27.11.11

KEOMA (1976)

KEOMA deve ter sido o meu primeiro Spaghetti… ou será que foi TRÊS HOMENS EM CONFLITO? Não importa, a verdade é que esse filme marca a infância de qualquer moleque com um mínimo de interesse na sétima arte. Não que eu tivesse muita consciência deste interesse na época, mas até hoje me lembro daquela VHS da Poletel que meu velho alugou numa sexta feira no fim dos anos oitenta.

Na época em que KEOMA foi realizado, o spaghetti western já tinha esfriado. O ciclo já não rendia algo interessante há tempos, mas mesmo assim, a dupla Enzo G. Castellari e Franco Nero, que já haviam trabalhado juntos antes em uns três filmes, estavam convictos e centrados em realizar um projeto de faroeste, mas não qualquer faroeste, eles sentiam que KEOMA seria algo maior, e foram em frente na tentativa de arranjar financiadores.

Depois do sinal verde para a produção, o roteiro final só chegou nas mãos de Castellari três dias antes de começarem as filmagens. Ele próprio e Franco Nero não gostaram do que leram. Castellari diz em uma entrevista que jogou tudo fora e sem tempo pra reescrever começou a elaborar as cenas no dia a dia das filmagens, deixando as suas principais inspirações sublinharem a narrativa. De Ingmar Bergman à Sam Peckinpah, as influências foram absorvidas naturalmente e o resultado não poderia ser diferente: KEOMA foi um sucesso e se tornou um símbolo do Spaghetti Westen.

Todo mundo já deve conhecer a história, que é tratada em tons de tragédia clássica. Pra começar, Keoma (Franco Nero) é um mestiço, filho de uma índia com um fazendeiro branco. Após retornar da guerra civil, ele encontra a região onde vivia sendo comandada por Caldwell (Donald O'Brien). Como sabemos que isto aqui é um faroeste, não preciso nem dizer que tipo de sujeito é esse Caldwell, não é mesmo? Mas as coisas pioram quando Keoma descobre que seus três meio-irmãos (que sempre lhe trataram muito mal) estão do lado do facínora, para a desgraça do pai de todos eles, vivido por William Berger.


No elenco, ainda temos Woody Strode, Olga Karlatos, e uma série de figuras sempre presente nas produções populares do cinema italiano. Mas o grande nome do filme não poderia ser outro: Franco Nero, com uma atuação sólida e expressiva, provavelmetne a minha favorita de sua longa carreira.

Um dos grandes méritos de KEOMA é conseguir agradar tranquilamente os fãs do Western bruto, mais movimentado, e também aqueles que procuram algo com mais substância, e o que não falta por aqui são elementos filosoficamente dramáticos. E como de costume, a direção de Castellari constitui de algo absurdamente magistral. É de fazer chorar qualquer amante do cinema, desde os enquadramentos expressivos, as sacadas de montagem e, claro, as sequências de ação e tiroteios fazendo uso da câmera lenta ao melhor estilo Peckinpah.


Agora, vocês podem não concordar, até porque é apenas a minha opinião e estou aberto à boa e velha discussão, mas que KEOMA merecia uma música tema mais decente, eu acho que merecia. Não que eu não goste da que está lá, é muito marcante e até funciona. Mas se o visual colhe com êxitos momentos notáveis durante todo o filme, onde será que estava o Morricone pra fechar este spaghetti western crepuscular de forma sonoramente brilhante?

8 comentários:

  1. Meu Castellari favorito. Eu gosto da trilha sonora do filme justamente por ela ser completamente o inverso do que poderíamos esperar num Spaghetti Western. Mas concordo que o tema poderia muito bem ser composto não só por Morricone, mas um Nicolai e um Ortolani também seriam excelentes escolhas.

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  2. Um dos meus westerns favoritos. Grande! Obra-prima do caraleo!

    E a trilha é um grande achado... são dos mesmos compositores de Mannaja (conhecido por aqui como Vingança Cega). Ela combina muito bem com o filme: possui aquela delicadeza que o lado dramático (a voz feminina) do filme revela, mas tb possui aquela brutalidade (a parte da voz masculina, grossa) que aparece na maior parte do tempo.

    Ah, e já assistiu Navajo Joe, de Corbucci? Fiz um texto pra ele.

    Abs!

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  3. J. Verneti27/11/11 14:18

    Obra-prima!
    É o tipo de cinema que não se faz mais hoje em dia.

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  4. Exatamente.
    E eu vou mais além, para mim a trilha-sonora é o ponto fraco do filme. Foi exatamente isso que me incomodou. Mas a câmera lenta compensa tudo.

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  5. Marcelo, não chegou a me incomodar... como disse, até gosto da trilha. Mas poderia ser melhor. :)

    Victor, ainda não vi Navajo Joe. Vou da uma lida na sua resenha.

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  6. A trilha podia ser melhor mesmo, mas é impressionante como seu tom de lamúrio exagerado combina com o filme. Aliás, compreendo completamente sua adoração por Keoma, a cada vez que penso nele o filme melhora mais e mais. Esses dias vou revê-lo. E, há de se deixar sublinhado: que cena maravilhosa é aquela com o travelling, enquanto Nero e Berger conversam???? Coisa de gênio.

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  7. Porra, Ronald. Guido & Maurizio são quase tão grandes quanto Morricone, trilha das mais lindas, de um desespero... É um dos meus filmes preferidos.

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  8. Que vc acha trilha sonora do filme Django de 1966. A melhor pra min.

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