Pular para o conteúdo principal

THE SPIRIT (2008), de Frank Miller

Quando estou com uma espectiva baixa, eu acabo gostando de certos filmes por algum motivo ou outro, acho que acontece com todo mundo. Mas eu estava com uma expectativa tão baixa para THE SPIRIT, mas tão baixa, que nem fazendo força pra gostar eu consegui retirar algo interessante do filme. Frank Miller simplesmente perdeu a noção de seu espaço. Já foi um dos grandes criadores do ramo dos quadrinhos, mas dar uma de diretor depois de ter feito um “estágio” com Robert Rodriguez em SIN CITY, valha-me Deus!

THE SPIRIT não funciona pra nada, absolutamente nada! E ainda ofende os fãs do personagem criado por Will Eisner. É um retrocesso total do avanço rumo à maturidade que as adaptações de HQ’s em Hollywood estava alcançando com filmes como IRON MAN, THE DARK KNIGHT e WATCHMEN. É um completo desastre...

Os personagens são mal explorados, mal desenvolvidos, mal dirigidos, na verdade, a direção, de um modo geral, parece não existir. Miller simplesmente ligou a câmera com os atores em frente de um fundo verde e os deixou proferindo as falas decoradas de um roteiro vagabundo que o próprio Miller escreveu. E os pobres atores nem se esforçaram pra tentar amenizar o papel ridículo que estavam fazendo...

E que desperdício! Tantas beldades num filme... se pelo menos o Miller tivesse culhões pra fazer algo mais picante com as atrizes que tinha em mãos. O máximo foi uma bundinha de nem dois segundos da Eva Mendes. E o pobre Samuel L. Jackson – que eu adoro fazendo um papel caricato – está ridículo no pior sentido possível. E não digo nada do atorzinho que interpreta o Spirit (que eu não sei o nome, nem estou com vontade de olhar no google).

As cenas de ação também não ajudam em nada, não conseguem quebrar o ritmo da série de vergonha alheia. A única coisa que poderia ajudar é o visual (mas não se engane, caro leitor, até isso prejudica o andamento). Miller parece tão encantado com os artifícios estéticos que esquece que tem um roteiro narrativo a executar. Fora que este estilo adotado em THE SPIRIT, além de já estar batido, não tem sentido algum de haver, a não ser para desviar a atenção do publico (já que os quadrinhos de Eisner não possuem este visual), diferente de um SIN CITY, por exemplo, que utiliza para se aproximar com a estética da própria graphic novel adaptada.

Pura sorte não ter conseguido assistir a essa bomba no cinema...

Miller fingindo que é diretor de cinema.

Comentários

  1. Acredito que Miller tenha feito uma enorme piada sobre heróis. Eu gostei bastante, não como um filme de herói e sim um filme que zomba da situação em que só filmes oriundos dos quadrinhos conseguem ficar muito tempo em cartaz...

    http://cinema-o-rama.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Perfeito, mais um convertido para a causa anti-Spirit do Frank Miller... hahahaha. O pior é que eu também não convenci salvar nada de divertido nessa porcaria da grossa, nem mesmo a própria ruindade do filme, que talvez poderia até deixá-lo engraçado. E assim temos mais um ótimo personagem de quadrinhos transformado em piada no cinema (a exemplo de Monstro do Pântano, Homem-Coisa, Justiceiro, Constantine, os heróis da Liga Extraordinária, Capitão América e segue uma lista enorme).

    ResponderExcluir
  3. Deixa eu aproveitar para fazer uma propagandinha básica: Mostra Cinema de Bordas no Itaú Cultural, em São Paulo, de 22 a 26 de abril. Entre produções amadoras de todo o Brasil, QUATRO filmes de zumbis vindos dos mais diferentes Estados, e uma comédia romântica de minha autoria antes de uma sessão imperdível do MANGUE NEGRO.

    Programação completa:
    http://www.itaucultural.org.br/index.cfm?cd_pagina=2841&cd_materia=928

    ResponderExcluir
  4. Sobre o THE SPIRIT, apenas dois comentarios: 1) que merda!!! e 2) nem vou ver!!!

    ResponderExcluir
  5. Pedro, não conseguir enxergar qualquer detalhe que apontasse para uma zombaria. O que eu vi foi falta de competencia mesmo.

    ResponderExcluir
  6. Leandro Caraça11/04/2009 16:51

    O filme não tem nada de zombaria. Só um verdadeiro idiota faria pouco da obra do Will Eisner.
    Há sim humor no Spirit original. Só que também há bons roteiros, arte deslumbrante, personagens interessantes. O Miller tentou captar o humor da HQ no filme, mas errou feio. Errou porque o cara hoje não sabe contar uma história no papel e perdeu qualquer idéia do que seja uma boa piada. Eisner foi um gênio da arte sequencial. Miller hoje é um cinquentão reacioário, que faz garranchos no papel e conta a mesma história ruim há pelo menos uns 15 anos.

    ResponderExcluir
  7. Johnny Ratazana12/04/2009 15:40

    HAHAHahah, quanta raiva

    ResponderExcluir
  8. Porque ele é reacionário Leandro?

    Pô tem alguém que gostou desse filme? hahaha

    Tá aí um candidato pra remake!

    ResponderExcluir
  9. Leandro Caraça13/04/2009 11:13

    Pelas declarações que ele deu depois do 9/11 e da invasão do Iraque.

    ResponderExcluir
  10. Bruno C. Martino13/04/2009 23:29

    Não sabia, vou procurar sobre.

    ResponderExcluir
  11. Leandro Caraça14/04/2009 11:24

    Não é nada explosivo, mas mostra a posição política do sujeito. E acho que agora fica até mais claro porque ele passou a escrever só histórias com protagonistas que beiram o fascismo (Batman, Leônidas, a galera de Sin City).

    ResponderExcluir
  12. Eu li. Na verdade é a mesma opinião de qualquer americano ignorante. Me decepcionei, pensei que ele fosse mais esclarecido.

    ResponderExcluir
  13. Allan Verissimo10/06/2009 19:25

    O pior do filme é que Miller investe mais no visual e no péssimo tom de auto-paródia a lá BATMAN E ROBIN do que na história ou no desenvolvimento dos personagens. E Jackson está horrivel.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

O IMBATÍVEL (Undisputed, 2002)/O LUTADOR (Undisputed 2: Last Man Standing, 2006)

No útlimo fim de semana procurei outros filmes recentes do Michael Jai White para vê-lo distribuindo porrada em meliantes como em BLOOD AND BONE e BLACK DYNAMITE. Me deparei com UNDISPUTED 2, continuação de um filme dirigido pelo Walter Hill em 2002 e que, por pura negligência da minha parte, ainda não havia assistido. Enfim, foi uma experiência interessante, além de poder ver um ótimo filme de luta estrelado pelo Jai White ainda tirei o atraso com o filme Hill, que é obrigatório para os fãs do sujeito.

Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada é bem diferente um do outro. UNDISPUTED é puro Walter Hill! Cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com direção extremamente segura. Temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos …

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair…

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)

Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se …