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BASTARDOS INGLÓRIOS (Inglourious Basterds, 2009), de Quentin Tarantino

O novo filme do Tarantino é uma coisa absolutamente linda e é uma pena ver uma parcela da “crítica especializada” metendo o pau, catando defeitos e colocando adjetivos que o filme realmente não merece... mas não vou ficar bancando de advogado, porque outros já fizeram de forma muito mais eficaz do que eu faria, e putz, filmezinho difícil de escrever no impulso, no calor da primeira conferida! É muita coisa transbordando na tela. Por enquanto, fico naquela de que se trata de cinema da mais pura qualidade, um Tarantino no auge da sua maestria como cineasta, no rigor estético e na direção firme, mas ainda sem vergonha, sem medo algum de experimentar (inclusive em modificar a história escrita nos livros sobre a Segunda Guerra Mundial), feito da forma que tem que ser feito.

O filme inteiro é estruturado por capítulos definidos, e me chamou muito a atenção a forma que Tarantino prepara certas sequências com uma lentidão fora do comum, trabalhando um puta diálogo sempre muito bem escrito, que favorece demais à narrativa, acumulando uma carga de tensão, para que logo depois haja uma explosão de ação e violência, da mesma forma que Sergio Leone preparava os duelos de seus filmes. E é incrível como a direção do sujeito tenha crescido tanto, filmando diálogos que não tem nada a ver com a estória, mas com um tour de force impressionante.

E ainda existem as referências cinematográficas, BASTARDOS INGLÓRIOS é um mundo de citações e homenagens que vão desde filmes de ação americanos no estilo “men in a mission” ao cinema popular italiano, (guerra e spaghetti western, mais precisamente), passando pelo cinema clássico. Tudo isso transfigurado num espetáculo tarantinesco, seu próprio filme de guerra sobre vingança, com direito a todas as suas obsessões, diálogos afiados, violência explícita, personagens estilizados, metalinguagem...

O elenco de primeira composto por rostos não tão conhecidos do grande público, a não ser Brad Pitt, é muito bom. Me surpreendeu o Eli Roth, diretor de O ALBERGUE, monstrando sua faceta para a atuação, mas quem rouba a cena é o vilão encarnado por Christoph Waltz, bem merecida a sua Palma em Cannes deste ano pela sua performance.

E Tarantino está com crédito, demonstra que o cinema de ação, guerra, ou qualquer gênero que resolva se meter, não precisa ser alienado para ser divertido. “Acho que esta pode ser a minha obra prima”, como disse o Tenente Aldo Raine (Pitt) ao final.

Mas agora não restam dúvidas, Sr. Taranta, esta É a sua obra prima!

Comentários

  1. Mal consigo me conter para chegar quarta para eu assistir. Vc viu a mais nova atrocidade escrita pelo Pablo Villaça? Pô, pensei q ele tinha prometido q ia nos poupar das críticas dele. Chamou do Tarantino de "auto-indulgente, arrogante e irregular", sendo que essa é a lista de todas as qualidades que ele admira nos filmecos q ele dá 5 estrelas.

    E ainda disse isso: "Ainda assim, todos os méritos técnicos de Tarantino não são capazes de contornar aquela que é sua principal fraqueza: a esterilidade emocional de suas narrativas. Aliás, é bastante possível que o apego do diretor pela exuberância estilística seja o principal responsável por manter o espectador sempre afastado de seus personagens – ou alguém pode dizer já ter ficado emocionado em um filme do cineasta?"


    Bem, considerando que de fato o objetivo maior dele não é esse (E pensando bem, nem em vários outros mestres do cinema, como Buñuel, Godard, KUbrick q ele idolatra, porém ironicamente não reclama deles afalta dessas características, mesmo ele estando bem mais próximos de trabalharem com essas emoções humanas do que cineastas como Tarantino, Hill, Carpenter, etc), até que ele fez emocionar muita gente com a cena final de Cães de Aluguel ou a cena q a Noiva descobre que sua filha está morta depois de acordar do coma.

    E juro por Deus, gostaria de saber onde os filmes do Tarantino perdem sua veracidade narrativa apenas por fazer refefências pops, tanto oralmente quanto visualmente. Pra mim, um tiro e uma morte em um filme do Tarantino continuam sendo os tiros e mortes mais realistas do cinema atual.

    Incrível como tem gente que nem sabe fazer associações decentes para detratar um cineasta sem usar a cabeça primeiro. Todo mundo segue a maré mais previsível para ter desculpa para não gostar das escolhas de alguns cineastas.

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  2. Um grande filme sem duvida.
    necessito rever. Parece que tarantino é o nosso professor e nós somos alunos loucos para ter aula de como fazer um cinema de verdade.

