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INVASION USA (1985)

 

aka INVASÃO USA
direção: Joseph Zito
roteiro: Chuck Norris, James Bruner

Sylvester Stallone confirmou esta semana a presença do homem, CHUCK NORRIS, no elenco de OS MERCENÁRIOS 2, e espero realmente vê-lo na tela grande em 2012, se tudo der certo e se o mundo não acabar. Então nada mais justo comemorarmos a sua volta relembrando um de seus melhores trabalhos! Na verdade, INVASÃO USA é o meu predileto da carreira do ator, um dos filmes mais marcantes do cinema exagerado de ação oitentista junto com COMANDO PARA MATAR, DESEJO DE MATAR 3 e alguns outros que fizeram um estrago na minha cabeça quando eu era apenas um rato de locadora precoce.

E INVASÃO USA teve um baita impacto! Poucos filmes utilizaram de maneira tão eficiente - para o mesmo propósito deste aqui - o ambiente urbano na cidade como uma zona de guerra, colocando a vida cotidiana dos pobres cidadãos mergulhados no terror! Depois do 11/09 seria algo inconcebível a idéia de um filme que mostra uma invasão ao país “mais poderoso do mundo” por terroristas estrangeiros, mesmo realizado de modo estilizado e exacerbado que a CANNON, que produziu o filme, costuma tratar seus produtos, como mera diversão, sem qualquer profundidade reflexiva. No caso de INVASÃO USA, ao menos temos um puta filme de ação que pode se orgulhar por trabalhar um tema "tabu" para os nossos dias!

A história é a seguinte: uma organização terrorista da Europa Oriental, comandada por Mikhail Rostov (o sempre ótimo Richard Lynch), tem um plano mirabolante de destruir os Estados Unidos de dentro pra fora! O objetivo é causar anarquia, colocando a população contra a polícia e o sistema, além, é claro, de explodir alguns alvos específicos com bazucas e explosivos de todos os tipos. O governo americano já não sabe o que fazer, as forças armadas lutam contra um inimigo invisível, disfarçados de cidadãos, policiais e até mesmo de oficiais do exército. Sabe-se apenas que Rostov está por trás de tudo e apenas um homem é capaz de detê-lo: Matt Hunter! Se existe um personagem, dentre todos que Chuck Norris já viveu, que se sobressai no quesito truculência, Hunter seria exatamente este cara!

 

Imaginem só! O sujeito é tão casca grossa que numa situação de alerta nacional onde as autoridades perderam totalmente o controle por conta de ataques terroristas contra a população, ele é a ÚNICA solução do governo, do país inteiro, para deter a onda maciça de ataques violentos contra civis inocentes!

Matt Hunter é um ex-agente da CIA, vivendo uma pacata vida nos pântanos da Flórida, caçando crocodilos, e que já possui um histórico contra o terrorista Rostov em seus anos de serviço. A princípio, Hunter não dá a mínima para o chamado de seu país para lutar contra o terror… eles que se virem! Mas é só pra dar um suspense. Como Rostov tem contas a acertar com o nosso herói, ele o ataca em seu habitat natural, destruindo sua casa, matando seu melhor amigo, causando um verdadeiro estrago na tranquila vida do ex-agente... ao menos o tatu bola de estimação sobrevive. Sendo assim, Hunter resolve aceitar a missão de acabar com a baderna dos terroristas.

Grande parte da reputação de “exército de um homem só” pela qual Norris é conhecido hoje, com todas aquelas listas de façanhas impossíveis referentes a ele, deve-se especialmente pelo seu personagem em INVASÃO USA. É incrível como Rostov demonstra ser um dos vilões mais sádicos do cinema de ação oitentista, fazendo vítimas à sangue frio, matando inclusive crianças, e quando escuta o nome “Matt Hunter” começa a se borrar todo! Nunca vi isso acontecer! Geralmente, os vilões são seguros de si e mantém suas poses de malvados até o fim, mas Rostov fica pra morrer só de pensar em Hunter… o sujeito não consegue dormir à noite com pesadelos onde Hunter diz “É hora de morrer…”! É um detalhe emocional deste confronto psicológico entre o bem, representado por Hunter, e o mal, de Rostov, que eu deixo para os psicólogos de plantão analisarem.

