20.1.11

MECÂNICOS

THE MECHANIC - trailer

THE MECHANIC original é um dos meus favoritos do Charles Bronson, dirigido de forma elegante pelo Michael Winner. Respeito demais o filme, cujos primeiros 15 minutos são de um silêncio fascinante, totalmente sem diálogos, com uma descrição visual impressionante até para os padrões dos exemplares de ação da época, que eram todos de alto nível em comparação com o atual.

Enfim, é um belíssimo filme que realmente não vejo a necessidade de uma refilmagem, até porque a premissa básica não é exatamente original... mas já que não existe alternativa e o remake é inevitável, o jeito é ver o que acontece. E pelo trailer, pode acontecer algo bem legal!


Com esse ritmo acelerado dos filmes de ação americanos atuais, é muito difícil isto aqui ficar parecendo com o filme de 1972, que sempre vai existir para a nossa apreciação. Mas tiro na cara, violência explícita, sexo e explosões, como visto no trailer, já são elementos que ajudam um pouco este remake a não ser uma perda de tempo total... pelo menos é o que eu espero.

16.1.11

BAD BIZNESS (2003), de Jim Wynorski & Albert Pyun

Alguém conhece Bob E. Brown? Eu também não conhecia até ver seu nome nos créditos como diretor deste filme. Ali em cima eu coloquei os de dois grandes mestres do cinema de baixo orçamento americano, porque foram os verdadeiros realizadores. E vocês devem estar pensado, “Puxa vida! Pyun e Wynorski se reuniram para fazer um filme! Que maravilha”. Pois é, o que deveria trazer alegria aos fãs de filmes B, não passa de  frustração para os apreciadores e também para a carreira desses dois diretores, principalmente a do Pyun. Na verdade, isso aqui nunca chegou a ser uma parceria. O que aconteceu, de forma bem resumida, foi que Pyun realizou este filme para o produtor Andrew Stevens, que achou a maior porcaria que ele já tinha visto na vida! Cortou 45 minutos do que o Pyun havia filmado e contratou Wynorski para preencher os espaços em branco... pra quem viu o documentário POPATOPOLIS, sabe do que o homem é capaz. Em três dias, Jim encerrou suas atividades tendo filmado mais da metade do filme.
Não saberia dizer o que ficou das filmagens do Pyun, mas tenho certeza que sei exatamente quando é 100% Jim Wynorski:
Desta mistura, Pyun + Wynorski, surgiu o pseudônimo Bob E. Brown. Ninguém quis ser o pai da criança, Wynorski não utilizou nem mesmo o seu pseudônimo habitual para casos deste tipo... O problema é que o trabalho milagroso de Jim não foi capaz de salvar a fita, que é um lixo completo!
Olhando para a arte da capa do DVD, faz pensar que BAD BIZNESS é uma espécie de thriller urbano de ação, com este ator fazendo tipão “gangsta” e uma mulher gostosona com pose sexy. Mas eu garanto que isso tudo não passa de picaretagem das mais sem vergonha... a boa notícia é que realmente existem várias mulheres gostosas fazendo pose sexy durante todo o filme, com e sem roupas (cortesia do velho Jim em seus três dias de filmagem). A má notícia é que mesmo assim o filme continua sendo uma merda.
Então podem esquecer o thriller urbano de ação, o filme é sobre um serial killer de mulheres que anda fazendo suas vítimas dentro de um luxuoso hotel em algum país tropical, onde os protagonistas, um casal seguranças do hotel, tentam resolver os crimes usando camisas havaianas. As cenas de investigação, suspense, diálogos e situações com algum propósito dramático são risíveis em todos os sentidos! Os atores não contribuem em nada também... 
A única coisa que realmente segura um homem à frente da tela são as mulheres nuas. Não passa 10 minutos sem que haja uma cena de sexo, inclusive há uma sequência com a robusta Julie K. Smith, uma das minhas preferidas do cinema B. Já que a única coisa a se elogiar no filme é a beleza das atrizes em trajes mínimos, temos logo no início um strip-tease com a bela Mia Zottoli... já atriz principal, Traci Bingham, não mostra seus atributos em nenhum momento, mas fica desfilando pelo filme com vestidos curtos, colados e decotados, isso quando não está com a habitual camisa havaiana...
Sei que estou parecendo um tarado, mas preciso confessar que eu sempre gostei de thrillers eróticos, desses que passava no Cine Prive da Band nos anos 90 (hoje eu não sei que tipo de filme eles colocam). Acho que eu era dos poucos adolescentes que assistia aos filmes sem me preocupar em apenas “trabalhar o braço”. Eu realmente gostava de seguir a trama! Bem, o que temos aqui em BAD BIZNESS é exatamente um thriller erótico saudosista, só que o único elemento a ser elogiado são alguns peitos de fora e as ceninhas de sexo mal fingido. De resto, o filme é bem ruim...
Ah, e o sujeito que estampa a capa, com pinta nigga gangsta, não aparece nem 5 minutos em cena... Dou nota 01 (um) de 05 (cinco) para o filme, pela presença de Julie K. Smith:

14.1.11

CISNE NEGRO (Black Swan, 2010), de Darren Aronofsky

Taí o filme que elegi como o meu favorito de 2010. BLACK SWAN trata da busca psicótica e auto-destrutiva de sua protagonista pela perfeição naquilo que faz, algo que nas mãos de um cara como o diretor Darren Aronofsky pode ser bem assustador. Em um primeiro momento, ele traça um retrato de personagem fazendo de Natalie Portman o mesmo que fez com Mickey Rourke em O LUTADOR, ou seja, muita câmera na mão grudada nas costas de seu "objeto de estudo", seguindo intimamente, revelando suas fraquezas, mostrando detalhes de seu mundo enquanto anda de um lugar para outro, etc...
Neste caso, Portman vive uma bailarina de Nova York bastante talentosa, mas ainda é uma coadjuvante no meio de tantas. Para sua surpresa, seu diretor (Vincent Cassel) lhe concede o papel principal no clássico O Lago dos Cisnes, sendo que terá de fazer um papel duplo. Como Rainha dos Cisnes ela está maravilhosamente bem, o problema é na interpretação do Cisne Negro, o qual não consegue atingir o... digamos “gingado” para o papel. Se Compadre Washington fosse seu coreógrafo, ele diria que ela não tem o “tchan” necessário para encarnar o Cisne Negro. Acho que me fiz entender... eu não entendo nada de balé, a não ser o que eu aprendi com Van Damme em DUPLO IMPACTO... O problema é que a moça não tem a malícia das coisas do mundo adulto. Ela tem 28 anos, mas é tratada pela mãe (Brabara Hershey) como se fosse uma garotinha de 10 anos, é reprimida sexualmente, entre outros detalhes que ajudariam a entrar na obscuridade da Cisne Negra.
Sendo assim, a moça passa o filme inteiro tentando atingir a perfeição e mudando drasticamente algumas coisas na sua vida para representar o papel. Ela não pretende acabar como sua mãe, frustrada por não ter conseguido seus 15 minutos de fama, nem como a sua maior admiração (Winona Ryder) uma dançarina forçada a se aposentar por causa da idade. Então ela tem de fazer de tudo e mais um pouco para conseguir o que quer e nada vai impedí-la. E aqui está a graça da coisa. Aos poucos, essa obsessão da personagem contagia a atmosfera do filme, que toma uma forma de pesadelo e quanto mais a moça imerge para encontrar seu lado obscuro, o filme dá lugar a ingredientes do terror psicológico que me lembrou uma mistura bizarra do suspense de Dario Argento com o horror do corpo de David Cronenberg... a personagem é atormentada por alucinações, paranóia, simbolismos, ao mesmo tempo em que aparecem feridas pelo seu corpo, brrrr....
E Natalie Portman está simplesmente sublime, tem aqui de longe a atuação mais forte de sua carreira. Se essas premiações que ocorrem por aí fossem justas, ela levaria todos os prêmios! Vi poucos filmes no ano passado, mas eu duvido que tenha atuações à altura do que essa moça faz. Tanto seu desempenho de encarnar uma personagem e suas transformações quanto sua presença física em cena, são de uma força descomunal.

