20.8.09

DOLPH LUNDGREN em dose dupla!

E uma dose como esta é para derrubar qualquer um mesmo. Geralmente, só aguenta duas sessões de Dolph Lundgren em um curto espaço de tempo quem é muito fã do sujeito ou perdeu o amor próprio e resolveu praticar auto tortura. Eu me considero um grande fã do Lundgren e decidi me aventurar em algumas produções mais recentes dele como espécie de preparativo para o COMMAND PERFORMANCE, filme escrito (em parceria com Steve Latshaw) e dirigido pelo próprio Lundgren, que eu estou bastante ansioso para ver (e espero que seja bem melhor que estes dois aqui).

Dos filmes antigos do Lundgren que eu gosto (e fizeram parte da minha infância) estão os clássicos MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS, com Brandon Lee no elenco e SOLDADO UNIVERSAL, que possui um dos personagens mais interessantes que o sujeito já viveu, um sargento do vietnã que faz um colar com as orelhas de seus soldados após ficar doidão e ainda tem o baixinho Jean Claude Van Damme como o mocinho; ah! FUGA MORTAL! Assisti a este na Tela Quente quando passou pela primeira vez e nunca me esqueci. Eu devia ter uns 12 anos e ficava vidrado com o tiroteio sangrento entre as Ferraris; MESTRES DO UNIVERSO, claro, e devem ter mais alguns que eu não me lembro agora...

DIAMOND DOGS (2007) até que não é todo ruim. Dolph Lundgren, obviamente, nunca vai ser um Lawrence Olivier da vida, e nem pretende, eu acho, mas até que está melhorando e o que tem ajudado um pouco é a escolha e construção dos seus personagens para este tipo de produção. Aqui ele interpreta Ronson, um ex-boina verde que acabou não voltando para os Estados Unidos depois da guerra do Vietnã. Muitos anos se passaram e atualmente sua academia de seguranças e guarda costas, em algum lugar da Ásia (acho que na China, se não estou enganado), não recebe um aluno há um bom tempo, além de estar mais endividado que o Romário. Sobrevive praticando luta clandestina.

Ou seja, é um personagem, até certo ponto, profundo para este tipo de filme barato, que carrega uma carga dramática muito maior que os filmes do Steven Seagal realizados nos últimos 10 juntos. Lundgren incorpora muito bem o papel do cabra ferrado, apesar das habilidades que tem. Mas eis que a sorte chega para o nosso herói. Um sujeito chamado Chambers (William Schriver) propõe a Ronson que, por uma boa grana, ele seja o guia de uma expedição pela Mongólia em busca de um artefato adornado de diamantes. Claro que ele aceita.

DIAMOND DOGS tem clima de Sessão da Tarde, aventura de caça ao tesouro e muitas cenas de ação. Pena que tecnicamente seja tão ruim. A direção é fraca nas seqüências de ação e sem criatividade alguma durante a narrativa. Quem comanda é um tal de Shimon Dotan, mas o próprio Lundgren deu uma mãozinha atrás das câmeras. O trabalho dos atores também é péssimo, exceto o astro da parada que, como eu disse, tem presença neste tipo de personagem. No fim das contas, é um filme divertido pelo tom de Sessão da Tarde dos velhos tempos, diferente dos filmes de animais falantes que passam hoje.

O segundo filme é o mais recente lançamento do ator: DIRECT CONTACT (2009). Fica quase ao mesmo nível do anterior, embora tenha o dobro da ação e, curiosamente, é bem mais fraco. Também consegue divertir por causa do Lundgren mais uma vez tentando atuar e da sucessão de momentos frenéticos de ação descerebrada que não para nem um minuto. O problema é que o roteiro é muito ruim, mais esburacado que a cara do Andrés Sanches. A trama não tem a mínima espessura para suportar tanta ação, e este elemento básico sem uma boa justificativa cansa o espectador.

O filme segue o mesmo esquema que o anterior, mudando apenas alguns detalhes. Dolph é um americano ferrado que trabalhava no serviço secreto, mas acabou numa prisão em algum lugar do Leste Europeu por tráfico de armas. Vê a chance de sair dali com um bom dinheiro no bolso quando um representante da embaixada de seu país (Michael Paré!!!) propõe que ele resgate uma americana (Gina May) seqüestrada por um mafioso do local. Claro que ele aceita.

