29.1.10

THE SWORD AND THE SORCERER (1982), de Albert Pyun

Não se preocupem, este ainda é o Dementia 13 de sempre, voltado para o lado obscuro do cinema, mas com um visual mais claro... aquele fundo preto, embora eu goste bastante, estava me dando dor nos olhos quando eu lia os textos. Então espero que não se importem, porque ainda temos muitas surpresas para serem comentadas, começando com mais uma pérola do Albert Pyun.

Fui logo de uma vez para o seu filme de estréia, que eu nunca tinha assistido, embora o gênero aventura/fantasia tenha sido um dos meus prediletos durante a infância. E como não me lembro de ter postado sobre algum Sword & Sorcerer movie aqui no Dementia 13, por que não começar com aquele filme cujo título nomeou o gênero?

O herói com sua espada cheia de surpresas...

Os anos oitenta deixaram um vasto acervo de exemplares deste estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que maracaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo...

O feiticeiro Xusia mostrando a Cromwell seu novo esmalte de unha.

Mas infelizmente, e até curioso isso, THE SWORD AND THE SORCERER acabou no ostracismo, como tantos filmes do gênero. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura, com bastante humor, mulheres nuas bem à vontade, violência gratuita e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Haviam cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor de 26 anos colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado pelo mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que quem lhe ensinou foi o Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de SWORD AND THE SORCERER, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B com bastante graça.

Não podia faltar, não é mesmo?

A trama é basicamente uma estória de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch, sinônimo de vilão) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível. Mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A estória continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do Rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino de seu pai, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração da princesa.

O conselheiro de Cromwell chegando por trás...

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo que esteja envolvido na maior das porcarias, o que acaba valendo a pena pela sua presença sempre marcante nas fitas dentre as quais participa. Não foi preciso aqui, pois se trata de um ótimo filme, embora a sua presença seja crucial.

Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito o grande Errol Flynn. Demasiado canastrão que sabe se impor em cena, inclusive a semelhança física entre os dois reforça esses devaneios meus...

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Eca!

Podemos dizer que Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme. Uma pena que seus trabalhos seguintes não tiveram a mesma repercussão. Mas há quem goste. Eu estou aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de THE SWORD AND SORCERER que estava nos planos dos produtores desde aquela época...

14 comentários:

  1. Discordo completamente sobre serem superiores à viadagem do Frodo, mas não consegui deixar de rir.

    Aliás, a lembrança a Krull e Excalibur é oportunda. Daria para lembrar também O Dragão e o Feiticeiro, de 81, o filme Disney com menos cara de filme Disney até estrear Pulp Fiction em 93.

    ResponderExcluir
  2. > A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo...

    That's my buddy!!

    ResponderExcluir
  3. Esse filme saiu no Brasil, na saudosa era do VHS, com o título A ESPADA E OS BÁRBAROS (porque todos sabemos que "sorcerer" quer dizer bárbaro, certo?). Eu na verdade nunca consegui ver até o final, porque acho que o filme tem pouca violência em comparação a outras cópias de Conan do mesmo período.

    Minha paixão é mesmo pela série DEATHSTALKER! Em breve quero escrever sobre os quatro filmes no FILMES PARA DOIDOS. É meu guilty pleasure de coração, ao lado de Keruak e Os Caçadores de Atlântida.

    ResponderExcluir
  4. Fabio, o SdA não chega nem aos pés do que era feito na quela época, hehe, minha opinião, lógico, e sou daqueles que respeitam a opinião dos outros. E pra deixar claro, não acho os dois primeiros SdA tão ruins assim...

    Felipe, o filme tem pouca violência, mas tem! :)

    E eu sou fã de Deathstalker... mas só assisti ao primeiro! Preciso ver o restante. Fiquei curioso pra ler suas resenhas sobre os filmes.

    Grande abraço a todos!

    ResponderExcluir
  5. Esse tipo de filme não é muito a minha praia, mas parece ser divertido. E ficou massa o novo visual do blog!

    ResponderExcluir
  6. Valeu, Herax! Esse tipo de filme eu era fanático na infância... vou tentar rever algumas pérolas e comentar por aqui.

    ResponderExcluir
  7. Adoro filmes nesse estilo por mais que eu não os veja com tanta frequencia. Krull é mto foda!

    Tenho meio da mesma linha do Fulci, Conquest.
    Quem já viu esse ae?? Presta?

    ResponderExcluir
  8. Eu até tenho o Conquest do Fulci, mas ainda não assisti...

    ResponderExcluir
  9. Muito bom o novo visual!
    Faz tempo que quero ver esse filme. Sou fã do Sword and Sorcery.
    Abração!

    ResponderExcluir
  10. vi essa pérola no cinema quando garoto! E foda-se O Fedor dos Anais, quero dizer, O Senhor dos Anéis!

    ResponderExcluir
  11. O Blog realmente ficou bem diferente!
    Achava o preto mais adequado ao estilo de seu blog. De qualquer forma nao está ruim!

    Nao posso dizer o mesmo desse filme que deve ser ruim demais! Tao ruim ao ponto de ser bom de assistir!!!

    ResponderExcluir
  12. Que nada. Tenho certeza que você iria gostar deste aqui. E não por ser tão ruim que chega a ser bom, mas porque é bom mesmo!

    ResponderExcluir