19.2.10

Notas de um carnaval cinematográfico - Parte 2: OMEGA DOOM (1996), de Albert Pyun

O segundo filme do carnaval cinematográfico Dementia 13 é outro trabalho de Albert Pyun, uma ficção científica inusitada e interessante, estrelada pelo grande Rutger Hauer. Mas não se preocupem! Este é o último filme do Pyun que eu vou postar por enquanto...

Depois de ficar famoso mundialmente interpretando um andróide em BLADE RUNNER, decidiram que Hauer era perfeito no papel de figuras futuristas ou robôs solitários em sci-fi’s de orçamentos modestos, por isso sua carreira é marcada por, eventualmente, participar deste tipo de produção. SPLIT SECOND, LINHA VERMELHA, HEMOGLOBINA e este OMEGA DOOM são alguns bons exemplares. Hauer é um cyborg (uma das obsessões de Pyun) que chega a uma cidade devastada e praticamente deserta e se depara numa disputa entre duas facções robóticas disputando um tesouro escondido em algum ponto dos escombros. O tal tesouro consiste em armamento pesado deixado pelos humanos antes da guerra – que reduziu a população mundial a uma porcentagem mínima – e servirá na batalha final das máquinas contra os homens. O filme inicia com a primeira batalha. Na visão de Pyun, a guerra é uma montanha de corpos sob um crepúsculo avermelhado, um visual sensacional e minimalista que só poderia ter saido da cabeça do diretor. Hauer é imparcial, não sabemos seu objetivo com clareza, mas aos poucos suas atitudes começam a remeter a YOJIMBO, de Akira Kurosawa, ou POR UM PUNHADO DE DÓLARES, de Sergio Leone. Especialmente este último (Leone é o diretor favorito do Pyun). OMEGA DOOM é pura metalinguagem. Pyun é um diretor que sempre procura experimentar em seus filmes, e aqui ele estrutura toda narrativa com elementos clássicos que fazem referências ao western. Enquadramentos, duelos, trilha sonora, impressionante. Flerte com outro gênero dessa maneira só tinha visto nos filmes de John Carpenter. Longe de mim comparar os dois diretores, mas é um resultado e tanto que temos aqui neste sentido. No entanto, de uma forma geral, OMEGA DOOM é bastante lento, conta toda sua trama num mesmo ambiente, as cenas de ação não são muito inspiradas como em NEMESIS ou MEAN GUNS, embora tenha seu charme, é um típico filme de Albert Pyun, com toda estranheza que seus fãs adoram. A versão que eu tenho desse filme é a que saiu no DVD nacional junto com FÚRIA CEGA, outro filmaço com o Hauer, uma releitura moderna e ocidental do mítico Zatoichi. Há tempos que não vejo essa belezinha, mas vou fazer isso qualquer hora dessas. Já OMEGA DOOM, não faço a menor idéia se foi lançado por aqui numa edição avulsa, mas esta versão vale a pena só de estar no formato certo…

18.2.10

Notas de um carnaval cinematográfico - Parte 1: MEAN GUNS (1997), de Albert Pyun

Algumas notas do meu carnaval cinematográfico, começando com este filmaço do Albert Pyun. Em MEAN GUNS, o rapper Ice T personifica um gangster que procura uma nova forma de diversão. A idéia consiste em agrupar todos os seus inimigos em uma prisão de segurança máxima vazia, prendê-los, distribuir uma boa quantidade de armas, munição, tacos de baseball e, finalmente, assistí-los matando-se uns aos outros num verdadeiro caos. Apenas os últimos três sobreviventes poderão deixar o local e ainda levar uma quantia de dinheiro.

Acreditem, é com esse mote quase surreal que o famigerado Albert Pyun trabalha um de seus filmes mais intensos em termos de ação e que dá um banho em grande parte dos exemplares do gênero feito em Hollywood atualmente. MEAN GUNS é atrevido, subversivo, violento e estilizado, é desse filmes que assistimos com certo prazer estranho.

Genial a cena de abertura, com Ice T estampando a tela inteira com seu rosto enquanto discursa ao som de um mambo muito louco. Aos poucos somos apresentados a alguns personagens que terão mais ênfase neste jogo sádico, especialmente o Highlander Christopher Lambert que já se posiciona com sua canastrice cativante como aquela típica figura que vamos torcer para sobreviver até o fim, embora aqui não haja mocinhos, são todos seres ligados ao mundo do crime precisando matar para viver, seguindo a filosofia olho por olho e etc, sem piedade pelo próximo, simples assim. E Lambert não deixa barato.

