O SOLAR MALDITO (1960)



MADHOUSE (1974)











Se O POÇO E O PÊNDULO não for a melhor dentre as adaptações da obra de Edgar Allan Poe realizada pelo Roger Corman, ao menos é provável que seja a mais assustadora. A ORGIA DA MORTE permanece no topo, na minha opinião, pela combinação visual impressionante, o uso das cores de maneira única como elemento de horror e a fotografia sensacional de Nicholas Roeg, além, é claro, por Vincent Price numa atuação impecável incorporando o diabólico Prospero.
Mas é claro que o filme vai além. Muitos se lembram de Corman apenas como o pai do dos filmes B americanos, o homem que driblava todas as armadilhas do baixo orçamento e realizava quatro ou cinco filmes por ano. Ou então como descobridor de talentos, tendo lançado no mundo no cinema nomes como Jack Nicholson, Francis Ford Coppola, Martin Scorsese, Monte Hellman e muitos outros. Claro que isso são feitos importantíssimos, sem dúvida, mas muita gente acaba esquecendo que ele também era um puta diretor! Em A ORGIA DA MORTE ele estava no auge da criatividade e trabalhando com o seu diretor de fotografia – o futuro diretor Nicholas Roeg – fez miséria com o visual do filme, com o clima atmosférico denso e principalmente com o uso das cores como elemento de horror, algo que só mesmo o italiano Mario Bava conseguia superar. Algumas sequências são verdadeiras pinturas em movimento.
Quanto ao Corman econômico, pai dos B movies, A ORGIA DA MORTE foi seu primeiro filme rodado na Inglaterra, por causa das taxas de impostos muito mais em conta (além de conseguir subsídios do próprio governo britânico), reaproveitando o cenário do filme BECKET, de Peter Glenville, também de 64. Uma prova de que até mesmo nas suas realizações mais rebuscadas visualmente, o espírito B sempre prevalecia. Um fato curioso é que dizem por aí que a atriz principal do filme, Jane Asher, perguntou a Corman se um amigo poderia visitar o set e se juntar a eles para um almoço. Ela explicou que ele era um músico que estava a ponto de fazer seu primeiro show em Londres naquela noite. No final do almoço, Corman deu ao rapaz boa sorte e seguiu em frente. Era ninguém menos que Paul McCartney, e no outro dia Corman leu no jornal sobre o sucesso que havia sido aquele show.