30.5.09

SHOGUN ASSASSIN (1980), de Robert Houston

Em 1980 estreou nos Estados Unidos essa pequena peça do cinema oriental carregando o nome do diretor americano Robert Houston nos créditos. Trata-se, na verdade, de uma espécie de picaretagem das mais disfarçadas. O fato é que o diretor, também produtor, fã dos chambara movies, comprou os direitos dos dois primeiros filmes da série Lone Wolf (ou Lobo Solitário, como ficou conhecido aqui no Brasil), e resolveu editar, pegando sequencias dos dois filmes, transformando num filme único que se chamou SHOGUN ASSASSIN!

Eu recomendaria os originais antes de assistir a esta obra, mas eu mesmo nunca vi algum filme da série Lone Wolf, e para falar a verdade, nem sabia do lance da picaretagem, mas tudo bem. Procurando informações sobre o caso, deparei-me com algumas diferenças entre a série de filmes do personagem com o filme de Houston que valem a pena comentar. Um das principais é, obviamente, o áudio em inglês, isso provavelmente aconteceu por dois motivos suspeitáveis: 1) o filme foi dublado para que os americanos retardados não precisassem se esforçar na árdua leitura de legendas; 2) Dublando as falas, pode-se manipular o enredo do filme fazendo com que os personagens digam o que os roteiristas quisessem.

Prefiro acreditar na segunda hipótese, embora seja estranho um bando de japoneses do período feudal trocando idéias entre si em inglês, mas também não restam dúvidas de que os americanos são realmente retardados ao ponto de dublarem os filmes para não ler legendas.

Outra questão: o filme possui uma narração em off realizada por Daigoro, o filho do protagonista, ainda criancinha, atuando como a consciência narrativa, com um ponto de vista ingênuo, fantasioso e com um efeito emocional muito maior que, com certeza, os filmes originais devem conter. O próprio diretor afirma que essa narração pode ajudar o publico americano a simpatizar-se pelos aspectos mais humanos da estória. Na minha opinião, a narração só serve pra encher linguiça, ou para justificar os exageros do filme por se tratar da visão de um menino.

Fazendo a mixagem de dois filmes, SHOGUN ASSASSIN acaba possuindo apenas um fiapo como argumento, trazendo como protagonista um virtuoso samurai (Tomisaburo Wakayama) que bate de frente com o Shogun local. Este último pede a cabeça do nosso herói, que passa a vagar com seu filho, dentro de um carrinho, por bucólicos cenários japoneses. E só! Durante essa jornada, ele enfrenta os assassinos contratados do Shogun ou arranja algum serviço como matador profissional. É como os saudosos video games que jogávamos no inicio dos anos 90, em 2D, onde o personagem só tinha uma direção a tomar e encontrava os oponentes para lutar e seguir em frente até encontrar com o chefão da fase.

Até mesmo a trilha sonora contribui bastante com isso, uma melodia moderna produzida por sintetizadores e guitarras que não combinam em nada com filmes de samurai, mas é mais um elemento inconfundível adotado pela edição americana desta bagaça.

Os “chefões da fase” de SHOGUN ASSASSIN são os três senhores da morte, idênticos aos três mestres que aparecem em OS AVENTUREIROS DO BAIRRO PROIBIDO, de John Carpenter, que deve ser um fã da série Lone Wolf.

Os filmes do Lobo Solitário foram baseados em um mangá e fizeram parte deste subgênero pouco divulgado hoje em dia, conhecido como chambara. Para entender um bocado, é bem simples, imaginem um filme do mestre Akira Kurosawa, como OS SETE SAMURAIS, ou YOJIMBO, mas com um visual estilizado com muito mais intensidade e violência gráfica exagerada triplicada! As sequências de ação são preenchidas com muita dose de sangue jorrando e uma quantidade enorme de membros decepados em situações que beiram o absurdo. E apesar disso, as tramas sempre são contextualizadas e precisamente detalhadas dentro da história do Japão feudal.

Por si só, SHOGUM ASSASSIN é um filme bastante divertido e hoje em dia é considerado um clássico cult para os apreciadores de qualquer subgênero do cinema de exploração. Agora eu preciso criar vergonha nessa cara porca e assistir aos filmes originais da série.

7 comentários:

  1. Valeu Mr. perrone por ter colocado o link do meu tosco, humilde e despretencioso blog na turma boa. hehehe... Acompanho ja faz um tempo o Dementia 13 que acho do caralho! Continue assim! Gracias.

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  2. Os filmes originais são do caralho!!! E a HQ é simplesmente a minha predileta de todos os tempos, obra-prima total!!!

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  3. Vi o primeiro da série, e é excelente!

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  4. O mangá é algo foda demais, ainda pretendo ter todos. Uma época eu procurei filmes sobre o Lobo, tinha um rumor que a Aronofsky queria filmar ele e tal. Tem um seriado também, tinha um box especial tri bala, mas aí não lembro detalhes, teria que fuçar novamente.

    Abss!

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  5. Isso é uma obra-prima (tanto a série como o mangá). Pago o que for para quem me arrumar os filmes originais em DVD... Não dá nem pra ver em DivX; é ofensivo.
    E sim: o filme foi dublado pelas duas razões acima. Para flexibilizar o roteiro e porque americano não gosta de legenda. Todos os clássicos kaiju da Toho foram dublados em inglês, e a coisa mais chata é arrumar uma cópia com o idioma original.

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  6. Hello. And Bye.

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  7. Assisti todos os filmes da série e fiquei impressionado pela qualidade. A reconstituição da época feudal do Japão é excelente. Trata-se de um grande clássico produzido pela terra do sol nascente. Imperdível.

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