Darren Aronofsky vem ganhando mais pontos comigo e agora confirma que se trata, sem dúvida, de um dos grandes diretores americanos em atividade. O cara conseguiu me fazer grudar os olhos na tela para assistir sequências inteiras de ensaios e apresentações de balé! Grande parte do filme é composto por momentos magníficos um atrás do outro, com belos enquadramentos, soluções visuais interessantes, como se seu trabalho de direção sofresse do mesmo processo que o da protagonista, em busca do perfeccionismo em todos os detalhes.
Fora que é um puta diretor de atores. Colocou Mickey Rourke novamente no topo e agora extraiu a melhor atuação de Natalie Portman. Claro que os atores tem seus méritos, são brilhantes, mas o estilo Aronofsky está lá sobre eles. Acho difícil seguir esse mesmo estilo em seu próximo filme, cujo protagonista será o personagem de quadrinhos Wolverine, mas se dependesse de mim, poderia ser um drama humano com a câmera na mão acompanhando o Logan, com ele andando de um lado para outro em conflitos psicológicos, seguindo a mesma estrutura de O LUTADOR e com atmosfera de BLACK SWAN... seria um baita filme, um milhão de vezes melhor que aquele lançado há um tempinho atrás. Sei que não vai acontecer do jeito que eu disse, mas já sabemos que o próximo filme do “Carcaju” está em boas mãos.

11.1.11

AMOR À QUEIMA ROUPA (True Romance, 1993), de Tony Scott

Já estava na hora de rever AMOR À QUEIMA ROUPA, então foi o que fiz no último fim de semana. Primeiramente, preciso dizer que gostei muito, até porque foi como assisti-lo pela primeira vez... realmente não me recordava de muita coisa. Depois, me peguei pensando sobre o diretor do filme e, curiosamente, descobri que o Bruno Andrade postou em seu blog, O Signo do Dragão, num daqueles seus posts de uma linha, a seguinte frase: “Só débeis mentais defendem Tony Scott”.Hahahahaha! 
Bom, estava prestes a escrever sobre o Toninho quando li a frase e achei muito boa, mas como eu sei que sou meio débil mental em relação ao meu gosto cinematográfico, ia dizer que gosto de algumas coisas que o sujeito fez. Só acho que o Toninho tem uma carreira meio estranha... quando era um simples artesão, fez uns thrillers e dramas policiais e de ação sólidos como O ÚLTIMO BOY SCOUT e este aqui, os quais eu aprecio muito. E quando finalmente resolveu imprimir um estilo visual próprio, como em CHAMAS DA VINGANÇA, por exemplo, acabou fazendo merda... Ainda assim, nem tudo está perdido! Não vi ainda seus dois últimos filmes, mas DÉJÀ VU é bem legal!
Mas voltando ao AMOR À QUEIMA ROUPA, e já tirando o Toninho da conversa, a força do filme reside em dois elementos. Um deles é, sem dúvida, o roteiro do Tarantino, cheio de diálogos marcantes, citações e referências que me faziam por em prática a cinefilia, além de situações tensas, engraçadas, emocionantes de um universo único que só poderia ter saído da mesma cabeça que nos deu JACKIE BROWN.
A trama é sobre um sujeito que se apaixona por uma “acompanhante” muito louca e resolve acertar as contas com seu cafetão para tê-la livre só pra ele. Depois de muita confusão, pancadaria, tiroteio e morte, sobra em suas mãos uma maleta cheia de um pó branco que eu não preciso nem dizer o que é. A trama se desenrola com esse casal apaixonado e surtado tentando vender a droga enquanto um bando de gente entra em seus caminhos.

E aí vem o outro elemento que possui grande força: o elenco é um dos mais sensacionais dos anos 90! A começar pelos pombinhos, Christian Slater e Patricia Arquette, e daí prossegue com Dennis Hopper, Gary Oldman, Christopher Walken, Brad Pitt, Samuel L. Jackson, Saul Rubinek, James Gandolfini, Chris Penn, Tom Sizemore, Ed Lauter... enfim, só gente fina! E a grande maioria em participações minúsculas, mas todas com um aproveitamento excelente. 

Juntando então o roteiro do tarantino com esses caras, só poderia sair sequências como o quebra pau no quarto do hotel entre Gandolfini e Arquette, a cena do carro onde o pó voa na cara do sujeito, ou então o diálogo genial de Christopher Walken e Dennis Hopper, uma das coisas mais brilhantes que o Tarantino já escreveu.
 
Voltando ao Toninho, pra finalizar, seu trabalho é competente, sem nada de errado. Mas acaba sendo um de seus melhores filmes mais pelo material e elenco que tinha em mãos do que por méritos próprios. Talvez seu único mérito seja o de não ter estragado o filme como quase fez Oliver Stone em ASSASSINOS POR NATUREZA, com uma história que o Tarantino escreveu tendo como base as idéias cortadas do roteiro de AMOR À QUEIMA ROUPA. Não acho ASSASSINOS ruim, mas se Stone tivesse feito apenas o feijão com arroz, teria sido algo do nível desse aqui... eu acho.

