26.8.11

ASSASSINATION GAMES (2011)


direção: Ernie Barbarash
roteiro:Aaron Rahsaan Thomas

ASSASSINATION GAMES simplesmente coloca frente a frente – ou lado a lado, como veremos a seguir – Jean Claude Van Damme e Scott Adkins, dois dos maiores astros do cinema de ação classe B da atualidade, num mesmo filme. Isso já aconteceu antes, quando Van Damme enfrentou Adkins em THE SHEPHERD: BORDER PATROL, de Isaac Florentine, e voltará a acontecer no ano que vem com SOLDADO UNIVERSAL 4, de John Hyams. Aqui, os dois interpretam assassinos profissionais que decidem trabalhar juntos depois de perceberem que o próximo alvo de cada um é o mesmo cara. Para o personagem do baixinho belga, a missão é puramente negócios, mas para Adkins, a coisa é pessoal, é vingança!

Apesar disso, o persoangem do Van Damme é mais interessante. Seu nome, segundo o imdb, é Brazil, embora eu não me lembre de tê-lo ouvido durante toda a “projeção”. Ele faz o típico assassino solitário, que vive sozinho em um apartamento chique, que para chegar até ele precisa passar por uma passagem secreta dentro de um apartamento mais humilde… uma espécie de batcaverna de assassinos. Toca violino e fica irritado com a barulheira dos vizinhos e possui uma tartaruga de estimação.

Se tem uma coisa que os filmes de assassinos profissas nos ensinaram foi que os frios matadores sem sentimentos por outros seres humanos quando conhecem uma pessoa, geralmente do outro sexo, amolecem o coração e quebram todas as regras de sobrevivência do manual de assassino. ASSASSINATION GAMES matém o clichê e a vida do protagonista se transforma ao salvar uma prostituta que estava levando uma surra de seu cafetão. E é engraçado porque o coração do sujeito não estava totalmente amolecido ainda quando vê a violência acontecendo e não diz algo tipo “Ei, pare de bater nessa mulher, seu covarde!”. Na verdade, diz: “Vocês estão me atrapalhando a praticar violino!”. E pior que estava mesmo…


Já o caso de Adkins é bem diferente e eu não vou gastar tanto falando sobre ele. Seu personagem é um pouco mais genérico, mas o que o motiva é a vingança, o que garante a atenção. Ele quer que os responsáveis que espancaram sua esposa até a beira da morte estejam comendo capim pela raíz o mais rápido possível.

E como podem notar, o roteiro de ASSASSINATION GAMES se preocupa em construir um universo único e personagens elaborados, algo mais detalhado que muito “direct to video” que temos por aí (apesar de ter sido lançado comercialmente em alguns cinemas nos Estados Unidos). O problema é que tanto fosfato de roteirista gasto elaborando detalhezinhos na trama acabou deixando de lado o fato de que temos dois grandes astros do cinema de ação em um filme cuja própria ação é insuficiente. Não estou dizendo que o filme não tem ação. No entanto, não entra na minha cabeça ter Van Damme e Scott Adkins no elenco e colocar ceninhas rápidas e broxantes de tiroteio, um chutinho ali, um soquinho acolá… eu estava esperando uma puta sequência desenfreada com tiro comendo pra tudo quanté lado, estilo John Woo!!!


Não se preocupem que Van Damme e Adkins trocam alguns golpes e é a melhor coisa de todo o filme. Mas um final com um climax e muita ação, ficou devendo… É claro que se você espera um filme mais realista, com uma movimentação mais comedida, focado mais no drama dos assassinos e suas motivações do que na ação exagerada, este filme funciona muito bem. A história de fato é boa e, apesar dos pesares, o diretor Ernie Barbarash tem muito respeito pelos atores que tem em mãos. Especialmente Van Damme, que é filmado com uma certa reverência, como um veterano do gênero, do jeito que merece. E o belga corresponde com mais um desempenho seguro, mantendo a boa média de seus últimos filmes. Adkins esbanja o carisma de sempre e desta geração de atores ocidentais de ação e artes marciais, é disparado o melhor… se bem que o páreo é duro com o Michael Jai White. De qualquer maneira, ter estes dois sujeitos num mesmo filme, garante a diversão de qualquer amante do cinema de ação classe B. 

E relevando o meu problema com a ação – e com a estética, o filme é todo num tom amarelado, que eu não vejo o porque disso – gostei de ASSASSINATION GAMES. Preferia o título anterior, WEAPON... mas enfim, o filme demonstra que ainda existe pessoas se esforçando pra fazer cinema de ação pra gente grande, que utilizam essas figuras truculentas e que filmam ação sem precisar esconder a incompetência chacoalhando a câmera… bem, no caso deste aqui, nas poucas cenas que temos, pelo menos.

6 comentários:

  1. Pelo trailer, já deu pra se ter uma noção de que a ação ia ser meio escassa e gasta mais com balas do que com punhos e voadoras do dragão. Como vc escreveu, num filme que tem JCVD e Adkins, isso é meio decepcionante. Mas vou conferir de qualquer jeito, até porque todo filme hoje q não use CGI, cabo, câmera tremida e edição vertiginosa, merece ser louvado.

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  2. This is coming out in the States in two weeks, and I can't wait to check it out.

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  3. Ash - Confira mesmo, vale a pena!

    DTVC - I'll wait for your review! :)

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  4. João do caminhão02/09/11 19:13

    Assisti esse filme ontem Ronald, e achei um filme muito bacana também. A única palhaçada foi esse tom de sépia que o diretor usou, não entendi muito bem pra quê isso.
    a dupla Adkins/Van Damme funcionou muito bem.
    Eu por exemplo considero o Adkins bem superior ao Jay White, pelo menos eu nunca vi nada com ele do calibre de Força Tática que o White participou...

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  5. O filme já foi lançado em dvd no Brasil?

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  6. Pelo que eu saiba, ainda não...

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