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A FORÇA EM ALERTA (Under Siege, 1992)

Já faz um tempinho que não posto algo sobre Steven Seagal por aqui. Quase um ano, pra ser exato! Então, ao trabalho! Estava revendo outro dia A FORÇA EM ALERTA, possivelmente o filme mais acessível para o público que não é fã do ator. Trata-se da primeira incursão de Seagal no mundo mainstream das grandes produções hollywoodianas, ao mesmo tempo em que volta a trabalhar com o Andrew Davis, que o dirigiu em seu primeiro – e bem mais modesto – filme, NICO – ACIMA DA LEI.

Estamos no início dos anos 90 aqui. A modinha dos filmes de ação americanos possuia duas vertentes que eu gosto de destacar: a) Os inspirados pelos filmes do John Woo; b) Variações de DURO DE MATAR. O que surgiu, a partir dos anos noventa, de protagonistas voando em câmera lenta com uma pistola em cada mão, descarregando os pentes em seus alvos, não é brincadeira. Mas não é o caso de A FORÇA EM ALERTA, que segue a fórmula da letra “b”. Mudando vários detalhes da trama, claro, porque os roteiristas são extremamente criativos, e transportando a ação dentro de um porta aviões das forças armadas americanas, temos um não-assumido rip-off de DURO DE MATAR.

Seagal interpreta Casey Ryback, um cozinheiro militar, que trabalha preparando os banquetes do seu capitão e tripulação de bordo. Sério! Steven Seagal é o cozinheiro! Qual é o problema nisso? Tá certo que no passado ele era um agente das forças especiais altamente treinado e capacitado no uso de armas, explosivos e artes marciais e que em uma operação liderada por ele no Panamá, toda sua equipe acabou morta e ele resolveu se aposentar dessa vida e virar cozinheiro… mas é apenas um detalhe e quem já viu o filme sabe que isso não interfere muito na narrativa*.

* Spoiler: mentira, interfere sim.

A história se passa exatamente no dia do aniversário do capitão e um dos seus comandantes, Krill (Gary fucking crazy Busey), está organizando os preparativos e surpresas para a comemoração desta data. Duas delas são bem interessantes. A primeira inclui um conjunto musical, cujo membro principal é o Tommy Lee Jones encarnando uma espécie de Mick Jagger mais afetado que o verdadeiro. A outra, bem mais estimulante, é a coelhinha da Playboy, Miss Julho, que sai do bolo pra fazer um topless pra alegria da moçada! Outro ponto importante é que a intenção principal de Krill nesta data especial é tomar o controle do porta aviões, matar o capitão, e fazer toda a tripulação de refén, até que suas exigências baseadas em suas causas políticas sejam cumpridas pelo governo americano… tudo isso, vestido de mulher, pra enfatizar ainda mais a insanidade de Gary Busey. Tommy Lee Jones se revela um ex-agente da CIA que possui as mesmas intenções de Krill. Miss Julho não sabe de nada e fica esperando o momento de mostrar os peitos… e o cozinheiro vivido por Seagal vai precisar utilizar dos seus dotes culinários para salvar todo mundo.

Mamma mia!!!
O trabalho de roteiro aqui é árduo: conseguir manter a narrativa com uma certa regularidade, porque este tipo de filme de ação específico é frágil e qualquer divisão de cenas e situações equivocadas pode tornar o filme chato e cansativo. Temos o herói, geralmente zanzando pra lá e pra cá, bolando estratégias mirabolantes para salvar o dia, enquanto o(s) bandido(s) demonstra o quão malvado pode ser, revelando suas intenções maquiavélicas, temos os reféns, a parte burocrática das negociações, o drama do par romântico do herói, e por aí vai… Aqui a coisa transcorre numa boa, especialmente com o elenco escalado. Um filme cujo herói tem Gary Busey e Tommy Lee Jones como inimigos mortais é quase impossível de dar errado! Seagal já tinha enfrentado vários grandes vilões, como Henry Silva, William Forsyth, William Sadler e jamaicanos macumbeiros, mas nunca dois vilões de peso ao mesmo tempo, como em A FORÇA EM ALERTA! A direção de Andrew Davis é segura, apesar de salientar a intrigante teoria de que o Davis não gosta muito do rabinho de cavalo do Seagal. É a segunda parceria dos dois e em ambas o astro precisou passar a tesoura na nuca. Mas em termos de ação, não dá pra reclamar. Pancadaria, tiroteios, explosões e uma bela luta de facas, com desfecho violento, entre Seagal e Jones.

Primeira super produção estrelada por Steven Seagal precisava de alguns incrementos para diferenciar um pouco dos filmes anteriores, especialmente a persona habitual do ator. Apesar da estrutura grandiosa dos cenários e efeitos especiais de ponta pra época, Ryback é mais do mesmo em se tratando de figuras dramáticas vividas pelo Seagal, até porque não se pode ter a exigência com ele da mesma forma como teríamos com um Daniel Day Lewis, por exemplo. Mas em A FORÇA EM ALERTA Seagal não é um policial! Um grande avanço, já que todos seus filmes anteriores ele era um homem da lei. Aqui é uma ocupação extremamente diferente, cozinheiro, gerando uma série de diálogos sobre filosofia culinária, além das frenquentes mensagens politicamente corretas e cultura oriental e artes marciais, que não poderiam faltar…Acho que a partir deste aqui, Seagal se tornou praticamente um ator completo e versátil!

Gary Busey soltando a franga.
Até agora fui só elogios, mas algumas coisas precisam ser ditas… ou escritas. O fato é que sou um grande admirador da primeira fase da carreira do Seagal, quando a coisa era mais pessoal, a ação acontecia na vizinhança, as vítimas eram sua família, amigos ou o padre da igreja onde frequenta e os temas eram vingança, limpar a sujeira da cidade, coisas simples, mas sem frescuras. Seus quatro primeiros trabalhos são excelentes filmes de ação da mais pura casca grossa! A FORÇA EM ALERTA segue mais o estilo mainstream de ação, ainda que divertido pacas. No entanto, as motivações são outras, são maiores, pretensiosas e nem sempre fisgam o tipo de público consolidado com os primeiros filmes. Aqui inaugura uma nova fase na qual a carreira do homem começa a entrar em um lento e gradativo declínio e por mais que eu goste da maioria das coisas que Seagal fez depois, nunca mais obteve o nível dos trabalhos anteriores. Mas não vamos chorar! A FORÇA EM ALERTA continua bom pra cacete!

E teve uma continuação que eu preciso rever antes de bater o martelo e dizer que é uma porcaria… Talvez hoje, eu ache divertido…

Comentários

  1. Eu gosto deste. Acho que gosto de todos os que ele fez antes daquelas porcarias ambientalistas.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com

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  2. Voltando com força total em Ronald! Esse filme do Seagal, apesar de eu não achar ruim é o que menos gosto do começo da carreira do sujeito. Eu prefiro o tres primeiros filmes dele, que pra mim são verdadeiros clássicos do cinema de ação.

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  3. Não gosto muito da carreira do Seagal, mas por outro lado acho o Marcado para a Morte um filmaço, casca grossa e violento. Quanto ao Força em Alerta 2, até que vale um post.

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  4. Lázaro Cassar02/11/2011 22:12

    Considero "Força em alerta 2" um bom filme (lembro que na época gostei mais do 2 que do primeiro, inclusive), apesar de tb carecer daqueles motivadores de "periferia" da 1ª fase. Aliás, dessa 1ª fase considero "Fúria mortal" seu filme mais completo!

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