18.4.11

AMERICAN CYBORG: STEEL WARRIOR (1993)

Este aqui serve como um adendo à peregrinação da filmografia do Isaac Florentine que eu tenho feito aqui no blog, já que se trata do único filme em que ele ficou responsável pelas coreografias nas cenas de luta, mas não comandou a bagaça como diretor. De qualquer forma, AMERICAN CYBORG: STEEL WARRIOR teria um post reservado aqui no DEMENTIA 13 a qualquer momento, pois é um dos meus filmes B pós-apocalípticos favoritos dos anos 90. Aliás, é uma produção até tardia dentro do subgênero, que teve sua maior concentração de filmes nos anos 80 (embora haja muita coisa nos 90), mas o espírito oitentista se faz bem presente nesta obra, que é uma das últimas produções da famigerada dupla Golan/Globus.

A direção é por conta de Boaz Davidson, que realizou muita coisa nas décadas de 80 e 90, mas hoje é mais conhecido como produtor de filmes como OS MERCENÁRIOS, do Stallone. Até que o trabalho de direção em AMERICAN CYBORG é bem legal, com uns movimentos de câmera interessantes e alguns planos criativos pro tipo de filme que temos aqui. Davidson utiliza muito bem da atmosfera, luzes, sombras, cenários (fábricas abandonadas e túneis escuros) e personagens bizarros do universo pós-apocalíptico, como canibais radioativos, um ciborgue indestrutível de bigode que luta kung fu e, claro, Joe Lara, como o protagonista solitário que se transforma num herói em meio a esse ambiente desolador.

Reparem só a trama! Por uma coincidência do destino, Lara acaba ajudando a única mulher grávida do planeta (Nicole Hansen, na verdade, o feto se encontra dentro de um jarro na mochila dela!!!) a atravessar cenários devastados cheios de perigos até que ela chegue ao litoral, onde um navio europeu, com cientistas, espera para levá-la junto com o "jarro" com a esperança de tentar tranformar o mundo em um lugar melhor. Se veio à mente FILHOS DA ESPERANÇA… bom, eu não os culpo, mas garanto que esse aqui, pelo menos, tem um ciborgue muito louco pra atrapalhar a vida do casal!!!


E o filme tem um ritmo frenético, com ação praticamente constante, alta contagem de corpos, Joe Lara e o cyborg quebrando o pau no mano a mano diversas vezes durante a jornada e etc. Quem interpreta o robô bigodudo é um sujeito chamado John Saint Ryan, que possui grande habilidade, chutes altos, e com a coreografia do Florentine rende sequências de alta qualidade. A cena em que Joe Lara sozinho enfrenta um exército de canibais radioativos também é um primor!

Eu não faço idéia do orçamento de produção, mas AMERICAN CYBORG tem um estilo visual bem melhor do que alguns exemplares do gênero feito na época. O uso das locações e os detalhes de construção de cenários são fantásticos e temos ótimos efeitos especiais que funcionam uma maravilha. Tudo à moda antiga, com criatividade, sem precisar apelar para CGI (até porque naquela época não tínhamos o que vemos hoje).

O filme chegou a ser lançado aqui no Brasil nos bons tempos do VHS com o título AMERICAN CYBORG - O EXTERMINADOR DE AÇO. É uma belezinha mesmo e nem preciso dizer que é obrigatório, não é?

17.4.11

HIGH VOLTAGE (1997)

Voltando com a nossa peregrinação pela carreira do Isaac Florentine, hoje vamos com um bem fraquinho, infelizmente. HIGH VOLTAGE não chega a ser um total desperdício porque possui alguns atributos divertidos, mas aqueles que exigem o mínimo de qualidade, vão se decepcionar com essa tentativa do diretor de fazer um filme de ação inspirado no estilo “Heroic Bloodshed” de John Woo, Ringo Lam, entre outros...

O legal é acompanhar o processo de amadurecimento de um diretor quando pegamos sua carreira e analisamos filme a filme. O Isaac Florentine de hoje é completo dentro do cinema B de ação, mas calhou de errar feio em porcarias como esta aqui.

