25.7.10
24.7.10
JEAN ROLLIN - POETA DO HORROR
Confesso que preciso dar muita atenção ainda ao francês Jean Rollin. Meu primeiro contato com ele havia sido com o terrível ZOMBIE LAKE (1981), que na minha ingênua ignorância, coloquei a culpa pelo fracasso e cretinice do filme no diretor. Ainda continuo ingênuo e ignorante, mas melhorei um pouco de lá pra cá. Já considero o filme divertido, só que pelos motivos errados. Tem algumas das piores cenas de zumbis em ação que eu já vi, as maquiagens parecem ter sido feitas por uma criança, a trama é ridícula e chega a dar pena dos atores. Mas o negócio é não levar a sério, entrar no clima e dar boas risadas.
Só para dar mais informação, ZOMBIE LAKE era um projeto de outro diretor maluco, o Jess Franco, com todos os elementos característicos que só ele sabia trabalhar. O filme seria uma bomba de qualquer jeito, mas talvez não fosse tão ruim, já que Franco é mestre nesse tipo de coisa. Mas o sujeito desapareceu na véspera das filmagens e Jean Rollin foi chamado pelos produtores 6 horas antes de começar a rodar o filme!!! Acabou assinando como A. J. Lazer e ficou por isso mesmo.
Enfim, venho acumulando alguns filmes do Rollin por aqui, mas nada de parar para assistir. Ontem resolvi ver THE GRAPES OF DEATH (1978) e agora sim, pude contemplar o que o diretor é capaz. Trata-se de um poético zombie movie, filmado, creio eu, no interior da França, onde os contaminados surgem por causa de um novo pesticida utilizado em uma vinícola.
Quase não há diálogos e a trama pouco importa. Parece mais um sonho, que vai ficando cada vez mais denso. Uma jovem foge do trem por causa de um zumbi e vaga até seu destino enfrentando situações de puro terror com essas criaturas, percorrendo o belíssimo cenário. Em uma cena surreal, ela encontra a grande Brigitte Lahaie, e o que se segue a partir daí é simplesmente do cacete! O plano do zumbi beijando a cabeça decepada de uma mulher é apenas um dos pontos altos deste espetáculo grotesco. Muito bom mesmo!
Portanto, se alguém tiver interesse em iniciar a obra de Rollin, acho que THE GRAPES OF DEATH seria bem mais recondável que ZOMBIE LAKE...
Só para dar mais informação, ZOMBIE LAKE era um projeto de outro diretor maluco, o Jess Franco, com todos os elementos característicos que só ele sabia trabalhar. O filme seria uma bomba de qualquer jeito, mas talvez não fosse tão ruim, já que Franco é mestre nesse tipo de coisa. Mas o sujeito desapareceu na véspera das filmagens e Jean Rollin foi chamado pelos produtores 6 horas antes de começar a rodar o filme!!! Acabou assinando como A. J. Lazer e ficou por isso mesmo.
Enfim, venho acumulando alguns filmes do Rollin por aqui, mas nada de parar para assistir. Ontem resolvi ver THE GRAPES OF DEATH (1978) e agora sim, pude contemplar o que o diretor é capaz. Trata-se de um poético zombie movie, filmado, creio eu, no interior da França, onde os contaminados surgem por causa de um novo pesticida utilizado em uma vinícola.
Quase não há diálogos e a trama pouco importa. Parece mais um sonho, que vai ficando cada vez mais denso. Uma jovem foge do trem por causa de um zumbi e vaga até seu destino enfrentando situações de puro terror com essas criaturas, percorrendo o belíssimo cenário. Em uma cena surreal, ela encontra a grande Brigitte Lahaie, e o que se segue a partir daí é simplesmente do cacete! O plano do zumbi beijando a cabeça decepada de uma mulher é apenas um dos pontos altos deste espetáculo grotesco. Muito bom mesmo!
Portanto, se alguém tiver interesse em iniciar a obra de Rollin, acho que THE GRAPES OF DEATH seria bem mais recondável que ZOMBIE LAKE...
23.7.10
PAT GARRET & BILLY THE KID (1973), de Sam Peckinpah
E finalmente chega em minhas mãos o terceiro lançamento em DVD realizado pela LUME da obra de Bloody Sam, o belíssimo faroeste PAT GARRET & BILY THE KID, um exemplar fundamental para sentir toda a essência do cinema de Peckinpah. E só não é o melhor faroeste feito pelo diretor, porque Peckinpah é tão fod!@#$, que já havia realizado alguns anos antes o melhor western de todos os tempos, na minha opinião: MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA.
Adoro os westerns de John Ford, Budd Boetticher, Anthony Mann, Delmer Daves, Howard Hawks, etc, é inegável a importância dos filmes desses caras, mas pessoalmente sou apaixonado é pelo western dos anos 70, e final dos 60. E claro, os Spaghetti Westerns... mas estou me referindo ao cinema americano mesmo.
E PAT GARRET é lindo pra danar. A trama é bem simples, mas cheia de introspecção, situações complexas, personagens profundos. Peckinpah narra um dos duelos mais significantes do cinema, entre os personagens título, com uma sensibilidade impressionante, que contrasta com a violência característica de seus trabalhos e que também está presente neste aqui. James Coburn está soberbo na pele de Pat Garret, um ex-bandido que agora trabalha do lado da lei e precisa prender o seu ex-parceiro, Billy, vivido pelo Kris Kristofferson.
E temos o bom e velho Bob Dylan, emprestando sua voz na excepcional trilha sonora e marcando presença também como ator. Aliás, há um tópico interessante na biografia de Bob que retrata justamente as filmagens de PAT GARRET. Dizia que Peckinpah realizou o filme completamente bêbado e surtado, atirando nos espelhos e mandando os atores repetirem as cenas cem milhões de vezes!!! Uma pena o diretor ter perdido a vida justamente pelas complicações causadas pela bebida, mas se era assim que a coisa funcionava para ele na hora do “vamos ver”, ao menos deixou umas quatro ou cinco obras primas incontestáveis. PAT GARRET com certeza é uma delas.
Adoro os westerns de John Ford, Budd Boetticher, Anthony Mann, Delmer Daves, Howard Hawks, etc, é inegável a importância dos filmes desses caras, mas pessoalmente sou apaixonado é pelo western dos anos 70, e final dos 60. E claro, os Spaghetti Westerns... mas estou me referindo ao cinema americano mesmo.
E PAT GARRET é lindo pra danar. A trama é bem simples, mas cheia de introspecção, situações complexas, personagens profundos. Peckinpah narra um dos duelos mais significantes do cinema, entre os personagens título, com uma sensibilidade impressionante, que contrasta com a violência característica de seus trabalhos e que também está presente neste aqui. James Coburn está soberbo na pele de Pat Garret, um ex-bandido que agora trabalha do lado da lei e precisa prender o seu ex-parceiro, Billy, vivido pelo Kris Kristofferson.
E temos o bom e velho Bob Dylan, emprestando sua voz na excepcional trilha sonora e marcando presença também como ator. Aliás, há um tópico interessante na biografia de Bob que retrata justamente as filmagens de PAT GARRET. Dizia que Peckinpah realizou o filme completamente bêbado e surtado, atirando nos espelhos e mandando os atores repetirem as cenas cem milhões de vezes!!! Uma pena o diretor ter perdido a vida justamente pelas complicações causadas pela bebida, mas se era assim que a coisa funcionava para ele na hora do “vamos ver”, ao menos deixou umas quatro ou cinco obras primas incontestáveis. PAT GARRET com certeza é uma delas.
22.7.10
ACTION JACKSON (1988), de Craig R. Baxley
Esta semana tive o prazer de rever este CLÁSSICO do cinema de ação policial, truculento até o talo, realizado em pleno calor dos anos 80!!! E um filme que possui a palavra “action” no título tem mais que a obrigação de alegrar o coração dos pobres infelizes que curtem esse tipo de produção, como é o meu caso... e ACTION JACKSON está longe de decepcionar!
