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1990 - OS GUERREIROS DO BRONX (1982), de Enzo G. Castellari

A essa altura, acho que quase todo mundo sabe que certa parcela do cinema italiano no início dos anos 80 era formada por alguns dos principais picaretas da indústria cinematográfica mundial. Choviam filmes italianos que se aproveitavam do sucesso comercial de outra produção. MAD MAX, por exemplo, foi responsável por gerar uma penca de filmes pós-apocalípticos carcamanos. 1990 – OS GUERREIROS DO BRONX é um belo exemplar, embora não tenha nada a ver com o filme estrelado pelo Mel Gibson. Na verdade, é uma mixagem inspirada de FUGA DE NOVA YORK, de John Carpenter com THE WARRIORS, de Walter Hill.

A direção do grande Enzo G. Castellari é muito acima da média das imitações de baixo orçamento que surgiam aos montes na época, mas 1990 – OS GUERREIROS DO BRONX não ficou livre de alguns problemas que constantemente eram encontrados nestas específicas produções, como é o caso do roteiro fraquíssimo, bem cretino mesmo, cheio de buracos e diálogos pífios, além do personagem principal, supostamente o cabra durão do pedaço, interpretado pelo italiano Marco di Gregorio (aqui creditado como Mark Gregory), que não possui carisma algum e caminha como se estivesse com um caroço de milho enfiado no rabo. É lógico que o resultado acaba sendo mais divertido por esses elementos de humor involuntário do que pela proposta em si.

O filme ainda conta no elenco Vic Morrow (em seu último papel antes de morrer no set de THE TWILIGHT ZONE), Fred Williamson e George Eastman, só pra ficar entre os mais conhecidos. A trama é de uma estupidez deliciosa que nem vale a pena ficar gastando. Castellari conduz muito bem as cenas de ação com uma bela contagem de cadáveres e várias seqüências em câmera lenta bem ao estilo Sam Peckinpah. A cena em que Vic Morrow invade o esconderijo dos Riders (cujo lider é a figura que eu comentei no parágrafo anterior) distribuindo bala é um primor, fora a porradaria que come solta durante o filme, principalmente perto do final quando acontece um quebra pau entre Williamson e Eastman.

Mas a diversão continua também nas situações precárias da produção que rendem boas risadas. Um bom exemplo se encontra num dos principais argumentos da trama. No filme, o bairro do Bronx tornou-se uma terra sem lei e sem ordem comandada por diversas gangues, mas a produção não teve permissão de fechar as ruas do bairro para as filmagens, por isso é hilário notar no fundo os carros passeando e as pessoas andando normalmente nesta suposta "terra de ninguém", violenta, sem lei e ordem. Mas o que importa é a essência, não é mesmo?

Comentários

  1. "que não possui carisma algum e caminha como se estivesse com um caroço de milho enfiado no rabo."

    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    O filme deve ser simplesmente hilário. Daquelas tralhas italianas que o Felipe Guerra costuma esculhambar no blog dele hehehe

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  2. Exatamente, meu caro... e este aqui ele já o fez. hehehe

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  3. A essência é tudo, amigo, é tudo. Tchê, já viu o novo do Ji-woon Kim, "The Good the Bad the Weird"? To com ele aqui, irei conferir no final de semana.

    Abs!

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  4. Já vi sim e é bem divertido! Você vai gostar!

    Rapaz, quanto ao texto para o seu blog, até agora não consegui escrever uma linha... vamos ver se vai dar, mas não fique chateado se eu não conseguir! heheh

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