Mas nem tudo na vida é tão fácil. Após o resgate descobrimos, juntamente com o personagem, que a coisa não é bem assim e tudo não passou de uma tramóia cheia de reviravoltas estúpidas que se acham espertinhas. O que precisamos saber é que todos querem a garota: a máfia, o representante da embaixada, o exercito local, até o tio dela aparece, e Dolph Lundgren corre para todo lado em perseguições de alta velocidade tentando protegê-la. Se o argumento fosse um pouco mais seguro até dava para engolir essa hitória. E também não dá pra exigir muito da parte técnica, produção barata da Nu Image, que reaproveita cenas de outros filmes para deixar tudo mais em conta. É uma espécie de BOURNE dos pobres, digamos assim.

Claro que não recomendo umas tralhas como estas pra qualquer um. Tem que estar vacinado para tirar proveito de alguma coisa, principalmente DIRECT CONTACT, nem que seja diversão descartável sem muita pretensão em 90 minutos, para assistir com os amigos rindo das situações de humor involuntário, frases de efeitos, atuações vergonhosas, furos de roteiros, cenas de ação absurdas, etc...

15.8.09

ARRASTE-ME PARA O INFERNO (Drag me to Hell, 2009), de Sam Raimi


Gostei bastante deste retorno de Sam Raimi ao gênero que o consagrou como revelação entre os jovens diretores nos anos 80. Quem sou eu para dizer, mas parece que fez muito bem a ele, cuja ocupação nos últimos anos foi a de adaptar para a telona as aventuras do Homem Aranha e sua turma, algo que começou bem e perdeu totalmente o controle no terceiro filme. Mas nem os dois primeiros filmes da série, que são divertidos pra dedéu, conseguem atingir o nível da série UMA NOITE ALUCINANTE e DARKMAN... e parece que vai pintar mais outro filme do “cabeça de teia”. Tomara que ARRASTE-ME PARA O INFERNO tenha dado uma clareada nas idéias do sujeito.

Bom, para quem ainda não sabe, a trama envolve Christine Brown (Alison Lohman), uma moça cheia de ambições que trabalha num banco e pretende fazer de tudo para ocupar a cadeira de gerente que está vaga. O problema começa quando uma senhora, mais estranha e misteriosa que a Bruxa do 71, vai ao banco e implora por uma extensão do empréstimo da hipoteca, pois está prestes a perder sua casa. Como Christine não consegue satisfazê-la, a velha faz uma maldição e coloca um espírito maligno para atormentar a vida da moça, que agora tem apenas três dias para se livrar da praga antes que o cão a leve para as profundezas. E como já dizia o fantasma em Hamlet de Shakespeare “...Se não me fosse proibido narrar os segredos das profundas, eu te revelaria uma história cuja palavra mais leve arrancaria as raízes da tua alma...”, ou seja, não deve ser um lugar muito aprazível...

ARRASTE-ME é terrorzão dos brabos então, né? Daqueles que você tranca e não deixa passar nem agulha quente? Mais ou menos... estamos falando de Sam Raimi, então prepare para se divertir a valer também. Na verdade, preciso me esclarecer em alguns detalhes. Não li nenhuma entrevista do Raimi sobre suas intenções para com o filme, não sei se de fato ele brinca com o gênero, trabalhando com um terror puro, mas com aqueles exageros cômicos que ele fazia no inicio da carreira ou se acabou errando a mão tornando algumas seqüências em verdadeiras comédias involuntárias, como a cena do nariz sangrando, a dos olhos voando na boca, a do “eu sou vegetariana” e vários outros momentos grotescos que Raimi deixa as sutilezas de lado. Nada disso interfere na minha apreciação, já que achei ótimo do jeito que está, mas realmente não sei qual era a dele.

Prefiro acreditar na primeira hipótese, a de que Raimi está fazendo seu próprio cinema, exagera conscientemente e desconcerta o publico com uma das mais brilhantes e híbridas misturas de terror/comédia que eu já pude ver. Incrivelmente assustador como nenhum outro filme do gênero nos últimos anos ao mesmo tempo em que diverte com as extravagâncias típicas do diretor. Estranho, mas ótimo!