E pra quem aprecia frases badass de efeito então, será agraciado com um bônus. O roteirista Robert Reneau desenvolveu uma trama simples, que não possui nada que já não tenhamos visto antes, mas em compensação, estava inspiradíssimo quando criou situações recheadas de taglines de rachar o bico! Logo no início, por exemplo, dois policiais prendem um trombadinha e, enquanto o levam para delegacia, descrevem Jericho “Action” Jackson, o sujeito mais casca grossa da polícia de Detroit, para amedrontar o pobre rapaz:
GENIAL!!! ACTION JACKSON bate recordes em frases como essas! Algumas são tão ridículas que chegam a desconcertar o espectador.
Mas quem é o tal "Action" Jackson? A honra de encarnar o protagonista foi concedida ao ator Carl Weathers, o Apollo de ROCKY. Em seus primeiros momentos, percebe-se que o sujeito tem um histórico tremendo como policial. Uma fama desgraçada de tira durão e que faz a bandidagem tremer nas calças. Ficamos sabendo logo de cara que Jackson foi rebaixado recentemente de Tenente à sargento. Por que? Porque ele cortou fora a mão de um pedófilo!!! E ainda deu a desculpa de que “o sujeito tinha outra mão de reserva”. Estamos diante da truculência em pessoa.
É como se ACTION JACKSON fosse continuação de um primeiro filme que não existe. O tal bandido que perdeu a mão, na verdade, nem aparece, mas seu pai, vivido por Craig T. Nelson, assume o posto de vilão da estória. E nós já sabemos subitamente que ele é o bandidão, pois ele possui ninguém menos que Al Leong como motorista de sua limosine.
A trama, como já disse, é a básica dos filmes de ação oitentista. “Action” Jackson suspeita que quem está eliminando os chefes dos sindicatos é o poderoso Nelson. Então começa a investigar, acaba se metendo onde não deve, envolve-se com a esposa do bandido, depois com sua amante, cai numa tramóia e vira suspeito de assassinato, precisa agora pegar o bandido e ainda por cima provar que não cometeu crime algum, etc, etc... uma coisa linda!
Mas o que conta mesmo são as situações criadas pelo roteiro. A primeira cena de ação que acontece pra valer envolvendo Jackson, creio eu que seja a primeira perseguição de carro em alta velocidade com o herói correndo a pé!!! Vejam bem, não é como OPERAÇÃO FRANÇA II, onde Gene Hackman corre atrás do vilão, bufando, persistindo e, por sorte, consegue atingir uma bala na testa de Fernando Rey que já estava se sentindo seguro dentro de um barco. Aqui, Jackson corre alguns quarteirões perseguindo um táxi, mas lado a lado com ele, em alta velocidade!!! E mais, ainda na mesma velocidade, ele consegue pegar impulso e pular no teto do veículo em movimento. Eu já virei fã!
Em uma cena mais adiante, após ser acorrentado e quase cremado vivo, Jackson consegue se libertar, troca tiro com os bandidos, mas antes de fazer um deles de churrasco, questiona: “Como prefere suas costelas?!?!” Sensacional! No climax do filme, numa festa na mansão do vilão, "Action" precisa agir logo para chegar no quarto de Nelson, onde ele pretende matar sua amante. O nosso herói não pensa duas vezes quando vê um dos carros fabricado pelas empresas de Nelson. O sujeito entra no carro, invade a casa (!), sobe as ESCADAS (!!), percorre o estreito corredor do segundo andar (!!!) e adentra o quarto de carro e tudo!!! Acho que nunca teremos na vida, outra cena como essa num filme.
Logo em seguida, Jackson parte no mano a mano com o vilão. E o páreo é duro! Mas tudo bem. Uma cena antes mostra que Nelson é praticante de artes marciais, e dos bons! Mas ninguém consegue é tirar os olhos do carro estacionado ao lado da cama...
Craig T. Nelson faz um ótimo vilão. Desprezível e arrogante e muito convincente. Todo o elenco é excelente, na verdade. Carl Weathers nasceu para o papel de "Action" Jackson! Ainda temos uma boa Sharon Stone; Robert Davi arrebentando em sua pequena participação; Bill Duke fazendo o chefe de polícia; e temos a cantora Vanity, belíssima e muito sexy, mas bem chata também. Ela contribui bastante soltando com demasiada frequência várias frases de efeitos escritos especialmente pra ela.
Ainda não falei de Craig R. Baxley, que fazia aqui sua estréia como diretor de cinema. Havia realizado apenas alguns episódios de ESQUADRÃO CLASSE A. Baxley era dublê, deve ter conhecido Weathers nos sets de PREDADOR, onde trabalhou. Mas parece que sua carreira atrás das câmeras não foi muito pra frente no cinema, embora tenha realizado STONE COLD, que em breve receberá alguns comentários por aqui. Desconheço sua carreira dirigindo séries, que é o que faz atualmente. Mas bem que ele podia estar fazendo mais uns filmes B de ação no estilo de ACTION JACKSON!
E pra quem aprecia frases badass de efeito então, será agraciado com um bônus. O roteirista Robert Reneau desenvolveu uma trama simples, que não possui nada que já não tenhamos visto antes, mas em compensação, estava inspiradíssimo quando criou situações recheadas de taglines de rachar o bico! Logo no início, por exemplo, dois policiais prendem um trombadinha e, enquanto o levam para delegacia, descrevem Jericho “Action” Jackson, o sujeito mais casca grossa da polícia de Detroit, para amedrontar o pobre rapaz:
- Hey man, what's gon' happen to me?
- Oh, nothing. Uh, wel-nothing much, uh... you might have to endure a little session with, uh, Action Jackson.
- Wh-who's Axon...?
- “Action”, “Action” Jackson.
- Yeah, some say he didn't even have a mother. That some researchers at NASA created him to be the first man to walk on the moon without a space suit.
- Others say his mother was molested by Bigfoot and, uh, Jackson is their mutant offspring.
- They bring in Jackson when they want to re-educate some young ne'er-do-well such as yourself, Albert.
- Yeah, I remember one kid got re-educated so bad, his testicles climbed back up into his belly. Wouldn't come out.
- They called it a medical miracle.
- Yeah. Another kid, handcuffed to a chair; gnawed his own hand off like a trapped skunk, or wolverine, or somethin'.
GENIAL!!! ACTION JACKSON bate recordes em frases como essas! Algumas são tão ridículas que chegam a desconcertar o espectador.
Mas quem é o tal "Action" Jackson? A honra de encarnar o protagonista foi concedida ao ator Carl Weathers, o Apollo de ROCKY. Em seus primeiros momentos, percebe-se que o sujeito tem um histórico tremendo como policial. Uma fama desgraçada de tira durão e que faz a bandidagem tremer nas calças. Ficamos sabendo logo de cara que Jackson foi rebaixado recentemente de Tenente à sargento. Por que? Porque ele cortou fora a mão de um pedófilo!!! E ainda deu a desculpa de que “o sujeito tinha outra mão de reserva”. Estamos diante da truculência em pessoa.
É como se ACTION JACKSON fosse continuação de um primeiro filme que não existe. O tal bandido que perdeu a mão, na verdade, nem aparece, mas seu pai, vivido por Craig T. Nelson, assume o posto de vilão da estória. E nós já sabemos subitamente que ele é o bandidão, pois ele possui ninguém menos que Al Leong como motorista de sua limosine.
A trama, como já disse, é a básica dos filmes de ação oitentista. “Action” Jackson suspeita que quem está eliminando os chefes dos sindicatos é o poderoso Nelson. Então começa a investigar, acaba se metendo onde não deve, envolve-se com a esposa do bandido, depois com sua amante, cai numa tramóia e vira suspeito de assassinato, precisa agora pegar o bandido e ainda por cima provar que não cometeu crime algum, etc, etc... uma coisa linda!
