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20.5.09

DRUNKEN MASTER II (Jui Kuen II, 1994), de Liu Chia-Liang & Jackie Chan


Longe de Cannes, só nos resta ver um bom filme de porrada!!!
Dezesseis anos após ter estrelado DRUNKEN MASTER, Jackie Chan retornou com este DRUNKEN MASTER II, que possui ligação com o filme anterior apenas pela presença do ator e por ele utilizar a técnica dos oito deuses embriagados, mas são filmes totalmente independentes. E por mais que eu tenha rasgados elogios ao primeiro, este aqui consegue ser superior! É provavel que seja a última obra prima do cinema de artes marciais...

Corrijam-me se eu estiver errado, mas desde o início da década de 80 Jackie Chan não participava de uma produção de época. Mas o fato é que no começo dos anos 90, houve um ressurgimento dos filmes de kung fu históricos, como ERA UMA VEZ NA CHINA, por exemplo, estrelado por Jet Li, então era inevitável que Chan retornasse ao gênero que o tornou famoso, principalmente nesta espécie de sequencia de um dos seus principais trabalhos que o elevou ao estrelato.

E é muito bacana poder ver Jackie Chan fazendo papel de jovem molecão. Na verdade, ele já estava com 40 anos na época e seu personagem tem aproximadamente 20, mas isso não faz a menor diferença, e não apenas pela atuação e o modo de retratar a juventude, mas seu aspecto físico ajudava bastante. Chan era apenas oito anos mais novo que o ator que interpreta seu pai (Ti Lung) e uns dez anos a mais que atriz que fazia sua madrasta (Anita Mui)...

Vamos à trama, que se passa no início do século passado, quando Fei Hong (Chan) está viajado com seu pai. Hong, que tem “encrenca” escrito na testa, arruma uma forma de esconder uma caixinha, contendo uma raiz medicinal, para não ter que pagar impostos ao passar pela alfândega. Por causa da semelhança entre duas caixinhas, um sujeito acaba pegando a de Fei Hong por engano, e este, que não quer saber de papo, parte pra cima do sujeito, e antes que você consiga dizer “papibaquígrafo”, a porrada já está comendo solta! Afinal, DRUNKEN MASTER II é um filme de Kung Fu! Ninguém iria querer que o Jackie Chan tentasse recuperar a caixinha com educação, não é?

Fei Hong recupera a caixa, mas a errada. Esta contém um selo imperial, e é o que o sujeito queria, na verdade, mas acabou ficando com a raiz. Muito bem, a trama parte daí para um assunto mais "sério", revelando um grupo de contrabandistas que vende tesouros e artefatos da China para os museus pelo mundo afora. Como Hong tem o selo imperial em mãos, acaba tornando-se alvo dos contrabandistas. Assim como a caixa trocada serviu para desencadear toda uma situação, numa outra cena, uma das mais memoráveis, os bandidos também confundem os objetos pessoais dentro da bolsa da sra. Wong, madrasta de Hong, com o famigerado selo, transformando o filme numa comédia de erros e gags que justifique as sequencias de luta!

Nesta em particular, Fei Hong persegue o bando, e começa a lutar sozinho contra vários meliantes, algo habitual para um cara como Jackie Chan. Mas a coisa fica ótima quando a sra. Wong começa a lhe fornecer bebidas alcoólicas permitindo que Hong libere a técnica Drunken Boxer! É bem conhecido o fato que a embriaguez deixa uma pessoa mais corajosa e solta, mas que também melhore seu Kung Fu, aí já não sei... pelo menos com Fei Hong funciona muito bem!

Aí que está a grande importância de ter assistido ao DRUNKEN MASTER e ser familiarizado com a técnica Drunken Boxer. Não que eu seja adepto ao procedimento, na verdade, a única vez que briguei na vida, lá pelos meus doze anos, apanhei feio, e não estava embriagado, mas depois eu conto esta história... Então, para quem não assistiu e ainda teve paciência de chegar até aqui em baixo nesta leitura nada agradável e cheia de spoilers, o Drunken Boxer é o estilo que o personagem de Jackie Chan utiliza, garantindo resistência à dor enquanto execulta movimentos como a de um bêbado, caso estivesse lutando. Portanto há uma série de tropeços e um balancear estranho, mas acabam dando certo na hora de desferir os golpes, seguido, é lógico, do nome do golpe dito em voz alta. E para se chegar a tal transcendência marcial, basta tomar uma caninha...