14.8.09

NICO, ACIMA DA LEI (Above the Law, 1988), de Andrew Davis

Estou no meio de uma fase estranha de assistir a filmes de caras fodões que marcaram a minha infância. Filmes antigos (que por algum motivo eu acabei não vendo na época) e recentes. Por isso, não se assustem quando começarem a pintar por aqui alguns textos sobre trabalhos de Jean Claude Van Damme, Arnold Schwarzenegger, Dolph Lundgren, Steven Seagal e muitos outros. Este último eu até comentei sobre um filmaço há algumas semanas, OUT OF JUSTICE (e para mostrar como eu sou um moço de bom coração, já deixo um link gratuito para poupar o trabalho de ficar caçando nos arquivos).

Ainda sobre o Seagal, para aliviar de vez com os seus filmes remotos que eu ainda não vi – e partir de uma vez para os mais atuais – me deparei com NICO, ACIMA DA LEI, que é o primeiro trabalho do sujeito (que nem usava ainda aquele rabinho de cavalo cretino) em frente às câmeras. Mas não se preocupem, porque a ausência do excesso de cabelo na nuca do ator não interfere em nada seu desempenho ao distribuir pancadas e tiros nos meliantes de plantão, a não ser, é claro, no aspecto visual dos enquadramentos, já que Steven Seagal sem cabelinho balangando é a mesma coisa que Jack Nicholson assistindo a um jogo dos Lakers sem óculos escuros.

Mas tudo bem. Seagal interpreta aqui um de seus melhores papéis, o policial Nico Toscani, que tem um histórico na CIA e uma passagem na Guerra do Vietnã. Atualmente ele investiga um caso de tráfico de drogas, mas como todo bom filme ação, o sujeito acaba se envolvendo no clichê de encontrar algo muito maior do que esperava e que põe a sua vida e a da sua família em risco, ou seja, a mesma coisa que já vimos em milhares de filmes, e por isso mesmo tão divertido!

O elenco é de primeira! Nico conta com a ajuda de sua parceira policial encarnada pela musa do blaxploitation: Pam Grier. Ainda temos Sharon Stone, como a esposa do protagonista e ninguém menos que o grande Henry Silva, vivendo um perigoso traficante com planos diabólicos e risada maquiavélica e que possui uma boa variação de técnicas para torturar pessoas de língua presa e que no Vietnã teve um desentendimento com Nico.

A direção é por conta do Andrew Davis, que era um cara legal no inicio da carreira. Realizou algumas coisas bacanas como CÓDIGO DO SILENCIO, com Chuck Norris, THE PACKAGE, com Gene Hackman e Tommy Lee Jones, e até A FORÇA EM ALERTA, que é um dos filmes mais divertidos do Seagal. Mas depois de O FUGITIVO, Davis deixou seu nível cair bastante. Em NICO, seu quarto filme, ele ainda tinha pulso firme para sequências de ação e porrada, elementos que não podem faltar num filme como este.

Tudo isso, aliado a boa história, que não traz nenhuma novidade, mas também não inventa moda, fazem de NICO, ACIMA DA LEI um dos melhores filmes do Steven Seagal. Aliás, o roteiro tem o dedo do ator, que aproveita para criar um personagem com tons auto-biográficos, incluindo sessão de fotos pessoais nos créditos de abertura.

Em posts futuros eu retorno com mais Steven Seagal em filmes atuais, com mais cabelo e com mais pança também!

13.8.09

Mr. Freeze

Estava eu assistindo ontem à noite ao saudoso seriado BATMAN E ROBIN dos anos 60 no canal TCM, aquele em que os heróis eram interpretados pelos inesquecíveis Adam West e Burt Ward. O episódio que passou foi o que o astuto vilão Mr. Freeze e seus capangas causam o terror em Gothan City, sequestrando uma Miss e tramando um problemão para a dupla dinâmica.

Mas pensem no susto que eu levei quando eu descobri quem era o ator que encarnou o fascínora gelado!

É isso mesmo, meu caros, nunca imaginei que o Otto Preminger chegasse a esse ponto. Simplesmente genial!

12.8.09

4 MOSCAS NO VELUDO CINZA (4 mosche di velluto grigio, 1971), de Dario Argento

A essa hora, todo mundo já deve estar sabendo da ótima notícia de que a competente Califórnia Filmes vai lançar o novo filme do Dario Argento, GIALLO, direto em DVD. Parabéns aos responsáveis desta maravilha de decisão e só espero que peguem a capinha do DVD e enfiem bem lá dentro no olho do c@#$%!

Mas enfim, já que nós temos que aturar este tipo de atitude de merda de distribuidoras Brasileiras, vamos celebrar um dos trabalhos antigos deste genial diretor, que não é um dos melhores filmes de sua carreira, mas não deixa de ser muito bom. 4 MOSCAS NO VELUDO CINZA é a terceira parte da famosa “trilogia dos bichos” que marcou o início da carreira de Dario Argento. Os outros filmes são O PÁSSARO DAS PLUMAS DE CRISTAL e O GATO DE NOVE CALDAS, todos os três estruturados no subgênero que Argento cristalizou, o subgênero do assassino de luvas pretas, chapéu fedora e sobretudo de couro, cujas vítimas quase sempre são moças indefesas e o principal suspeito, geralmente, é o herói que precisa correr contra o tempo para desvendar os mistérios e provar sua inocência, já que a polícia, na maioria das vezes, se revela incompetente. Yeah, estamos falando de giallo!

A trama envolve um baterista de uma banda de rock, interpretado por Michael Brandon, que se vê envolvido numa enrascada quando acaba matando acidentalmente um sujeito misterioso que o seguia. O problema é que alguém fotografou o crime culposo e começou a fazer chantagens com o pobre músico. Durante sua jornada, cheia de conflitos psicológicos, tentativa de resolver o caso e se segurar para não ir à policia e se entregar, o rapaz tenta contar com a ajuda de várias figuras interessantes, como o personagem vivido pelo grande ator italiano Carlo Pedersoli, mais conhecido como Budd Spencer, que fazia a alegria na Sessão da Tarde quando eu era moleque, e um detetive gay interpretado por Jean-Pierre Marielle.

Muita gente fala que 4 MOSCAS é uma prévia de PROFONDO ROSSO. E realmente eu concordo, principalmente no que confere aos procedimentos técnicos, na forma como Argento trabalha sua câmera em alguns momentos, na criação da atmosfera de suspense, são verdadeiros esboços do que ele faria em seu melhor filme. Mas isso não quer dizer que aqui ele esteja inseguro, várias seqüências são muito bem executadas e até a grande revelação do caso, por mais absurda que seja, parece plausível.

Outro destaque óbvio é a presença musical do mestre Enio Morricone, ingrediente fundamental em algumas cenas, como no desfecho, quando o belo e o brutal entram em perfeita sintonia como poucas vezes se vê por aí.

E este post eu dedico ao meu primo carcamano Stefano Zorzin, que vive enchendo meu saco pra eu falar mais sobre Dario Argento, giallo e terror italiano...

11.8.09

1 ano de blog!

Na verdade foi dia 8, mas só agora eu me lembrei. Agradeço sinceramente aos visitantes e fiéis leitores que me acompanharam até aqui. Como contribuição, segue o trailer do novo filme do Terry Gilliam, THE IMAGINARIUM OF DOCTOR PARNASSUS:

9.8.09

O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL (Wanted: Dead or Alive; 1987), de Gary Sherman

Sorry folks, mas uma atualização teria que acontecer, não é mesmo? Embora esteja me dando uma pena danada atualizar o blog. O que ocorreu no último post foi algo único e que eu nunca poderia imaginar que um dia fosse acontecer. Mas vamos seguir em frente. A boa notícia é que vai rolar uma entrevista exclusiva com o Albert Pyun em breve. Então aguardem!

E para justificar este post “estraga prazer”, vou falar ao menos um pouco do único filme interessante que eu assisti nos últimos dias, trata-se de O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL, uma releitura contemporânea de um seriado de faroeste estrelado por Steve McQueen do inicio dos anos 60. Aqui o Rutger Hauer interpreta um ex-agente da CIA, agora trabalhando como caçador de recompensas urbano, e que é escalado para a perigosa missão de capturar um perigoso terrorista árabe, encarnado pelo Gene Simmons, integrante da banda KISS.

O roteiro dá para o gasto, a direção do Gary Sherman é excelente e Hutger Hauer aproveita para se entregar a um personagem fodão interessantíssimo. Tudo isso compensa um ponto que me incomodou um bocado: o filme tem pouca ação. Estamos nos anos oitenta aqui, período dos filmes de ação desenfreados e exagerados, é claro que isso não é item obrigatório para aumentar o nível de alguma obra, tanto que vários filmes da época são excelentes, cuja ação é discreta, realista e sem exageros, como é o caso de VIVER E MORRER EM LA, por exemplo. Mas um pouquinho mais de ação não ia fazer mal a O EXTERMINADOR IMPLACÁVEL. Mas tudo bem, como eu disse, outros atributos compensam este pequeno detalhe e não deixa de ser um filme bem melhor do que 90% do que é feito atualmente dentro do gênero.