Mas o que conta mesmo são as situações criadas pelo roteiro. A primeira cena de ação que acontece pra valer envolvendo Jackson, creio eu que seja a primeira perseguição de carro em alta velocidade com o herói correndo a pé!!! Vejam bem, não é como OPERAÇÃO FRANÇA II, onde Gene Hackman corre atrás do vilão, bufando, persistindo e, por sorte, consegue atingir uma bala na testa de Fernando Rey que já estava se sentindo seguro dentro de um barco. Aqui, Jackson corre alguns quarteirões perseguindo um táxi, mas lado a lado com ele, em alta velocidade!!! E mais, ainda na mesma velocidade, ele consegue pegar impulso e pular no teto do veículo em movimento. Eu já virei fã!
Em uma cena mais adiante, após ser acorrentado e quase cremado vivo, Jackson consegue se libertar, troca tiro com os bandidos, mas antes de fazer um deles de churrasco, questiona: “Como prefere suas costelas?!?!” Sensacional! No climax do filme, numa festa na mansão do vilão, "Action" precisa agir logo para chegar no quarto de Nelson, onde ele pretende matar sua amante. O nosso herói não pensa duas vezes quando vê um dos carros fabricado pelas empresas de Nelson. O sujeito entra no carro, invade a casa (!), sobe as ESCADAS (!!), percorre o estreito corredor do segundo andar (!!!) e adentra o quarto de carro e tudo!!! Acho que nunca teremos na vida, outra cena como essa num filme.
Logo em seguida, Jackson parte no mano a mano com o vilão. E o páreo é duro! Mas tudo bem. Uma cena antes mostra que Nelson é praticante de artes marciais, e dos bons! Mas ninguém consegue é tirar os olhos do carro estacionado ao lado da cama...
Craig T. Nelson faz um ótimo vilão. Desprezível e arrogante e muito convincente. Todo o elenco é excelente, na verdade. Carl Weathers nasceu para o papel de "Action" Jackson! Ainda temos uma boa Sharon Stone; Robert Davi arrebentando em sua pequena participação; Bill Duke fazendo o chefe de polícia; e temos a cantora Vanity, belíssima e muito sexy, mas bem chata também. Ela contribui bastante soltando com demasiada frequência várias frases de efeitos escritos especialmente pra ela.
Ainda não falei de Craig R. Baxley, que fazia aqui sua estréia como diretor de cinema. Havia realizado apenas alguns episódios de ESQUADRÃO CLASSE A. Baxley era dublê, deve ter conhecido Weathers nos sets de PREDADOR, onde trabalhou. Mas parece que sua carreira atrás das câmeras não foi muito pra frente no cinema, embora tenha realizado STONE COLD, que em breve receberá alguns comentários por aqui. Desconheço sua carreira dirigindo séries, que é o que faz atualmente. Mas bem que ele podia estar fazendo mais uns filmes B de ação no estilo de ACTION JACKSON!
18.7.10
ASSASSINOS DE ELITE (The Killer Elite, 1975), de Sam Peckinpah
Neste fim de semana chegou aqui em minhas mãos outro filme do mestre Sam Peckinpah lançado em DVD pela LUME, que eu havia comentado na semana passada. Trata-se de THE KILLER ELITE, ou ASSASSINOS DE ELITE, como foi intitulado pela distribuidora. Agora falta chegar o belíssimo western PAT GARRET & BILLY THE KID, também lançado recentemente pelo mesmo selo.
Apesar da festa com os lançamentos destes filmes do diretor, este aqui em especial nunca recebeu a devida atenção pela crítica e público. No Brasil, se não estou enganado, nunca havia sido lançado em vídeo. Até o próprio Peckinpah o considerava meio maldito. Ok, o filme não é uma obra prima, não chega ao nível de ALFREDO GARCIA, STRAW DOGS ou WILD BUNCH, mas não deixa de ser um puta filme de ação setentista, dirigido brilhantemente, com um elenco de primeira encabeçado por James Caan e Robert Duvall, e para coroar, além das habituais cenas de ação “peckinpanianas” realizadas com maestria, possui cenas de lutas com ninjas chineses!!! Sensacional!!!
Alguém confirme, por favor, se esses ninjas eram chineses mesmo, mas só por esse “pequeno” detalhe, THE KILLER ELITE já merecia entrar na lista de filmes obrigatórios do diretor.
Na época da produção, Peckinpah já era o diretor marginal, bêbado e problemático que todos nós conhecemos. Mesmo assim, o chefe da United Artists naquele período, Mike Medavoy, acreditava na capacidade do diretor e achou que o projeto era perfeito para o homem. Então deu a ele essa oportunidade, contanto que o trabalho fosse supervisionado pelo próprio Medavoy. Aparentemente, Peckinpah aceitou...
Acabei não revendo THE KILLER ELITE para um texto mais detalhado, mas mesmo assim vale comentar. A estória é bem simples e não passa da boa e velha trama de vingança. Duvall é o traidor que deixa James Caan praticamente morto após executarem um serviço mercenário. Caan acaba tendo sérias sequelas, mas esforça para se recuperar e poder efetuar sua desejada vingança. E para isso conta com a ajuda de alguns sujeitos de sua confiança, interpretados por Burt Young e Bo Hopkins.
A força do filme se constrói de forma cadenciada nesse conflito entre Caan e Duvall, sem muita ação. E talvez por isso o grande público tenha esquecido e ignorado o filme. Na verdade, THE KILLER ELITE realmente sofre um bocado com o ritmo e outros equívocos, mas à medida em que caminha para o final a coisa vai ficando melhor, mais movimentado, a tensão aumenta e entram em cena os ninjas para um gran finale altamente bizarro e divertido! É uma preciosidade que merece ser vista, nem que seja para comprovar que até um filme menor de ação dos anos 70 é muito superior a 95% dos filmes do gênero realizado hoje.
Apesar da festa com os lançamentos destes filmes do diretor, este aqui em especial nunca recebeu a devida atenção pela crítica e público. No Brasil, se não estou enganado, nunca havia sido lançado em vídeo. Até o próprio Peckinpah o considerava meio maldito. Ok, o filme não é uma obra prima, não chega ao nível de ALFREDO GARCIA, STRAW DOGS ou WILD BUNCH, mas não deixa de ser um puta filme de ação setentista, dirigido brilhantemente, com um elenco de primeira encabeçado por James Caan e Robert Duvall, e para coroar, além das habituais cenas de ação “peckinpanianas” realizadas com maestria, possui cenas de lutas com ninjas chineses!!! Sensacional!!!
Alguém confirme, por favor, se esses ninjas eram chineses mesmo, mas só por esse “pequeno” detalhe, THE KILLER ELITE já merecia entrar na lista de filmes obrigatórios do diretor.
Na época da produção, Peckinpah já era o diretor marginal, bêbado e problemático que todos nós conhecemos. Mesmo assim, o chefe da United Artists naquele período, Mike Medavoy, acreditava na capacidade do diretor e achou que o projeto era perfeito para o homem. Então deu a ele essa oportunidade, contanto que o trabalho fosse supervisionado pelo próprio Medavoy. Aparentemente, Peckinpah aceitou...
Acabei não revendo THE KILLER ELITE para um texto mais detalhado, mas mesmo assim vale comentar. A estória é bem simples e não passa da boa e velha trama de vingança. Duvall é o traidor que deixa James Caan praticamente morto após executarem um serviço mercenário. Caan acaba tendo sérias sequelas, mas esforça para se recuperar e poder efetuar sua desejada vingança. E para isso conta com a ajuda de alguns sujeitos de sua confiança, interpretados por Burt Young e Bo Hopkins.
A força do filme se constrói de forma cadenciada nesse conflito entre Caan e Duvall, sem muita ação. E talvez por isso o grande público tenha esquecido e ignorado o filme. Na verdade, THE KILLER ELITE realmente sofre um bocado com o ritmo e outros equívocos, mas à medida em que caminha para o final a coisa vai ficando melhor, mais movimentado, a tensão aumenta e entram em cena os ninjas para um gran finale altamente bizarro e divertido! É uma preciosidade que merece ser vista, nem que seja para comprovar que até um filme menor de ação dos anos 70 é muito superior a 95% dos filmes do gênero realizado hoje.
