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LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO, aka The Girl Who Knew Too Much (1963), de Mario Bava

Mario Bava dirgiu tantos filmes sem receber o devido crédito como diretor que só mesmo tendo em mãos o livro do Tim Lucas pra ter certeza o que ele realmente realizou ou não (e eu não tenho), mas é provável que este aqui seja o primeiro filme contemporâneo do diretor. Bava foi um gênio de grande influência no cinema italiano e até então só havia recriado outras épocas em seus filmes, como o terror gótico LA MASCHERA DEL DEMONIO e o peplum ERCOLE AL CENTRO DELLA TERRA.

O roteiro escrito pelo próprio Bava e outras cinco pessoas (!) para LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO é bem simples, mas consegue segurar o espectador até o último minuto com um suspense de primeira qualidade. Conta a estória de Nora Davis (Letícia Román), uma jovem america que viaja à Roma e fica hospedada na casa de uma senhora doente. Em certa noite chuvosa, após ter sua bolsa furtada, Nora bate a cabeça no chão e ainda atordoada testemunha (ou não) o assassinato de uma mulher. Com a ajuda do Dr. Marcello (John Saxon), ela tenta investigar por conta própria o mistério, sem ter a certeza se tudo não passou de uma simples ilusão, o que é mais provável para todos ao redor.

Mesmo trabalhando com algo mais próximo da realidade, LA RAGAZZA CHE SAPEVA TROPPO carrega todas as características que marcaram o cinema de Bava. É um filme que apresenta, especialmente, grande poder visual. Emoldurado por um preto e branco expressionista e de atmosfera densa, o diretor abusa de grande inventividade nos movimentos de câmera, esbanja criatividade no uso da luz e cria vários elementos que serviram de matéria prima para a criação do famigerado subgênero conhecido como giallo. Algo que seria amadurecido no ano seguinte em seu SEI DONNE PER L'ASSASSINO.

A cena em que Nora testemunha o assassinato possui uma sutileza experimental muito interessante, com a câmera distorcida e ótima edição, mostrando o delírio visual da protagonista interpretada de forma bastante segura pela bela italiana Letícia Román. Outro destaque do elenco é o grande ator americano John Saxon, sujeito subestimado em seu país e que fez mais sucesso em território europeu.

O título original e em inglês faz referência ao clássico de Alfred Hitchcock, O HOMEM QUE SABIA DEMAIS. No Brasil ficou conhecido como OLHOS DIABÓLICOS.

Comentários

  1. Coisa fina demais esse filme.
    A cena do assassinato é primorosa, a da "teia de aranha" tbm.

    O filme tem um humor legal tbm.

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  2. Tenho pensado em abordar seriamente o cinema de bava, mas como voce mesmo disse o acesso a obra dele é um pouco complicado. Legendas para os downloads são raras, ou não são boas. Ainda não vi um filme inteiro dele, só trechos, na língua original, e pelo que pude perceber a iluminação e as cores (isto é a fotografia) de suas obras é coisa magnífica em muitos casos. Sei que tem o dedo direto dele nisso, pois ele tem origens nas artes plásticas, não? Esse livro que você citou tem edição em português? Dê-me mais detalhes. Abraços, amigo. E viva o cinema italiano dos anos 60/70, hehehe.

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  3. Ei, Demofilo, quem vai poder lhe dar mais informações sobre o livro é o Herax, que já possui um exemplar. Infelizmente não possui edição em portugues e custa uma fortuna. Estou esperando o momento certo pra comprar o meu ($$$$)... :)

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  4. O livro é magnífico, mas logicamente é todo em inglês. Mesmo pra quem não manja muito o idioma vale a pena, pois as imagens são abundantes e grandiosas. O mesmo vale pros filmes do Bava. Pode-se ver sem legenda alguma e mesmo assim babar do inicio ao fim. Bava = gênio!

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  5. E eis que esse belo filme seria o pontapé inicial do giallo! E pensar que Bava ficou puto com Argento, logo em seu filme de estréia, "O Passáro das Plumas de Cristal", pois considerava o filme de Dario um plagio de "La Ragazza...". Bom, para mim são dois belos filmes que ajudaram, cada um a sua maneira a construir e consolidar esse belo subgênero que é o giallo...

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  6. O triste é que, quanto ao livro, quem acredita que um dia será lançada uma tradução brasileira da coisa? Praticamente impossível, né!!!

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  7. Demofilo, não é praticamente impossível, e algo realmente impossível. Tim Lucas ficou anos trabalhando em algo que deve ser sua realização pessoal, tudo no livro é de primeira, como o Herax disse, mesmo não sabendo a lingua vale a pena comprar, pois assim, é mais um estimulo para aprender inglês... hehehe....

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  8. johnny ratazana02/03/2010 17:22

    FUROOOOOOOOOOOREEEEEEE

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