Ps: acabei esquecendo de avisar, mas nunca é tarde; o mês de agosto no Dia da Fúria é dedicado ao diretor chileno Alejandro Jodorowsky. Imperdível! Não deixem de prestigiar.

4.8.09

VIAGEM RADIOATIVA (Radioactive Dreams, 1985), de Albert Pyun

Para um diretor considerado um dos piores no ramo da sua geração, até que Albert Pyun se sai muito bem neste seu segundo filme. Pelo menos eu adorei, principalmente pelo tom nostálgico que eu acabo vivenciando quando assisto a essas produções que fizeram um relativo sucesso na era do VHS - embora eu fosse pequeno, com meus sete, oito anos naquela época e teimava em locar as mesmas fitas (A HISTÓRIA SEM FIM e LABIRINTO eram meus recordes de locação), meu pai sempre variava um pouco mais do que eu, por isso eu pude assistir a bastante coisa boa que eu nem me lembro, mas aos poucos vou resgatando.

Não é o caso deste aqui. Só fui assistir pela primeira vez a RADIOACTIVE DREAMS há pouco tempo, mas muita coisa realmente me agradou no filme, exceto, óbvio, a direção de Pyun, que é bem fraquinha. Mas vamos dar um desconto ao rapaz porque o roteiro foi ele quem escreveu a partir de uma idéia extraída de sua própria cabeça e a estória é ótima! Além disso, foi ele quem realizou o meu filme preferido do Van Damme, CYBORG – O DRAGÃO DO FUTURO, isso mesmo, aquele que os personagens têm nomes de marcas de guitarra...

Assim como no filme do Van Damme, RADIOACTIVE DREAMS se passa num período pós-apocalíptico, fruto da Terceira Guerra Mundial. Antes das bombas nucleares começarem a explodir, entretanto, dois garotos são colocados em um abrigo subterrâneo onde passam o tempo lendo livros policiais dos anos 30 e 40. Pyun, já treinando sua astúcia na criação de nomes para personagens, coloca Phillip Chandler (John Stockwell) para um e Marlowe Hammer (Michael Dudikoff!!!) para o outro. Quem conhece o mínimo de novelas policiais dos anos 40, deve ter percebido a esperteza do diretor/roteirista em homenagear os verdadeiros criadores do estilo noir. Após 15 anos vivendo no local, os garotos, agora um pouco mais velhos, conseguem sair do abrigo e se deparam com o mundo em um estado bem interessante...

Cyberpunks antropófagos, motoqueiros, roqueiros, mutantes e um rato monstro gigante, todos bastante hostis, são alguns exemplos de seres que estavam lá fora para receber os dois ingênuos rapazes que praticamente passaram a vida inteira olhando um para cara do outro dentro do abrigo subterrâneo e agora pensam que são dois detetives tentando resolver um caso. E o pior é que acabam entrando numa intriga envolvendo um par de chaves que aciona um míssil poderosíssimo, capaz de devastar toda a raça humana, e todo o tipo de figura estranha pretende colocar as mãos nas tais chaves, não me pergunte o motivo, mas acho que, como dizia o ex-presidente americano George W. Bush, uma única palavra resume a responsabilidade de qualquer governante, e essa palavra é “estar preparado”...

No campo das atuações, temos um Michael Dudikoff irreconhecível, bem diferente dos papeis sérios que encarnou nos filmes de ação que fazia a alegria da moçada. Aqui, o seu Marlowe é um sujeito afetado, age o tempo inteiro como se fosse uma bicha louca em “quarto escuro” de boate gay (não, nunca entrei num lugar assim e nem pretendo, antes que comecem a pensar gracinhas). Seu trabalho seguinte foi exatamente aquele que mudou o rumo de sua carreira: AMERICAN NINJA, grande clássico que também marcou minha infância. Já John Stockwell faz o tipo caladão e mais sóbrio da dupla. Stockwell já tinha um rosto um tanto famoso pela participação em CHRISTINE, do John Carpenter. Voltou a trabalhar com o Pyun em DANGEROUSLY CLOSE, antes de ser escalado em TOP GUN, de Tony Scott. Saiu debaixo dos holofotes, fez algumas pontas e dirigiu algumas coisas, foi ele quem realizou aquela tosqueira filmada aqui no Brasil e causou um rebuliço besta: TURISTAS. Ainda no elenco de RADIOACTIVE DREAMS temos os veteranos George Kennedy e Don Murray.

