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Notas de um carnaval cinematográfico - Parte 4: Dois filmes de ação

FUTURE FORCE (1989), de David A. Prior

David A. Prior é um maluco que resolveu virar diretor, mas esqueceram de dizer a ele que não tem o mínimo talento para coisa. O que sobra são filmes de qualidade duvidosa, tecnicamente péssimos com enredos horrorosos, mas possuem um charme especial e causam um certo fascínio aos amantes do cinema B. Seus filmes têm aquele específico público que curte o humor involuntário de produções que tentaram ser qualquer coisa, menos uma comédia. Cinco minutos de DEADLY PREY, por exemplo, é um zilhão de vezes mais engraçado que qualquer filme do gênero realizado nos últimos 10 anos em Hollywood. E olha que estamos falando de um filme de ação super dramático sobre traumas de guerra… mas só na cabeça do Prior que funciona assim.

FUTURE FORCE é uma boa maneira de viciar no cinema do cara, ou então colocá-lo numa lista negra. Conta com a presença do gafanhoto David Carradine na pele de um policial casca grossa que só o bom e velho cinema de ação dos anos oitenta poderia proporcionar. Como o título já indica, a trama se passa no futuro quando a força policial não passa de um bando de gordos, barbudos, caçadores de recompensas que só prendem (ou matam) os meliantes da cidade quando rola uma grana pela carcaça do sujeito. Vivo ou morto. E a truculência come solta numa estorinha risível que justifica uma aventura pobre, mas muito divertida, cheia de ação, tiroteios cujas balas nunca acabam e o mocinho nunca é alvejado, perseguições de carro em alta velocidade e os exageros típicos do Prior. O personagem de Carradine tem uma luva cybernética que solta raio laser, segura um carro em movimento e voa (!!!) dando socos, manejada por um controle remoto de um botão… é inacreditável. O nosso herói ainda possui uma essência dos cowboys do velho oeste. Carrega um revólver no coldre, é rápido no gatilho e resolve várias situações à base do duelo. O filme conta com a participação de Robert Tessier, figurinha carimbada do cinema B daquele período, como um dos malvadões. Uma verdadeira raridade! Prior ainda teve a ousadia de fazer uma continuação de FUTURE FORCE, intitulada FUTURE ZONE, com o gafanhoto repetindo seu papel, mas sobre esta pérola, vamos deixar para uma outra oportunidade…


HAMMERHEAD (1987), de Enzo G. Castellari

Quando realizou HAMMERHEAD, Enzo G. Castellari já possuia uma filmografia de respeito marcada por vários clássicos do cinema popular italiano. Mesmo que esta produção não esteja no mesmo patamar de algumas de suas obras anteriores, consegue ainda satisfazer os fãs de filmes de ação em todos os sentidos possíveis.

O filme começa a mil por hora. Daniel Greene, o astro de KERUAK, de Sergio Martino, interpreta Hammer, um policial do tipo linha dura, ex-combatente do Vietnã, que vai ao socorro de um velho amigo. Mas antes que possa saber o que realmente está ocorrendo, o carro do amigo é esmagado por um container e o assassino foge. O espectador mal se ajeitou na poltrona e Hammer parte em uma perseguição de carro que se desdobra num tiroteio alucinante onde vários inocentes acabam levando bala, sangue jorrando em câmera lenta, tudo no brilhante estilo Castellari de filmar! Os fãs de filmes B vão abrir um sorriso quando perceberem que o tal assassino é vivido por Frank Zagarino em sua segunda colaboração com Castellari. A primeira aconteceu em STRIKER.

O estrago desta primeira sequência é tão grande, que o chefe de polícia impõe a Hammer umas férias. Ele decide então "descansar" na Jamaica, onde seu amigo vivia, inciando uma investigação e tentando descobrir o que aconteceu com ele. Aos poucos descobrimos que todo o passado de Hammer está na ilha. Vários rostos conhecidos e antigos amores são reencontrados, mas isso não atrapalha o verdadeiro objetivo do sujeito. Seguindo a linha de policiais casca grossa, Hammer coloca Kingston de cabeça para baixo, mexendo com figurões, traficantes de drogas e até um delegado corrupto.

Mesmo nesta fase oitentista, considerada decadente para o cinema popular italiano, Castellari esbanja criatividade para compor suas elaboradas cenas de ação. E coloca de tudo: perseguições em jet ski, porradaria, tiroteios desenfreados, etc… curioso que nem mesmo os fãs do diretor comentam muito sobre o filme, que é tão “Castellariano” quanto qualquer outro eurocrime realizado por ele. Claro que hoje se encontra na obscuridade, mas HAMMERHEAD é pura diversão para quem curte filme de ação exagerado e sem frescura!

Comentários

  1. Bah, nunca vi esse Castellari, parece excelente!

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  2. Este escapou-me. Vou procurar....

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  3. Gosto muito do Catellari, mas confesso desconhecer a fase "fim dos anos 80" dele. Você arrumou um torrent desse aí? Aliás, há tempos eu entro aqui e vejo que o seu repertório tem várias pérolas.

    Abs!

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  4. A fase dos anos 80 é bem legal também. Guerreiros do Bronx (e continuação), Striker, LightBlast são todos ótimos!

    É possível conseguir Hammerhead no cinemageddon.

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