1.4.10

VÍRUS (Carriers, 2009), de Àlex Pastor & David Pastor

A distribuidora brasileira nomeou CARRIERS com o mesmo título de uma ficção científica lançada por aqui em 1999, estrelada pela Jamie Lee Curtis e dirigida por um tal de John Bruno. Alguém se lembra desse VÍRUS? O filme inteiro se passa em alto mar, dentro de um navio, onde os personagens enfrentam uma força alienígena. Assisti na época e não lembro nem se é bom ou ruim. Mas pra ficar tão apagado na memória não deve prestar.
VÍRUS é um bom nome para este aqui, já que a tradução do título original não soaria muito bem... Mas vamos deixar o título em paz e concentrar na obra que é até bem interessante. Filmes de doenças, mutações bacteriológicas, etc, tem inspirado muitas fitas nos últimos anos, principalmente para explicar o surgimento de zumbis em filmes como EXTERMÍNIO, por exemplo. O vírus/bactéria/arma biológica não apenas mata a pessoa, mas infecta e transforma o indivíduo. No entanto, o que torna VÍRUS uma peça ímpar da safra atual é que o sujeito contaminado não altera seu comportamento. Ele simplesmente deteriora-se, morre e acabou. Claro que há a iminência do contágio para dar um suspense, mas a falta desse “algo a mais” coloca o filme num campo mais próximo da realidade.
Seguindo a estrutura de um road movie, VÍRUS narra a trajetória de quatro pessoas atravessando os Estados Unidos, num momento pós-apocalíptico, onde um vírus letal infectou e matou milhões de pessoas e continua a se espalhar rapidamente. Superficialmente, existem milhões de filmes com esse mesmo mote, inclusive o recente ZUMBILÂNDIA possui vários pontos em comum com este, em especial as rigorosas regras criadas pelos personagens para sobreviverem. Mas de alguma forma, o roteiro consegue fugir do senso comum, talvez pela falta de zumbis ou de infectados agindo de maneira violenta. Ou quem sabe pelo modo com o qual os diretores trabalham os clichês? O filme foca bastante na relação dos personagens, na questão da perda ou na possibilidade de abandonar a pessoa amada caso esteja infectado. E nessas situações, a dupla de diretores, os irmãos espanhóis Àlex e David Pastor, manda muito bem, com realismo e sem apelação sentimental.
O problema é a construção dos personagens. Todos eles são tão patéticos e fúteis que qualquer um deles poderia se contaminar que eu não daria a mínima. Na verdade, ficaria até feliz em vê-los sofrer. Imaginem um torture movie sci-fi onde os protagonistas estão todos infectados por um vírus e passam o filme inteiro apodrecendo até desfalecerem. Seria algo inusitado, um drama denso, e o David Cronenberg poderia dirigir.  O que acham?

Chris Pine, intérprete do Capitão Kirk no novo STAR TREK, é o pior dos quatro. O sujeito chega a ser irritante de tão abobalhado. Se a intenção de Àlex e David era essa, então funcionou. Ainda no elenco Lou Taylor Pucci, Emily VanCamp e a gata Piper Perabo, para embelezar o filme, embora todo o trabalho visual e de composição das paisagens e cidades devastadas seja bem eficaz. VÍRUS não chega a altura de THE ROAD em suas intenções pós apocalípticas, mas recomendo ao menos uma conferida, aproveitando o lançamento nos cinemas brasileiros.

4 comentários:

  1. Lembro de "Vírus" e que eu tinha grandes expectativas em relação ao filme porque o John Bruno era o grandão dos efeitos especiais da Digital Domain, na época.

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  2. O Vírus com a Jamie Lee Curtis ficou no meu top 5 de piores filmes de 1999.

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  3. Esse Vírus é jóia, justamente por ir num caminho inverso ao habitual. E, diga-se de passagem, ele é mais drama do que terror ou suspense.
    Como costuma acontecer muito por aí, vem sendo vendido errado.

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  4. Virus o pior filme q ja assisti aff sem palavras velho!

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