PORNO HOLOCAUST (1981), de Joe D'Amato
NYMPHOMANIAC (2013), de Lars Von Trier
Joe D’Amato é um cara legal. Quem já viu ou ouviu falar de seus filmes, sabe muito bem a razão (lógico, funciona se você for fã de cinema extremo, se não, nem se arrisque). Seus filmes normalmente são recheados do que há de mais pervertido, sádico e violento que o cinema teve a ousadia de mostrar.
Como de costume em um nunsploitation, a trama se passa num convento. A paz e a serenidade são quebradas com a chegada de um rapaz, que é uma espécie de encarnação do mal, e basta sua presença para que comece a safadeza e as freiras coloquem as "aranhas pra brigar”, até chegar num ponto alucinante de erotismo explícito com várias cenas interessantes como a do padre que caminha pelo corredor enquanto todas as freiras tentam seduzi-lo, mostrando as “periquitas” e se masturbando. Uma estátua do demo torna-se um dos personagens principais sempre simbolizando a presença do tinhoso e influenciando as perversões das freiras.
Após vários anos no exílio, Jess Franco retornou a Espanha no inicio dos anos 80 e encontrou liberdade total para realizar MACUMBA SEXUAL. O filme é estrelado pela esposa e musa do diretor, a exuberante Lina Romay, interpretando a namorada do bigodudo Antonio Mayans numa viagem de férias pelas Ilhas Canárias. Franco explora muito bem as belezas naturais do local, suas praias, paisagens bucólicas e o deserto. E é em toda essa ambientação que Romay começa a ter sonhos alucinantes e delírios lisérgicos quando é possuída por uma Rainha Negra, encarnada pela transexual Ajita Wilson.
A experiência de assistir MACUMBA SEXUAL é das mais interessantes pra quem já curte o trabalho do diretor. A trama não importa tanto, mas a elaboração visual das imagens oníricas e o surrealismo dos delírios e sonhos da protagonista são deslumbrantes, além do acompanhamento musical totalmente insólito. E como de praxe, todas as situações que Lina Romay se encontra tornam-se motivos pra tirar a roupa. Franco adora homenagear sua atriz/esposa explorando cada detalhe de seu corpo, as vezes a sensação é a de que ele quer entrar dentro dela com a câmera. Mas o grande destaque entre os protagonistas fica a cargo de Ajita Wilson, a transex negra de beleza exótica, com uma atuação bastante expressionista.