhuma obra prima e perde muito de sua força à medida que caminha para o final, mas basta sua primeira metade para colocá-lo entre os melhores visto (até agora).

20 Janeiro, 2010

PIRANHA 3D - imagens e trailer

Algumas imagens bem interessantes dos sets de PIRANHA 3D, novo filme dirigido por Alexandre Aja e que está para sair este ano. Estou ansioso por este aqui.

E o trailer: