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NICO, ACIMA DA LEI (Above the Law, 1988), de Andrew Davis

Estou no meio de uma fase estranha de assistir a filmes de caras fodões que marcaram a minha infância. Filmes antigos (que por algum motivo eu acabei não vendo na época) e recentes. Por isso, não se assustem quando começarem a pintar por aqui alguns textos sobre trabalhos de Jean Claude Van Damme, Arnold Schwarzenegger, Dolph Lundgren, Steven Seagal e muitos outros. Este último eu até comentei sobre um filmaço há algumas semanas, OUT OF JUSTICE (e para mostrar como eu sou um moço de bom coração, já deixo um link gratuito para poupar o trabalho de ficar caçando nos arquivos).

Ainda sobre o Seagal, para aliviar de vez com os seus filmes remotos que eu ainda não vi – e partir de uma vez para os mais atuais – me deparei com NICO, ACIMA DA LEI, que é o primeiro trabalho do sujeito (que nem usava ainda aquele rabinho de cavalo cretino) em frente às câmeras. Mas não se preocupem, porque a ausência do excesso de cabelo na nuca do ator não interfere em nada seu desempenho ao distribuir pancadas e tiros nos meliantes de plantão, a não ser, é claro, no aspecto visual dos enquadramentos, já que Steven Seagal sem cabelinho balangando é a mesma coisa que Jack Nicholson assistindo a um jogo dos Lakers sem óculos escuros.

Mas tudo bem. Seagal interpreta aqui um de seus melhores papéis, o policial Nico Toscani, que tem um histórico na CIA e uma passagem na Guerra do Vietnã. Atualmente ele investiga um caso de tráfico de drogas, mas como todo bom filme ação, o sujeito acaba se envolvendo no clichê de encontrar algo muito maior do que esperava e que põe a sua vida e a da sua família em risco, ou seja, a mesma coisa que já vimos em milhares de filmes, e por isso mesmo tão divertido!

O elenco é de primeira! Nico conta com a ajuda de sua parceira policial encarnada pela musa do blaxploitation: Pam Grier. Ainda temos Sharon Stone, como a esposa do protagonista e ninguém menos que o grande Henry Silva, vivendo um perigoso traficante com planos diabólicos e risada maquiavélica e que possui uma boa variação de técnicas para torturar pessoas de língua presa e que no Vietnã teve um desentendimento com Nico.

A direção é por conta do Andrew Davis, que era um cara legal no inicio da carreira. Realizou algumas coisas bacanas como CÓDIGO DO SILENCIO, com Chuck Norris, THE PACKAGE, com Gene Hackman e Tommy Lee Jones, e até A FORÇA EM ALERTA, que é um dos filmes mais divertidos do Seagal. Mas depois de O FUGITIVO, Davis deixou seu nível cair bastante. Em NICO, seu quarto filme, ele ainda tinha pulso firme para sequências de ação e porrada, elementos que não podem faltar num filme como este.

Tudo isso, aliado a boa história, que não traz nenhuma novidade, mas também não inventa moda, fazem de NICO, ACIMA DA LEI um dos melhores filmes do Steven Seagal. Aliás, o roteiro tem o dedo do ator, que aproveita para criar um personagem com tons auto-biográficos, incluindo sessão de fotos pessoais nos créditos de abertura.

Em posts futuros eu retorno com mais Steven Seagal em filmes atuais, com mais cabelo e com mais pança também!

Comentários

  1. Johnny Ratazana14/08/2009 22:18

    Ri muito com ele correndo atrás dos bandidinhos na rua. Malandrão.

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  2. osvaldo neto15/08/2009 20:30

    Crássico. Mas dessa fase, a melhor da carreira de Seagal, OUT FOR JUSTICE e MARKED FOR DEATH são os campeões.

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  3. Voce reparou em como o Segal tinha umas falhas, umas entradinhas no cabelo q sumiram no filme seguinte q ele fez? Além de ser o único filme em que ele era magro tb! Outro detalhe fantástico é ele com o penteado de gel no Vietnã! Preciso rever esse filme, deu saudades. Gosto da rápida participação do Michael Rooker como um bebum na cena em que entra no bar em busca da sobrinha.

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  4. pra mim é um dos melhores filmes do Seagal, do Davis, e um belo policial/action movie

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