A trama gira em torno de uma quadrilha de jovens ladrões de banco que decide fazer um último golpe. O problema começa quando se descobre que o banco assaltado é utilizado para fazer lavagem de dinheiro da máfia coreana e agora suas vidas obviamente correm perigo. E um jogo muito mal elaborado de gato e rato se inicia, com desdobramentos e situações que beiram ao ridículo, muita atuação ruim e tiroteios extremamente mal filmados.

Se fosse realizado nos anos 80, com algum diretor casca grossa da estirpe de um Mark L. Lester, Joseph Zito ou Craig R. Baxley e estrelado por um Chuck Norris, com certeza teríamos mais um autêntico clássico dentre tantos que saíram daquele período de ouro. Mas tentando ser otimista e direcionando o texto (e o filme) para quem curte uma boa tralha e gosta de rir daqueles exemplares que involuntariamente se tornam engraçados pelos motivos errados, então pode ser que HIGH VOLTAGE encontre seu público...

A começar pelo elenco. Antonio Sabato Jr. talvez seja uma das piores apostas como astro de ação. Ele só faz pose achando que herdou algum talento do pai; Amy Smart pagando mico em início de carreira (embora continue pagando até hoje); George Cheung e James Lew, vilões como sempre; a filha do Bruce Lee, Shannon Lee, também dá as caras numa atuação lamentável como par romantico de Sabato Jr. Vale a pena destacar mesmo a participação do Sr. Antonio Sabato, que aparece numa ponta bem divertida.

As tentativas de recriar tiroteios exagerados, com personagens voando pela tela em câmera lenta com duas pistolas na mão estilo John Woo são constrangedoras e fazem Michael Bay e Tony Scott paracerem gênios do cinema de ação! A sorte é que Florentine já era um mestre em conduzir pancadaria e as poucas que temos aqui são bacanas e salvam a fita da desgraça total!

Tá certo que o filme não se leva a sério em momento algum, a impressão que dá é que se trata mesmo de um experimento, uma tentativa de fazer um verdadeiro exemplar do cinema de ação com aqueles tiroteios exagerados feitos em Hong Kong, só que sem a mínima capacidade pra isso. É difícil eu escrever textos negativos por aqui, até porque sou tolerante pra burro e adoro uma bagaceira mal feita. HIGH VOLTAGE consegue me divertir até certo ponto, mas não recomendo a qualquer um.

13.4.11

ESSENTIAL KILLING (2010)

Finalmente vi ESSENTIAL KILLING e nossa! Filme lindo, ao mesmo tempo violento e visceral. Dos lançametnos que eu assisti em 2011, só perde para I SAW THE DEVIL, filme coreano do mesmo diretor da obra prima A BITTERSWEET LIFE, e que já estou devendo texto por aqui…

ESSENTIAL KILLING, a grosso modo, é um belo exemplar de “filme de fugitivo”, estilo RAMBO e CAÇADO, só que mais realista (embora eu prefira estes dois que eu citei). O protagonista não é nenhum especialista em sobrevivência na floresta ou ex-boina verde altamente treinado para qualquer tipo de situação. O filme trata o personagem como um sujeito comum para este tipo de situação extrema, agindo por extinto para sobreviver e não ser preso, e conta com uma puta atuação do Vincet Galo, que passa o filme inteiro por maus bocados, sendo torurado, sentindo frio, cansaço, pisando em armadilhas para animais, fazendo uma dieta à base de formigas vivas e até casca de árvore, que delícia! E tudo isso sem dizer uma palavra o filme inteiro. É tudo no olhar e na expressão... uma coisa absurdamente fantástica.

Há um certo teor político no ar, porque o personagem é um “terrorista” árabe, capturado por tropas americanas, mas isso não tem a menor importância pra mim. Todo mundo conhece os problemas e questões que envolvem o Oriente Médio e a invasão americana em alguns países da região. Mas ESSENTIAL KILLING não faz a mínima questão de entrar em detalhes, e utiliza alguns elementos desses fatos atuais da nossa história apenas como contexto. O que o filme conta mesmo é a luta pela sobrevivencia de um ser humano diante de seus perseguidores e da natureza à sua volta.

Uma das coisas que mais me impressiona é a frieza do veterano diretor polonês Jerzy Skolimowski. O sujeito é um mestre e sabe das coisas. Faz um filme de ação, físico pra cacete, totalmente anticlimático. Fica uma atmosfera pesada e perturbadora, uma mistura de realismo com pesadelo que parece não acabar nunca, e olha que o filme não chega a 80 minutos… é incrível como existem poucos diretores com inteligência e talento pra levar um filme desse, que é tão simples e ao mesmo tempo tão poderoso...

Este texto já não deve está fazendo muito sentido, estou escrevendo meio no calor do momento. Mas é um filme que realmente mexe comigo, mesmo com toda a expectativa acumulada, com várias pessoas elogiando. É o tipo de obra que você precisa ver com os próprios olhos pra sentir toda a sua força.

THE HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK PART II - posters


12.4.11

HATCHET II (2010)

Não achei HATCHET II tão divertido quanto o primeiro, mas tem vários bons momentos e vale uma conferida pra quem gostou dessa homenagem ao slasher oitentista feita pelo diretor Adam Green. Tenho gostado do trabalho desse cara. Não é nada impressionante, mas até agora não vi um filme ruim. Além desses dois filmes da série HATCHET (o primeiro chegou ao Brasil com o título TERROR NO PÂNTANO), eu vi FROZEN, cujas impressões eu coloquei aqui.

HATCHET II inicia no exato momento em que o filme anterior acaba, só muda a atriz principal, agora com Danielle Harris (atriz mirim nos anos 80, participou da série HALLOWEEN) interpretando a única sobrevivente do massacre no pântano cometido pelo Victor Crowley, uma espécie de entidade brutamontes e deformada que volta do mundo dos mortos para se vingar dos causadores de sua morte. Se quiserem saber mais sobre o personagem assistam ao primeiro!


Temos um problema neste aqui com o ritmo. Depois de um começo promissor, a coisa demora pra voltar a entrar no trilho, é preciso esperar um bocado pra começar a boa e velha matança de personagens descartáveis. E no quesito “mortes violentas e criativas”, o primeiro também vence fácil. Claro que ver um sujeito ter sua cabeça decepada com as próprias tripas lhe apertando o pescoço é sempre legal… mas de uma forma geral, as mortes acontecem rápidas demais, com poucas exceções, embora sempre com muito gore e exagero. E o filme é bem curtinho, não chega a 90 minutos e a enrolação logo depois do início faz com que o final, as mortes e até a construção de uma atmosfera de suspense sejam feitas às pressas. Não chega a incomodar, mas poderia ser melhor.

O primeiro também tinha a vantagem de mostrar várias mulheres nuas. Aqui, temos duas ceninhas, no máximo.


O bom é que Tony Todd não faz apenas uma apariçãozinha rápida como no filme anterior. Aqui ele é um dos principais personagens e está ótimo, como sempre! Dá pra se divertir com seus discursos e canastrice enquanto esperamos o banho de sangue. No elenco, temos também a presença de Tom Holland, que nos anos 80 dirigiu dois clássicos do horror naquele período, A HORA DO ESPANTO e BRINQUEDO ASSASSINO, e o grandalhão R.A. Mihailoff, que já encarnou o Leatherface em O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 3, do Jeff Burr.

Como já disse, se colocado em comparação com o primeiro, o nível cai um pouco, mas motivos para conferir HATCHET II é o que não falta, nem que seja como um passatempo sem compromisso num domingão à tarde sem nada pra fazer. Apenas uma observação, como na minha resenha de HATCHET vários amigos demonstraram a sua indignação perante à obra, a esses eu recomendo distância deste aqui!

E HATCHET III vem aí!

STALLONE confirma WALTER HILL no comando de HEADSHOT!

Uma das melhores notícias relacionada a cinema de ação badass, sem dúvida alguma! Já faz alguns dias que Sylvester Stallone se encontrou com o mestre Walter Hill para convidá-lo a dirigir HEADSHOT, filme de ação policial estrelado pelo eterno ROCKY/RAMBO; mas hoje, tudo indica que é oficial: Walter Hill realmente vai retornar à cadeira de diretor para comandar a produção. Desde O IMBATÍVEL (2002) Hill não filmava para cinema.

Segundo as palavras do próprio Stallone: “It’s official. We’ve got Walter Hill on board so would love for you to let the world know. We’ve been on the same track since THE DRIVER, then 48 Hrs didn’t happen so here we are almost 35 years later, I’m finally driving with Walter Hill.”

