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THE SHOOTER, aka Hidden Assassin (1995)

Para a "crítica séria", Ted Kotcheff pode ter perdido o rumo em algum ponto de sua carreira após apontar como cineasta promissor nos anos 60 e 70, tendo realizado a obra prima PELOS CAMINHOS DO INFERNO. Nos anos 80, deu uma sacudida no cinema de ação com o primeiro RAMBO, que destoa totalmente do que o personagem virou nos filmes seguintes. Ainda pretendo escrever sobre a série, mas RAMBO - PROGRAMADO PARA MATAR é um marco no gênero. Gosto bastante das continuações como filmes de ação apenas. Já o primeiro possui envergadura crítica e é sensacional como exemplar do gênero.

Enfim, o último filme feito pra cinema dirigido pelo Kotcheff é este THE SHOOTER, pequena produção protagonizada pelo Dolph Lundgren… como disse no início do texto, para a “crítica séria”, isso aqui é como o fundo do poço para um diretor do calibre do sujeito. Mas para nós, fãs ardorosos do “inocente” cinema de ação de baixo orçamento, um filme do Dolph dirigido por um mestre é como um bife bem suculento acompanhado de uma montanha de batatinhas fritas: não tem como ser ruim!

Escrito por três roteiristas meia bocas, a trama de THE SHOOTER é simples, mas eficaz como thriller um pouco mais sério do que o Dolph costuma fazer. Após o assassinato de um embaixador cubano em território americano, o agente Michael Dane (Dolph) é enviado à Praga com a missão de capturar o principal suspeito pelo ocorrido. Trata-se de uma assassina profissional chamada Simone Rosset, vivido pela belezinha Maruschka Detmers – também lembrada pelo boquete explícito em DIAVOLO IN CORPO, de Marco Bellochio.


O problema é que há muito tempo Rosset não atua como assassina, levando uma vida pacata, cuidando de seu restaurante ao lado de sua companheira. E Dane passa a duvidar que ela tenha realmente agido. E quanto mais o herói cava fundo nas investigações, mais ele se vê submerso numa teia de conspiração extremamente perigosa. Nada muito elaborado como um MISSÃO: IMPOSSÍVEL, do Brian de Palma, que possui orçamento alto e elenco de primeira classe, mas para um B movie de ação, até que a trama surpreende com suas reviravoltas.

O que não é surpresa são as sequências de ação dirigidas por Kotcheff, filmadas com elegancia e sem exageros, na dose certa para um thriller como este, onde o foco não é exatamente as cenas de ação. Mas não deixa de ter momentos onde Dolph encarna o herói brucutu oitentista com uma camisa branca coberta de sangue, como na sequência final em um palácio em Praga. Aliás, a cidade é um excelente cenário, com uma variedade de locações propícias para o tipo de filme que temos aqui. Na verdade, Paris era a primeira escolha, mas as taxas de impostos para a produção na República Tcheca é bem mais em conta.


No entanto, isso não impede de haver uma sequência ótima de perseguição de carros em alta velocidade pelas ruas apertadas que é de tirar o fôlego. Há outra, à pé desta vez, que inicia numa estação e vai parar sobre um trem em movimento; temos Dolph empoleirado no parapeito de um edifício para acertar um atirador de elite posicionado em outro prédio, numa sequência tensa; um tiroteio explosivo quando Dolph resgata a mocinha prestes a ser executada à sangue frio e por aí vai… para um filme mais focado na trama, THE SHOOTER tem ação pra cacete!

Dolph Lundgren, com cabelinho na moda, está ótimo e possui muita química com Maruschka, que por sua vez também tem uma curiosa ligação com sua sócia, levantando a questão da preferência sexual da personagem, algo que torna o desenvolvimento da relação entra ela e Dolph muito mais interessante. Completando o elenco, temos Gavan O’Herlihy e John Ashton.

Graças a competente direção do veterano Ted Kotcheff e uma trama instigante, THE SHOOTER tem seu lugar garantido entre os melhores veículos de ação de Dolph Lundgren nos anos 90. Foi curiosamente lançado aqui no Brasil com o título de DESAFIO FINAL, provavelmente representando o que foi para o velho de guerra, Ted Kotcheff, realizar este seu último trabalho feito pra cinema…

Comentários

  1. Eu tinha preconceito contra filmes do Dolph, mas com suas analises não há desculpa para não baixar-los. Quanto ao primeiro Rambo, com certeza é uma das obras-prmas dos anos 80. Se os 3 que vieram logo depois se espelhassem no primeiro, certeza que a franquia seria maior ainda.

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  2. Os três últimos filmes do Dolph que eu comentei aqui, recomendo como obrigatórios pra quem curte filme de ação. Os próximos dois filmes dele que eu vou comentar, nem tanto...são fraquinhos. hehe

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  3. Fala Ronald, descobri o blog a pouco tempo e curti mt, mas gostaria que você fizesse um resumo no final de cada maratona relacionada a alguém como a do Dolph e do Castellari, pra saber quais os obrigátorios e os "desnecessário", já que são muitos filmes e tals, e dos que você jpa fez a bastante tempo também, aí eu juro que volto e leio as resenhas, ahusuahsuahsu
    Valeu!

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  4. Opa, sem problema, posso fazer sim. A do Castellari eu faço, com certeza. Agora a do Dolph, não é exatamente uma maratona oficial... é que no mês passado eu assisti a um montão de filmes do sujeito e estou escrevendo sobre eles de uma vez para nao esquecer. Ainda preciso ver uns filmes que eu acho que são obrigatórios dele, pra poder montar uma relação dessa. Mas assim que estiver pronto, eu monto, com certeza.
    Valeu!

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  5. Nem sabia desse filme. Fiquei bem interessado. Gosto bastante do Kotcheff. Um filme dele que sou louco pra assistir é o Outback, que dizem ser uma obra-prima. Ainda bem que tenho gravado por aqui, só preciso lembrar de botar pra rodar, hehe... Ah, aproveitando o momento, voltei a blogar: http://herax-blog.posterous.com/ (provavelmente não vai durar muito, mas enfim...).

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  6. Kotcheff é foda e Outback, como disse no texto, é uma obra prima sim! hehe

    E que bela notícia! Porra, tomara que dure muito sim! Não vou nem divulgar agora pra não te assustar, mas se passar mais dois meses, eu divulgo! hahaha!

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  7. Nem precisa divulgar mesmo, a idéia é que só os mais chegados acompanhem mesmo. Estou de ferias então durante esse mes vou blogar de certeza. A partir de fevereiro retorna a correria e aí não sei mais...

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  8. Saquei então! Beleza... boa sorte com o blog, que está bem legal. Só não consegui fazer comentário...

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  9. Ronald, os comentários estavam desabilitados. Agora está ok! (eu acho).

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  10. "(...) um filme do Dolph dirigido por um mestre é como um bife bem suculento acompanhado de uma montanha de batatinhas fritas: não tem como ser ruim!" - Fã de Tex identificado. :)

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  11. Hahaha! Acertou em cheio! E eu sabia que algum fã de TEX iria se revelar também... ;)

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  12. Falar em filme fraco de Dolph, é falar em AGENTE VERMELHO (2000) creio que o sujeito não pode ter descido mais baixo que essa produção.

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  13. É assunto para o próximo post! ;)

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