Bom, agora que já sabem tudo sobre esta arte, vamos as sequências de luta que são de tirar o fôlego. Duas, em especial, podem entrar para a história do cinema de artes marciais. A primeira é a que acontece no restaurante onde Fei Hong luta contra dezenas de vagabundos, usando machadinhas, enquanto nosso herói improvisa uma arma genial feita de bambu. A outra é a sequencia final, uma das mais magistrais exibições de proezas físicas que o cinema de porrada já proporcionou! A esta altura, o diretor Liu Chia-Liang (36th CHAMBER OF SHAOLIN) já havia chutado o balde e a direção estava toda nas mãos de Jackie Chan. Os vinte minutos finais foram filmados em quatro meses! Quem disse que Jackie Chan não era perfeccionista?

E mesmo que a trama não seja um padrão de originalidade, ela possui os McGuffin's necessários para a boa dose de ação corporal que come solta intensamente durante todo o filme, e ainda consegue desenvolver vários aspectos paralelos, como o orgulho chinês pelo seu patrimônio histórico, e se aprofundar bastante no personagem de Chan, que apesar de chutar muitas bundas, sua luta principal é encontrar aceitação aos olhos de seu pai. Pena que Jackie Chan nunca mais conseguiu atingir o mesmo nível de DRUNKEN MASTER II.

6.4.09

DRUNKEN MASTER (Jui kuen, 1978), de Yuen Woo-Ping


Sempre tive esperança de que a carreira do Jackie Chan pré-Hollywood fosse bem superior, já que o único filme dele desta fase que eu me lembro bem de ter visto foi UM KICKBOXER MUITO LOUCO nas tardes do SBT e era fanático! Simplesmente genial. Vi alguns outros também, mas era muito novo e já não tenho recordações, mas basicamente, só o conhecia pelos filmes americanos mesmo e isso é bem desanimador.

Bom, finalmente resolvi arriscar numa produção mais antiga do Chan e assisti ao DRUNKEN MASTER neste fim de semana e, lógico, não me arrependi. O filme é uma verdadeira pérola do cinema de artes marciais e reúne a direção mega-ultra-talentosa para cenas de luta de Yuen Woo-Ping com o humor pastelão de Jackie Chan (que também sempre foi um puta talento em cenas de luta). Um casamento perfeito, diga-se de passagem.

O enredo é bem simples, mas contém os elementos suficientes pra recheá-lo com bastante ação e momentos engraçados. Chan interpreta Hung, sujeito encrenqueiro, uma vergonha para a família cujo pai é um famoso professor de artes marciais. Depois de se meter em uma série de confusões, seu pai decide deixá-lo sob os cuidados de Su Hua Chi (na tradução da legenda da versão que eu vi é Mendigo Sam, mas não sei se é correto chamá-lo assim), um dos mestres mais rigorosos que há! E que vai ensinar para nosso herói a poderosa técnica dos oito deuses embriagados!!!

Literalmente, o sujeito tem de estar bêbado para realizar tal técnica e Jackie Chan lutando embriagado é uma antologia do cinema de porrada, aliás, todas as cenas de luta possuem coreografias perfeitas e muito bem conduzidas sob a direção de Woo-Ping, que é totalmente diferente do estilo seco e grosseiro dos filmes do Sonny Chiba, por exemplo. Chan utiliza tudo em sua volta para abater seus oponentes e até mesmo partes do corpo não muito utilizadas para desferir golpes, como na cena em que dá uma bundada num sujeito!

As cenas de lutas são bem divertidas e quem aprecia os filmes de Chan atuais (o que não é o meu caso) vai se surpreender ainda mais com a desenvoltura do sujeito em DRUNKEN MASTER, e ainda morrer de rir com situações engraçadíssimas envolvendo o protagonista e Su Hua Chi, interpretado pelo patriarca do clã Yuen, Yuen Siu Tien. Agora pretendo ver o DRUNKEN MASTER II, que segundo os amigos Herax e Takeo, consegue ser melhor que este aqui. Se fosse do mesmo nível já estava bom demais, imagine melhor...