À principio, o filme seria dirigido por Wayne Kramer (NO RASTRO DA BALA), mas por diferenças criativas com Stallone o sujeito pulou do barco. Com Kramer na direção, a coisa já era animadora, na minha opinião. Mas agora com Walter Hill no comando, já se torna um dos filmes mais esperados dos próximos anos.

No entanto, apesar da excelente notícia, o mais importante pra mim é ficar na espectativa de duas coisas: a) Já que decidiu voltar atrás e vai dirigir OS MERCENÁRIOS 2, espero que o Stallone aprenda algumas dicas de como filmar sequências de ação (especialmente cenas de luta, algo que não deve ter em HEADSHOT, mas que o Hill sabe filmar muito bem; e acho o Stallone um puta talendo pra cenas de ação, tendo em vista RAMBO 4 e as cenas de tiroteio de OS MERCENÁRIOS; meu problema são as cenas de luta), ou b) Que o Stallone dê uma bajulada e convença o próprio Walter Hill de realizar OS MERCENÁRIOS 2! Por que não, oras? Aí sim poderiamos aguardar com segurança a obra prima que o primeiro não foi (mas não preciso dizer de novo que eu sou fã de OS MERCENÁRIOS, né?!).

11.4.11

SAVATE (1995)

Mais um do Isaac Florentine pra não perder o costume e, espero, que vocês já não estejam de saco cheio desse cara. Depois deste texto, pretendo dar uma pausa pra vocês descansarem antes de prosseguir com a filmografia dele. Mas o legal é que SAVATE, pelo menos em realação aos anteriores, é bem mais otimista com o futuro do diretor, já que seu filme de estréia, DESERT KICKBOXER, não é lá grandes coisas e antes só havia feito um curta que quase ninguém viu, FAREWELL TERMINATOR, realizado ainda em seu país natal, Israel.

Em SAVATE temos um dos elementos mais importantes de Isaac Florentine sendo trabalhado de maneira bem eficiente: a PANCADARIA! Uma das vantagens desta vez é a presença do ator francês Olivier Gruner, que está longe de ser um bom ator, mas possui grandes habilidades em artes marciais, com chutes incríveis e rápidos. Juntando a vontade do diretor em realizar muitas sequências de luta, com um ator que sabe lutar, o resultado não seria menos do que uma boa diversão.

E mais uma vez Florentine utiliza cenários diferenciados para narrar seu filme de porrada. Se FAREWELL transcorria num mundo pós apocalíptico e DESERT KICKBOXER, como o título já diz, se passa quase totalmente num deserto, a história de SAVATE é contextualizada no oeste americano do seculo XIX, ou seja, é um autêntico híbrido de western com artes marciais.

Na verdade, o filme é inspirado em história verídica, sobre o primeiro lutador de kickboxer do mundo! Claro que isso não tem a menor importância, porque dificilmente vou comprar a idéia de que o primeiro lutador de kickboxer realmente viveu o que o protagonista de SAVATE vive.

O cara é um oficial francês (Gruner) que veio parar nos Estados Unidos em busca do assassino de seu melhor amigo. Acaba conhecendo um casal de irmãos que tem problemas com um figurão da cidade, R. Lee Ermey (o sargento Hartman de NASCIDO PARA MATAR), que quer comprar as terras de todos os fazendeiros a qualquer custo, fazendo ameaças com seus capangas… a mesma história de sempre. E o nosso herói, por fim, acaba entrando num torneio de luta, ao estilo dos filmes do Van Damme (com habilidades de cada lutador de acordo com a origem de seus países) onde enfrenta o seu inimigo, vivido pelo grande Marc Singer! No elenco ainda temos James Brollin, como um oficial corrupto, e a belezinha Ashley Laurence (de HELLRAISER), como possível par romântico do protagonista.

SAVATE foi lançado direto no mercado de vídeo, quando o gênero “kickboxer movie” já estava em decadência. Mas com um elenco desses e uma história movimentada onde cenas de ação e pancadaria surgem organicamente a cada cinco minutos, só poderia resultar em pura diversão! Tem suas falhas, obviamente, é cheio dos mais diversos clichês, atuações fracas e exageradas, roteiro forçado e meia boca, mas tudo isso dá ao filme aquele charme a mais, um sabor de tralha que os amantes de cinema classe B sabem admirar…

3.4.11

DESERT KICKBOXER (1992)

Apesar de DESERT KICKBOXER conseguir variar um pouco o estilo “kickboxer movie”, o resultado não chega a ser dos melhores. Se bem que analisar de uma forma geral os filmes do gênero é um troço complicado. Muita exemplar genérico, sem muita criatividade, atuações ruins, a grande maioria com tramas realmente fracas e lutas mal feitas, ou seja, o principal atrativo dos filmes nem sempre faz valer a pena… por isso é um subgênero tão frágil (embora ainda tenha sido divertido acompanhar o ciclo no início dos anos noventa, quando eu era moleque).

