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29.1.12

OS INTOCÁVEIS, aka The Untouchables (1987)

Assisti a uns filmes bem legais esta semana para comentar aqui no blog, mas não tive tempo ainda para escrever. E não, ainda não vi outro Castellari, mas fiquem tranquilos que em breve eu posto mais do italiano. Hoje revi este filmaço do Brian De Palma e decidi arriscar algumas palavras. De Palma é um dos meus diretores americanos preferidos ainda em atividade e é sempre interessante dissertar sobre seus filmes – se é que o sujeito ainda está realmente em atividade, só acredito nisso quando PASSION, seu próximo filme anunciado, estiver em fase de pós produção.

Enquanto isso, ficamos com as maravilhas que já realizou durante a carreira, como é o caso de OS INTOCÁVEIS, sobre o incorruptível agente do Tesouro, Eliot Ness, que trava uma batalha contra o execrável gangster Al Capone durante a Lei Seca americana e blá, blá, blá…

O enredo é bastante conhecido por todo mundo e já foi diversas vezes explorado em filmes e séries, mas não significa que tenha deixado de ser interessante. Além do belo roteiro, escrito por David Mamet, a grande proeza de OS INTOCÁVEIS está na eloquente e estilosa direção de De Palma, além da colaboração de alguns monstros da atuação, como Robert De Niro e Sean Connery e os jovens Kevin Costner, Andy Garcia e até Billy Drago. Trilha sonora marcante de Ennio Morricone, impecável direção de arte e fotografia, não poderia sair nada menos que um autêntico clássico daqui!

O Capone de Robert De Niro é algo simplesmente extraordinário. Bons tempos quando o ator podia fazer apenas umas cinco ou seis aparições num filme e ainda assim surpreender a cada cena. O sujeito leu todas as biografias de Capone, viu todos os filmes sobre o cara e conferiu ainda documentários da época para compor o personagem.


O resultado está na tela em cada gesto, cada olhar, cada sorriso, já vi esse filme umas quinze vezes e toda vez fico espantado com o desempenho do De Niro. Ao mesmo tempo que inspira simpatia, fazendo seus “capachos” rirem com suas piadas, o sujeito é totalmente brutal, como na impactante cena da explosão de ódio com um taco de baseboll na mão. Deve ser o Capone definitvo do cinema, não?

O fato é que Capone é um total contraponto do bem absoluto personificado no Eliot Ness de Kevin Costner, que não é ator que guardo muita admiração, mas até que se sai bem como o herói bonzinho. Já o velho Sean Connery é outro nível e mereceu o seu Oscar de coadjuvante pelo seu trabalho impecável em OS INTOCÁVEIS.


O sujeito faz o papel de Jim Malone, um correto guarda de rua prestes a se aposentar e por isso, a princípio, não aceita fazer parte do grupo. Mas depois se encarrega de fazer o “trabalho sujo” e ações mais violentas contra Capone. “Ele puxa uma faca, você saca o revólver. Ele manda um dos seus para o hospital, você manda um deles para o necrotério. Essa é a Lei de Chicago”. Uma aula de interpretação.

Malone ajuda Ness a escolher a dedo um cadete, que ainda não foi comprado por Capone, e entra em cena um jovem Andy Garcia. O quarto Intocável é o desajeitado, mas decidido, fiscal de rendas, vivido por Charles Martin Smith, que não hesita quando Malone lhe oferece uma escopeta para entrar em ação.



E o que não poderia faltar em OS INTOCÁVEIS são boas sequências de tiroteios em que o quarteto se envolve, estraçalhando os inimigos com chumbo grosso, como na parte que se passa na fronteira com o Canadá, quando interceptam um carregamento de bebidas. A dose de violência também não vai deixar na mão os amantes de uma sangreira, como o assassinato no elevador. Noutra cena, logo no início, De Palma explode uma garotinha segurando uma bomba numa maleta… se fosse filmado hoje, nesta “maravilha” de mundo politicamente correto que vivemos, o filme teria vários problemas… Temos até Brian De Palma brincando de Dario Argento, com o ponto de vista subjetivo na cena do meliante que tenta entrar na casa de Malone. Um puta trabalho de câmera!


