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FROST/NIXON (2008), Ron Howard

Me pegou de surpresa. Não esperava um filme tão interessante vindo do Ron Howard. É... não sou lá um apreciador do cinema do cara. Aliás, o vejo simplesmente como mais um diretor sem personalidade alguma da Hollywood atual. Mas mandou muito bem em FROST/NIXON que rendeu indicações ao Oscar de melhor filme, diretor, ator, etc. Não acho isso tudo, mas já nem discuto mais os critérios e motivos dos quais o povo da Academia escolhe os filmes indicados. Destas, só a de ator para o Frank Langella é realmente merecida.

Mas como eu disse, o filme me surpreendeu. Deve ser porque eu esperava algo bem diferente do que vi. Pensei que seria um filme essencialmente focado na entrevista que David Frost realizou com o ex-presidente americano Richard Nixon. Mas não. O filme vai mais além e é muito dinâmico. O roteiro explora de maneira ficcional os bastidores da famosa entrevista explorando ambos os lados (entrevistador e entrevistado) em seus momentos antes, durante e depois do tal evento.

Ron Howard até consegue conduzir tudo num bom trabalho de direção econômica sem os excessos habituais. O grande ápice do filme acontece quando inicia o conflito psicológico e verbal entre os dois protagonistas – e que não ocorre somente na entrevista - com ótima edição, uma fotografia muito bem elaborada e um show de atuação da dupla de protagonistas. Há uma belíssima cena quando Nixon telefona para Frost, um dos momentos mais “fortes”, digamos assim, e que Langella destrói. O sujeito está um monstro em todos os momentos em que surge em cena. Uma coisa absurda. Desde os mínimos detalhes até as expressões faciais, Langella se transformou no Richard Nixon, mesmo não tendo aparência alguma com o ex-presidente americano. Gostei até mais que a atuação do Sean Penn em MILK...

Uma questão que eu achei curiosa em FROST/NIXON é a de trazer a tona, justamente agora, um presidente americano que fez umas “cagadas” durante o período que esteve no poder (não que outros não tenham feito). Mas faz uma boa alusão ao último presidente americano, não é mesmo?

Comentários

  1. Ron Howard era bom fazendo filmes despretensiosos nos anos 80, como Splash, mas depois quando seus filmes passaram a ser "sérios" demais ficaram catastróficos, frágeis, insípidos e terrivelmente didáticos. Mas talvez com esse novo ele tenha se saido melhor...

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  2. Vou ver só quando estreiar, e sem a mínima curiosidade. E pensar que Ron Howard iria dirigir A Troca do Clint. Iria sair algo meloso tipo Uma Mente Brilhante.

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  3. Eu já tava afim de ver esse filme, com uma resenha favorável fica melhor ainda.
    Ronald, sobre o especial: se não der fica tranquilo, nem esquenta. =)
    Abraços!

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