8.1.11

FAVORITOS DEMENTIA 13 DE 2010

Fui uma total decepção em relação aos lançamentos de 2010, por isso vou de um simples top 10 mesmo:

10. THE BUTCHER (2009), de Jesse V. Johnson


09. VALHALLA RISING (2010), de Nicholas Widing Refn

08. SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO (2010), de Edgar Wright

07. ENTER THE VOID (2009), de Gaspar Noé

06. A SERBIAN FILM (2010), de Srdjan Spasojevic

05. OS MERCENÁRIOS (The Expendables, 2010), de Sylvester Stallone

04. A ESTRADA (The Road, 2010), de John Hilcoat

03. O ESCRITOR FANTASMA (The Ghost Writer, 2010), de Roman Polanski

02. A ILHA DO MEDO (Shutter Island, 2010), de Martin Scorsese

01. CISNE NEGRO (Black Swan, 2010), de Darren Aronofsky

Deixei de ver muita coisa que provavelmente verei este ano e os considerarei quando for fazer a minha lista de melhores de 2011 lá no final do ano.

JUAN PIQUER SIMÓN

R.I.P
1935 | 2011

6.1.11

TRON: LEGACY (2010), de Joseph Kosinski

TEXTO COM SPOILERS
Chegando em casa, após a sessão, meu primeiro ato foi baixar a trilha sonora da dupla  francesa Daft Punk criada para TRON: LEGACY. É simplesmente a coisa mais legal do filme, me lembrou Vangelis, e quando incorporadas às imagens do filme, que possuem um visual magnífico, cuja estrutura básica remete diretamente à estética do primeiro, cria uma experiência sensorial bem interessante... mas falando assim fica a impressão de que eu achei o novo TRON o máximo! Não é bem assim, mas está longe de ser ruim. Suas principais virtudes são essas que já apontei, um visual caprichado de encher os olhos, embora não traga nenhuma novidade para o cinemão de hoje, e a trilha sonora de encher as orelhas. Existem outras qualidades, claro, assim como existem alguns problemas...

Mas antes de entrarmos nos detalhes, vamos ao momento nostalgia! TRON, de 1982, foi um dos filmes mais impressionantes que meus olhos de menino contemplaram na época em que ainda se tomava Biotonico Fontoura. Era desses eventos no qual eu parava tudo que estivesse fazendo e sentava em frente à TV nos tempos áureos da Sessão da Tarde. E ficava ali acompanhando a história do sujeito que foi sugado para dentro de um computador e os programas, vírus e etc são figuras humanas, vivas, se comunicam e lutam entre si participando de jogos mortais como frisbee e “corrida” de moto, fora o visual sensacional de luzes de néon...

A trama era de uma ingenuidade deliciosa. Mais tarde, quando revi, é que percebi que a pretensão do filme era com o pioneirismo em efeitos de computação gráfica (que ainda hoje me surpreende) e que algumas seqüências são bem chatas e mal resolvidas por não ter um enredo mais elaborado, no entanto, isso não teve a menor importância pra mim naquela época e nem hoje. Adoro o filme ainda pela sua importância tecnológica e a sensação nostálgica que ele me proporciona, mesmo com a premissa bobinha de um cara que entra num computador (e que na época não era tão boninha assim...).

28 anos depois chega aos cinemas TRON: LEGACY, que os realizadores tiveram o bom senso de fazer como uma continuação do filme de 82, ao invés de refilmar, algo que Hollywood vem  se especializando nos últimos anos. Desta vez, o herói é Sam Flynn, retratado logo no início do filme como uma criança da minha geração (o personagem tem a minha idade, pra ser exato), que viveu a essência do anos 80 como uma criança e ainda muito cedo viu surgir todas aquelas novidades tecnológicas da época, hoje obsoleta para quem nasceu depois de 89 ou 90. Seu pai é ninguém menos que Kevin Flynn, o protagonista do primeiro filme, vivido por Jeff Bridges, que na trama está desaparecido há 20 anos.