Impressiona também o rigoroso senso estético do diretor, um visual saturado que remete às câmeras de video de baixa resolução, elementos gráficos que desfilam pela tela para para criar a expressão daquele mundo paralelo pelo qual os personagens foram forçados a vivenciar. É até fácil defender o Albert Pyun em MEAN GUNS dos detratores que o consideram entre os piores diretores no ramo, pois se trata de um dos seus trabalhos mais inspirados, principalmente com o auxílio visual e a trilha de Tony Riparetti, seu fiel colaborador, achando que o som do mambo cairia muito bem por aqui. Mas só ajuda a reforçar o tom estranho que o filme possui.

As cenas de ação remetem a um John Woo dos pobres, mas com muita desenvoltura. Se não estou enganado, este aqui é um dos únicos filme que o diretor teve liberdade total (e também é um de seus preferidos ao lado de BRAINSMASHER). O que poderia ser uma historinha de ação como outra qualquer, Pyun transforma num belo experimento estético.  

MEAN GUNS foi lançado no Brasil em VHS como JOGO DE ASSASSINOS pela PlayArt. Apenas torço para que obras do Pyun e de outros diretores talentosos, mas subestimados, sejam lançadas por aqui em DVD… mas ainda há uma extrema falta de cultura cinematográfica por parte dos distribuidores, infelizmente.

13.2.10

O LOBISOMEM (The Wolfman, 2010), de Joe Johnston

Ontem fui aproveitar que THE WOLFMAN estreou nos cinemas daqui sem atraso, junto com a patroa, um primo que é diretor de curtas capixabas de documentários e ficção e mais alguns amigos. Apenas minha namorada e eu gostamos, para nossa surpresa. Meu primo disse que esperava ver algo novo, do nível de um DRACULA (do Coppola) em termos de novidade e releitura visual, mas com o famoso licantropo como protagonista. Se alguém estiver com essa espectativa, vai se decepcionar. Já eu, meio com o pé atrás, estava esperando um filme de terror nos moldes clássicos, apenas mais um filme de lobisomem sem qualquer tipo de invenção. E para meu prazer é exatamente isso que o filme propõe. Já nos planos iniciais nota-se o tom retrô e em certos momentos me senti assistindo a um clássico da Universal ou uma produção da Hammer. Não podia ser mais parfeito...

De Henry Hull, passando por Lon Chaney Jr., Paul Naschy e até mesmo Jack Nicholson, quem empresta o rosto ao estimado personagem peludo nesta versão é Benício Del Toro. Ele vive Lawrence Talbot, um ator de teatro inglês, educado nos Estados Unidos, que precisa retornar a casa de seu pai, uma mansão nos arredores de um vilarejo na Inglaterra, após seu irmão ser brutalmente assassinado. Suspeita-se de uma fera, um maníaco, ou até mesmo uma maldição. Del Toro está muito bem no personagem que, além dos irreprimíveis problemas “licantrópicos” já esperados, precisa encarar de frente um passado perturbador. O que distingue a trama das outras versões de lobisomem é a ênfase ao drama familiar no relacionamento de Talbot com seu pai e que serviu de mola propulsora para o afastamento do protagonista, ainda muito jovem, de sua família, além de ser o motivo de suas transformações em noites de lua cheia.

No elenco, podemos contar com boas atuações de Anthony Hopkins, no papel de Talbot pai, e o agente Smith, Hugo Weaving, como um detetive da Scotland Yard designado a solucionar o estranho caso. A representante feminina da vez é Emily Blunt, que não faz nada além do esperado. Ao menos temos Geraldine Chaplin, com um aspecto espantoso, vivendo uma cigana misteriosa.

