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Fim de semana fraquinho, acabei assistindo apenas dois filmes: Queime Depois de Ler (08) está mais para O Grande Lebowski que Matadores de Velhinhas e O Amor Custa Caro. Ufa! Que bom! Mesmo assim não deixa de ser um retrocesso depois do monumento Onde os Fracos não Têm Vez. O filme não é ruim, deixando bem claro, e o princípio que estabelece a narrativa é bem interessante partindo dos conceitos da espionagem, mas que se desdobra numa comédia de erros que fica entre a necessidade de ser um produto de humor comercial (e consegue bons resultados diante do publico, principalmente por causa dos diretores em questão e do elenco de estrelinhas) e a vontade de ser uma comédia de humor negro com ar de filme de autor. Acaba sendo uma mistura imperfeita, principalmente quando a primeira necessidade prevalece e temos, por exemplo, Brad Pitt se ridicularizando numa caricatura de sei lá o que, mas logo depois entra a segunda vontade, e a forma como retiram Pitt de cena é totalmente digna.

Badaladas à Meia Noite (65) é uma das maiores criações de Orson Welles, talvez somente abaixo, em sua filmografia, de A Marca da Maldade. O filme é uma compilação Shakespereana escrito pelo próprio diretor e modestamente financiado com dinheiro europeu, mesmo assim passa a impressão de grandiosidade, o cinema nas mãos de Welles é algo grandioso. A idade média é retratada com muita criatividade e domínio estético impressionante (uma fotografia barroca em preto e branco, com fios de luzes que entram pelas janelas e portas). A famigerada batalha que acontece no meio do filme é muito bem orquestrada e deixa qualquer Coração Valente ou Senhor dos Anéis no chinelo. Mas o ponto alto, uma das maiores antologias da obra de Welles, é a cena onde o príncipe/rei renega Falsfatt. Aliás, interpretado pelo próprio diretor, Falsfatt é a prova de sua maestria também como ator.

Comentários

  1. Eu lembro de que quando vi no cinema até gostei de o Amor Custa Caro, mas eu tinha 14 anos e era apaixonado pela Zeta Jones. Não vale.

    Matadores de Velinhas já vi umas três vezes os primeiros 10 minutos. Mas aquele quadro com a delegacia no centro da tela, naquela fotografia acinzentada me irrita, mas me irrita mesmo. Exibicionismo.

    Eu acho que gostei do trailer de QUEIMA DEPOIS DE LER, vai ser algo quase inédito dos Coen pra mim. Das comédias dele, só vi Hey Brou, gsotei, mas não tanto.

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  2. Essa cena do screen do Burn After é a única coisa que, talvez, bem de longe, fizesse o filme valer a pena. Nem vou dizer que foi uma decepção porque não táva cultivando expectativas, de qualqiuer forma.

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  3. Com um Welles e um Coen, não foi tão fraquinho assim rss.

    Para os Coen vale aquela máxima: um filme menor deles vale mais do que 90% do que está em circulação por ai.

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  4. Falstaff é genial mesmo. Depois das que você citou, acho fantástica a cena em que Falstaff se desmente 30 vezes ao contar a mesma história. Diz muito sobre o próprio Welles.

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  5. Ele sendo renegado também diz muito sobre ele... =)

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  6. Acreditem se quiser. Quase toda a sequência do combate ficou a cargo do Jesus Franco ! Dizem também que ele conseguiu mais grana para o filme com um produtor amigo quando a verba do Welles estava no fim.

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  7. Nossa! que surpresa! hahaha, Jess Franco respondável por uma das melhores batalhas do cinema! por essa eu não esperava!

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  8. Ah sim, ele sendo renegado é o próprio climax da vida pessoal de Welles. É um momento de peso além-filme absolutamente extraordinário.

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  9. Welles é genio, mas nem vi esse.
    Tou com mR.arkadin e soberba aqui pra ver.

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