O roteiro louco que mistura ficção cientifica pós-apocalíptica, elementos do film noir e muita aventura no estilo MAD MAX II e er... BLADE RUNNER, só poderia gerar bons momentos de diversão para toda a família; e até mesmo a direção porca, sem qualquer noção de espaço, a fotografia péssima e a edição ridícula dão ao filme um charme singular, isso sem falar que a trilha sonora é sensacional, escolhida a dedo com várias canções bem datadas dos anos oitenta. Demais! Recomendo ao pessoal de bom gosto que sabe apreciar uma boa e velha tralha!

OBS: Um bom exemplo desse tipo de gente e que adora este filme é o meu amigo Osvaldo Neto, que está de volta, depois de alguns meses parados, ao Vá e Veja, um dos melhores blogs nacionais sobre “cinema de qualidade”! Grande retorno!

31.7.09

INFERNO VERMELHO (Red Heat, 1988), de Walter Hill

Passou outro dia no TCM. É um dos meus filmes preferidos sobre o tema dos choques culturais entre países. Em plena Guerra Fria, um policial russo, vivendo sob o regime comunista obviamente, vai aos Estados Unidos, faz uma involuntária parceira com um policial americano pragmático e cheio dos costumes ocidentais, para tentar capturar um traficante russo. E quem interpreta estas duas figuras são Arnold Schwarzenegger e James Belushi, que estão perfeitos cada um nos seus extremos do estereótipo, bem exagerados, para que o choque cultural salte aos olhos do público de maneira forçada, sem frescuras, fazendo com que o diretor Walter Hill se preocupe com outros detalhes, como criar um filme ação policial ao melhor estilo dos anos 80. No elenco ainda temos Peter Boyle, Lawrence Fishburne e Ed O'Ross. Filmaço!

GET CARTER (1971), de Mike Hodges

Clássico cinema britânico, traz Michael Caine interpretando Jack Carter, um jagunço da máfia londrina que vai a uma pequena cidade do interior para o enterro do seu irmão, mas desconfia que se trata, na verdade, de um assassinato cometido pela organização criminosa que comanda o local. Carter decide botar a cidade de pernas para o ar até que consiga saber o que realmente aconteceu, só que as descobertas são mais desagradáveis do que ele poderia imaginar. A cena em que Carter se depara com a verdade, com direito a uma lágrima escorrendo no rosto de Caine é genial e desencadeia uma violenta reação de vingança. Caine constrói um dos grandes personagens de sua carreira e o, até então, estreante diretor Mike Hodges não tem medo de ser ousado abusando de violência e nudez de suas atrizes. Em 2000 o filme ganhou uma refilmagem cretina quem nem mesmo o Stallone, na pele de Carter, conseguiu salvar.

TERROR FIRMER (1999), de Lloyd Kauffman

Típico filme da Troma, famosa produtora de tosqueiras divertidas classe B. O Enredo se desenrola na produção de mais uma sequencia de TOXIC AVENGER, quando uma série de assassinatos misteriosos e brutais começa a atrapalhar o andamento da realização do filme. E tome seqüências escatológicas, violentas, de muita nudez e um humor negro impagável. TERROR FIRMER não chega ao nível de um TOXIC AVENGER, mas diverte tranquilamente o espectador acostumado com este tipo de produção. Destaque para o diretor Lloyd Kauffman, que interpreta o diretor do filme que estão realizando, mas com a diferença de que é completamente cego e fica dando lições de cinema para sua equipe, citando diretores como Samuel Fuller...

30.7.09

TORNADO (1983), de Antonio Margheriti

Na década de 80, o cinema popular italiano entrava em decadência na mesma intensidade que a picaretagem dos produtores, roteiristas e diretores carcamanos aumentava. Antonio Margheriti, prolífico diretor italiano, foi um dos que mais se aproveitou de reciclar boas idéias, retiradas de produções anteriores de sucesso, para transformá-las em filmes de baixo orçamento filmados onde Judas perdeu as botas, seja lá onde for. Isto, claro, muitos anos depois de ser respeitado como um dos grandes nomes do horror gótico italiano (embora tenha passado por praticamente todos os gêneros do cinema popular de seu país).

