5.4.13

THE ROOKIE (1990)

Estava assistindo a THE ROOKIE, filme policial de ação, dirigido e estrelado pelo Clint Eastwood e que conta também com o Charlie Sheen como personagem principal.

Bem, em determinado momento acontece o seguinte:


Este sujeito aí em cima, interpretado pelo Marco Rodriguez, é um bandido disfarçado de policial que se infiltrou na casa do Charlie Sheen para assassinar a esposa deste último.


SÓ OS DOIS ESTÃO NO INTERIOR DA CASA. E o meliante começa a tomar algumas precauções trancando a porta...


... e colocando o telefone fora de circulação.


Finalmente, o sujeito parte para o ataque. A luta é ferrenha e a moça faz de tudo para salvar sua vida.


A briga continua...


E continu... HEY!!! WTF!!! VOCÊS DOIS VÃO FICAR PARADOS E NÃO VÃO AJUDAR A MOÇA!?!?!?

Sim, acreditem, isso está lá. Como conseguiram essa proeza? Precisa ser muito amador para não perceber os dois sujeitos da equipe de filmagem dentro do quadro. E num filme do Clint Eastwood? Faça-me o favor! Além dessa falha GROSSEIRA de continuidade, edição, bom senso e seja lá mais o que for, THE ROOKIE ainda possui isso:



E mais isso:




Agora entendo porque é considerado a ovelha negra na filmografia do velho Clint.

Mas, na verdade, não é de se jogar fora. Gostei da pegada buddy movie policial da primeira metade, tem um punhado de sequências de tiroteios, pancadaria e perseguições eletrizantes. Sem contar esses exageros absurdos que o filme proporciona, apesar de soarem totalmente deslocados dentro da carreira de um diretor como Eastwood, mas fazem de THE ROOKIE o trabalho mais bizarro do Clintão. Afinal, ninguém espera que um avião tente atropelar os protagonistas em uma perseguição... E é aquele caso, de tão ridículo chega a ser bom!

Além disso, temos ainda Raul Julia como o grande vilão e Sônia Braga, no auge de seus quarenta anos, pagando de gostosa em cenas calientes com o Clint (isso também entra na mesma categoria dos elementos ridículos que o filme possui). Já o Clint está em sua zona de conforto, no papel do policial durão que não segue as regras e liga a sirene da viatura pra fugir do engarrafamento. Basta fazer uma variação de Dirty Harry e está tudo certo. É sempre um prazer por vê-lo em ação, fazendo cara de poucos amigos e metendo bala em bandido sem qualquer remorso.


A coisa só fica um bocado feia na segunda metade, quando a linha narrativa dá uma deslizada e o roteiro se perde em várias sequências que não precisavam existir. Poderiam muito bem ter passado a tesoura e deixado várias cenas no chão da sala de edição. A duração é de duas horas, é muito tempo pra pouco filme. Poderiam nos poupar, por exemplo, os minutos que antecedem o desfecho. São simplesmente abomináveis, constrangedores, das piores cenas e diálogos que o Clint já filmou na vida! E o Charlie Sheen, coitado, apesar de gostar do sujeito, é difícil aguentá-lo tentando se passar de badass por aqui...

Mas o meu veredito é o seguinte: digamos que THE ROOKIE parece filme do Fred Olen Ray, mas com um pouquinho mais de grana, com suas falhas, seus exageros e até uns tiros no próprio pé... Mas gostei. É o típico filme torto que me agrada, me diverte, me faz rir e cujos problemas eu simpatizo, dão um charme tosco à obra.

Tenho mau gosto, eu sei, mas sou feliz assim. Sou muito mais THE ROOKIE do que HEREAFTER e INVICTUS.

15 comentários:

  1. Pô, nenhuma foto da melhor cena do filme - a Sonia Braga estuprando o Clint Eastwood? Orgulho de ser brasileiro nesses momentos!

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    1. Hehe... essa vai ficar na imaginação de quem ainda não assistiu.

