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MANSÃO DO TERROR, aka O POÇO E O PÊNDULO (Pit and the Pendulum, 1961), de Roger Corman

Se O POÇO E O PÊNDULO não for a melhor dentre as adaptações da obra de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. A ORGIA DA MORTE permanece no topo, na minha opinião, pela combinação visual impressionante, o uso das cores de maneira única como elemento de horror e a fotografia sensacional de Nicholas Roeg, além, é claro, por Vincent Price numa atuação impecável incorporando o diabólico Prospero.

Vincent Price e seu sorriso sapeca...

Mas O POÇO E O PÊNDULO também é uma autêntica obra de arte do terror clássico dirigido magistralmente pelo mestre Roger Corman. Desses filmes que chega a bater uma tristeza e nos faz refletir o que aconteceu com o gênero... Por que não se filma mais com tanta elegância, beleza e atmosfera? Claro que existem ótimos casos que ainda salvam atualmente, mas de uma maneira geral o plano mais insignificante de um filme do Corman humilha qualquer coisa do gênero produzida por um grande estúdio americano nos últimos anos.

Um belo quadro filmado por Corman.
A trama central levanta questões sobre catalepsia e o pavor do enterro precoce, tema explorado com mais ênfase em seu filme seguinte, PREMATURE BURIAL, estrelado por Ray Miland (acredito que A QUEDA DA CASA DE USHER também tenha, mas ainda não assisti). O jovem Francis (John Kerr) chega ao castelo de Don Nicholas Medina (novamente Vincent Price) em busca de respostas sobre a recente morte de sua irmã, esposa de Medina. Francis desconfia bastante de seu cunhado, mas uma vez que a trama revela o passado de Nicholas, em sequências alucinatórias bem interessantes, Francis passa a tomar conhecimento dos mais profundos medos de Medina, que acredita piamente que sua mulher foi enterrada viva.

Ops!

O tormento por esse pensamento persegue Don Medina desde pequeno, quando viu seu pai, um entusiasta da inquisição espanhola que possuía sua própria câmara de tortura no porão do castelo, praticando o hobby em sua mãe, deixando-a viva somente para poder enterrá-la ainda naquele estado.

Ah, aí está o pêndulo do título!

Vincent Price está sublime, mais uma vez, interpretando Nicholas Medina, um personagem ambíguo e de transformações radicais e que já se tornou elemento essencial na composição do estilo de Corman, juntamente com o visual caprichado e a atmosfera densa. Outro grande destaque é a presença expressiva da musa do horror, Barbara Steele, no papel de Elizabeth, mulher de Medina. Todos esses elementos ajustados num clímax de tirar o fôlego, quando o vilão da estória finalmente utiliza-se do famoso pêndulo cortante que desce gradativamente até partir ao meio a sua vítima amarrada logo abaixo, possibilitam ao filme tornar-se digno de antologia.

Comentários

  1. o final do filme é mto cruel.
    corman foda.

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  2. A última cena do filme é ótima, e ele é uma prova de que não é preciso milhões de dólares para fazer um clássico.

    Mas PRECISA ser visto em widescreen. Eu vi em tela cheia quando passou no Telecine, e vendo no formato correto é como se fosse um outro filme.

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  3. Com certeza precisa ser visto em widescreen... aliás, qualquer filme da série Corman/Poe é obrigatório nesse formato.

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  4. Um filme excepcional, sem dúvida. Mas se tratando de Corman/Poe, o meu preferido é o House of Usher.

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  5. A última imagem é de um horror tão intenso que não irei esquecer em anos.

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  6. Gosto muito de Mansão do Terror. Mas depois de ter visto recentemente Tomb of Ligeia ele se tornou meu preferido da série. Já viu esse, Ronald?

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  7. Esse é outro que não vi ainda, Sergio. Bom saber que é seu preferido, vou dar uma conferida.

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  8. É um dos mais perfeitos clássicos e como já mencionaram não se precisa ter milhões para se fazer um clássico basta ter criatividade.

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