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O QUARTO HOMEM (De Vierde Man, 1983), de Paul Verhoeven

Já perceberam que deixei de lado a peregrinação pelo cinema do Jean Pierre Melville que estava fazendo todo empolgado há um mês atrás? Meio sem querer, tornou-se mais interessante tratar da fase européia do Verhoeven. O QUARTO HOMEM foi o último filme rodado em seu país natal (repito o que escrevi no texto abaixo: depois de duas décadas filmando nos Estados Unidos ele retornou para Holanda e dirigiu A ESPIÃ). Uma cambada comentou no último post que CONQUISTA SANGRENTA é a obra prima do diretor, não querendo ser o diferentão, mas eu gostei mais deste aqui. Aliás, a obra prima do Verhoeven, na minha opinião, ainda é O VINGADOR DO FUTURO! Yeah!

A trama de O QUARTO HOMEM gira em torno de Gerard (Jeroen Krabbé), um escritor alcoólatra bichona, que acaba se envolvendo sexualmente com Christine (Renée Soutendijk) uma loira magrela e ricaça, que segundo o próprio Gerard “parece um rapazinho de dezessete anos” (ou algo assim). Mas o que segura mesmo o romance entre os dois é que o sujeito se apaixona pelo amante da moça, Herman (Thom Hoffman) e quer “arrancar as pregas” do mancebo a qualquer custo. Enfim, mas as coisas começam a ficar estranhas quando, aos poucos, ele descobre que Christine já foi casada três vezes e todos seus maridos morreram em acidentes pouco comuns, e desconfia que possa ser a quarta vítima.

O que mais me impressiona no filme é a forma na qual Verhoeven estrutura a narrativa manuseando um quebra cabeça de simbologias com os devaneios do protagonista fazendo ligação com futuros enventos planejados pelo roteiro. O diretor trabalha perfeitamente com a alegoria dos sonhos e ilusões remetendo a um surrealismo de Buñuel ou Jodorowsky com um poder de imagem magnífico, principalmente quando se trata de elementos sacros. E, ainda, é curioso ver como Verhoeven utiliza-se do suspense psicológico desde o inicio definindo um tom que aparentemente, para o espectador que desconhece a trama, não faz sentido algum, mas calmamente vai perturbando e preparando o terreno para as descobertas e para um final que arrebata e confunde ao invés de entregar um desfecho cheio de explicações.

Dá para perceber pelas imagens acima que se trata de um grande filme desse holandês maluco e muito superior ao seu primo distante que o próprio Verhoeven dirigiu, INSTINTO SELVAGEM, que também é ótimo. Como eu disse nos comentários do ultimo post, a única coisa ruim que o holandês filmou foram os 15 minutos finais de O HOMEM SEM SOMBRA. O resto é maestria!

Comentários

  1. Também acho esse bem superior ao Conquista Sangrenta, que no entanto é excelente!
    Mas creio que o melhor dele continua sendo Louca Paixão, filme bem barra pesada mesmo. Acho que vou aproveitar a ocasião para rever rsss.
    Abraço!

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  2. Já estou com este aqui, Sérgio. Vou ver o mais breve possível! Parece ser bem barra pesada mesmo!

    Abraço!

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  3. Também acho que vou furar a fila e botar o LOUCA PAIXÃO logo no começo.

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  4. O homem sem sombra todo é bem fraco,nem é só o fim.
    E quero ver Showgirls!!!

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  5. Que nada, O HOMEM SEM SOMBRA é muito divertido!

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  6. Também curto O HOMEM SEM SOMBRA. Concordo com o Ronald, o filme só é ruim no final.

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  7. Mais um grande filme do Verhoeven.
    Também gostei muito das cenas de sonhos dos personagens, todas bem simbólicas, como os gados abatidos, simbolizando os três maridos mortos anteriormente, esperando apenas ele.
    O olho também mostra o que está por vir com o amante. Até o início com a viúva negra tem um sentido.

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  8. Verhoeven é um dos que estou em dívida, vi muito pouca coisa. Mas pretendo corrigir isso em breve! A Espiã foi uma das melhores coisas que vi ano passado, meu Deus, Carice Van Houten...valeu pela visita, o Amantes já pus pra baixar, enquanto o crime que é não ter as obras do Cassavetes em DVD no Brasil ainda não é resolvido.

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  9. pessoal, onde vcs conseguiram este filme? valeu!

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  10. Se eu não estou enganado, foi no making off...

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  11. Vi.
    Verhoeven é gênio. E ainda acho Basic Instinct melhor.

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