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1.10.13

ESPECIAL HALLOWEEN 2013 #01: LEATHERFACE: THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE III (1990)


Outubro chegou e com ele o especial Halloween de filmes de horror escolhidos a dedo para assombrar os posts do blog durante o mês.  E para começar, um filme do coração, LEATHERFACE - THE TEXAS CHAINSAW MASSACRE III, um pequeno e belo exemplar do horror noventista que muitos odeiam, mas que tenho um carinho especial. Sei que não é um filme perfeito, mas esta segunda continuação de O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA tem diversão de sobra para os amantes de uma boa tralha.

Os problemas que o diretor Jeff Burr e sua equipe tiveram durante a concepção e produção são notórios: orçamento apertado, curto prazo para filmagens e especialmente as interferências da MPAA, que meteram tanto a tesoura nas cenas de violência que até a versão unrated pega leve neste quesito. É impossível e uma falta de respeito com os técnicos de efeitos especiais assistir a este filme na versão normal, cujo sangue é quase zero. Isso sem contar que foi uma tentativa um tanto frustrada de trazer de volta uma franquia num período que quase ninguém se interessava. O segundo filme da série, realizado pelo diretor do original, Tobe Hooper, já possui uma boa quantidade de detratores (e é outro que eu adoro).


Mas, no fim das contas, o que vemos na tela em LEATHERFACE nada mais é que um despretensioso horror movie cheio de momentos desfrutáveis e que funcionam muito bem pra mim. O roteiro faz bom uso de algumas ideias do clássico original de 1974 misturado com os exageros do horror dos anos 80 e 90 numa trama que tenta ser a mais simples possível. Um casal de jovens percorre as estradas californianas de carro e acaba se deparando com Leatherface, sua serra elétrica e seus familiares famintos por carne humana. As situações que surgem a partir daí dão conta de garantir o grau de diversão que o espectador precisa.


Obviamente, LEATHERFACE não pode competir com o primeiro da série, que é um autêntico clássico, um dos grandes filmes de horror de todos os tempos. E nem possui essa intenção. A recriação da cena do jantar ao redor da mesa deste aqui, por exemplo, perde de lavada para a inquietante e frenética do filme de 74. Mas vejamos, temos a protagonista com as mão pregadas à marteladas numa cadeira, Vigo Mortensen como um dos canibais, chamado Tex, um sujeito pendurado de cabeça para baixo pronto para ser abatido, Leatherface com sua motosserra cromada escrito "The saw is family"... Caramba, isso aqui é muito bom! E de quebra, a presença de Ken Foree como herói bad ass que surge nesta mesma cena metralhando todo mundo e logo depois encara Leatherface no mano a mano dentro de um mangue cheio de pedaços de corpos.

Apesar de ter um personagem legal, Ken Foree protagoniza uma das poucas coisas que eu realmente não gosto em LEATHERFACE. O sujeito reaparece no desfecho sem qualquer razão após ter claramente morrido no confronto com o personagem título! Quero dizer, o filme não mostra Foree batendo as botas, mas a forma como acontece dá a entender que, mesmo que tivesse sobrevivido, não poderia ressurgir do nada, inteiro, andando, sem ferimentos graves... Vai entender o porquê disso.

Exceto por este pequeno detalhe, acho que já deu pra perceber que não considero esta belezinha uma continuação tão inútil como muitos pintam por aí. É até bem bonito o plano final, com a mocinha e Foree pegando a estrada numa caminhonete velha rumo ao horizonte. Vale a pena uma conferida em LEATHERFACE, mas assista sem preconceitos.


E a todos um bom mês de Halloween!