A direção de Joe Johnston é muito autêntica, principalmente auxiliada pela fotografia fúnebre carregada de atmosfera de Shelly Johnson. Já havia comprovado seu talento para ação/aventura desde ROCKETEER e realmente foi a escolha certa para comandar a adaptação de Capitão América. O sujeito tem muita noção de como aproveitar efeitos visuais em prol à narrativa, embora THE WOLFMAN tenha muito mais CGI do que eu esperava, e encena sequências de ação com muito brilhantismo, sem poupar o espectador de violência explícita e muito sangue! Mas o grande destaque fica por conta do rei da maquiagem, Rick Baker, que desenvolveu uma complexa fantasia da moda antiga, superando, no quesito visual, seu trabalho em UM LOBISOMEN AMERICANO EM LONDRES. A aparência da criatura nesta versão remete diretamente aos clássicos da Universal, com um monstro em formato mais humano do que os lobisomens de filmes mais recentes. Gostei muito do resultado. Um filme imperdível!

10.2.10

POSSESSED BY THE NIGHT (1993), de Fred Olen Ray

Este aqui é uma bizarrice estrambólica do mestre Fred Olen Ray, além de ser um prato cheio para os fãs de produções modestas que nunca tiveram atenção do grande público. POSSESSED BY THE NIGHT é um suspense erótico com um pé no horror estrelado pela musa do Cine Privé, Shannon Tweed, muito à vontade por sinal. Especialmente na caudalosa sequência onde malha com uma blusinha branca que é de um erotismo quase transgressor! Além dela, temos Sandahl Bergman, outra atriz sem frescura que não se inibe ao tirar a blusa em frente às câmeras (e o faz em vários momentos por aqui, mesmo no auge de seus 42 anos).

Para não dizer que eu sou um tarado que só pensa “naquilo”, o filme ainda possui uma pequena dose de porradaria com o ator Chad McQueen. O protagonista é vivido por Ted Prior, astro do cinema de ação cujos filmes passavam todos os dias no Cinema em Casa no início dos anos 90, grande parte dirigido pelo seu irmão, o “talentoso” (leia-se um dos piores diretores de todos os tempos) David A. Prior. Curioso é que os dois atores são muito semelhantes a outros astros de fama mais notável. Chad é uma espécie de Mickey Rourke dos pobres, enquanto Prior é a cara do Christian Bale... é por isso que eu amo tanto esses filmes B.

Bom, eu ainda não acabei (eu disse que era um prato cheio, não disse?). O eterno Henry Silva marca presença como um mafioso, soltando frases impagáveis. Ele entra em cena recebendo massagem de duas garotas de topless e, ops, vamos mudar de assunto. Para completar, um recipiente com uma espécie de cérebro com olho influencia de forma negativa os personagens ao seu redor! Já é o suficiente para convencê-los a correr atrás desta pérola o mais rápido possível?

Prior interpreta um escritor sofrendo de bloqueio criativo. Vai a uma loja de artefatos orientais e compra o tal recipiente achando que vai lhe trazer inspiração… como uma coisa horrorosa daquela vai trazer inspiração a alguém é um desses mistérios no qual só poderia ter surgido na cabeça do Fred Olen Ray mesmo. Enfim, logo que volta pra casa com seu novo adorno, as coisas começam a ficar estranhas. Tudo é mostrado já na cena em que Prior tenta dar umazinha com a patroa (Bergman), mas age de forma agressiva demais para ela e acaba ficando na mão, passando a noite no sofá.

Seu empresário, vivido por Frank Sivero (o Carbone de GOODFELLAS), lhe envia uma secretária para digitar seus manuscritos, a exuberante e insaciável Shannon Tweed. Brigado com a mulher e com uma secretária dessas malhando de blusinha branca suada em seu maquinário de musculação, não há coração que aguente… e não vamos esquecer do jarro oriental com o cérebro dentro enfeitando a mesa e espalhando cargas negativas entre os habitantes da casa, fazendo ferver os desejos eróticos de cada um deles.



É, difícil aguentar desse jeito!

Paralelo a isso tudo, há uma subtrama onde acompanhamos um gangster (McQueen) que cobra as dívidas de seu chefão (Silva), mas também passa por uma crise tentando sair dessa vida criminosa. Obviamente as duas estórias se encontram em algum ponto.

Esta subtrama dá ao filme alguns momentos mais agitados de ação, pois nem sempre as pessoas querem pagar o que devem e aí a coisa tem de ser resolvida à base do kung fu. É o exemplo da sequência na oficina, quando surgem algumas figuras ilustres, como o diretor Jim Wynorski, aparecendo apenas para apanhar, e também o ótimo Peter Spellos, o grande Orville de SORORITY HOUSE MASSACRE 2, dirigido pelo Wynorski. Até o próprio Fred resolve fazer uma ponta, mas nada de violência em sua participação, ele se apresenta apenas como um garçom comum em outro momento.