15.7.10
OS CÃES DE GUERRA (The Dogs of War, 1980), de John Irvin
Julgar um filme pelo poster não é bom. Mas no caso de THE DOGS OF WAR, o cartaz aí em cima realmente conseguiu me enganar. Na minha cabeça tratava-se de mais uma daquelas produções de guerra recheadas de ação exagerada, tiroteios intermináveis, alta contagem de corpos e explosões a cada cinco minutos. Não é nada disso. Se quiserem algo do nível, também estrelado pelo Christophen Walken, recomendo este aqui. Ou se quiserem mais ação do diretor John Irvin, recomendo este outro aqui.
O mais próximo deste tom que THE DOGS OF WAR chega é nos último 15 minutos, e mesmo assim o diretor, que fazia sua estréia na direção para cinema, tenta manter a ação de seu filme dentro dos limites da realidade, sem os exageros habituais do gênero naquele período. Irvin dizia que pela sua experiência em filmar batalhas reais para a televisão nos anos sessenta, durante a guerra do Vietnã, possibilitou uma visão apurada de como as coisas aconteciam. E realmente, as cenas de combate são muito bem filmadas. A do final é mais voltada à ação mesmo, mas logo no início temos um belíssimo plano de um avião decolando com um bombardeio muito perto... uma visão e tanto (claro que com a fotografia genial de Jack Cardiff a coisa fica bem mais fácil)!
Mas o que sobra de filme até que chegue a ação final está muito longe de ser tempo desperdiçado. Muito pelo contrário. Estamos diante de um filmaço, autêntico representante do subgênero "Men in a Mission" com elementos de espionagem. Baseado numa obra de Frederick Forsythe, THE DOGS OF WAR conta a estória de um grupo de mercenários contratado para derrubar um ditador num pequeno país fictício africano. No elenco temos o já citado Christopher Walken como o protagonista e alguns nomes ainda desconhecidos àquela altura, como Tom Berenger, Paul Freeman e até Ed O'Neill, da série MARRIED... WITH CHILDREN.
Quando uma grande corporação decide investir em diamantes na pequena Zangaro, na África, eles enviam o ex-combatente de guerra Shannon (Walken) para fazer um reconhecimento de campo, saber a real situação do país sob o comando de um maluco que pode muito bem servir de reflexo de muitos governantes que já estiveram, e ainda estão, no poder em vários países africanos, americanos, asiáticos, etc.
Como a situação por lá anda de mal a pior, o relatório de Shannon conclui que fazer negócio com aquele país é sujeira. Aí que surge a brilhante idéia da companhia, juntamente com um outro representante político daquele país, que se encontra exilado, tão maluco quanto o que já está no poder, em pagar um grupo de mercenários, liderado por Shannon, para invadir o país e derrubar o atual presidente.
A parte burocrática do filme começa a partir daí: reuniões do grupo de mercenários, planos de guerra, compras de armamento, barco para a invasão, etc, etc, tudo detalhado de maneira bem esquemática. Algo que provavelmente no novo filme do Stallone deve acontecer em 5 minutos. Aqui ocupa quase metade da duração. Além disso, o roteiro encaixa um problema matrimonial na vida de Shannon para dar mais complexidade ao personagem.
Tudo isso torna THE DOGS OF WAR interessante, poderia ser um pouco mais enxuto, na minha opinião, mas não deixa de ser bacana a forma como Irvin faz um orgânico jogo de espionagem durante o planejamento dos mercenários, enquanto a ação não explode. O filme não deixa de ser também um inteligente retrato do poder e ditadura, se visto com mais calma. além do mais, é sempre um prazer acompanhar o desempenho de Christopher Walken, já esbanjando talento e presença em qualquer produção que encarava.
O mais próximo deste tom que THE DOGS OF WAR chega é nos último 15 minutos, e mesmo assim o diretor, que fazia sua estréia na direção para cinema, tenta manter a ação de seu filme dentro dos limites da realidade, sem os exageros habituais do gênero naquele período. Irvin dizia que pela sua experiência em filmar batalhas reais para a televisão nos anos sessenta, durante a guerra do Vietnã, possibilitou uma visão apurada de como as coisas aconteciam. E realmente, as cenas de combate são muito bem filmadas. A do final é mais voltada à ação mesmo, mas logo no início temos um belíssimo plano de um avião decolando com um bombardeio muito perto... uma visão e tanto (claro que com a fotografia genial de Jack Cardiff a coisa fica bem mais fácil)!
Mas o que sobra de filme até que chegue a ação final está muito longe de ser tempo desperdiçado. Muito pelo contrário. Estamos diante de um filmaço, autêntico representante do subgênero "Men in a Mission" com elementos de espionagem. Baseado numa obra de Frederick Forsythe, THE DOGS OF WAR conta a estória de um grupo de mercenários contratado para derrubar um ditador num pequeno país fictício africano. No elenco temos o já citado Christopher Walken como o protagonista e alguns nomes ainda desconhecidos àquela altura, como Tom Berenger, Paul Freeman e até Ed O'Neill, da série MARRIED... WITH CHILDREN.
Quando uma grande corporação decide investir em diamantes na pequena Zangaro, na África, eles enviam o ex-combatente de guerra Shannon (Walken) para fazer um reconhecimento de campo, saber a real situação do país sob o comando de um maluco que pode muito bem servir de reflexo de muitos governantes que já estiveram, e ainda estão, no poder em vários países africanos, americanos, asiáticos, etc.
Como a situação por lá anda de mal a pior, o relatório de Shannon conclui que fazer negócio com aquele país é sujeira. Aí que surge a brilhante idéia da companhia, juntamente com um outro representante político daquele país, que se encontra exilado, tão maluco quanto o que já está no poder, em pagar um grupo de mercenários, liderado por Shannon, para invadir o país e derrubar o atual presidente.
A parte burocrática do filme começa a partir daí: reuniões do grupo de mercenários, planos de guerra, compras de armamento, barco para a invasão, etc, etc, tudo detalhado de maneira bem esquemática. Algo que provavelmente no novo filme do Stallone deve acontecer em 5 minutos. Aqui ocupa quase metade da duração. Além disso, o roteiro encaixa um problema matrimonial na vida de Shannon para dar mais complexidade ao personagem.
Tudo isso torna THE DOGS OF WAR interessante, poderia ser um pouco mais enxuto, na minha opinião, mas não deixa de ser bacana a forma como Irvin faz um orgânico jogo de espionagem durante o planejamento dos mercenários, enquanto a ação não explode. O filme não deixa de ser também um inteligente retrato do poder e ditadura, se visto com mais calma. além do mais, é sempre um prazer acompanhar o desempenho de Christopher Walken, já esbanjando talento e presença em qualquer produção que encarava.
13.7.10
MARCADO PARA A MORTE (Marked for Death, 1990), de Dwight H. Little
Mais conhecido pelos admiradores do Steven Seagal como “o filme em que ele enfrenta traficantes jamaicanos macumbeiros”, MARCADO PARA A MORTE é o terceiro dos quatro primeiros filmes do ator e que correspondem à fase de ouro de sua filmografia, ou seja, produções com um nível de qualidade interessante que independente de ser o Seagal o protagonista, renderiam ótimos exemplares de ação casca grossa. O único que faltava para eu comentar aqui no blog era este aqui. Os outros três são NICO, DIFÍCIL DE MATAR e FÚRIA MORTAL.
MARCADO PARA MORTE não podia começar de forma melhor. Seagal perseguindo a pé (correndo com sua típica movimentação de braços que lembra uma mocinha correndo do namorado) ninguém menos que Danny Trejo, numa pequena participação, quando nem sonhava que estrelaria um filme chamado MACHETE, o qual esperamos ansiosamente. Aliás, teremos a honra de ver um reencontro entre ele e o Seagal, já que este marcará presença como um vilão, aparentemente.