Lembro de ter visto este aqui na TV há muito tempo. Revi esses dias pelo simples fato que se trata do primeiro longa do diretor Isaac Florentine! Daí surgiu a curiosidade de relembrar o filme e confirmar que realmente não é grandes coisas, mas tem seus momentos, dependendo do clima que você estiver...

O ator John Newton foi o Superboy da série televisiva dos anos 80. Apesar de garboso, não chegou a fazer muito sucesso depois. Aqui ele vive Hawk, um policial descendente de índios Navajos que vive num deserto americano, fazendo fronteira com o México, para combater o tráfico de drogas à base da porrada na cara e voadoras. O sujeito foi campeão de kickboxer (ou pelo menos é o que eu imagino, já que é a modalidade indicada no título), mas sofre de um profundo trauma por ter matado o oponente em sua última luta.

Os problemas começam quando uma mulher decide passar a mão na grana de um poderoso traficante, vivido por Paul L. Smith (o Brutus da versão do cinema de Popeye, dirigido pelo Robert Altman), e foge para o deserto com seu irmão retardado tendo sua cabeça à prêmio e a bandidagem à sua cola. Só que Hawk, experiente habitante do deserto, a encontra primeiro. E aí já viu, né?

O filme é bem despretensioso e tem quase totalmente o deserto como cenário. Dá pra perceber claramente que é uma produção pobre, independente e com um ritmo lerdo demais para esse tipo de história. O roteiro não traz nenhuma novidade, mas de vez em quando surge um personagem interessante, como na cena da gangue de motoqueiros cujo líder, vestido de padre, é uma figuraça!

As cenas de luta se resumem ao puro exibicionismo de John Newton (e de seus mullets!). São curtas e sempre contra oponentes que não sabem lutar. Temos apenas duas sequências um pouco mais elaboradas: a do início, mostrando o combate no ringue onde o adversário do protagonista acabou morto (e o cenário não passa de um fundo preto, com alguns flashes de máquinas fotográficas e efeitos sonoros de uma torcida gigantesca) e a luta final, contra o capanga do traficante que curiosamente também é praticante de kickboxer!

Mas não esperem a virtuosidade de Florentine nas coreografias. São lutas bem meia bocas, mas justamente por isso, dão aquele charme tosco para os que curtem uma boa tralha. A sequência final é bem preguiçosa, dá pra ver até a sombra da equipe de produção no canto da tela enquanto os atores trocam chutes e o roteiro ainda resolve certas situações com típicos clichês vagabundos!

Mas apesar disso e de toda brutalidade física, o final reserva grandes lições filosóficas para o especatador mais atento. Afinal, nada na vida é por acaso, e é isso que Hawk descobre em seu confronto, trazendo de suas memórias traumáticas a motivação para derrotar seu novo oponente. E ainda, aprendida a lição, ele não se deixa cometer dos mesmo erros. Claro que segundos depois, ele utiliza o meliante como escudo vivo pra não levar bala, mas também já seria exigência demais. É uma coisa linda, no fim das contas!

FAREWELL TERMINATOR, curta metragem israelense e primeiro trabalho do Florentine, valia muito como curiosidade. Já DESERT KICKBOXER serve mesmo para os fãs arretados do gênero, que sabem apreciar até mesmo os exemplares ruins... para estes, o filme até pode divertir um pouquinho.

30.3.11

FÚRIA SOBRE RODAS (Drive Angry 3D, 2011)

Texto fresquinho dessa nova tralha do Nicolas Cage. Só que eu ainda não vi o filme! Estou abrindo espaço ao amigo Gustavo Daher, que mora em São Paulo e conseguiu marcar presença numa cabine para a imprensa do filme FÚRIA SOBRE RODAS. Como ele conseguiu eu não sei, mas aí vão as suas impressões sobre o filme, que já deve estar para estrear aqui no Brasil.


por Gustavo Daher

Violência, nudez gratuita, satanismo e canastrice do Nicolas Cage em 3D. Junte tudo isso num filme completamente sem noção e você tem um dos filmes mais divertidos do ano.

