12.6.11

SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO, aka TEXAS 1867 (1967)

A princípio, o mais legal em percorrer a carreira do Castellari está sendo descobrir e escrever sobre alguns Spaghetti's que eu demoraria décadas para ver. Eu nunca tinha ouvido falar de SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO, um bom exemplar que, dessa vez sim, trata-se da oficial estréia de Enzo G. Castellari como diretor, assinando com um pseudônimo americanizado, E. G. Rowland.

O filme é sobre um ex-coronel sulista, Thomas Blake (Guy Madison), que não aceita a derrota na guerra de secessão e reúne um grupo de peculiares bandidos para tocar o terror pelos territórios por onde passa. Até que um dia, um misterioso pistoleiro, Stuart (Edd Byrnes) se junta ao bando e propõe a todos a ir recuperar um tesouro de duzentos mil dólares enterrado num cemitério indígena.

O tema caça ao tesouro seria abordado por Castellari em seu filme seguinte também, VOU, MATO E VOLTO, que já comentei aqui no blog. E parece que VOU, VEJO E DISPARO também tem esse mote, formando uma espécie de trilogia… este último eu preciso ver ainda. Mas suspeito de que este aqui seja o melhor deles! É um filme bem cuidado e que me fisgou logo de cara, nos créditos iniciais, com aquelas telas com uma cor predominante, mesmo estilo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO e outros, com imagens da guerra civil americana e a trilha sonora composta por Francesco De Masi.

Depois disso há um prólogo inspirado, violento e cheio de ação (algumas cenas reaproveitas de POCHI DOLLARI PER DJANGO) que apresentam os personagens do bando, cada um com suas habilidades especiais, como o uso da faca, chicote, um deles dá uma voadora e corta a garganta de um sujeito com as esporas!!!

SETTE WINCHESTER já demonstra também um Castellari mais à vontade na direção, experimentando na edição e em alguns enquadramentos interessantes, como a cena em que o coronel Blake aparece pela primeira vez em seu esconderijo em território mexicano, mostrado em super closes de partes da face, como a boca ou os olhos, antes de mostrar seu rosto. Na sequência da ação no final, no cemitério indígena, Castellari faz um belo jogo de sombras e incrementa com elementos de horror.

Como Peckinpah ainda não havia mostrado ao mundo o que se pode fazer com tiroteios filmados poeticamente em câmera lenta, Castellari ainda filmava ação de modo convencional, o que não quer dizer que seja ruim. A cena do massacre de sherifes é um belíssimo exemplo disso.

O filme sofre um pouco com o ritmo, tem alguns momentos de marasmo e alguns personagens são bem desinteressantes. Outro problema é que não consigo ver o ator Edd Byrnes na pele de herói de Spaghetti Western, como é o caso aqui... embora grande parte do elenco esteja ótimo, especialmente Guy Madison. Apesar disso, ainda acho obrigatório para os fãs do gênero e do diretor.

E Castellari ainda iria melhorar muito na direção. Assisti essa semana a JOHNNY HAMLET e estou petrificado, impressionado, embasbacado com o primor que é a direção deste filme, os enquadramentos, a precisão dos movimentos de câmera, é algo absurdo! Mas é assunto para o próximo post! Até lá, muchachos!!!

11 comentários:

  1. Não posso deixar de concordar contigo sobre esse Edd Byrnes. Não morro de amores pelas passagens dele no western europeu. Tenho o DVD da Wild East que contém este filme que resenhas e o "Professionisti per un massacro", que gosto bastante. Mas até nesse me parece uma carta fora do baralho.

    Sobre este "Seven Winchesters for a Massacre" digo-te que será um dos mais mais esquecíveis filmes do Castellari que já assisti. Mas ainda assim muito melhor que o "Cipolla Colt". Não sei se já conferiste esse?!

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  2. Apesar de ter gostado, realmente não é nada muito especial este aqui. Ainda não vi Cipolla Colt... já etou prevendo que terei que encarar algumas bombas do Castellari... hehe

    Dizem que Tedeum é uma bomba também, né?!

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  3. Esse eu não assisti. Pelos comentários que li é ainda mais idiota que o pistoleiro das cebolas, daí fiquei sem coragem...

    Mas digo-te uma curiosidade. Numa entrevista incluída no DVD alemão de "Il mercenario", Franco Nero considera o "Cipolla Colt" como uma das suas melhores personagens. A ver vamos qual será o teu veredicto!

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  4. vi o trailer de Cipolla Colt, e achei engraçada parece que a piada funcionou, sobre Edd Byrnes não tenho nada contra, esse Tedeum não vi nem o trailer ainda, o filme resenhado foi lançado no Brasil Como " Arizona 1867 "

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  5. Da pra achar esses filmes do Castellari na internet? Qual site ? Tem legenda para eles ? Fiquei MUITO curioso.

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  6. Fábio, eu encontrei no Cinemageddon, mas dificilmente você encontra algo com legendas em português por lá. Este aqui eu peguei com áudio em inglês.

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  7. Eu gosto do Byrnes como o malandrão no "Vou, Mato e Volto". Mas no filme ele não encarna exatamente um cowboy, seja ele italiano ou americano.

    Falando no nosso querido Castellari, sabe alguma coisa sobre o "Caribbean Basterds", Perrone?

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  8. Rapaz, espero que até o fim dessa empreitada eu consiga pelo menos alguma informaçao sobre Caribean.

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  9. Sempre achei o Byrnes a cara do Robert Patrick. :)

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