Voltando a MARCADO PARA A MORTE, não demora muito para descobrirmos que o ator de rabinho de cavalo é o policial John Hatcher e que está trabalhando disfarçado em uma missão perigosa para desmascarar uns traficantes mexicanos. A operação dá toda errada e o nosso herói tem que se virar para sair do local, um puteiro mexicano, com a carcaça intacta, atirando, cortando pescoços com um facão e abrindo caminho a golpes de Aikido.
Uma pena que seu parceiro não tenha a mesma sorte. Em uma cena genial, o sujeito dá bobeira em frente a uma prostituta nua e esta o crava de balas. Seagal não pensa duas vezes, mesmo sem ver seu alvo atrás da porta, e atira também, mandando a pobre moça pro outro mundo. Tudo isso deixa Hatcher muito transtornado. E para resumir a descrição da trama, digamos apenas que o personagem se aposenta da polícia e tenta arranjar um lugar de paz para viver junto de sua irmã e sobrinha em uma cidade mais tranquila. Isso tudo com dez minutos de filme.
Como sabemos que não vamos ter nenhum filminho familiar estrelado por Steven Seagal, podem ter certeza que ele encontra de tudo no local, menos a paz e tranqüilidade que tanto almeja. A encrenca surge quando Hatcher começa a reparar na ação de uns traficantes jamaicanos e depois de algumas situações, resolve agir por conta própria para limpar a cidade, contando com a ajuda de um velho amigo que ele reencontra depois de muitos anos, interpretado pelo sempre ótimo Keith David (aquele mesmo que luta durante 50 minutos contra o Roddy Piper em ELES VIVEM, de Jonh Carpenter).
A direção desses primeiros filmes do Seagal é sempre de gente, no mínimo, competente. Dwight H. Little, que realizou HALLOWEEN 4, o último bom filme da série, e o excelente veículo de ação de Brandon Lee, RAJADA DE FOGO, é o homem que comanda por trás das câmeras em MARCADO PARA A MORTE. Talvez ele tenha sido responsável por alguns detalhes que tornam o filme ainda mais interessante. Porque de Steven Seagal temos o mais do mesmo. Claro que eu adoro vê-lo fazendo esse personagem badass que não dá mole para a bandidagem e basicamente repete o mesmo papel de sempre, com algumas variações. Mas o que diferencia este aqui dos demais é maneira como o diretor utiliza da violência. É provável que seja o filme mais sanguinolento e visceral de Steven Seagal. Vê-lo quebrando braços de meliante é algo bacana, agora, assistir em detalhes o osso partindo, é melhor tirar as crianças da sala...
E Seagal está extremamente sádico neste aqui. Os bandidos, a certa altura, mexem com a família do cara errado e Hatcher parte com tudo pra cima deles. Execuções à sangue frio, braços decepados, cabeças cortadas, olhos perfurados com os dedos, espinhas partidas ao meio com joelho, são alguns exemplos do que o homem é capaz em toda sua fúria. Os vilões jamaicanos também são um destaque a parte, acrescentando um tom mais sinistro ao filme com algumas sequências de vodu, sacrifícios humanos e elementos de magia negra. Basil Wallace, que encarna o líder jamaicano é de dar medo. O sujeito é muito expressivo e sua aparição no final, após uma reviravolta das boas, é uma grande sacada do roteiro e garante ainda mais algumas cenas de pura diversão!
Na minha modesta opinião, MARCADO PARA A MORTE fica atrás daqueles que citei da fase de ouro do Seagal. Mas é algo pessoal. Para o meu amigo Herax, por exemplo, DIFÍCIL DE MATAR fica em último entre os quatro. As posições variam de acordo com cada um, é lógico. Mas é inegável o fato de que os quatro filmes possuem quase o mesmo nível de qualidade e qualquer fã de cinema de ação old school tem mais que a obrigação de assisti-los!
MARCADO PARA MORTE não podia começar de forma melhor. Seagal perseguindo a pé (correndo com sua típica movimentação de braços que lembra uma mocinha correndo do namorado) ninguém menos que Danny Trejo, numa pequena participação, quando nem sonhava que estrelaria um filme chamado MACHETE, o qual esperamos ansiosamente. Aliás, teremos a honra de ver um reencontro entre ele e o Seagal, já que este marcará presença como um vilão, aparentemente.
Voltando a MARCADO PARA A MORTE, não demora muito para descobrirmos que o ator de rabinho de cavalo é o policial John Hatcher e que está trabalhando disfarçado em uma missão perigosa para desmascarar uns traficantes mexicanos. A operação dá toda errada e o nosso herói tem que se virar para sair do local, um puteiro mexicano, com a carcaça intacta, atirando, cortando pescoços com um facão e abrindo caminho a golpes de Aikido.
Uma pena que seu parceiro não tenha a mesma sorte. Em uma cena genial, o sujeito dá bobeira em frente a uma prostituta nua e esta o crava de balas. Seagal não pensa duas vezes, mesmo sem ver seu alvo atrás da porta, e atira também, mandando a pobre moça pro outro mundo. Tudo isso deixa Hatcher muito transtornado. E para resumir a descrição da trama, digamos apenas que o personagem se aposenta da polícia e tenta arranjar um lugar de paz para viver junto de sua irmã e sobrinha em uma cidade mais tranquila. Isso tudo com dez minutos de filme.
Como sabemos que não vamos ter nenhum filminho familiar estrelado por Steven Seagal, podem ter certeza que ele encontra de tudo no local, menos a paz e tranqüilidade que tanto almeja. A encrenca surge quando Hatcher começa a reparar na ação de uns traficantes jamaicanos e depois de algumas situações, resolve agir por conta própria para limpar a cidade, contando com a ajuda de um velho amigo que ele reencontra depois de muitos anos, interpretado pelo sempre ótimo Keith David (aquele mesmo que luta durante 50 minutos contra o Roddy Piper em ELES VIVEM, de Jonh Carpenter).
A direção desses primeiros filmes do Seagal é sempre de gente, no mínimo, competente. Dwight H. Little, que realizou HALLOWEEN 4, o último bom filme da série, e o excelente veículo de ação de Brandon Lee, RAJADA DE FOGO, é o homem que comanda por trás das câmeras em MARCADO PARA A MORTE. Talvez ele tenha sido responsável por alguns detalhes que tornam o filme ainda mais interessante. Porque de Steven Seagal temos o mais do mesmo. Claro que eu adoro vê-lo fazendo esse personagem badass que não dá mole para a bandidagem e basicamente repete o mesmo papel de sempre, com algumas variações. Mas o que diferencia este aqui dos demais é maneira como o diretor utiliza da violência. É provável que seja o filme mais sanguinolento e visceral de Steven Seagal. Vê-lo quebrando braços de meliante é algo bacana, agora, assistir em detalhes o osso partindo, é melhor tirar as crianças da sala...
E Seagal está extremamente sádico neste aqui. Os bandidos, a certa altura, mexem com a família do cara errado e Hatcher parte com tudo pra cima deles. Execuções à sangue frio, braços decepados, cabeças cortadas, olhos perfurados com os dedos, espinhas partidas ao meio com joelho, são alguns exemplos do que o homem é capaz em toda sua fúria. Os vilões jamaicanos também são um destaque a parte, acrescentando um tom mais sinistro ao filme com algumas sequências de vodu, sacrifícios humanos e elementos de magia negra. Basil Wallace, que encarna o líder jamaicano é de dar medo. O sujeito é muito expressivo e sua aparição no final, após uma reviravolta das boas, é uma grande sacada do roteiro e garante ainda mais algumas cenas de pura diversão!
Na minha modesta opinião, MARCADO PARA A MORTE fica atrás daqueles que citei da fase de ouro do Seagal. Mas é algo pessoal. Para o meu amigo Herax, por exemplo, DIFÍCIL DE MATAR fica em último entre os quatro. As posições variam de acordo com cada um, é lógico. Mas é inegável o fato de que os quatro filmes possuem quase o mesmo nível de qualidade e qualquer fã de cinema de ação old school tem mais que a obrigação de assisti-los!
