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POCHI DOLLARI PER DJANGO (1966)

Comecemos então pelo começo! Apesar de não receber o crédito de diretor, este Spaghetti Western é a estréia não-oficial de Enzo G. Castellari na direção. Há um trecho na biografia do Anthony Steffen, em que o próprio ator diz que o argentino Leon Klimovsky (famoso pelos filmes de terror com Paul Naschy) não filmou uma cena sequer, apesar de ser o seu nome que estampa o crédito, e acabou parando nas mãos de Castellari o serviço, que se não o fez com excelência, ao menos demonstrou que tinha talento para a coisa. O filme não é dos melhores do gênero, e acho que nem tinha essa pretensão, mas é um exemplar divertido, sem o “glamour” dos filmes do Leone, Corbucci, Sollima, Damiani, Lizzani, Questi e etc…

Um detalhe que vale lembrar é que esses italianos eram todos picaretas. Mudavam títulos, redublavam cenas, faziam o que fosse possível para promover seus filmes. Naquela época, DJANGO, de Sergio Corbucci, foi um dos grandes sucessos do gênero e o que surgiu de produção explorando a popularidade do personagem não é brincadeira! POCHI DOLLARI PER DJANGO é um bom exemplo disso, já que não há personagem algum com o nome que aparece no título.

Anthony Steffen, na verdade, se chama Regan, um caçador de recompensas que vai até Montana em busca de dois foras da lei, mas no meio do caminho encontra o corpo do sujeito que iria ocupar o posto de xerife da cidade e resolve assumir a identidade do homem para ganhar uma moral entre a população e facilitar as buscas pelos bandidos. O problema é que Regan acaba envolvido numa guerra entra um poderoso barão do gado com os pequenos agricultores da região. Isso o leva a Jim Norton (Frank Wolff), um ex-bandido que assumiu a identidade de seu irmão gêmeo, Trevor, liderou o bando cujos dois bandidos com as cabeças à prêmio faziam parte, mas agora vive tranquilo ao lado de sua sobrinha (filha).

O roteiro, apesar de um pouco confuso pela minha descrição, consegue ser simples ao trabalhar com o lance das trocas de identidade. As poucas sequências de tiroteios não são as melhores do mundo e a trilha sonora, elemento de extrema importância aqui, está mais para os clássicos westerns americanos do que para as marcantes melodias do spaghetti, mas acompanhar a trama e os desdobramentos se torna algo prazeroso, especialmente com o Anthony Steffen em cena e o sempre excelente Frank Wolff, um dos grandes atores do cinema popular italiano. Percebe-se também claramente o baixo orçamento da produção, o que pode ter influenciado no acabamento. No fim das contas, não chega a ter as peculiaridades de seu (verdadeiro) diretor, Enzo G. Castellari, mas não deixa de ser um westen bem decente.

Comentários

  1. "Há um trecho na biografia do Anthony Steffen, em que o próprio ator diz que o argentino Leon Klimovsky (famoso pelos filmes de terror com Paul Naschy) não filmou uma cena sequer (...)"

    Engraçado como o Steffen falou disso: "o TAMPINHA DO KLIMOVSKI não dirigiu cena nenhuma". Sensacional!

    Já que você começou a postar sobre os filmes do Castellari (e aproveito para agradecer), viu essa notícia (http://blogs.diariodepernambuco.com.br/esportes/?p=42434)? A foto me lembra um certo filme. :)

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  2. Muito boa a escolha do Castellari. Que venha muita violência estilizada, tiroteios em câmera lenta, etc, etc ...

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  3. Rá! Sensacional, Cristiano! O filme que essa imagem (belíssima, por sinal) lembra é um dos meus preferidos do Castellari. Na verdade, já cheguei a postar um micro texto sobre ele, mas vou escrever algo um pouco maior quando chegar a vez...

    E o Steffen falando do Klimovsky é genial!

    Marcelo, valeu pelo comentário! Grande abraço aos amigos que acompanham o blog!

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  4. n a verdade ele foi co-diretor, porque quem dirigiu de fato o filme f oio seu pai Marino Girolami, e Castellari só dirigiu as sequências de ação, eu fico pensando co migo mesmo, como é que o Castellari quep um grande dirteor sempre foi massacrado pela crítica, quando a mesma baba o ovo para pessoas sem talento como u ns Michael Bay´s da vida

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  5. Opa, valeu as informações, Artur. Realmente não dá pra acreditar nisso aí...

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  6. É tanta confusão que cerca essa produção, hein! mas lembrei que tenho esse filme em um pacote de piratões que minha mãe trouxe do Paraguai... vou vê-lo depois dou meus pitacos sobre!

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  7. É verdade, os créditos deste filme estão envoltos em mistério e desinformação. Seja como for é um spaghetti mediano que valerá a pena conferir pelo fã do género. Eu curiosamente tenho uma edição tailandesa do filme que felizmente contém audio em inglês, mas também já assisti por momentos à dobragem tailandesa... imaginem só o Sr. Steffen a debitar tal dialecto!!!

    Obrigado por teres optado pelo Castellari, Ronald. Um abraço.

    --
    Pedro Pereira

    http://por-um-punhado-de-euros.blogspot.com
    http://auto-cadaver.posterous.com
    http://filmesdemerda.tumblr.com

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  8. Oi, Ronald! Quando li a bio do Steffen, só achei três filmes dele, inclusive, o melhor é DJANGO, O BASTARDO. Como você consegue esses outros? Acho complicado encontrar nos fóruns que participo, que parecem ter preconceito com o gênero. Aliás, até vi um ou outro lançado em dvd, mas quando pergunto aos especialistas, todos dizem que a cópia é uma bosta e em full.

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  9. Olá, Ailton! O melhor site pra encontrar Spaghetti's, e de boa qualidade, é o cinemageddon. Aliás, lá é o local certo pra encontrar raridades de qualquer sub-gênero.Se não tiver conta ainda, me passa o seu email que eu te mando um convite pro CG.
    Abraço!

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  10. Opa, Ronald! Quero sim! Manda aí pro ailtonmonteiro07@gmail.com

    Abração e obrigado!

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