Eu avalio TORNADO como uma verdadeira façanha na carreira do diretor, mesmo considerando que eu não sou nenhum especialista na filmografia do Margheriti. Primeiramente porque imita, sem ao menos ter vergonha na cara, temas e idéias de vários outros filmes de guerra já consagrados. Depois, por causa do tempo curto de filmagem e as baixas condições orçamentárias, o diretor teve a brilhante idéia de reaproveitar, literalmente, algumas cenas de outros filmes do gênero que ele mesmo realizou na época. E por último, por transformar toda essa picaretagem absurda num bom filme com 90 minutos de pura diversão.


O enredo se passa nos últimos dias da guerra do Vietnã . Um capitão americano sem coração (Tony Marsina) envia seus soldados do grupo de elite “Boinas Verdes” em missões de alto risco além das linhas inimigas. O sargento Maggio (Giancarlo Prete, aka Timothy Brent) não concorda muito com essas incumbências suicidas e sem sentido. Logo no inicio, durante uma destas missões, um soldado se fere e Maggio retorna para buscá-lo. O capitão ordena aos helicópteros que partam imediatamente, sem esperar o sargento que carrega bravamente seu amigo ferido.


Deixado para trás, Maggio utiliza-se de todas as suas técnicas especiais de combate e sobrevivência na selva para conseguir retornar ao posto americano, e consegue, levando o soldado – e a si próprio – com vida. Isso tudo em apenas 20 minutos de filme, dando uma verdadeira noção do que esperar de TORNADO.

Depois de uma tragédia, finalmente Maggio decide bater de frente com o capitão (e bater de frente significa murro na cara do seu superior). Maggio é preso e escoltado para a corte marcial, mas consegue escapar e agora se encontra em pleno território inimigo tentando chegar à zona neutra, mas não sem antes enfrentar os vietcongs e os próprios soldados americanos! Não é de lascar uma trama como essa?

O script é cortesia de Tito Capri e Gianfranco Couyoumdjian (cujos currículos são repletos de pérolas do cinema popular), apesar da falta de originalidade, conseguem desenrolar um roteiro que bebe da fonte (leia-se: copia na cara dura) de vários filmes de ação e guerra que foram grandes sucessos e influenciaram dezenas de tralhas como esta aqui. O FRANCO ATIRADOR, APOCALYPSE NOW e RAMBO são os principais títulos que vêm em mente enquanto se assiste a TORNADO.

E o mais legal é que, embora seja assumidamente barato e apresente os defeitos que este tipo de produção possui, o filme consegue passar a sua mensagem anti-bélica com muita clareza e autenticidade, ao invés de simplesmente explorar a violência da guerra sem qualquer tipo de reflexão. E isso fica evidente na presença do repórter vivido por Luciano Pigozzi, que tenta a qualquer custo investigar e denunciar os abusos cometidos pelo capitão.

TORNADO fecha uma espécie de trilogia da guerra do Vietnã que Margheriti realizou no inicio dos anos 80, composta também por THE LAST HUNTER e TIGER JOE, todos rodados nas Filipinas, local que serviu de cenário para centenas de produções italianas naquela época. O trabalho de direção de Margheriti aqui é bem típico ao específico cinema que estava fazendo, rodado às pressas tentando ao máximo usar a criatividade (algo que nem sempre consegue), aproveitando atores, locações, objetos cenográficos e até mesmo seqüências inteiras utilizadas em outros filmes. Várias cenas de ação que aparecem em TORNADO foram, inicialmente, filmadas para THE LAST HUNTER, mas com uma boa edição e muita cara de pau, isso se torna apenas mais um detalhe curioso e um charme a mais para os fãs de tosqueiras como esta aqui.

29.7.09

ALONE IN THE DARK (1982), de Jack Sholder

Antes que algum de vocês me pergunte, eu já adianto que este filme não possui qualquer relação com aquela tranqueira do Uwe Boll de 2004, estrelado por Christian Slater e que nem um fã de bagaceiras classe Z como eu conseguiria agüentar dez minutos assistindo (até hoje não passei daqueles dez minutos – que pareceu uma eternidade – e nem pretendo).