11.7.10
COMANDO DELTA (The Delta Force, 1986), de Menahem Golan
Em tempos pós 11 de setembro de 2001, dificilmente veremos um filme novo utilizando terroristas árabes que sequestram um avião cheio de americanos como forma de entretenimento. Não quero iniciar discussões políticas, mas houve uma época que isso era muito comum. COMANDO DELTA, estrelado por dois machões do cinema de diferentes gerações, Lee Marvin e Chuck Norris, é um ótimo exemplo. Eu costumava assistir a esta belezinha diversas vezes quando era criança. Pra ser sincero, eu fui batizado com este tipo de filme... Saudades da boa época da TV aberta... mas foi uma experiência interessante revê-lo depois de tantos anos.
Já não me lembrava de muita coisa da trama, a não ser algumas sequências de ação lá do final, que era o que prendia minha atenção, mas ainda vamos chegar lá. A idéia para COMANDO DELTA do Sr. Menahem Golan, o grande nome por trás da extinta Cannon, é muito boa. Uma combinação bem divertida de filme de sequestro de avião com o cinema de ação exagerado dos anos 80, cuja representação encontra força no personagem de Chuck.
O enredo se resume a um avião que parte para os Estados Unidos e é seqüestrado por dois terroristas libaneses. Ao mesmo tempo, é acionado um esquadrão de elite para casos de sequestros, liderado por Lee Marvin, que parte ao encontro da situação para resolvê-la a qualquer custo, nem que seja à base de tiro de bazuca!
A primeira hora do filme se concentra no seqüestro, toda a sua burocracia e uma dose acima da média de dramaticidade para este tipo de filme. Que porcaria de filme de ação oitentista é esse em que os tiroteios e explosões só iniciam depois de uma hora? Dá pra acompanhar tranquilamente, mas não deixa de ser truncado demais. O bom é que quando a ação começa, segue frenética até o fim! Além disso, a bordo do avião temos de tudo um pouco para a alegria daqueles que adoram um clichezão: crianças choronas, uma mulher grávida, freiras suplicantes, um padre, a vítima indefesa que é espancada e até a aeromoça valentona. Mas o destaque mesmo fica por conta do elenco que desfila diante da tela. E isso me surpreendeu bastante, pois não lembrava dessa seleção de atores.
O piloto do avião é ninguém menos que Bo Svenson. Não seria uma surpresa pra mim se ele levantasse da cadeira e resolvesse a situação por conta própria, como um homem de ação que sempre foi, mas ele satisfaz apenas como comandante de vôo mesmo. George Kennedy é o padre; Martin Balsan e Shelley Winters vivem um casal de judeus e Robert Forster tem a complicada missão de tentar convencer o público que é um terrorista libanês!!! E até consegue bons resultados. Fora do avião, Robert Vaugh aparece discretamente como homem do governo e Steve James é um dos integrantes do esquadrão.
Lee Marvin tem aqui a sua última atuação. É até um pouco melancólico pra mim, vê-lo nesse personagem, porque além de ser o meu ator favorito, talvez tenha notado em sua honesta interpretação o arrependimento em estar terminando sua carreira numa produção B de ação que não se leva a sério. Claro que ele é um dos elementos essenciais de COMANDO DELTA e eu adoro o filme, mas pra ele que esteve sob a direção de grandes nomes como Fritz Lang, Sam Fuller, Robert Aldrich, John Boorman, Yves Boisset e muitos outros, não sei se ele estava lá muito satisfeito com isso. Os outros atores mais velhos como Balsan e Kennedy estavam ali pra se divertir e pegar um cheque para garantir que as contas do mês fossem pagas.
Assim como a ação final, outro detalhe praticamente ininterrupto é a trilha sonora patriótica de Alan Silvestre. Anos 80 puríssimo, embora fosse bem melhor aproveitada como música de abertura de programa esportivo, mas dá aquele tom tosco que o filme precisa pra divertir ainda mais os assíduos fãs deste tipo de produção.
Mas o melhor de COMANDO DELTA fica por conta mesmo de Chuck Norris, quando lá pelas tantas o filme se transforma num autêntico exemplar de ação desenfreada! E o ator fica muito mais à vontade para demonstrar todo seu talento e desenvoltura soltando frases de efeito, metralhando bandidos e fazendo pose ao mesmo tempo, distribuindo pancadas em terroristas, etc. Uma cena muito boa é a perseguição em alta velocidade pelas ruas de Beirute. Norris demonstrando boa pontaria dentro de uma combi em movimento, enquanto seus perseguidores aparentemente não conseguiriam acertá-lo nem se ele estivesse sentado no colo deles. Na sequência final o sujeito esbanja criatividade em cima de uma moto cheia de parafernálias bélicas, como metralhadoras e lança mísseis. Os terroristas devem ter pesadelos com Chuck Norris até hoje... aqueles que sobrviveram.
Mas vamos ser francos, o esquadrão Delta Force na verdade é bem problemático. O filme abre com uma missão fracassada e termina com o grupo especial triste por um dos integrantes ter perdido a vida em ação, embora os reféns do avião tenham sido libertados. No meio do filme, o próprio Lee Marvin põe tudo a perder atrapalhando uma movimentação para invadir enquanto o avião era abastecido em terra. Lógico que havia um motivo para a trapalhada, mas isso acarretou na morte de um dos reféns. Na hora de entrar em ação, os caras mandam bem, mas um pouco de organização tática ajudaria a não cometerem tantos erros.
Isso é pra mostrar quem nem tudo na vida é como gente gostaria que fosse, mas nem por isso devemos ficar abalados, não é mesmo? Que lição de moral mais cretina que eu arranjei aqui... Enfim, o esquadrão Delta Force ganhou outro filme poucos anos depois, mesmo com seu modo torto de agir: COMANDO DELTA 2, dirigido por Aaron Norris, irmão caçula de Chuck, agora sem o Lee Marvin no elenco, que morreu um ano depois de ter trabalhado neste aqui. Comentaremos sobre ele depois. Adiós!
Já não me lembrava de muita coisa da trama, a não ser algumas sequências de ação lá do final, que era o que prendia minha atenção, mas ainda vamos chegar lá. A idéia para COMANDO DELTA do Sr. Menahem Golan, o grande nome por trás da extinta Cannon, é muito boa. Uma combinação bem divertida de filme de sequestro de avião com o cinema de ação exagerado dos anos 80, cuja representação encontra força no personagem de Chuck.
O enredo se resume a um avião que parte para os Estados Unidos e é seqüestrado por dois terroristas libaneses. Ao mesmo tempo, é acionado um esquadrão de elite para casos de sequestros, liderado por Lee Marvin, que parte ao encontro da situação para resolvê-la a qualquer custo, nem que seja à base de tiro de bazuca!
A primeira hora do filme se concentra no seqüestro, toda a sua burocracia e uma dose acima da média de dramaticidade para este tipo de filme. Que porcaria de filme de ação oitentista é esse em que os tiroteios e explosões só iniciam depois de uma hora? Dá pra acompanhar tranquilamente, mas não deixa de ser truncado demais. O bom é que quando a ação começa, segue frenética até o fim! Além disso, a bordo do avião temos de tudo um pouco para a alegria daqueles que adoram um clichezão: crianças choronas, uma mulher grávida, freiras suplicantes, um padre, a vítima indefesa que é espancada e até a aeromoça valentona. Mas o destaque mesmo fica por conta do elenco que desfila diante da tela. E isso me surpreendeu bastante, pois não lembrava dessa seleção de atores.
O piloto do avião é ninguém menos que Bo Svenson. Não seria uma surpresa pra mim se ele levantasse da cadeira e resolvesse a situação por conta própria, como um homem de ação que sempre foi, mas ele satisfaz apenas como comandante de vôo mesmo. George Kennedy é o padre; Martin Balsan e Shelley Winters vivem um casal de judeus e Robert Forster tem a complicada missão de tentar convencer o público que é um terrorista libanês!!! E até consegue bons resultados. Fora do avião, Robert Vaugh aparece discretamente como homem do governo e Steve James é um dos integrantes do esquadrão.