    E Eli Roth com certeza fez uma das cenas mais fudidas do filme, não vou mentir, vibrei pra carai ehehehe IDULU ... ejejej

    abraços

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  3. Doizão no que o meu xará disse.
    Pensei a mesmíssima coisa quando li a crítica do Villaça.
    O filme é espetacular,Chris Waltz é gênio e voce ainda sai apaixonado pela Shosanna(Melanie laurent).
    Que mulher maravilhosa!

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  4. "Incrível como tem gente que nem sabe fazer associações decentes para detratar um cineasta sem usar a cabeça primeiro. Todo mundo segue a maré mais previsível para ter desculpa para não gostar das escolhas de alguns cineastas."

    Perfeito Just Daniel.

    Concordo em gênero, número e grau e digo mais: Tarantino é um fã de cinema e provavelmente deve entender tanto ou mais do que 90% dos criticos. Vejo esse tipo de preconceito com ele (Carlos Reichenbach por exemplo já o chamou de coveiro do cinema) só pelo fato dele recortar sua influencias e transparece-las nos filmes como inveja. Inveja de um cara que era balconista de loja ter conseguido sucesso as custas do proprio talento e esforço.

    Abraços.

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  5. Rapaz, vi o filme ontem. Ainda não vi o Deathproof (e se depender das distribuidoras nem verei...) mas é, é o melhor filme dele. É como disse o Felipe Guerra no blog dele, é um filme sobre filme de guerra maravilhoso, só que, pra mim, ele conseguiu uma coisa que nenhum "cineasta sério", preocupado em "retratar o período como ele ocorreu" jamais teve a capacidade de fazer, um filme de guerra realmente sem glória. Não existem mensagens construtivas, mostrando "a força dos soldados aliados contra o reich", não temos a figura do "pobre judeu" sobrevivendo no caos, temos apenas dois lados se encarando feito cães raivosos. Não é bonito, não é moral, é apenas uma selvageria muito aguda, que não poupa ninguém.

    O interessante é que mesmo ele mostrando Hitler de maneira caricata, o próprio Goebels como um merdão, ele conseguiu dar uma dignidade muito rara aos soldados alemães. Vou te falar, eu não fiquei feliz em ver o Eli Roth matando o soldado alemão com o bastão, em outro filme eu provavelmente ficaria.

    Não sei se o Tarantino, de alguma maneira, quer nos dizer alguma coisa ou se ele é simplesmente um fã do cinema de gênero, como todos nós, mas que aprendeu como fazer um filme muito legal. Mas dane-se, prefiro um filme dele de Segunda Guerra do que mais um drama sobre campos de concentração ou sobre como foi bonito ver os alemães levando chumbos dos americanos.

    No elenco, além do supracitado Christoph Waltz, destaco também o Til Schweiger, Eli Roth (adoraria um spin-off com seu personagem), a Diane Kruger, o intérprete de Goebels e o "Orgulho da Nação" Frederick Zoller. Espero vê-lo em mais filmes.

    P.S: Eu recentemente assisti a finada série "Freaks and Geeks". Ver o Samm Levine mandando bala nos outros com tamanha dignidade é fantástico!

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Vi hoje.
    Bom, Tarantino parece que entrou em sua fase madura, portanto, significa que seu cinema não é só aquela coisa feitas apenas de referencias. O filme me deu a entender que ele confirma a afirmação acima, coisa que não fica muito obvia nos filmes anteriores dele.
    Isso me lembra Brian de Palma com seus filmes anteriores e a realização de Body Double. Tbm lembrei dos filmes do bendito em Inglorious.

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  8. Rapazes, vocês escrevem coisa pra caramba! Cheguei do feriado e nem vou conseguir dar continuidade a uma possível discussão por aqui. Apenas digo que concordo com tudo aí (inclusive o Kevin, sobre o Brian de Palma, alguns angulos e movimentos de câmeras lembram muito o sujeito).

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  9. Tarantino tentou alguma coisa que não soube bem o que era. Mas tá aí, pra todos verem. Uma bela colcha de retalhos, sem bordas, sem início, sem proposta. Um cinema processado, sem inovação.
    Mas é possível que daqui um par de anos eu mude de opinião, como já o fiz com o restante da sua filmografia.

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  10. Melhor de tudo foi me dar conta que eu não estava sozinho batendo palmas no fim da sessão.

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  11. "O interessante é que mesmo ele mostrando Hitler de maneira caricata, o próprio Goebels como um merdão, ele conseguiu dar uma dignidade muito rara aos soldados alemães. Vou te falar, eu não fiquei feliz em ver o Eli Roth matando o soldado alemão com o bastão, em outro filme eu provavelmente ficaria."

    Perfeito, Luiz! Doizão pra tudo isso.

    Osvando-boy, eu adoro perceber isso tb. na sessão de Kill Bill foi fantástica nesse sentido. Por outro lado, nada me constrange mais de perceber que só eu to batendo palmas no cinema, sozinho. hehe,

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