"Ah, vai ficar lindo na cômoda do escritório!"

Lançado diretamente para o mercado de vídeo, POSSESSED BY THE NIGHT se sobressai perante as muitas produções do gênero com as quais as locadoras viviam infestadas na época. A direção de Fred é um exercício único de economia. Devido ao tipo de produção, ele não perde muito tempo tentando amarrar as pontas soltas deixada pelo roteiro, elimina personagens de forma banal e explora somente os elementos que realmente importa: bastante sexo e um pouco de violência!

"Deixa eu te ajudar a desabotoar esse colete amarelo..."

O elenco também é fraco, deixando o filme ainda melhor, principalmente Ted Prior que é de fazer vergonha. Tweed não precisa atuar, basta fazer cara de safada e agir de maneira sexy. É o que sabe fazer muito bem, independente do tipo de personagem que representa. Os únicos com certo destaque na interpretação é o Henry Silva, velho de guerra neste tipo de personagem, e Sandahl Bergman, surpreendendo com a atuação mais expressiva do filme.

Recebeu o título no Brasil de FLUIDOS DO MAL ou apenas POSSUÍDA e não me recordo com precisão se chegou a ser lançado em vídeo no Brasil, mas do jeito pelo qual este mercado funcionava por aqui, eu aposto minha melhor camisa que sim.

8.2.10

O FIM DA ESCURIDÃO (Edge of Darkness, 2010), de Martin Campbell

Bah! Não dou a mínima para o Mel Gibson ator, mas preciso reconhecer que às vezes ele acerta em cheio ao escolher alguns tipos de personagem, como neste veículo que serve perfeitamente ao seu retorno em frente às câmeras e que me lembrou bastante o mesmo papel que fez em O TROCO, um dos seu melhores trabalhos, embora não chegue nem aos pés do grande Lee Marvin em POINT BLANK...

O FIM DA ESCURIDÃO está longe de ser perfeito, mas assistir ao Mel Gibson à vontade atacando de policial durão amargurado num thriller político/policial é sempre interessante. Há bastante tempo o sujeito não atuava. Durante os anos de abstinência aproveitou para experimentar e amadurecer atrás das câmeras com A PAIXÃO DE CRISTO, que eu detesto, e APOCALYPTO, que eu gosto.

Este aqui é inspirado num programa de TV britânico homônimo da década de 80, tinha como seu diretor o mesmo cara que comanda esta versão, Martin Campbel, que me ganhou com sua visão de 007 em CASSINO ROYALE e que consegue imprimir um bom trabalho de direção neste aqui. O filme é um pouco truncado devido ao excesso de diálogos, informações e por causa da trama cheia de pretensões e detalhes que me desagradam, mesmo assim Campbell deu um pouco de vida a um material que nas mãos de alguns seria mais um filme medíocre feito exclusivamente para Mel Gibson. Na verdade, a impressão que dá é que se trata, realmente, de um filme exclusivo para o sujeito, mas Campbell tem seriedade e criatividade de sobra para impor seu estilo ao filme, diferente dos artesões da atual Hollywood.

Gibson, como eu disse, faz um tipo que eu adoro e consegue carregar a narrativa tranquilamente, mas não é o único destaque entre o elenco que possui ainda Danny Huston e o magnífico ator britânico Ray Winstone, marcando presença com sua voz meio rouca e muito talento.

O resultado disso tudo é um neo noir bem interessante que possui uma face dark e violenta e outra com um sentimentalismo banal para tentar agradar todo tipo de público, eu acho. Uma frieza maior por parte dos realizadores iria soar muito bem, mas difícil esperar por isso num filme deste porte, então tudo bem. Estória boa é que não faltou. Se não quiserem saber spoilers, parem de ler por aqui. A trama é sobre um policial (Gibson) que tem a filha assassinada e pensa, como todo mundo, que o alvo era ele. Começa a investigar por conta própria e descobre que os bandidos não haviam se enganado e que a situação é mais escabrosa que ele poderia imaginar!

Ok, se ainda estiverem com vontade, podem voltar a ler... Ah, mas também agora não tenho mais nada a dizer... chega por hoje.

