11.6.09

VAMPYROS LESBOS (1971), de Jess Franco


Em 1971, o prolífico diretor Jess Franco realizou a sua versão do Conde Drácula, com Christopher Lee interpretando mais uma vez o papel do famoso vampiro. Naquele mesmo ano, não satisfeito em apenas contar a tradicional estória do célebre personagem, que, aliás, já estava bem desgastada com as tantas versões para o cinema, Franco resolveu botar a cuca para trabalhar e subverteu totalmente o livro de Stoker dando uma roupagem que tivesse mais relação com seu estilo cinematográfico e suas obsessões. Em outras palavras, muita sacanagem, nudez gratuita e psicodelia visual! Estamos falando de VAMPYROS LESBOS!

Neste clássico sexploitation, a estória transcorre no tempo presente (inicio da década de setenta, para ser mais exato), o obscuro conde Drácula se transforma em uma belíssima condessa, interpretada pela musa espanhola Soledad Miranda, que na época do lançamento do filme, já havia batido as botas, ainda muito nova, num acidente de carro. Renfield dá lugar a uma histérica senhorita num manicômio (Heidrun Kussin), o doutor/caçador de vampiros Van Helsing, não passa de um médico sem muita expressão (a não ser por lembrar um bocado o James Stewart bem velho), e por aí vai...

A trama, eu imagino, quase todos conhecem, mas Franco deu uma adaptada considerável ao seu gosto peculiar: Linda (Ewa Strömberg) e seu namorado Omar (Andrés Monales, aka Victor Feldman) vão a um Night Club onde acontece a apresentação erótica de uma misteriosa mulher, algo que impressiona extremamente a moça, que passa a ter pesadelos com a atriz performática.

Após alguns dias, Linda, que é, óbvio, agente imobiliária, vai a uma ilha à trabalho para acertar a papelada de uma compra de propriedade com a Condessa Nadine (Miranda), que, vejam só, se trata da mesma mulher dos sonhos! Que surpresa... Bom, o que Linda não sabe, mas o espectador mais espertinho já matou, é que Nadine é uma vampira. A condessa seduz Linda, as duas colocam as aranhas para brigar, e terminam com a mordida no pescoço.

A trama prossegue por este caminho, sempre abusando da nudez de suas atrizes, que é algo positivo, mas sempre num ritmo lento, quase parando, e a câmera do Franco em constantes zoons sem sentido e cansativos, mas que acabaram fazendo parte de seu estilo de filmar. Algumas cenas são muito bem elaboradas visualmente, como as apresentações no Club, com a Miranda exibindo toda graça e beleza, e ajuda um pouco a compensar as terríveis atuações, diálogos medíocres e a dificuldade de empurrar a estória cheia de furos e erros desta versão fajuta que o Franco criou, apenas para mostrar umas mulheres nuas se esfregando.

E deixo isso bem claro, porque VAMPYROS LESBOS é o típico filme para os fãs do sujeito que sabem enxergar que até uma tralha velha como esta aqui possui seu valor artístico. O próprio Franco é um diretor muito mais odiado que admirado, e isso é uma pena, porque entre seus duzentos filmes, dá para encontrar alguns realmente muito bons! E pelo amor de Deus, com duzentos filmes tem que ter algo que presta!

10 comentários:

  1. Ou seja, not for Twilight fans!

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  2. Não é um filme que me agradou totalmente, mas a beleza da mulherada garante o interesse!

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  3. Cara demais! É o meu Franco, dos poucos que vi dele, favorito junto com Macumba Sexual. Sensualidade bizarra e surreal. O que mais eu posso pedir de um filme desses?

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  4. Esse é um dos poucos filmes que me fazem suspirar de satisfação...
    Ah! Soledad!
    Meu Franco favorito...

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  5. Jesus Franco deveria ter feito uma adaptação de Valentina do Crepax, em vez de ficar perdendo tempo com os filmes do Fu Manchu e aquele do Drácula.

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  6. Estou com os dois Fu Manchu aqui e uma porrada de filmes dele dos anos 60... vamos ver o que sai disso tudo.

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  7. Soledad Mirando linda demais pqp. MUSA.

    Aqui tenho Lesbos, Macumba Sexual, Nightmare comes at the night e faceless, mas não vi nenhum ainda.

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  8. Johnny Ratazana12/06/09 15:46

    Um ano que essa porra tá aqui e até agora não vi, haha. Talvez hoje...

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  9. Adriano Miranda25/08/09 08:15

    VAMPYROS LESBOS é um cult inconstestável e divide com UNE VIERGE CHEZ LES MORTS VIVANTS o título de melhor filme de Jesús Franco - um cineasta completo e ( melhor de tudo ) cinéfilo de primeira. Soledad Miranda ( desconhecida pelo público que acha que cinema é Hollywood ) foi uma das mais lindas atrizes da História ! Franco tem grandes filmes em seu currículo e foi excomungado pela Igreja Católica ( juntamente com Luis Buñuel ) por ser considerado o " mais perigoso " cineasta ! Precisa mais ? ( Franca-SP )

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