Pular para o conteúdo principal

REVOLVER (1973), de Sergio Sollima

Alguém por aí poderia até reclamar da falta de seqüências de ação, longos tiroteios e perseguições de carro em alta velocidade pelas ruas estreitas de uma cidade européia qualquer, eu entenderia, afinal, estamos falando de um euro crime, subgênero cujo quesito “ação” é praticamente obrigatório.

Não foi o meu caso. Não senti falta alguma destes detalhes enquanto assistia REVOLVER, do italiano Sergio Sollima, principalmente quando temos um Oliver Reed inspiradíssimo num desempenho tenso, expressivo, encarnando Vito Cipriani, um ex-policial que tem a esposa seqüestrada e faz de tudo para consegui-la de volta. A exigência dos seqüestradores é que Cipriani ajude na fuga de Milo, um prisioneiro que se encontra encarcerado na mesma prisão que o protagonista administra atualmente. Mas para garantir que tudo aconteça dentro dos conformes, Cipriani seqüestra Milo e aí a coisa toda fica ainda mais intrigante.

O italiano Fabio Testi – outro ótimo ator que trabalhou com diversos diretores consagrados na época como Lucio Fulci, Enzo G. Castellari e Andrzej Zulawski – interpreta Milo e contribui com uma atuação do mesmo nível de Reed. E ver esses dois monstros em pleno auge de suas carreiras já valeria o ingresso ainda mais num filme que concentra-se muito mais nos conflitos internos dos personagens do que na própria ação extravasada.

REVOLVER pode não conter aquelas cenas elaboradas de ação, mas a trama e seus desdobramentos caminham num ritmo tão frenético que compensa a ação, e a trilha de Morricone contribui bastante. Claro que não deixa de ter uns tiros aqui e ali pra saciar o espectador mais urgente, mas até nestas seqüências Sollima dá um tom mais realista, sem o sensacionalismo habitual dos Polizieschi (mas que funcionam perfeitamente quando existe esta pretensão). Um filmaço, sem dúvida!

Comentários

  1. Esse ainda não vi. Já assistiu Cidade Violenta, do Sollima e com o Charles Bronson? É ótimo, com sequência de abertura e final espetaculares.

    ResponderExcluir
  2. Revolver é foda demais pqp, final é meio fundo de poço, bem foda mesmo.

    Citta Violenta realmente é otimo, tem mais ação do que este, mas tbm Sollima mostra bem os sentimentos do bronson. É foda.

    Aquele final sequencia final sem som nenhum e com slow motion! PQP!

    ResponderExcluir
  3. Cidade Violenta eu vi sim e é excelente.

    ResponderExcluir
  4. Johnny Ratazana17/03/2009 22:35

    Lindão esse.
    De cabeceira.

    ResponderExcluir
  5. Mais um pra conhecer. Catarei no torrent esse filme com o Bronson.

    o/

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O IMBATÍVEL (Undisputed, 2002)/O LUTADOR (Undisputed 2: Last Man Standing, 2006)

No útlimo fim de semana procurei outros filmes recentes do Michael Jai White para vê-lo distribuindo porrada em meliantes como em BLOOD AND BONE e BLACK DYNAMITE. Me deparei com UNDISPUTED 2, continuação de um filme dirigido pelo Walter Hill em 2002 e que, por pura negligência da minha parte, ainda não havia assistido. Enfim, foi uma experiência interessante, além de poder ver um ótimo filme de luta estrelado pelo Jai White ainda tirei o atraso com o filme Hill, que é obrigatório para os fãs do sujeito.

Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada é bem diferente um do outro. UNDISPUTED é puro Walter Hill! Cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com direção extremamente segura. Temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos …

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair…

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)

Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se …