ICARUS - trailer

Espero que o Dolph não estrague dessa vez, como aconteceu aqui...


6.2.10

DRIVEN TO KILL (2009), de Jeff King

O ano passado foi muito bom para Steven Seagal. Agenda musical lotada, reality show estreando na TV e seus três filmes, produções direct to video, foram acima da média, sem contar que ele filmou a sua participação no próximo trabalho de Robert Rodriguez, o mais que esperado MACHETE. Os detratores vão continuar falando mal, tudo bem, nós já nos acostumamos com isso. Mas, para os fãs de Seagal, 2009 foi uma ótima oportunidade para poder conferir bons filmes do sujeito: DRIVEN TO KILL, THE KEEPER e A DANGEROUS MAN. Mais do que isso, independente de ser estrelado por Seagal, foram três bons filmes de ação à moda antiga, com roteiros legais e simples e sem as frescuras das grandes produções.

Claro que a presença de Seagal conta muito e é difícil imaginar esses papéis na pele de outro astro. Em breve eu comento sobre THE KEEPER e A DANGEROUS MAN, podem me cobrar. Por enquanto, vamos ficar com o DRIVEN TO KILL, que embora o título na tradução literal seja “dirigindo para matar”, em nenhum momento alguém pega um carro e sai dirigindo com a intenção de tirar a vida de alguém... Eu tenho a impressão de que os realizadores resolveram adotar um título que faça referencia a filmes antigos do Seagal, como HARD TO KILL. Acho até que gastaram um bom tempo na pós produção pensando em qual verbo, adjetivo, etc, poderiam colocar antes do “to kill”. Finalmente, apesar de não fazer sentido algum ao filme, todos aceitaram o “driven”. Pra mim está ok! Brincadeiras à parte, o "driven" pode estar no sentido de impulsionado, sacou? Impulsionado a Matar! Um belo título para um filme de ação! hahaha!

De qualquer maneira, mesmo não atingindo o nível de seus primeiros trabalhos, DRIVEN TO KILL, dirigido de forma séria por Jeff King (que já havia trabalhado com o ator antes), é o mais próximo que se pode esperar neste sentido. Provável que seja o trabalho mais consistente de Seagal desde que entrou de vez na onda dos filmes que vão direto para o vídeo.
Seagal tatuado, concentrado em suas escrituras e tomando chá de alecrim...
O homem interpreta um escritor muito bem sucedido especializado em romances policiais que vive tranquilamente numa cidadezinha qualquer. Embora assine como Jim Vincent, possui sangue russo correndo nas veias, seu verdadeiro nome é Ruslan e fora um perigoso membro da máfia russa em outra cidade qualquer no passado (eu realmente não me lembro em quais cidades o filme se passa, só sei que foram filmadas no Canadá, onde certamente estavam tentando recriar cidades americanas, ok?).


Seagal tem aqui, além de uma boa performance, com direito a sotaque estrangeiro muito mal acentuado por sinal, uma rara mudança de visual com os braços tatuados e sem o famoso rabinho de cavalo. Percebe-se que Seagal está fazendo um esforço para melhorar seus trabalhos DTV, porque o nível de alguns filmes haviam baixado demais e era preciso uma tolerância extrema para gostar de coisas como FLIGHT OF FURY, por exemplo... e olha que eu sou um dos maiores fãs do homem que vocês vão encontrar por aí. Defendo até as mais absurdas porcarias que ele faz, mas às vezes é difícil!

Enfim, em DRIVEN TO KILL ele realmente constrói um personagem, apesar de suas limitações. É claro que acaba sendo a velha figura de sempre, mas já dá uma diferença. Para dificultar ainda mais o desafio da atuação, seu personagem possui um relacionamento distante da filha que vive com a mãe (na cidade onde era mafioso), hoje casada com um advogado milionário que tem “vilão” escrito na testa! Com sua filha prestes a casar, Ruslan precisa comparecer e fazer o papel de pai durante a cerimônia, conversar com seu futuro genro pra saber suas intenções com sua filha, etc...

Mexeram com a filha do homem errado!