Então temos aqui um protagonista inédito, muito original... um jovem muito rico, que não precisa de trabalhar, herdeiro de uma empresa multimilionária e de repente acaba tendo que lutar contra o mal. Ok, não é nada original... aliás, durante todo o decorrer do filme, tive a sensação de estar vendo uma mistura muito louca de várias coisas, como BATMAN, MATRIX, STAR WARS, BLADE RUNNER, 2001 – UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO e o próprio TRON de 1982, algo inevitável, eu sei, mas não esperava tão chupado. Várias seqüências e situações ocorrem da mesmíssima maneira que no primeiro filme e não demora para este aqui se ficar tão cansativo e chato quanto o outro em alguns momentos.

Mas TRON é único por um determinado motivo. Em filmes como MATRIX, A ORIGEM, SURROGATES, e outros, a pessoa física fica parada, deitada ou sentada em determinado lugar “controlando” esse outro “eu” feito de seja lá o que for e que se encontra dentro de um espaço virtual, sonho ou até mesmo no mundo físico. Em TRON, a pessoa é literalmente transportada em carne e osso para dentro do computador!!!

Uma explicação lógica pra isso? Não existe e o filme não faz a mínima questão de tentar explicar... quero dizer, no primeiro filme tentam sim, mas não convence. Ninguém vai me fazer acreditar que um raio laser vai me transportar pra dentro do meu computador onde eu vou ter que me virar lutando com os vírus e programas em forma humana. Mas num filme sem qualquer compromisso com a realidade, isso é muito bacana! Especialmente quando tudo isso é mostrado de forma visual, com cenas de ação empolgantes, mesmo quando voltam a repetir as mesmas batalhas de frisbee e motoca do primeiro filme. A partir de certo ponto, muita coisa começa a ficar repetitiva na própria estrutura narrativa. A missão novamente é chegar até o portal para que eles possam sair do computador e atravessam vários caminhos que já assistimos no original. Claro que há novas idéias, como Clu, programa criado por Flynn e que é a sua própria versão com rostinho de 20 anos atrás e é também o grande vilão da história. Mas basicamente, a trama é tão ingênua quanto aquela de 28 anos atrás, só que sem a surpresa visual. É bem bonito esteticamente, sem dúvida, respeitando o visual original com o mesmo padrão de luzes de néon pra todoso os lados, só que de forma mais sofisticada, mas não vai revolucionar o mundo dos efeitos visuais, então podiam dar uma trabalhada no roteiro. Né? Ou eu estou sendo chato demais?

Bom, se estiver sendo, vou ser mais um pouco. E aqui está um dos principais motivos por eu ter me decepcionado: que participação de merda essa a do personagem que dá seu nome ao título do filme?!?! Tron era o verdadeiro herói do original! Enquanto Flynn tentava chegar ao portal improvisando, já que se gabava por ser usuário e não um programa, era Tron quem dobrava as mangas e caía matando em cima dos inimigos. E era demais vê-lo lutando e estraçalhando seus oponentes com seu disco de frisbee... o que fizeram com ele aqui? Transformam num vilão controlado por Clu com um capacete que esconde o rosto. Até aí tudo bem, tirando que eu já tinha matado que este sujeito de capacete era Tron bem antes da revelação definitiva, passei o filme inteiro achando que em algum momento ele voltaria ao normal e desceria o cacete nos bandidos à moda antiga! Mas não... o grande herói do primeiro filme tem um destino dos mais frustrantes que eu já vi. 

Mas voltemos a falar de coisas legais. Clu é uma delas. Além de ser um ótimo vilão, com um momento “Hitler”, é impressionante o trabalho de recriação das expressões do ator Jeff Bridges há vinte anos atrás... ainda percebe-se que se trata de um boneco digital em vários momentos, mas estamos caminhando... prevejo um filme estrelado por Charles Bronson ou Lee Marvin em um futuro próximo. Brincadeira, não gostaria que isso acontecesse... embora a possibilidade já seja evidente. Já o Jeff Bridges atual, o verdadeiro, está bem repetindo seu papel, puxando umas frases meio lebowskianas que dão um toque de humor inesperado.

Apesar de reclamar de alguns pontos, principalmente ligados à trama e algumas escolhas do roteiro, preciso admitir que essa estupidez toda foi um experiência bem divertida de assistir. Já percebi que acabei gostando mais do que a grande maioria do amigos... de novo, como aconteceu com OS MERCENÁRIOS... mas fazer o que se eu sou tolerante pra burro e me divirto com quase tudo? Tá certo que TRON: LEGACY realmente não tem o suficiente para receber uma chuva de elogios (nem mesmo um texto desse tamanho), mas gostei.

