Pular para o conteúdo principal

POLIZIOTTI VIOLENTI (1976), de Michele Massimo Tarantini

Neste fim de semana tive o prazer de assistir esta pequena peça do cinema policial italiano dos anos 70. Como todo bom Polizieschi (nome pelo qual este subgênero ficou conhecido), Poliziotti Violenti tem a sua história centrada no submundo do crime organizado onde dois sujeitos cascas-grossas realizam uma série de investigações para desmascarar uma quadrilha que utiliza um armamento pesado, usado pelo exercito italiano, em plenas ruas de Roma. Uma das grandes qualidades do filme é a presença das duas figuras que interpretam os abelhudos. O ator americano Henry Silva, sempre subestimado em seu país, mas muito bem aproveitado no cinema de gênero italiano, vive Altieri, um oficial do exército que se mete em várias enrascadas pra descobrir o caso do armamento e Antonio Sabato, que interpreta Tosi, um policial tentando se infiltrar na organização que trafica essas mesmas armas.

Um acaba cruzando o caminho do outro e o diretor Michele Massimo Tarantini se aproveita muito bem da relação de amor e ódio que surge entre os personagens (sem segundas intenções, por favor). Mas quando os dois decidem unir forças para acabar de vez com a quadrilha, eu não gostaria de estar na pele dos pilantras que ficam na mira de seus trabucos! O filme inteiro é uma sucessão de seqüências de ação desenfreadas, violentas e politicamente incorretas que pontuam a narrativa a todo instante. O diretor faz questão de mostrar um vasto número de vítimas inocentes sendo alvejadas por balas perdidas nas trocas de tiros ou sendo atropeladas e espancadas (como na cena onde uma mulher leva vários murros e pontapés em frente de seu filho apenas para ter sua bolsa roubada) enquanto Silva e Sabato enchem os bandidos de chumbo sem piedade alguma.

Em todo lugar que eu li sobre o filme, disseram que o Tarantini era um doido varrido, e algumas cenas realmente confirmam que uma obra como Poliziotti Violenti só poderia ter saído da cabeça de um louco mesmo. A seqüência onde uma criança é levada como refém dentro de um carro e Silva parte pra perseguição é absurdamente genial. Ele nem se preocupa em fazer o veículo dos meliantes capotar mesmo sabendo que há uma criança envolvida. Desde já, deixo meu agradecimento ao Osvaldo Neto, do blog Vá e Veja por ter me enviado este belíssimo exemplar de Polizieschi.

No mês de outubro, dois blogs "concorrentes" (hehe), tanto o do Osvaldo quanto do Felipe M. Guerra escreveram sobre Poliziotti Violenti. Recomendo os dois textos para uma boa leitura e para conhecer melhor esta pérola do cinema policial italiano: aqui e aqui.

Comentários

  1. Obrigado pela citação! Que bom que a blogosfera tupiniquim está dando a devida atenção (e principalmente o DEVIDO MÉRITO) a estes pequenos clássicos esquecidos, como "Poliziotti Violenti", que os "bambambans" da crítica e os ditos entendidos de cinema fingem que nem existe.

    ResponderExcluir
  2. Tá escrito lá no texto, hehe
    Um amigo me mandou. Mas acho que encontra fácil...

    ResponderExcluir
  3. O tipo de filme que eu chamo de "ô, coisa linda do papai".

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O IMBATÍVEL (Undisputed, 2002)/O LUTADOR (Undisputed 2: Last Man Standing, 2006)

No útlimo fim de semana procurei outros filmes recentes do Michael Jai White para vê-lo distribuindo porrada em meliantes como em BLOOD AND BONE e BLACK DYNAMITE. Me deparei com UNDISPUTED 2, continuação de um filme dirigido pelo Walter Hill em 2002 e que, por pura negligência da minha parte, ainda não havia assistido. Enfim, foi uma experiência interessante, além de poder ver um ótimo filme de luta estrelado pelo Jai White ainda tirei o atraso com o filme Hill, que é obrigatório para os fãs do sujeito.

Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada é bem diferente um do outro. UNDISPUTED é puro Walter Hill! Cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com direção extremamente segura. Temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos …

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair…

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)

Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se …