O problema inicia quando a casa onde todos estão é invadida por mascarados e uma desgraça acontece. Casamento cancelado! Ruslan agora precisa reviver na pele o seu passado para descobrir a merda que aconteceu, isso inclui os ingredientes de sempre da boa e velha fórmula de um Steven Seagal's movie: brigas em bar, braços quebrados, vidros estraçalhados, muito tiro e até usar os corredores de um hospital como um verdadeiro campo de guerra... o que mais posso querer em um filme do sujeito?

Mais sobre Seagal e seus filmes aqui.

5.2.10

Hoje tem CINE TERROR NA PRAIA

Oportunidade única e sensacional aos meus conterrâneos! Hoje inicia uma mostra organizada pela trupe de Rodrigo Aragão, diretor de MANGUE NEGRO, onde serão exibidas produções locais de gênero fantástico, além de outras atrações. Confira a programação a baixo. O Dementia 13 estará presente, com certeza!

5 de fevereiro, sexta-feira
20h00 Guarapari Trash Part I: Águas da Vingança • Cachorro do Mato • Balada Sangrenta • Peixe Podre • Chupa Cabras
22h00 Recurso Zero Produções: Gato • Junho Sangrento • O Assassinato da Mulher Mental • Minha Esposa É um Zumbi
23h30 Sessão Maldita: À Meia-Noite Levarei Sua Alma

6 de fevereiro, sábado
20h00 Guarapari Trash Part II: Águas da Vingança 2: A Vingança • Cachorro do Mato 2 • Peixe Podre 2 • O Massacre da Espada Elétrica • Eve
21h00 Sessão Seu Osório
22h00 Estranho Sul: Quarto de Espera • Quiropterofobia • Cortejo Negro • João Ninguém • Sessão das Oito • Zombio
23h30 Sessão Maldita: Zombie

7 de fevereiro, domingo
20h00 Sangue Capixaba: Vampsida • Rito de Passagem • A Lenda de Proitner
21h30 Premiados CineFantasy: Manual Practico del Amigo Imaginário • Forecast • Porque Hay Cosas Que Nunca Se Olvidan • El Hombre de la Bolsa • DVD • A Última Noite • Romance

3.2.10

FÚRIA SILENCIOSA (Silent Rage, 1982), de Michael Miller

Um dos meus filmes preferidos do Chuck Norris é FÚRIA SILENCIOSA. É também um dos filmes mais estranhos do homem. Uma híbrida junção de slasher movie oitentista com uma pitada de sci-fi e os filmes de porrada que Norris estrelava naquela época, inclusive o seu personagem é o habitual xerife casca grossa de uma pequena cidade americana.

O filme inicia na casa de um sujeito de família. Claramente perturbado, ele pega um machado e faz sua esposa de picadinho. O xerife é chamado e depois de uma luta corpo a corpo com o sujeito, consegue prendê-lo. Os elementos bizarros começam a surgir nesse momento. Ainda algemado dentro carro, o moço quebra as correntes, arranca a porta do carro com um chute e o espectador fica sem reação com a força descomunal do homem, que precisa ser parado à bala!

Chuck Norris mais uma vez é o xerife durão!

O cara acaba morrendo na mesa de operações do hospital, onde os médicos ainda tentavam salvá-lo. A partir deste ponto, nota-se que estamos diante de um filme diferente estrelado por Norris. O sujeito, na verdade, era uma cobaia de uma experiência médica que reconstrói os tecidos humano rapidamente, igual ao Wolverine. Dois médicos resolvem ressuscitar o cadáver com uma dose do medicamento ainda em teste, o que eles não imaginavam é que, após acordar, o sujeito se tornaria uma máquina de matar com uma super força e invulnerável.

Cenário de Suspíria ou um filme do Mario Bava?

É isso mesmo, meus caros, por incrível que pareça Chuck Norris enfrenta uma espécie de zumbi em FÚRIA SILENCIOSA! Ron Silver interpreta um médico que se opôs aos seus colegas nas experiências em interferir com o destino do morto. Como na filosofia desta espécie, a criatura acaba matando seus criadores. Aliás, o ressuscitado acaba matando quase todo o elenco, exatamente como os slashers oitentistas. Ele só não contava com os roundhouse kick’s de um certo xerife.

roundhouse kick na cara!

Tirando uma cena de briga de bar, onde Norris enfrenta uma gangue de motoqueiros, toda narrativa de FÚRIA SILENCIOSA é tratada como um filme de suspense. O diretor Michael Miller optou por longos planos, especialmente dentro de ambientes fechados, e não são poucos os momentos onde o assassino com um objeto cortante espreita atrás de alguma vítima, com direito a câmeras subjetivas e atmosfera típica do terror da época.