E voltando ao primeiro parágrafo, talvez a grande sacada do filme seja mesmo a trilha sonora do Daft Punk, com suas composições eletrônicas e orquestradas que praticamente regem o ritmo do filme, não apenas acompanham as imagens, mas realmente elevam o nível da obra a um patamar mais alto do que seria se tivessem utilizado uma trilha genérica qualquer... As melhores sequencias de TRON: LEGACY são aquelas soltas e curtas, que não tem nada a ver com a trama, quando as palavras são abandonadas e apenas se coloca na tela algumas imagens, às vezes abstratas, com a música da dupla... Essas cenas me deixavam mais ligados do que as próprias sequências de ação.

E não escrevo isso tentando fazer alguém mudar de opinião, mas cenrtos momentos realmente mexem com os meus sentidos e eu preciso deixar isso registrado. TRON: LEGACY passa raspando acima da média como um sci-fi de ação, é melhor do que muita coisa lançada no ano passado e nao passa vergonha pela responsabilidade de ser uma continuação de TRON. Já como experiência sensorial, tem seus momentos de brilhantismo... literalmente.

4.1.11

ENQUETE

Prometo sossegar o facho aqui no blogger. E como esses últimos meses tem sido uma correria, falta de tempo para ver filmes, má experiência com o wordpress, acabei ficando enferrujado. Criei uma enquete para saber o que vocês, leitores, querem do DEMENTIA 13 a partir de agora... ou algo nesse sentido.

Quem puder contribuir, vai estar me motivando e ajudando a melhorar o blog, que anda mal das pernas já faz um tempinho...

FROZEN (2010), Adam Green

Este é o primeiro filme do diretor Adam Green que eu assisto. O sujeito é o responsável por essa série de terror chamada HATCHET, que tem um machado nas artes dos cartazes e já possui dois filmes. Aparentemente não me atraem em nada, mas há quem diga que são bons. Talvez depois deste aqui eu dê uma chance. FROZEN não é exatamente um filmaço, mas para o gênero “indivíduos em situações extremas tentando sobreviver e sair dessa com vida” até que ele funciona.

Três personagem, dois melhores amigos de longa data e a namorada de um deles, ficam presos em um desses teleféricos que levam esquiadores para o alto das montanhas geladas para...er... esquiar. Por um erro de logística ninguém sabe que eles estão lá, o resort ficará fechado por uma semana, todas as luzes foram apagadas, eles estão em uma altura considerável, uma tempestade de neve começa a cair, a pele de seus rostos começam a queimar com o frio, lobos famintos fazem a ronda logo abaixo... enfim, é provável que não seja as melhores férias de esqui que eles planejaram.

A primeira reação do espectador é começar a imaginar maneiras de sair dali se estivessem na mesma situação. Várias delas acabam sendo colocadas em prática, mas logo percebe-se que nem tudo é tão fácil. Li uma resenha onde o cara sugeria que eles deveriam tirar as roupas e fazer uma corda, certamente funcionaria, mas não os culpo de não pensar nisso... eu mesmo não pensei. A solução que eles encontram no desespero é meio burra, geralmente isso torna até motivo para críticas!

Veja só que burro! Eu nunca faria isso! Esse filme é ridículo!

Bem, pra mim, que fica torcendo para que os personagem justamente cometam burrices que resultem em ossos quebrados, membros decepados e muito sangue, achei muito legal! E o filme segue com várias atitudes estúpidas, outras inteligentes, e acaba sendo melhor do que eu esperava.

O grande problema de FROZEN ainda está na deficiência que esses roteiristas de filme de terror americano possuem em escrever diálogos. Isso sim chega a irritar e me peguei pensando “ninguém falaria uma coisa dessas nessa situação!”. E para um filme com essa história, que se passa praticamente num mesmo ambiente, dois ou três personagens sentadinhos um ao lado do outro, fazer render seus 90 minutos, é preciso muito diálogo. Nada que um controle remoto passando algumas cenas em uma velocidade mais rápida (mas que dê pra ler as legendas) não resolva.

Não vai ser o clássico do momento do suspense/terror, mas FROZEN cria sua tensão onde tem que criar, foge de algumas soluções convencionais e consegue se passar como uma boa diversão.