Lee Marvin tem aqui a sua última atuação. É até um pouco melancólico pra mim, vê-lo nesse personagem, porque além de ser o meu ator favorito, talvez tenha notado em sua honesta interpretação o arrependimento em estar terminando sua carreira numa produção B de ação que não se leva a sério. Claro que ele é um dos elementos essenciais de COMANDO DELTA e eu adoro o filme, mas pra ele que esteve sob a direção de grandes nomes como Fritz Lang, Sam Fuller, Robert Aldrich, John Boorman, Yves Boisset e muitos outros, não sei se ele estava lá muito satisfeito com isso. Os outros atores mais velhos como Balsan e Kennedy estavam ali pra se divertir e pegar um cheque para garantir que as contas do mês fossem pagas.
Assim como a ação final, outro detalhe praticamente ininterrupto é a trilha sonora patriótica de Alan Silvestre. Anos 80 puríssimo, embora fosse bem melhor aproveitada como música de abertura de programa esportivo, mas dá aquele tom tosco que o filme precisa pra divertir ainda mais os assíduos fãs deste tipo de produção.
Mas o melhor de COMANDO DELTA fica por conta mesmo de Chuck Norris, quando lá pelas tantas o filme se transforma num autêntico exemplar de ação desenfreada! E o ator fica muito mais à vontade para demonstrar todo seu talento e desenvoltura soltando frases de efeito, metralhando bandidos e fazendo pose ao mesmo tempo, distribuindo pancadas em terroristas, etc. Uma cena muito boa é a perseguição em alta velocidade pelas ruas de Beirute. Norris demonstrando boa pontaria dentro de uma combi em movimento, enquanto seus perseguidores aparentemente não conseguiriam acertá-lo nem se ele estivesse sentado no colo deles. Na sequência final o sujeito esbanja criatividade em cima de uma moto cheia de parafernálias bélicas, como metralhadoras e lança mísseis. Os terroristas devem ter pesadelos com Chuck Norris até hoje... aqueles que sobrviveram.
Mas vamos ser francos, o esquadrão Delta Force na verdade é bem problemático. O filme abre com uma missão fracassada e termina com o grupo especial triste por um dos integrantes ter perdido a vida em ação, embora os reféns do avião tenham sido libertados. No meio do filme, o próprio Lee Marvin põe tudo a perder atrapalhando uma movimentação para invadir enquanto o avião era abastecido em terra. Lógico que havia um motivo para a trapalhada, mas isso acarretou na morte de um dos reféns. Na hora de entrar em ação, os caras mandam bem, mas um pouco de organização tática ajudaria a não cometerem tantos erros.
Isso é pra mostrar quem nem tudo na vida é como gente gostaria que fosse, mas nem por isso devemos ficar abalados, não é mesmo? Que lição de moral mais cretina que eu arranjei aqui... Enfim, o esquadrão Delta Force ganhou outro filme poucos anos depois, mesmo com seu modo torto de agir: COMANDO DELTA 2, dirigido por Aaron Norris, irmão caçula de Chuck, agora sem o Lee Marvin no elenco, que morreu um ano depois de ter trabalhado neste aqui. Comentaremos sobre ele depois. Adiós!
9.7.10
TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA (Bring me the Head of Alfredo Garcia, 1974), de Sam Peckinpah
A distribuidora LUME já ganhou o meu respeito. Lançou recentemente em DVD CRASH, do Cronenberg, e agora vem com TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCIA, a obra prima de Sam Peckinpah e um dos meus filmes favoritos de todos os tempos! E se preparem que vem mais por aí do diretor: o belo western PAT GARRET E BILLY THE KID e o subestimado THE KILLER ELITE. Ainda não tive tempo de colocar pra rodar o DVD de ALFREDO GARCIA, chegou ontem, mas vale a pena relembrar alguns detalhes memoráveis que tornam essa preciosidade uma das razões de existir uma tal arte chamada cinema!
A história de ALFREDO GARCIA começa bem antes das suas filmagens, com seu realizador se tornando famoso, não pelas obras que produzia, mas por um pequeno pormenor envolvendo álcool em excesso e problemas com executivos dos grandes estúdios. Acabou que ninguém mais queria investir numa produção que estivesse nas mãos do diretor maluco beberrão irresponsável. Como todo bom bandido de faroeste, partiu para o México onde realizou este que é o filme mais subversivo, melancólico e visceral de sua filmografia.
Foi no próprio diretor que Warren Oates se inspirou para compor o protagonista, Benny, um pianista americano frustrado que chegou ao fundo do poço numa cidadezinha mexicana e passa as noites tocando um órgão de bar para alegrar turistas. Mas a nossa trama começa em outro cenário, nas terras de um poderoso fazendeiro mexicano que descobre que Alfredo Garcia, um de seus empregados de confiança (que considerava um filho), engravidou sua filha. Puto da vida, o sujeito resolve dar uma gorda recompensa a quem trouxer, vivo ou morto, o pai da criança.
Aí que entra Benny. Em uma noite como outra qualquer, enchendo a cara e tocando alguns sucessos, como Guantanamera, em seu piano no bar, chega até ele um “casalzinho” de senhores arrumados, cabelinhos bem penteados, vestindo blazers com um grau de chiqueza acima do comum e oferecem a Benny uma quantia em dinheiro para que ele encontre Alfredo Garcia sem fazer muitas perguntas. Na situação em que se encontrava, acho que Benny venderia a própria mãe.
Contando com a ajuda da prostituta Elita (por quem o sujeito tem uma atração que vai além dos serviços que ela presta), que sabe do paradeiro de Alfredo Garcia, Benny aceita a missão e parte nessa jornada niilista pelo território mexicano em busca do pobre coitado (que já está morto e enterrado!). E a tensão só vai aumentando à medida que a viagem do casal se transforma num verdadeiro inferno. Após conseguir a cabeça do procurado, com direito a profanação de cova, Benny precisa retornar e não são apenas os caçadores de recompensas que querem botar as mãos no utensílio de Alfredo, mas também a família do pobre infeliz. Benny defende seu apetrecho com unhas e dentes.
Quanto mais ele mata, mais a loucura toma conta do personagem cujo desempenho de Warren Oates está em estado de graça! As cenas em que Benny dirige pelas estradas conversando e resmungando com a cabeça ao seu lado, dentro de um saco rodeado de moscas, além de impagáveis, demonstram todo estado de espírito de um personagem completamente perdido em seus atos!
Quando a violência finalmente explode de uma vez, o impacto é grande. É praticamente impossível desgrudar os olhos da tela. É aí que o diretor se sente mais à vontade para utilizar todos os artifícios pelo qual ganhou notoriedade: tiroteios em câmera lenta, derramamento de sangue e uma edição ousada que cria um resultado estranhamente belo. Não é à toa o apelido de “poeta da violência”.
Temos aqui o que há de melhor no cinema de ação peckinpaniano. Difícil um fã de cinema de ação não ser também admirador do trabalho de Sam Peckinpah. O sujeito praticamente reinventou o gênero com seus westerns e filmes de ação violentíssimos. Mas em ALFREDO GARCIA temos nas entrelinhas o que há de mais pessoal e circunstancial para Peckinpah naquela época. Não era apenas com uma puta direção de tiroteios em câmera lenta ou perseguições de carros alucinantes que ele fisga seu público, ele sabia exatamente como expressar todas suas frustrações, desilusões e visão de mundo com uma câmera. Se tratando então de Peckinpah, esse universo diegético pessimista deixa um estrago considerável.
A história de ALFREDO GARCIA começa bem antes das suas filmagens, com seu realizador se tornando famoso, não pelas obras que produzia, mas por um pequeno pormenor envolvendo álcool em excesso e problemas com executivos dos grandes estúdios. Acabou que ninguém mais queria investir numa produção que estivesse nas mãos do diretor maluco beberrão irresponsável. Como todo bom bandido de faroeste, partiu para o México onde realizou este que é o filme mais subversivo, melancólico e visceral de sua filmografia.
