18.2.10

Notas de um carnaval cinematográfico - Parte 1: MEAN GUNS (1997), de Albert Pyun

Algumas notas do meu carnaval cinematográfico, começando com este filmaço do Albert Pyun. Em MEAN GUNS, o rapper Ice T personifica um gangster que procura uma nova forma de diversão. A idéia consiste em agrupar todos os seus inimigos em uma prisão de segurança máxima vazia, prendê-los, distribuir uma boa quantidade de armas, munição, tacos de baseball e, finalmente, assistí-los matando-se uns aos outros num verdadeiro caos. Apenas os últimos três sobreviventes poderão deixar o local e ainda levar uma quantia de dinheiro.

Acreditem, é com esse mote quase surreal que o famigerado Albert Pyun trabalha um de seus filmes mais intensos em termos de ação e que dá um banho em grande parte dos exemplares do gênero feito em Hollywood atualmente. MEAN GUNS é atrevido, subversivo, violento e estilizado, é desse filmes que assistimos com certo prazer estranho.

Genial a cena de abertura, com Ice T estampando a tela inteira com seu rosto enquanto discursa ao som de um mambo muito louco. Aos poucos somos apresentados a alguns personagens que terão mais ênfase neste jogo sádico, especialmente o Highlander Christopher Lambert que já se posiciona com sua canastrice cativante como aquela típica figura que vamos torcer para sobreviver até o fim, embora aqui não haja mocinhos, são todos seres ligados ao mundo do crime precisando matar para viver, seguindo a filosofia olho por olho e etc, sem piedade pelo próximo, simples assim. E Lambert não deixa barato.

Impressiona também o rigoroso senso estético do diretor, um visual saturado que remete às câmeras de video de baixa resolução, elementos gráficos que desfilam pela tela para para criar a expressão daquele mundo paralelo pelo qual os personagens foram forçados a vivenciar. É até fácil defender o Albert Pyun em MEAN GUNS dos detratores que o consideram entre os piores diretores no ramo, pois se trata de um dos seus trabalhos mais inspirados, principalmente com o auxílio visual e a trilha de Tony Riparetti, seu fiel colaborador, achando que o som do mambo cairia muito bem por aqui. Mas só ajuda a reforçar o tom estranho que o filme possui.

As cenas de ação remetem a um John Woo dos pobres, mas com muita desenvoltura. Se não estou enganado, este aqui é um dos únicos filme que o diretor teve liberdade total (e também é um de seus preferidos ao lado de BRAINSMASHER). O que poderia ser uma historinha de ação como outra qualquer, Pyun transforma num belo experimento estético.  

MEAN GUNS foi lançado no Brasil em VHS como JOGO DE ASSASSINOS pela PlayArt. Apenas torço para que obras do Pyun e de outros diretores talentosos, mas subestimados, sejam lançadas por aqui em DVD… mas ainda há uma extrema falta de cultura cinematográfica por parte dos distribuidores, infelizmente.

4 comentários:

  1. A execução também é boa e melhora ainda mais se você já for fã do homem! hehe

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  2. João do caminhão18/02/10 23:19

    Vi esse filme muitos anos atrás, a trama é bem interessante.
    Este é o tipo de diretor que faria um filmão memorável se recebesse uma boa soma de dinheiro, um elenco de primeira e total liberdade de direção.

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  3. Osvaldo Neto19/02/10 10:51

    Meu favorito do cara! As trilhas do Riparetti bem que mereciam ser lançadas, a desse MEAN GUNS e OMEGA DOOM principalmente.

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