Pular para o conteúdo principal

OS ÚLTIMOS MACHÕES (The Last Hard Men, 1976), de Andrew V. McLaglen

O mercado de DVD aqui de Vitória é uma porcaria. Raro achar algumas preciosidades dando sopa. Minha coleção é composta mais por filmes comprados via internet, então fica difícil ser colecionador sendo pobre e morando num fim de mundo, como é o meu caso. Mas a gente dá um jeitinho. Achei OS ÚLTIMOS MACHÕES numa loja de shopping por acaso e não pensei duas vezes antes de levar. Só fui assistir hoje e é realmente um faroeste muito bom!

Westerns crepusculares são meio amargos e melancólicos, mas é sempre um prazer conferi-los. OS ÚLTIMOS MACHÕES segue nessa mesma linha, com a era do fora-da-lei do velho oeste selvagem chegando ao fim, cedendo lugar à sociedade moderna. Na trama, temos dois monstros em plena forma: James Coburn e Charlton Heston – que podem muito bem representar o cinema de macho que o título nacional evoca (embora o personagem do primeiro tenha uma certa ambiguidade em relação à sua sexualidade) – em lados opostos da lei, mas pertencentes a este pequeno grupo que caminhava rumo a extinção.

Heston é Sam Burgade, um velho xerife aposentado com muitas aventuras pra contar da época em que a lei era regida à base de chumbo grosso, diferente do jovem xerife atual que vive sentado atrás de uma grande mesa que possui até telefone. Mas quando o perigoso e sádico Zach Provo, o vilão encarnado por James Coburn, foge da prisão com um grupo de mal encarados, a coisa fica preta. Burgade é quem o colocou no xadrez. Provo agora quer vingança. E joga sujo, sequestrando a filha do herói (Barbara Hershey).

É aí que Burgade percebe que a solução é colocar as balas no seu velho colt, comprar previsões para alguns dias e voltar à ação utilizando o modo old school de caçar e eliminar bandidos.

Só que não vai ser nada fácil para o protagonista, muito menos para o espectador. Não que o filme seja ruim, longe disso, mas algumas situações criadas pelo roteiro são bem fortes e subvertem clichês na relação sequestrador/refém. O que quero dizer é que não é todo dia que vemos um filme americano do gênero onde uma personagem da importância de Hershey sofre o que ela sofreu aqui... Além do próprio protagonista demonstrar ser tão sádico e violento quanto seu inimigo, algo praticamente inexistente no cinema comportado atual.

Andrew V. McLaglen vem da escola clássica de fazer cinema. Foi assistente de direção de William A. Wellman e Budd Boetticher, mas para contar a estória destes personagens buscou inspiração no cinema de Sam Peckinpah. Isso fica bem claro em alguns momentos, na forma como trabalha a violência e principalmente quando resolve utilizar câmeras lentas para enfatizar algum elemento dramático ou para tornar a brutalidade em lirismo sanguinário, da mesma maneira que o diretor de WILD BUNCH fazia com maestria. Mas o resultado em OS ÚTIMOS MACHÕES não fica muito atrás. É cinema de macho na veia!

Comentários

  1. Também adoro faroestes crepusculares. Vou ver se arranjo esse filme aqui em sampa.

    E volte a postar com mais frequência, Ronald. Este é o único blog que eu consigo acompanhar religiosamente.

    Um abraço.

    ResponderExcluir
  2. Olá, D. Jorge, obrigado pelas palavras! Estou procurando de alguma forma arranjar mais tempo pra ver filmes e comentá-los com mais frequencia, mas tem sido difícil ultimamente. Continue acompanhando pois espero voltar ao ritimo normal o mais breve possível!

    Grande Abraço!

    ResponderExcluir
  3. Procurando Filmes de James Coburn de quem sou fã, achei este seu Blog que por sinal é muito interessante, gostei de seus comentários sobre o Filme tbm, sou colecionador de dvd e caso esteja procurando algum filme especifico tenho com acha-lo aqui em SP.

    Abraços

    Paulo - AtlasDiscos

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS BÁRBAROS (The Barbarians, 1987)

Daquela listinha de filmes de fantasia, Sword and Sorcerer, que eu postei outro dia, um dos exemplares que causou mais alvoroço foi OS BARBAROS. Alguns amigos acharam engraçado por eu ter lembrado desse filme que passou milhares de vezes no Cinema em Casa do SBT. E como estamos falando de um trabalho do italiano Ruggero Deodato, nada melhor que ressaltar como era bom ter doze anos e poder conferir às tardes da TV brasileira nos anos 90 um filme com bastante sangue, membros decepados e peitos de fora. Algo impossível para um moleque atualmente, que tem de se contentar com os filmes de animais falantes que empesteiam diariamente a programação… Neste fim de ano, meus votos de um grande pau no c@#$% do politicamente correto.

De todo modo, OS BÁRBAROS é uma porcaria. Fui rever essa semana para escrever para o blog e, putz, acreditem, é a coisa mais ridícula do mundo. Ainda bem que já sou vacinado contra tralhas desse tipo e encontro tantos elementos engraçados que fica impossível não sair…

O IMBATÍVEL (Undisputed, 2002)/O LUTADOR (Undisputed 2: Last Man Standing, 2006)

No útlimo fim de semana procurei outros filmes recentes do Michael Jai White para vê-lo distribuindo porrada em meliantes como em BLOOD AND BONE e BLACK DYNAMITE. Me deparei com UNDISPUTED 2, continuação de um filme dirigido pelo Walter Hill em 2002 e que, por pura negligência da minha parte, ainda não havia assistido. Enfim, foi uma experiência interessante, além de poder ver um ótimo filme de luta estrelado pelo Jai White ainda tirei o atraso com o filme Hill, que é obrigatório para os fãs do sujeito.

Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada é bem diferente um do outro. UNDISPUTED é puro Walter Hill! Cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com direção extremamente segura. Temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos …

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)

Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se …