Foi no próprio diretor que Warren Oates se inspirou para compor o protagonista, Benny, um pianista americano frustrado que chegou ao fundo do poço numa cidadezinha mexicana e passa as noites tocando um órgão de bar para alegrar turistas. Mas a nossa trama começa em outro cenário, nas terras de um poderoso fazendeiro mexicano que descobre que Alfredo Garcia, um de seus empregados de confiança (que considerava um filho), engravidou sua filha. Puto da vida, o sujeito resolve dar uma gorda recompensa a quem trouxer, vivo ou morto, o pai da criança.
Aí que entra Benny. Em uma noite como outra qualquer, enchendo a cara e tocando alguns sucessos, como Guantanamera, em seu piano no bar, chega até ele um “casalzinho” de senhores arrumados, cabelinhos bem penteados, vestindo blazers com um grau de chiqueza acima do comum e oferecem a Benny uma quantia em dinheiro para que ele encontre Alfredo Garcia sem fazer muitas perguntas. Na situação em que se encontrava, acho que Benny venderia a própria mãe.
Contando com a ajuda da prostituta Elita (por quem o sujeito tem uma atração que vai além dos serviços que ela presta), que sabe do paradeiro de Alfredo Garcia, Benny aceita a missão e parte nessa jornada niilista pelo território mexicano em busca do pobre coitado (que já está morto e enterrado!). E a tensão só vai aumentando à medida que a viagem do casal se transforma num verdadeiro inferno. Após conseguir a cabeça do procurado, com direito a profanação de cova, Benny precisa retornar e não são apenas os caçadores de recompensas que querem botar as mãos no utensílio de Alfredo, mas também a família do pobre infeliz. Benny defende seu apetrecho com unhas e dentes.
Quanto mais ele mata, mais a loucura toma conta do personagem cujo desempenho de Warren Oates está em estado de graça! As cenas em que Benny dirige pelas estradas conversando e resmungando com a cabeça ao seu lado, dentro de um saco rodeado de moscas, além de impagáveis, demonstram todo estado de espírito de um personagem completamente perdido em seus atos!
Quando a violência finalmente explode de uma vez, o impacto é grande. É praticamente impossível desgrudar os olhos da tela. É aí que o diretor se sente mais à vontade para utilizar todos os artifícios pelo qual ganhou notoriedade: tiroteios em câmera lenta, derramamento de sangue e uma edição ousada que cria um resultado estranhamente belo. Não é à toa o apelido de “poeta da violência”.
Temos aqui o que há de melhor no cinema de ação peckinpaniano. Difícil um fã de cinema de ação não ser também admirador do trabalho de Sam Peckinpah. O sujeito praticamente reinventou o gênero com seus westerns e filmes de ação violentíssimos. Mas em ALFREDO GARCIA temos nas entrelinhas o que há de mais pessoal e circunstancial para Peckinpah naquela época. Não era apenas com uma puta direção de tiroteios em câmera lenta ou perseguições de carros alucinantes que ele fisga seu público, ele sabia exatamente como expressar todas suas frustrações, desilusões e visão de mundo com uma câmera. Se tratando então de Peckinpah, esse universo diegético pessimista deixa um estrago considerável.
8.7.10
LUZ DA FAMA (Light of Day, 1987), de Paul Schrader
Eu não abandonei a peregrinação da filmografia do Paul Schrader. Mas demorei um pouco pra dar prosseguimento aqui no blog por causa deste filme aqui. Assisti de uma forma meia boca e fica complicado escrever algo sobre ele da maneira que me foi apresentado. O problema é que não consegui uma cópia decente. A única versão que encontrei foi com uma imagem horrorosa, com o áudio sem sincronia e sem legendas em qualquer língua. Como não tive alternativa, o jeito foi encarar assim mesmo e comentar nem que seja em poucas palavras.
É um filme menor do Schrader, mas como sou fã de “filmes menores” me pareceu ser um bom drama familiar sobre um casal de irmãos que possui uma banda de rock no calor dos anos 80 e entram em conflito com a mãe que sofre de uma grave doença (interpretada magnificamente por Gena Rowlands) e com as ideologias impostas pela sociedade e todo discurso que varia disso aí. No roteiro o título seria BORN IN THE USA, mas quando Schrader contratou Bruce Springsteen para escrever a música tema do filme, o cantor gostou tanto do que fez que acabou usando a música em um disco próprio. Para compensar Schrader ele escreveu a bela música Light of Day, que acabou se tonrando o título do filme.
A direção de Shrader é bem segura, mas aparentemente mais modesta visualmente, já que vinha de dois filmaços que surpreendem pela composição estética. Nada que, possivelmente, estrague a diversão, já que a trama não exige nenhum apuro visual e a crueza aparente é perfeita para o filme, mais focado no drama familiar... mas diversão é o que eu não tive assistindo a LIGHT OF DAY, por causa da qualidade da cópia, então prefiro rever em condições decentes antes de falar algo a mais.
Ao menos agora posso dar continuidade à filmografia do sujeito.
É um filme menor do Schrader, mas como sou fã de “filmes menores” me pareceu ser um bom drama familiar sobre um casal de irmãos que possui uma banda de rock no calor dos anos 80 e entram em conflito com a mãe que sofre de uma grave doença (interpretada magnificamente por Gena Rowlands) e com as ideologias impostas pela sociedade e todo discurso que varia disso aí. No roteiro o título seria BORN IN THE USA, mas quando Schrader contratou Bruce Springsteen para escrever a música tema do filme, o cantor gostou tanto do que fez que acabou usando a música em um disco próprio. Para compensar Schrader ele escreveu a bela música Light of Day, que acabou se tonrando o título do filme.
A direção de Shrader é bem segura, mas aparentemente mais modesta visualmente, já que vinha de dois filmaços que surpreendem pela composição estética. Nada que, possivelmente, estrague a diversão, já que a trama não exige nenhum apuro visual e a crueza aparente é perfeita para o filme, mais focado no drama familiar... mas diversão é o que eu não tive assistindo a LIGHT OF DAY, por causa da qualidade da cópia, então prefiro rever em condições decentes antes de falar algo a mais.
Ao menos agora posso dar continuidade à filmografia do sujeito.
3.7.10
UNDISPUTED III: RENDEMPTION (2010), de Isaac Florentine

Relembrando os anteriores, o primeiro era um filme mais sério, dirigido pelo mestre Walter Hill, focado no drama dos dois lutadores, Wesley Snipes e Ving Rhames, numa penitenciária americana. O segundo se passa numa prisão russa e é um pouco mais voltado à ação, dirigido por Isaac Florentine, com Michael Jai White encarnando o papel que pertencia ao Ving no primeiro e a presença de Scott Adkins como vilão, sempre presente nos filmes do diretor.

Florentine assume novamente a direção e realiza esta terceira parte com mais ênfase na ação que o primeiro e o segundo filme juntos! Adoro o trabalho que ele faz atualmente dentro do cinema independente de ação lançado diretamente no mercado de DVD. São sempre inspirados, violentos e divertem o espectador mais exigente e que curte uma boa pancadaria. Foi assim com THE SHEPHERD, NINJA, UNDISPUTED 2 e agora com este aqui. Preciso ver algumas coisas mais antigas dele, porque é um sujeito pra lá de talentoso que filma cenas de luta com muita desenvoltura (especialmente quando se junta com Adkins, que faz de seus movimentos em sequencias de lutas, um verdadeiro espetáculo), já entrou na minha lista de diretores de ação atual que devem ser obrigatoriamente seguidos!

O mais legal deste filme é o resgate nostálgico feito por Florentine, remetendo algumas característica às fitas de lutas que faziam a alegria da moçada nas décadas de 1980 e 1990, a febre dos kickboxer movies, principalmente as produções estreladas pelo Van Damme, como O GRANDE DRAGÃO BRANCO, LEÃO BRANCO e DESAFIO MORTAL, que passavam exaustivamente na TV. São vários pontos bem clichês, personagens estereotipados, mas deixa sempre aquele charme nostálgico fazer efeito sobre os fãs…
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