 

O que eu gosto mesmo é ver o troço pegar fogo e o que não falta por aqui são sequências de ação antológicas com vários dos ingredientes que pegam os fãs de jeito! Uma quantidade enorme de tiroteios comendo solto com munição infinita, toneladas de explosões, perseguições de carro em alta velocidade… o final consiste numa batalha épica entre o exército americano contra os terroristas, enquanto Chuck Norris distribui porrada e muita bala nos últimos capangas de Rostov dentro de uma delegacia vazia. Mas minha cena de ação favorita é a do shopping, quando Hunter chega pra acabar com a festa de um grupo que decide explodir tudo pelos ares e entra com sua caminhonete dentro do shopping disparando contra os meliantes. Na sequência, ele parte para uma perseguição, sendo que no veículo dos bandidos há uma refém sendo puxada pelos cabelos do lado de fora! Sensacional!

 

A direção de Joseph Zito não chega a ser um grande destaque, apesar de tudo. Existem outros filmes da época bem mais inspirados na construção de cenas de ação, mas o cara é econômico e deixa a grandiosidade das sequências acontecerem sem precisar fazer malabarismo com a câmera. Zito, que dirigiu filmes de terror, como SEXTA FEIRA 13 – PARTE IV, um dos meus favoritos da série, e THE PROWLER, não chega a ser um mestre da ação, mas ele sabe fazer algo agradável e bem movimentado. Com o velho Chuck já tinha feito o primeiro da série BRADDOCK um ano ates deste aqui e depois fez RED SCORPION, com o Dolph Lundgren.

Já o roteiro é um achado! Tá certo que Matt Hunter é um homem de poucas palavras, mas quando abre a boca, o texto é genial! É sempre o tipo de coisa que se espera desses caras durões. “If you come back in here, I am gonna hit you with so many rights you are going to beg for a left!” é uma das minhas favoritas. Ele usa quando ameaça um brutamontes duas vezes maior que ele. No entanto, pouco é revelado da personalidade do personagem, o qual permanence até o fim com um ar misterioso. Sabe-se que ele curte um sci-fi clássico, como é mostrado na cena em que está deitado no quarto de hotel e esboça um sorriso para a TV enquanto assiste a um...

 

O filme explora mais as habilidades do sujeito, que possui um faro sobrenatural para detectar ameaças terroristas. Ele sempre aparece no lugar certo e na hora certa onde um ataque está prestes a acontecer, como na cena da bomba no ônibus escolar, por exemplo, ou a da bomba na igreja, a da bomba no shopping… onde você imaginar colocar uma bomba, Hunter estará lá pra lhe acertar um chute na fuça!

Pois é, o filme não tem um pingo de realismo, um dos motivos pra nunca terem lhe dado o devido respeito, apesar do tema do terrorismo contra os americanos como base da trama, algo que permanece "atual". Além disso, é o tipo de filme em que o herói e vilão não resolvem suas diferenças na diplomacia, nem em um simples tiroteio ou até mesmo com uma luta corpo a corpo, mas com o extremismo de um duelo de bazucas. E é nesses detalhes cartunescos e desmedidos que INVASÃO USA se destaca. É idiota, mas ao mesmo tempo absurdo, engraçado, truculento… um legítimo clássico.

Comentários

  1. Clássico Total...se Sly chamar Chuck Norris de Matt Hunter em seu novo Mercenários...muitos garotos dos anos 80 vão ter ejaculação precoce nos cinemas de emoção...hahahahahahahaha

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  2. Se algum dia eu tiver um filho macho vou registrar como Matt Hunter. Não é a toa que o russo se borra todo quando ouve o nome.

    A perseguição com a loira pra fora do carro é do caraio. Só é superada pela perseguição do Fatal Termination, com a Moon Lee, onde a loira é trocada por uma garotinha. Insano!

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  3. Lázaro Cassar19/09/2011 01:20

    Se houvesse justiça no mundo, esse filme seria laureado com todos os Oscars possíveis, inclusive um prêmio especial para Billy Drago, que faz uma participação nessa brilhante, magnífica, atemporal, fodapracaráio película!!!!!!!!!!!

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  4. Caramba, esqueci de comentar a participação do Drago, que tem uma das mortes mais sádicas, sendo castrado à bala pelo Richard Lynch! Hehe

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  5. Isso sem contar a namorada do Drago, que vai cheirar uma carreirinha e tem o "canudo" enfiado no nariz ao levar uma porrada na cabeça! Do caralho!

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  6. E o aspecto ideológico como fica?
    À época a crítica detestava esses filmes por ser produto da direita americana, depois de tanto tempo, isso importa?
    Enfim, baixei o filme e vou fazer uma análise, do que ficou.
    abs

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  7. Deve ter sua importância sim, com certeza. Mas no meu caso, não consigo me prender à esse tipo de aspecto. O que importa mesmo é o grau de diversão que o filme me proporciona... ;)

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  8. Clássico bacana pra carvalho! Assisti por recomendação sua, Ronald, e amei mesmo! Burro, mas divertido. Ótimo texto.

    Abs!

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