9.3.09

VOU, MATO E VOLTO (Vado... L'ammazzo e Torno, 1967), de Enzo G. Castellari

Os títulos mais engraçados e inusitados da história do cinema pertencem ao faroeste italiano. VOU, MATO E VOLTO é um dos mais inspirados, uma pena que o filme não seja tanto, embora não deixe de ser um bom exemplar do gênero e vale como curiosidade, já que se trata de um dos primeiros filmes com a assinatura do diretor Enzo G. Castellari.

O inicio é excelente e abre com três sujeitos mal encarados adentrando uma pequena cidade – enquanto a população olha desconfiada através das janelas e cortinas. Do outro lado da cidade uma carroça carrega três caixões que segue na direção dos meliantes. Quando se encontram, um dos bandidos indaga sobre quem estariam naqueles caixões; um outro sujeito que vinha logo atrás da carroça responde justamente o nome dos vagabundos à sua frente e aí já tarde demais: o forasteiro é mais rápido e os três acabam comendo capim pela raiz.

Pena que o restante do filme não consegue manter a mesma intensidade da abertura, mas vale a pena continuar acompanhar a trama que prossegue agora num trem carregando 300 mil dólares em ouro. Monetero e sua gangue roubam o carregamento, mas um dos seus comparsas o trai e coloca o valioso metal num esconderijo e pouco tempo depois é assassinado antes de revelar o segredo. O único objeto que pode conduzir ao ouro é um medalhão.

A partir daqui, VOU, MATO E VOLTO se estabelece com certas semelhansas, ainda que superficiais, a TRÊS HOMENS EM CONFLITO, de Sergio Leone. Ora, temos três personagens, rivais entre si, em busca da fortuna. George Hilton é um caçador de recompensas, o mesmo que apaga os três do inicio, temos também Gilbert Roland vivendo o perigoso bandido Monetero e Edd Byrnes como um empregado do banco cuja responsabilidade era manter o dinheiro seguro durante a viagem no trem.

O medalhão acaba sendo cortado ao meio e ambas as partes são necessárias para encontrar o local secreto. Durante essa “jornada” muita coisa acontece e por conta de um roteiro muito mal escrito o filme acaba decaindo. O principal problema é o excesso de reviravoltas envolvendo traições sem sentido entre o trio principal. É tanta picaretagem que nem o espectador consegue definir pra quem torcer nesta busca pelo ouro. E ainda em certos momentos, o filme vira um verdadeiro pastelão, com um dos personagens dando piruetas no ar com canções de circo ao fundo.

Mas vamos falar das qualidades do filme também: o elenco até que é muito bom, principalmente o uruguaio George Hilton, que está muito carismático como o caçador de recompensas misterioso e é de longe o melhor do filme. Roland e Byrns também não deixam a desejar, principalmente o primeiro que possui um rosto bem expressivo, perfeito para o papel de vilão. A trilha sonora de Francesco De Masi não chega aos pés de um Morricone, mas é boa também, com exceção das musiquinhas de circo que aparecem nas cenas de pastelão totalmente desnecessárias.

Castellari ainda não havia desenvolvido seu estilo de dirigir seqüências de ação em câmera lenta vista em vários filmes ao longo de sua carreira como ASSALTO AO TREM BLINDADO, THE BRONX WARRIORS, KEOMA, etc. Mesmo assim, as cenas de tiroteio e de luta ajudam pra quebrar o marasmo das cenas irregulares do filme, filmadas bem ao estilo padrão do Western Spaghetti que Castellari aprendeu em seus estágios como diretor de segunda unidade em filmes de baixo orçamento no início dos anos 60.

20 comentários:

  1. É um spaguetti bem assistivel, pelo menos.

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  2. Bom, certamente eu gosto desse filme bem mais do que você, mas é que sou um fanático por SW. Só preciso corrigir um detalhe, VOU MATO E VOLTO não é o primeiro filme do Castellari. O primeiro trabalho do cara é o "Sette winchester per un massacro". Isto sem contar o "Pocchi dollari per Django" que saiu no nome do Leon Klimovsky mas o real diretor foi o Castellari! Outra coisa, a musica tema do Francesco de Masi é boa demais, acho que chega próximo aos pés do Morricone sim... E as partes cômicas, embora destoe um pouco do clima geral, é interessante por ser pré-Trinity. Sobre a questão de ainda não contar com câmeras lentas, é que o Castellari ainda não tinha assistido os filmes do Peckinpah com esse recurso, hehehe! Depois que viu a influência foi total!

