11.10.08

breves anotações

WALKABOUT (1971), de Nicolas Roeg: Uma das mais belas metáforas sobre a incomunicabilidade humana e, desta forma, sobre não exprimir os desejos. O diretor de Um Inverno de Sangue em Veneza documenta este pensamento através de uma fábula onde dois irmãos (uma adolescente e seu irmão pequeno) acabam perdidos no deserto australiano e encontram um aborígene que os salva e os ajuda nessa jornada de colisões entre dois mundos distintos num cenário naturalmente poético e visceral. Há um sutil elemento sexual que permeia sob alguns momentos - como não poderia deixar de haver - entre a jovem e o aborígene, mas Roeg apenas sugere, sem que algo concreto aconteça.

SERAPHIM FALLS (2006), de David Von Ancken: Western de primeira qualidade que não deixa nada a dever aos grandes filmes do gênero. Postei há algum tempo aqui no blog alguns screenshots que tirei quando assisti. Uma sucessão de composições estéticas que demonstra a força do cinema na arte do olhar, do vislumbrar, na mesma intensidade que suas irmãs mais velhas: a pintura e a fotografia. A história trata de uma caçada implacável onde temos Liam Neeson (e Michael Wincott e Ed Lauter) como caçador e Pierce Brosnan como caça sem que saibamos claramente o porquê dessa situação. À medida que a narrativa vai esclarecendo essa informação, através de flashbacks, o filme se transforma em um poético e emblemático conto cheio de metáforas. O desfecho me lembrou um western dos anos 70, Caçada Sádica, de Don Medford, onde Gene Hackman persegue Oliver Reed durante todo o filme e acabam desfalecendo num deserto.

MEDO DA VERDADE (2007), de Ben Affleck: Uma grande bobagem que tenta se levar a sério sob a forma de um neo noir meia boca. O que deveria ser a grande sacada – a história com seus desdobramentos e revelações inesperadas – não passa de um monte de fio embolado num roteiro que atira para todos os lados e utiliza artifícios fajutos que tentam desesperadamente prender a atenção do espectador, mas acaba demonstrando uma fragilidade irreparável e que poderia ser evitada caso seguisse um caminho mais definido e confiasse um pouco na inteligência do público. Ben Affleck na direção é sem graça da mesma forma que interpreta, resolveu não aparecer neste aqui para não piorar a situação, embora nem a presença de Ed Harris (a única coisa boa do filme) e Morgan Freeman consiga ajudar a salvar o dia.

TAKEN (2008), de Pierre Morel: A idéia central daria margem para mais uma entre tantas baboseiras genéricas do gênero que surgem em hollywood atualmente. Não que Taken seja lá uma obra prima, mas pelo menos cumpre aquilo que promete com firmeza, seriedade e sem frescura ao mesmo tempo em que se assume como uma obra limitada, mas divertida. Liam Neeson aqui é um ex-espião do governo americano, sujeito solitário que foi abandonado pela família por causa de seu trabalho, mesmo assim não deixa de dar atenção para a filha adolescente vivendo muito bem com a mãe agora casada com um milionário. Quando sua filha é seqüestrada numa viagem pra França, ele resolve utilizar suas modestas habilidades desenvolvidas durante os anos para resgatá-la, o que inclui experiência avançada com armas de fogo, faixa preta em vários tipos de artes marciais, direção automobilística super ofensiva e a frieza de matar sem remorso qualquer sujeito que entre na sua frente para impedi-lo.

2 comentários:

  1. Ronald, publiquei o meu Top dos anos 70. Fico aguardando sua lista!

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  2. taken...filmaço de ação sem frescura ao estilo anos 70 e 80!

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