A briga no bar é inserida de forma nada orgânica. Apenas para que o ator possa dar uma demonstração de suas habilidades de defesa corporal e também para os fãs que esperavam um filme de mais ação não saiam reclamando que o filme é uma merda completa. Ou talvez estava no contrato e o diretor só percebeu depois que já havia feito um filme de terror. “Diretor, quando é minha cena de luta?” “Hã?!”. Mas a sequência é excelente, diga-se de passagem...

Chuck Norris paquerando.

Momento de amor...

O filme tem ótimos momentos, como o videoclip ao som de uma canção romântica e imagens de amor entre Norris e sua garota. É um momento de amor, o cara também tem coração. E claro, temos o grande final com o confronto entre o herói e a figura bizarra que não morre. Norris mete chumbo grosso, joga o sujeito pela janela do sexto andar, um carro explode com o homem dentro e nada. O jeito foi resolver no tapa mesmo!

FÚRIA SILENCIOSA é um filme fascinante para quem acha que já viu de tudo. Vale a pena uma conferida!

31.1.10

NOT OF THIS EARTH (1988), de Jim Wynorski

Remake de um sci-fi de mesmo título dirigido por Roger Corman em 1957, NOT OF THIS EARTH pode ser considerado tanto como gozação quanto uma homenagem aos clássicos do gênero. A idéia é do próprio Corman, que colocou na direção o seu pupilo do momento, Jim Wynorski. Mas em 1988 o grande público já não queria ver um filme B com efeitos especiais fora de moda e estória ingênua que não faz a mínima questão de se levar a sério. Sobrou apenas aos fãs ardorosos de tralhas divertidas o prazer de desfrutar mais uma maravilha da dupla Corman/Wynorski.

Uma das principais atrações é a atriz principal, Traci Lords, em seu primeiro papel “sério” no ramo, levando em conta que já havia atuado em mais de 60 filmes pornôs até então. É uma pena que seus atributos sejam tão pouco “aproveitados”, protagonizando apenas uma ceninha de topless. Ela até que se sai muito bem interpretando uma enfermeira que acaba se envolvendo numa trama onde um vampiro do espaço, que parece ter saído de OS IRMÃOS CARA DE PAU, precisa colher sangue humano para tentar salvar o seu planeta.

Para os créditos iniciais de NOT OF THIS EARTH, foi feita uma montagem com cenas de vários clássicos dirigido pelo mestre Roger Corman e insere de uma maneira bem interessante o espectador no plano dos filmes B, produções de baixo orçamento realizadas em tempo recorde!

As filmagens deste aqui, por exemplo, foram cumpridas em apenas onze dias e meio, sendo que Jim havia apostado com Corman que conseguiria filmar em doze dias. E é com este espírito que o filme também deve ser visto. Uma diversão sem compromisso, cheio de clichês que mistura elementos sci-fi com terror e comédia, várias cenas de nudez gratuita, situações engraçadas, personagens burlescos, diálogos ridículos e todos os ingredientes de um ótimo filme B dos anos 80.

29.1.10

THE SWORD AND THE SORCERER (1982), de Albert Pyun

Não se preocupem, este ainda é o Dementia 13 de sempre, voltado para o lado obscuro do cinema, mas com um visual mais claro... aquele fundo preto, embora eu goste bastante, estava me dando dor nos olhos quando eu lia os textos. Então espero que não se importem, porque ainda temos muitas surpresas para serem comentadas, começando com mais uma pérola do Albert Pyun.

Fui logo de uma vez para o seu filme de estréia, que eu nunca tinha assistido, embora o gênero aventura/fantasia tenha sido um dos meus prediletos durante a infância. E como não me lembro de ter postado sobre algum Sword & Sorcerer movie aqui no Dementia 13, por que não começar com aquele filme cujo título nomeou o gênero?

O herói com sua espada cheia de surpresas...