Mas o ponto máximo de OS INTOCÁVEIS foi a cena da escadaria da Union Station, um misto de suspense e ação de cortar a respiração. Ness tenta capturar uma testemunha chave para o julgamento de Capone. O cerco armado. Uma mulher que acaba de chegar de viagem aparece com um carrinho de bebê e, com muita dificuldade, resolve subir a escadaria enquanto o local vai se enchendo de figuras ameaçadoras. Basta esses simples elementos em jogo para que De Palma bote para arregaçar num tiroteio desenfreado, cuidadosamente esculpido e editado, para servir tanto de atrativo para o público, demonstrando as façanhas dos Intocávais, quanto homenagem à uma das cenas mais famosas do cinema mudo, o massacre na escadaria do filme russo O ENCOURAÇADO DE POTENKIM, de Sergei Eisenstein.

Numa época em que eu não fazia idéia de quem era Brian De Palma, lá pelos meus dez anos, no início dos anos 90, tive contato com OS INTOCÁVEIS enquanto passava numa madrugada no Corujão da Globo e como não era sempre que eu podia dormir tão tarde, gravei em VHS. Aquela fita ficou até gasta de tantas vezes que passava no velho vídeo cassete quatro cabeças do meu velho. O filme não é nem o meu favorito do De Palma, mas acabo tendo uma ligação bem maior por conta da nostalgia, por ser um dos vários exemplares responsáveis por me fazer amar tanto o cinema.

11.11.11

OUTLAND - COMANDO TITÂNIO (1981)


O novo xerife chega à uma cidade mineradora e já começa a demonstrar serviço. Descobre irregularidades no trabalho de mineração, bate de frente com o dono do lugar, é ameaçado de morte, pistoleiros são contratados para se livrar dele num duelo mortal… é basicamente a trama de OUTLAND, uma típica história de um western americano como tantos outros. A grande sacada é que se trata de uma ficção científica que se aproveita perfeitamente de todo um conjunto de elementos do faroeste num cenário espacial futurista. Combinação pra lá de bacana!

A ação se passa em um dos satélites de júpiter, onde existe uma colônia de mineração explorada por uma grande corporação interessada em aumentar a produção à todo custo. Pra isso, promove o contrabando de uma droga extremamente forte que acelera a capacidade produtiva do ser humano por determinado tempo, mas depois ferra com o cérebro do sujeito. O’niel, vivido por Sean Connery totalmente badass, é o novo chefe de polícia do lugar que se depara com a situação e procura desmascarar toda a operação, tendo que enfrentar Mark Sheppard (Peter Boyle), o chefe do tráfico, e vários operários gananciosos.

Quando dois assassinos profissionais de fora são contratados para apagar O’Niel, a chegada da nave é acompanhada através dos painéis digitais espalhados pelo local, estabelecendo uma fascinante ligação com o western de Fred Zinnemann, MATAR OU MORRER: o xerife espera seus algozes e recusa-se a fugir, enquanto a cidade recusa-se a ajudá-lo. A mesmíssima coisa acontece aqui, com as devidas diferenças tecnológicas.

A direção de Peter Hyams - pai do promissor John Hyams - opta por sequências de ação bem contidas, sem grandes exageros, até verossímeis dentro do possível. A ação toda é concentrada na própria situação pelo qual o nosso cowboy espacial precisa enfrentar e a tensão que isso causa no público. Mas quando chega a hora do confronto, o filme também não decepciona. OUTLAND segue a linha das ficções científicas dos grandes estúdios do final dos anos 70/início dos 80, como ALIEN, e alguns cenários parecem saídos de 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO. A diferença é que não temos um monstro extraterrestre à solta, nem computadores com um parafuso à menos querendo assumir o controle de tudo. Aqui, mesmo no espaço, o grande perigo é o próprio homem.