23.3.12

UM MÉTODO PERIGOSO, aka A DANGEROUS METHOD (2011)


Aproveitando o post abaixo, o teaser trailer de COSMOPOLIS, próximo trabalho de David Cronenberg, um dos meus diretores de cabeceira, é bom lembrar que já tivemos neste ano um filme do homem lançado nos cinemas brasileiros e que eu não cheguei a comentar por aqui no blogue ainda. O problema é que UM MÉTODO PERIGOSO entra na mesma categoria problemática (e pessoal) de alguns dos últimos filmes do velho Clint Eastwood (INVICTUS e ALÉM DA VIDA), filmes que eu realmente reconheço suas qualidades, são bons em vários sentidos, mas cujos temas eu não tenho interesse algum. Ainda assim, estava ansioso para conferir este aqui, então foi meio decepcionante. Não se trata do caso demonstrado por alguns críticos que estranharam por destoar do que o Cronenberg tem o costume de fazer, esperando talvez alguma cabeça explodindo, uma barata cheirando pó, ou algo assim… isso é besteira. O filme é apenas chato, apesar dos excelentes desempenhos de Michael Fassbender, Viggo Mortensen e Keyra Knightley. Mas muito chato mesmo! Só isso. No entanto, quem se interessar pelo tema, deve encontrar um belo filme, muito engenhoso, sobre os primórdios da psicanálise.

12.3.10

THE ROAD (2009), de John Hillcoat

Hoje estréia o novo filme de Scorsese, mas não sei se vou assistir. É um dos filmes mais aguardados por mim este ano e estou muito ansioso para vê-lo, ao mesmo tempo em que me bateu uma preguiça danada de ir ao cinema lotado, cheio de adolescentes irritantes. Enfim, mas não é sobre isso que eu gostaria de falar, tendo em vista o título do post, mas sobre este belíssimo filme do australiano John Hillcoat. Em A PROPOSTA, western poético e existencialista, o estilo lúcido e ousado do diretor demonstra que o sujeito possui uma veia para temas não muito comuns relativos ao gênero pelo qual estava subjugado. O western era apenas um palco para tratar de assuntos mais profundos, embora fosse um autêntico western de primeira qualidade com todos os seus elementos definidos. Cheguei a mencioná-lo na minha lista de filmes notáveis da década passada. Em seu novo trabalho, THE ROAD, Hillcoat ataca novamente seguindo à risca sua cartilha própria, contextualizando a estória num cenário pós-apocalíptico, com a mesma poesia visual de seu filme anterior. O roteiro foi adaptado a partir da obra de Cormac McCarthy, o mesmo que escreveu ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ, e narra a trajetória de um homem (Viggo Mortensen) e seu filho (Kodi Smit-McPhee) tentando sobreviver ao mundo devastado por catástrofes naturais e à grande maioria da população remanescente que driblou a falta de alimento tornando-se adepta a antropofagia. A possível superficialização dessa trama não ia deixar de ir ao encontro de elementos bem mais densos para expor o estado de espírito dos personagens tendo um diretor como Hillcoat no comando. O trailer vendia o filme como uma aventura de ficção, mas não é esse tipo que teremos aqui. Numa das minhas definições mais cretinas, THE ROAD pode ser alguma coisa entre MAD MAX 2, de George Miller e STALKER, do Tarkovsky. Embora o diretor fuja da ação mesmo com a iminência constante dos protagonistas se depararem com o mal (e que até rendem boas sequências), Hillcoat não deixa de buscar a emoção de outras maneiras, como na bela relação entre pai e filho. Depois que começou a trabalhar com o Cronenberg, Viggo Mortensen vem conseguindo performances bem interessantes e o garotinho é um achado. Ainda no elenco, participações da Charlize Theron, Robert Duvall e Guy Pearce. Muito ajudam na concepção da atmosfera a fotografia acinzentada do espanhol Javier Aguirresarobe, a trilha sonora dos “Bad Seed’s” Nick Cave (que escreveu o roteiro de A PROPOSTA) e Warren Ellis, e claro, a lenta e sublime direção de Hillcoat, contando uma estória à moda antiga, sem precisar apelar para efeitos especiais, com uma força cinematográfica impressionante.