Os anos oitenta deixaram um vasto acervo de exemplares deste estilo que tratava de tempos longínquos e misturava realidade e fantasia em aventuras alucinantes que maracaram época. A maioria encontra-se esquecida atualmente ou não chegou sequer a ser conhecida pelo jovem público de hoje que prefere, obviamente, tocar uma bronha para um SENHOR DOS ANÉIS a descobrir filmes como EXCALIBUR, KRULL, THE BEASTMASTER ou até mesmo algo mais trash, como DEATHSTALKER. Filmes infinitamente superiores do que aquela viadagem de Frodo...

O feiticeiro Xusia mostrando a Cromwell seu novo esmalte de unha.

Mas infelizmente, e até curioso isso, THE SWORD AND THE SORCERER acabou no ostracismo, como tantos filmes do gênero. Merecia ter-se tornado no mínimo um clássico! Além de ser uma ótima aventura, com bastante humor, mulheres nuas bem à vontade, violência gratuita e efeitos especiais à moda antiga de primeira qualidade, o filme foi um enorme sucesso comercial levando em conta seu orçamento discreto. Para ter uma noção, CONAN, em toda sua magnitude, lançado no mesmo ano e com capital mais espaçoso que este aqui, arrecadou apenas dois milhões a mais. Nada mal para o estreante diretor.

Segundo o produtor Brandon Chase, valeu a pena arriscar com Pyun na direção. Haviam cinco anos que os roteiristas Tom Karnowski, John V. Stuckmeyer e o próprio Pyun estavam trabalhando na idealização do projeto. Nada mais justo deixar que o jovem diretor de 26 anos colocasse em prática os “ensinamentos” lhe passado pelo mestre Akira Kurosawa. Claro que pelo resultado na tela em muitos de seus filmes parece que quem lhe ensinou foi o Ed Wood, mas Pyun mandou bem em muitos detalhes de SWORD AND THE SORCERER, especialmente no ritmo ágil que garante diversão, assumindo uma postura de aventura B com bastante graça.

Não podia faltar, não é mesmo?

A trama é basicamente uma estória de vingança. Temos o rei Cromwell (Richard Lynch, sinônimo de vilão) tentando conquistar um reino cujo exército é invencível. Mas com a ajuda de Xusia, um feiticeiro monstruoso e muito poderoso, consegue vencer a batalha e fazer daquele local o seu reino maligno. A estória continua anos mais tarde, quando Talon (Lee Horsley), o filho do Rei assassinado que conseguiu escapar naquela altura, se torna um guerreiro mercenário e lidera um grupo de saqueadores que realiza jornadas de cidade em cidade. Quando retorna ao antigo reino de seu pai, Talon resolve se vingar daquele que matou seus pais, libertar o povo da tirania e ainda conquistar o coração da princesa.

O conselheiro de Cromwell chegando por trás...

Richard Lynch deve ter aqui um de seus melhores desempenhos. É desses atores que parece estar sempre dando tudo de si mesmo que esteja envolvido na maior das porcarias, o que acaba valendo a pena pela sua presença sempre marcante nas fitas dentre as quais participa. Não foi preciso aqui, pois se trata de um ótimo filme, embora a sua presença seja crucial.

Já Lee Horsley, que dá vida ao herói, possui trejeitos que me lembram muito o grande Errol Flynn. Demasiado canastrão que sabe se impor em cena, inclusive a semelhança física entre os dois reforça esses devaneios meus...

Alguns dos pontos de maior relevância, entretanto, são os efeitos especiais e maquiagem. Logo no início, na caverna onde Cromwell ressuscita, há uma parede de rostos que adorna a tumba do feiticeiro cuja concepção visual é muito interessante. O próprio Xusia é um ser repugnante com um aspecto monstruoso bem legal. Brilhante também a trilha sonora David Whitaker e a fotografia de Joseph Mangine que realçam muito bem a atmosfera das locações e ambientações.

Eca!

Podemos dizer que Albert Pyun iniciou a carreira com o pé direito. Teve liberdade total para ousar, possuía muita gente boa trabalhando na produção e parte técnica, um excelente ator como Richard Lynch no elenco e não desperdiçou a oportunidade de realizar um belíssimo filme. Uma pena que seus trabalhos seguintes não tiveram a mesma repercussão. Mas há quem goste. Eu estou aguardando ansiosamente por cada filme. Existem pelo menos quatro previstos para serem lançados este ano, incluindo TALES OF ANCIENT EMPIRE, sequência de THE SWORD AND SORCERER que estava nos planos dos produtores desde aquela época...