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  2. Qual será o momento mais constrangedor da carreira internacional da Sônia Braga? Estuprar o Clint ou ser uma rainha vampira em uma das franquias do Drink no Inferno?

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  3. Não faz muito que me dei conta que ele dirigiu nada menos que 32 filmes! É um número bastante alto ... da fase anos 80 dele estou com "o cavaleiro solitários (1985)" aqui para assistir.

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    1. E vale muito a pena percorrer a filmografia dele... poucas vezes erra e de vez em quando se descobre belíssimas obras primas. Pra mim faltam ainda uns 4 ou 5.

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    2. O engraçado é que entre os anos 70-80, o Clint Eastwood era visto pela maioria da crítica apenas como um herói de filmes de ação, não muito diferente de um Stallone ou Scwarzenegger. Se lerem, por exemplo, as críticas do Rubens Ewald Filho para as produções que ele estrelou nos anos 80, é só cacetada. O Clint só começou a conquistar mesmo o respeito dos críticos como diretor, creio que a partir de "Bird", e aí de uma hora para a outra todo mundo passou a olhar mesmo para os velhos filmes dele com outros olhos. O Burt Reynolds foi outro ótimo ator e diretor na linha do Clint ("Caçada em Atlanta", que ele estrelou e dirigiu, é um filmaço), mas que infelizmente não conquistou o mesmo respeito da crítica.

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    3. E o pior é que antes de BIRD já tinha feito HONKYTONK MAN, que é um dos filmes mais bonitos dele, já a nível desses que os críticos passaram a celebrar. Mas é verdade, a figura dele ainda era essencialmente de um action heroe.

      E concordo plenamente em relação ao Reynolds. CAÇADA EM ATLANTA, se for o SHARKY'S MACHINE, trata-se de um puta filmaço! O sujeito deveria ter dirigido uma cinebiografia sobre um musico de jazz pra ganhar mais respeito, se é assim que a banda toca...

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    4. É o "Sharky's Machine" sim. Dá até pena constatar o declínio da carreira do Burt em comparação com o Clint, pois o bigodudo fez um montão de filmaços entre a metade dos anos 70 e metade dos 80. Infelizmente, ficou marcado no imaginário popular por aquelas comédias tipo "Agarra-me Se Puderes". O Paul Thomas Anderson fez justiça e ressuscitou Reynolds temporariamente em "Boogie Nights", mas não foi muito além disso.

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    5. Lázaro Cassar07/04/13 17:18

      A propósito, na biografia do Clint comenta-se que havia uma certa rivalidade entre ele e Burt iniciada já nos anos cinquenta, quando ambos eram jovens mancebos em busca da fama. Em "City Heat" (1984)cogita-se, inclusive, que a cena em que Burt recebe uma cadeirada do personagem do Clint foi real, o que ocasionou um deslocamento na mandíbula do Burt que deixou sequelas graves em sua saúde. E, coincidentemente, a carreira de Burt pós "City Heat" só fez desandar... é só comparar com os diretores com quem ele trabalhou na primeira metade dos 80's (Don Siegel, Blake Edwards...) e na segunda (apesar de eu gostar muito de "Malone", mas que não chega aos pés de "Sharky's Machine"). E vou apanhar agora, rs: acho Burt melhor ator do que Clint, apesar de idolatrar este igualmente!

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    6. Adoro o Clint ator, mas não me surpreenderia se depois de uma boa reflexão, achasse o Burt mais ator que ele... ambos são fodas!

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  4. Júlio Oliveira06/04/13 15:44

    Uma das críticas que lembro de ter lido no lançamente desse filme, era que que o Clint o fez visando a dar uma engordada na conta bancária dele e dos atores. Por isso o filme não prometeu mais do que entregou e acabou sendo tão bom.

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  7. É impressionante alguns erros grosseiros que aparece nos filmes ditos "menores" do Clint. Em "Impacto Fulminante" tem uma cena em que o câmera simplesmente aparece refletido no vidro do carro de Clint.

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    1. Hehehe. Clintão precisou errar pra chegar onde chegou.

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