E a pedido do meu amigo Ronald, escrevi essa singela crítica.

A história: Nicolas Cage é Milton, um cidadão que está atrás de Jonah King (Billy Burke), um líder satanista que matou sua filha e sequestrou sua neta para sacrificá-la num ritual. Correndo contra o tempo, Milton conhece uma moça esquentada chamada Piper (Amber Heard, gostosíssima) que irá ajudá-lo nessa missão. Só que há um detalhe: Milton fugiu do inferno - literalmente - para vingar a morte da filha e por causa disso há uma "entidade" atrás dele: o Contador (William Fichtner, impagável).

E o resultado desse samba do crioulo doido é um filme divertidíssimo, que faz bom uso da tecnologia 3D e não se leva a sério em qualquer momento. O diretor Patrick Lussier (responsável pelo remake do DIA DOS NAMORADOS MACABROS) aproveita e coloca muitas cenas de violência (decapitação, tiro no rosto, madeira enfiada no olho, etc) e fartas doses de nudez gratuita. E ainda há uma agradável surpresa: a participação engraçadíssima do veterano Tom Atkins no filme, no papel de um capitão da polícia.

Finalizando: um filme de ação deveras supimpa e incrivelmente divertido. Altamente recomendado.

29.3.11

FAREWELL TERMINATOR (1987)


Vamos falar de Isaac Florentine. Acabei de ver FAREWELL TERMINATOR, que é o primeiro filme do sujeito, realizado ainda em seu país natal, Israel, uma mistura de ficção científica pós-apocalíptica com ação e artes marciais, e que não chega a 30 minutos de duração.

O clima lembra os filmes do gênero daquele período, os rip-off de MAD MAX, principalmente os produzidos pelos italianos e também as tralhas do Cirio H. Santiago e gente dessa laia, mas já demonstra um modesto talento e estilo próprio de Florentine em coduzir cenas de ação e pancadaria. Além da capacidade de trabalhar com pouquíssimo recurso, mas muita criatividade, utilizando como cenário uns entulhos de concreto e sujeira, ruinas de prédios e carros batidos para compor uma atmosfera que funciona muito bem.

A história não é nada de mais. Mas não era intenção do Florentine, que escreveu o roteiro junto com Yehuda Bar-Shalom, gastar fosfato em um roteiro mais elaborado que serviria apenas de veículo para que o próprio Florentine explorasse seus interesses intelectuais e filosóficos... como tiros e pontapés na cara, por exemplo.


Ainda assim, a trama não deixa de ser interessante: no futuro, o governo utiliza uma espécie de polícia especial, conhecida como Terminators, para eliminar os rebeldes. Acompanhamos Dror, um policial que está prestes a se aposentar e ganhar passe livre para sair do país. Em seu último dia de trabalho, precisa enfrentar Schneider (o próprio Florentine), um ex Terminator que trocou de lado. Ainda na trama, Dror descobre que está com sua cabeça a prêmio e que a polícia está por trás disso. É uma boa premissa… com menos de meia hora de duração então, dá pra se divertir um bocado.

E o foco fica mesmo na ação e nas cenas de luta. Não são perfeitas, tão bem montadas e coreografadas como os filmes atuais do diretor, como NINJA e UNDISPUTED III. No entanto, percebe-se claramente porque o cara conseguiu emprego rapidinho em solo americano, a princípio fazendo alguns B Movies e episódios de Power Ranges (Argh!)… depois voltou a se dedicar a fazer B Movies, mas com um pouco mais de grana, com atores conhecidos, como Van Damme, Dolph Lundgren, Gary Daniels e seu ator habitual, Scott Adkins.

FAREWELL TERMINATOR não é tão fácil de encontrar, eu suponho, mas se você tiver a oportunidade, não perca. Vale muito como curiosidade para quem já é fã de filmes de ação de baixo orçamento, especialmente do trabalho do Isaac Florentine, e também para os fanáticos por obras obscuras de ficção pós-apocalíptica dos anos 80.