Este ALONE IN THE DARK aqui é algo completamente diferente, um divertido filme de terror do glorioso inicio dos anos 80, dirigido por Jack Sholder, e que nos presenteia pela reunião de três grandes atores do cinema americano: Donald Pleasence, Martin Landau e a “cereja do bolo”, Jack Palance.

Pleasence interpreta o Dr. Leo Bain, diretor de um hospício onde se encontram, além de pacientes comuns, figuras extremamente perigosas sob tratamento psiquiátrico. Dois deles são vividos Landau e Palance. O primeiro é um ex-padre que colocou fogo em sua igreja e o outro é um ex-prisioneiro de guerra e acabou se tornando o líder do grupo de psicopatas do tal manicômio, que ainda possui mais dois malucos para completar o time: um sujeito extremamente obeso e um perigoso assassino conhecido como Bleeder, já que seu nariz sangra toda vez que comete um assassinato.

A trama tem seu inicio quando o psiquiatra Daniel Potter (Dwight Schultz) é contratado pelo Dr. Bain (que é tão louco quanto seus internos) para substituir o Dr. Harry Merton, antigo responsável pelos pacientes mais perigosos que eu citei no parágrafo anterior e que foi transferido para outra clínica. Mas vocês sabem como são os loucos, não é mesmo? Quando colocam alguma idéia na cabeça é difícil tirar. Sendo assim, o personagem de Palance comenta que o Dr. Potter, na verdade, assassinou o Dr. Merton para tomar o seu lugar, então decidem bolar um plano para matar seu novo psiquiatra.

No “campus” do hospício, os pacientes podem vagar tranquilamente, inclusive os quatro psicopatas desvairados, embora sejam muito bem vigiados. À noite, a única circunstância que os mantém é o sistema eletrônico de segurança que depende de energia. Para nossa sorte, acontece um apagão que coloca a pequena cidade do filme num verdadeiro caos (com direito à invasão de lojas e crimes em massa) e os quatro loucos varridos aproveitam para escapar e ir atrás do Dr. e toda sua família.

A trama é bem simples, como podem perceber, mas são vários os pontos que se destacam para uma boa degustação. Uma delas consiste na direção de Jack Sholder, que está longe de ser perfeita, mas passa a impressão de que seja o trabalho de um veterano que dirigiu vários exploitations de terror nos anos setenta, com muita bagagem nas costas, etc. Só que não é nada disso. ALONE IN THE DARK é o primeiro filme do cara, que apresenta ótimo domínio de cena e na criação de atmosfera de terror. Além de saber como utilizar a áurea dos atores envolvidos sem mostrá-los demais.

Jack Palance, por exemplo, aparece em pouquíssimas cenas, mas só de saber que é o sujeito que está cercando a casa do Dr. Potter com toda sua família dentro, no meio da noite, já é suficiente para marcar, mesmo que a câmera do diretor mostre, quase sempre, dentro da casa onde estão as prováveis vítimas dos lunáticos. É o caso de uma forte presença do ator que vai além do “estar” em cena ou não. A mesma coisa acontece com o Martin Landau (que aparece um pouquinho mais).

Palance inclusive se recusou a filmar uma sequencia em que seria visto matando um motorista antes de roubar-lhe o carro. Ele disse que não era necessário expor tanto o personagem desta maneira para mostrar ao publico o quanto ele era perigoso. E estava totalmente certo. Seu personagem é de longe o mais sombrio, assustador e ameaçador e sem precisar de muito esforço. Sem dúvida alguma, seu personagem é o melhor do filme, que ainda conta com efeitos especiais do mestre Tom Savini e várias situações antológicas, como o sonho surrealista do personagem de Martin Landau ou o final com o Palance entrando no Pub punk.

Outra coisa legal é o fato do personagem Bleeder nunca mostrar seu rosto. Em determinado momento, ele utiliza uma mascara de hockey que lembra a mesma que outro famoso assassino viria a usar algum tempo depois, mas que surgiu na mesma época deste aqui... seria alguma coincidência?

Não importa, o que vale mesmo é a diversão, e é o que ALONE IN THE DARK concede com garantia. Dificilmente vou ver um filme sobre louco(s) psicopata(s) sem antes pensar nesta belezinha.