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  3. Só quero deixar claro, embora eu aponte defeitos que me incomodaram, eu gostei do filme!

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  4. Quanto ao lance de ser o primeiro filme, pode deixar que eu vu consertar, hehe

    Já as partes comicas, da forma que foram colocadas, eu achei que passou do ponto e desentoou demais... algumas coisas lembram Branca Leone.

    Já a trilha sonora, depende do ponto de vista, hehe, e respeito a tua opinião. Eu achei a canção central belíssima, mas de um modo geral eu não acho chega aos pés de um Morricone.

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  5. Leandro Caraça09/03/09 11:07

    >e abre com três sujeitos mal encarados adentrando uma pequena cidade

    Reparou QUEM são esses três sujeitos ?

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  6. Hum... me lembrou na hora os personagens de Três Homens em Conflito (um deles usa até um poncho igual do Clintão). Até comentei com meu pai na hora (o velho adora um bang bang)...

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  7. Vi recentemente, já que estou na fase spaghetti da vida. Tirando as sequencias de luta mal musicadas e coreografadas é um bom exemplar do genero. Porém, tirando os classicos consagrados do spaghetti, vi a seguir um formidavel e inesquecível exemplar: 100 mil dolares para Django! Quero ver um texto seu sobre esse!

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  8. Leandro Caraça09/03/09 11:42

    São sósias dos três maiores astros dos spaghettis : Clint, Lee Van Cleef e Franco Nero.

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  9. Valeu a dica, De Kelby, vou atrás desse aí também.

    É verdade, Leandro, lembro bem que um deles parecia muito com o Van Cleef mesmo... os outros dois eu não notei, a não ser o poncho do Clint.

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  10. "100 mil dolares para Django" é realmente animal!!!

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  11. Opa, mais uma opinião positiva de respeito sobre 100 mil dolares para Django. Podem deixar que vou atrás dele sim.

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  12. Eu também acho este um dos filmes menos memoráveis do Castellari (vai ver é a câmera lenta que faz falta! hahaha), e não curti tanto os toques cômicos, principalmente aquele "triplo duelo" no final. Eu tinha feito uma resenha deste no meu antigo Multiply, mas é um que quero rever e reavaliar no FILMES PARA DOIDOS. Essa citação dos três personagens famosos no começo é realmente impagável, e eu também não tinha pegado quando vi pela primeira vez!

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  13. Ronald, só pra ficar mais fácil, o título correto é 10.000 DÓLARES PARA DJANGO (dvd lançado pela Ocean), e o título original é "10.000 dollari per un massacro". O diretor é o Romolo Guerrieri, tio do Enzo G. Castellari. Trata-se do mais belo spaghetti-western romântico de todos os tempos.

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  14. Reavalie, Felipe, pode não ser dos melhores do Castellari, mas não deixa de ser bom... esses detalhes como do inicio são bem legais mesmo.

    E valeu, Herax! O Guerrieri também foi o autor da historia de Vou, Mato e Volto, se não estou enganado...

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  15. Sim, ele foi um dos roteiristas. Outro filme dele que eu indico fortemente é o JOHNNY YUMA!

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  16. Guerrieri fez dois dos meus SWs preferidos, 10.000 Dollari per un massacro e Johnny Yuma. Concordo com o Herax, são fortemente indicados! Já do "Vou, mato e volto" eu não sou muito fã. Essas sequências cômicas estragam tudo pra mim. Mas o início é genial...

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  17. Pois é, então somos da mesma opinião. Na verdade, gostei do filme, mas não tanto por causa desse pequeno detalhe. Mas diverte.

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  18. Concordo no essencial contigo. Castellari fez coisas muito melhores depois deste filme, mas enquanto instrumento de divertimento não falha. Eu recomendo-o.

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  19. É um dos meus favoritos, principalmente pela trilha sonora
    Bela postagem
    Parabéns
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    www.bangbangitaliana.blogspot.com

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  20. só cigano igor é pior q o george hilton

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