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14.6.11

BURKE AND HARE (2010)

Eu não ando muito ligado nas comédias atuais, mas resolvi me arriscar neste aqui porque a) me pareceu ser um bom caso do típico humor britânico; b) além do tipo de humor, me pareceu ter uma mescla interessante com mistério e terror; c) tem o Simon Pegg, que é dos poucos rostos do gênero que acho bacana atualmente e d) o motivo principal, é que BURKE AND HARE é o retorno de John Landis à direção depois de não sei quantos anos sem fazer algo para cinema.

Duas escolas de anatomia na cidade de Edimburgo, por volta de 1820, competem pelo posto de melhor instituição, uma liderada pelo Dr. Monro (Tim Curry) e outra pelo Dr. Knox (Tom Wilkinson), que se vê obrigado a adquirir corpos por meios ilegais, já que Dr. Monro consegue um monopólio sobre a oferta de cadáveres na cidade. É aí que entram Burke (Pegg) e Hare (Andy Serkis), dois malandros que estão dispostos a tudo para ganhar uns trocados, o que incluí conseguir alguns defuntos para o Dr. Knox, mesmo que nem sempre encontrem o artefato sem vida.

O filme é ligeiramente baseado em histórias verdadeiras, inspiradas em assassinatos reais da época, e possui um tema interessante para criar situações engraçadas. Pena que na prática a coisa não funcionou tão bem pra mim. BURKE AND HARE não é ruim ao ponto de você desistir no meio do filme, mas também não possui nada de mais para chegar ao fim como uma experiência agradável. É longo demais e perde tempo com situações desinteressantes (como o romance de um dos protagonistas) e, já que estamos falando de algo assumidamente dentro do gênero comédia, falha por ser sem graça na maior parte do tempo. Não existem sequências memoráveis que ficam marcadas na mente, a não ser a curta cena onde Christopher Lee dá as caras.

Por outro lado, John Landis mantém a mão firme para o suspense e em alguns momentos envolvendo uma atmosfera mais densa o filme ganha um pouco de força. Não deixa ainda de ser meia boca o resultado final, mas prefiro um Landis ou John Carpenter fazendo filmes menores como este do que vê-los "coçando o saco em casa".

7.3.09

GRITO DE HORROR (The Howling, 1981), de Joe Dante


Queria escrever sobre WATCHMEN, mas ainda não assisti. Adiei para hoje (sábado). Sei que tem muita gente que já meteu o pau sem assistir e que não gosta do Zack Snyder, etc. Até entendo o ponto de vista, mas eu estou curiosíssimo. Amanhã (domingo) saberemos as minhas impressões. Por enquanto, andei vendo este ótimo filme de lobisomem, dirigido pelo mestre Joe Dante, que havia se reunido mais uma vez com o roteirista de PIRANHAS, John Sayles, para entregar GRITO DE HORROR.

É um filme visionário no campo da licantropia. Até então, os lobisomens eram mostrados no cinema como homens um pouco mais peludos que o normal, com suas roupas rasgadas, os caninos mais afiados e as unhas pontudas. Dante e Sayles, juntamente com uma equipe técnica excelente, desenvolveram umas criaturas monstruosas e inovadoras que devem ter feito muito moleque pedir pra dormir no meio dos pais durante a noite (e ainda por cima assistiram escondidos, já que uma criança não deveria ver esse tipo de filme... brincadeira!).

É que o tema é trabalhado no roteiro de uma maneira bem moderna, inteligente, sensual, séria, com os elementos e a atmosfera do horror sendo mantidas ao longo de toda duração, diferente da abordagem de John Landis em UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES, que foi rodado no mesmo ano e mistura comédia de humor negro na salada.

Na verdade, os dois filmes são tão diferentes que fazer comparações seria algo estúpido, a não ser é claro nos quesitos técnicos em que ambos são sensacionais, especialmente a transformação dos condenados em lobisomens. A do filme de Landis, feita por Ricky Baker é genial em todos os sentidos, mas a de GRITO DE HORROR, por Rob Bottin (de THE THING, do Carpenter), é muito mais sombria e assustadora, assim como o filme todo é, em comparação estúpida com o do Landis.

Baker até chegou a trabalhar em GRITO DE HORROR, mas quando Landis disse que iria fazer o seu, ele trocou de time. Mas foi bom pra mostrar que existiam outros mestres dos efeitos especiais à moda antiga tão competentes quanto o Baker. A cena em que mostra todos os detalhes da transformação do lobisomem, com aquela luz maravilhosa e expressionista sob os acordes de Pino Donaggio, é uma coisa linda e perturbadora! E a protagonista lá estática e assustada vendo aquilo tudo acontecer lentamente... por que diabos ela não saiu correndo?

É o tipo de pergunta que não se deve fazer e que guarda a essência de toda essa era do cinema de horror americano...

OBS 1: GRITOS DE HORROR tem um elenco bem legal composto de gente do calibre de John Carradine e Dick Miller em papéis especiais e algumas aparições que valem a pena procurar enquanto se assiste, como Forrest J. Ackerman, Roger Corman e o roteirista John Sayles.

OBS 2: Observação estúpida, mas eu particularmente prefiro UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES...