8.5.10

ROLAND EMMERICH NÃO CHEGA NEM PERTO DISSO AQUI

Quem curte efeitos especiais à moda antiga e cinema clássico de ficção científica vai adorar o vídeo no final do post. Trata-se de uma cena de DELUGE, um filme catástrofe americano de 1933 que mostra, com muita eficiência (e um genial trabalho de maquetes), a destruição de algumas cidades americanas causadas por terremotos e maremotos de larga escala, principalmente Nova York, como é mostrado no vídeo.

Dirigido por Felix E. Feist, o filme acabou perdido por muitos anos e só foi encontrado no início dos anos oitenta na Itália, numa versão dublada em italiano. Esta versão chegou a ser lançada em VHS na época, ainda assim permaneceu na obscuridade. Eu mesmo não cheguei a assistir ao filme, que dizem ser bem chato, na verdade, mas essas cenas me deixaram bastante impressionado.

HALLOWEEN 4 - THE RETURN OF MICHAEL MYERS (1988), de Dwight H. Little

A idéia de realizar um filme de terror diferente para ser lançado a cada Halloween era bacana e acabou gerando o divertido e intrigante HALLOWEEN III. Mas como eu disse no post sobre o filme, o público não embarcou no projeto o qual não tinha relação alguma com os dois filmes anteriores. Eles queriam o serial killer Michael Myers de volta e os produtores acabaram atendendo a solicitação.

John Carpenter chegou a escrever um roteiro que foi logo rejeitado pelo teor psicológico, retratando mais as consequências e os efeitos nos cidadãos de Haddonfield em relação aos assassinatos ocorridos dez anos antes. Ao invés disso, os produtores optaram por um slasher movie comum, como muitos daquele período, embora já desse indícios de seu declínio. Carpenter abandonou a franquia e este foi o primeiro que não teve seu nome nos créditos (a não ser no tema musical criado para o primeiro filme).

Mas isso não siginifica que HALLOWEEN 4 seja ruim. Muito pelo contrário.

A trama se passa dez anos após os acontecimentos do segundo filme. Tanto Myers quanto o Dr. Loomis (Pleasence) sobreviveram milagrosamente à explosão que fecha HALLOWEEN II. Um personagem chega a comentar o assunto logo no início, quando alguns paramédicos vão transportar o moribundo Myers para um outro local. O sujeito aparentemente não oferece perigo algum, mas basta estar em movimento dentro da ambulância para demonstrar que ainda não perdeu a velha forma de matar pessoas violentamente.

Dr. Loomis, agora desfigurado, velho e acabado, novamente se encarrega em tentar deter Michael Myers que retorna a Haddonfield para acabar com a vida de sua sobrinha de uns seis anos (Danielle Harris) e de qualquer um que entre em sua frente, como de costume… O filme não explica claramente o que aconteceu com Laurie Strode, tudo indica que tenha morrido, mas em futuras continuações ela retorna. Se bem que isso não faz muita diferença para esses roteiristas picaretas. Enfim, sua filha vive com outra família agora.

Na verdade, o roteiro não é dos que podemos considerar entre os melhores do gênero. As falhas saltam aos olhos, mas podem ser relevadas facilmente, principalmente porque a atmosfera de suspense é ótima. Dwight H. Little não é um John Carpenter, mas sabe criar um clima, só lamento que grande parte das mortes aconteçam off screen. Aliás, o resultado ficou tão leve que foi preciso chamar o técnico de efeitos especiais John Carl Buechler (responsável por muitos filmes de terror e sci-fi daquele período e até hoje encontra-se em atividade) para deixar o filme mais violento.

Little futuramente dirigiria dois bons filmes de ação: MARCADO PARA MORTE (1990), onde Steven Seagal enfrenta uma gangue de jamaicanos adeptos ao vodu, e RAJADA DE FOGO (1992), que comentei aqui outro dia, veículo para Brandon Lee demonstrar o que sabia.

HALLOWEEN 4 vale muito também pela presença do Donald Pleasence, sempre a vontade neste que provavelmente seja o personagem mais marcante de sua longa filmografia. Ele ainda faria mais duas continuações na pele do Dr. Loomis antes de falecer em 1995.

O produto final é um bom slasher movie, bem dirigido, inferior aos dois primeiros (ao terceiro também, embora este não seja um slasher) na minha opinião, mas ainda capaz de gelar a espinha em alguns momentos. Até porque uma garotinha de seis anos totalmente indefesa como alvo do psicopata mais tranquilo do cinema é algo bem desconfortável de se ver. E aquele desfecho é sensacional!

6.5.10

O IMBATÍVEL (Undisputed, 2002)/O LUTADOR (Undisputed 2: Last Man Standing, 2006)

No útlimo fim de semana procurei outros filmes recentes do Michael Jai White para vê-lo distribuindo porrada em meliantes como em BLOOD AND BONE e BLACK DYNAMITE. Me deparei com UNDISPUTED 2, continuação de um filme dirigido pelo Walter Hill em 2002 e que, por pura negligência da minha parte, ainda não havia assistido. Enfim, foi uma experiência interessante, além de poder ver um ótimo filme de luta estrelado pelo Jai White ainda tirei o atraso com o filme Hill, que é obrigatório para os fãs do sujeito.

Ambos os filmes se passam em prisões e envolvem lutas “profissionais” entre os encarcerados, mas o resultado de cada é bem diferente um do outro. UNDISPUTED é puro Walter Hill! Cinema classudo, sério, focado em personagens bem talhados e com direção extremamente segura. Temos Wesley Snipes na pele de Monroe Hutchen, campeão de boxe de Sweetwater, uma prisão de segurança máxima que promove legalmente lutas entre presos. Ving Rhames é George Iceman Chambers, o campeão mundial dos pesos pesados que acabou de ser condenado por estupro e encarcerado em Sweetwater. É claro que dois sujeitos desse calibre não dividem o mesmo espaço pacificamente e para nossa alegria vão ter que trocar alguns socos pra decidir quem realmente é o melhor.

Wesley Snipes está ótimo, mas seu personagem não é tão explorado quanto o Iceman de Rhames. Este aproveita para entregar uma excelente performance. Arrogante, cínico e violento, logo estamos torcendo para que o Sr. Hutchen lhe meta a mão na fuça. O elenco ainda conta com nomes de peso, como Michael Rooker, o carcereiro chefe e juiz das lutas; Wes Studi, companheiro de cela de Iceman Chambers; Fisher Stevens, o “técnico” de Monroe; o velho Peter Falk, uma das figuras mais interessantes em cena, um prisioneiro com certas regalias, profundo conhecedor de boxe, aquele tipo de personagem que gostamos de encontrar em certos tipos de filmes...

Walter Hill já possui certa experiência em filmes de luta. Dirigiu o clássico LUTADOR DE RUA, com Charles Bronson distribuído murros em brigas clandestinas. Aqui temos poucas seqüências de ação, mas todas muito bem cuidadas e editadas, garantem um bom espetáculo para acompanhar as excelentes atuações.

Produzido pela Nu Image e dirigido por Isaac Florentine, UNDISPUTED 2 é mais focado no quebra pau mesmo. Não esperem personagens muito complexos, densidade na trama ou certas coerências, mas se você estiver num daqueles dias em que estes probleminhas não fazem muita diferença e o que vale mesmo é uma boa coreografia entre lutadores trocando sopapos, então este aqui é uma excelente pedida!

Iceman Chambes, agora encarnado por Michael Jai White, está na Rússia fazendo comercial vagabundo em troca de dinheiro para pagar as contas. Após uma armação desgraçada pra cima dele, vai parar no xadrez novamente por posse de grande quantia de drogas. Uma desagradável prisão russa é o cenário onde um campeão de artes marciais local quer desafiá-lo. Tudo faz parte de um plano da máfia russa para ganhar uma boa grana em apostas por esta luta.

Pela proposta deste segundo filme, Jai White substitui Rhames a altura, até porque exige muito mais do físico do ator do que de uma atuação brilhante como foi a do Rhames no primeiro. E Jai White faz aquilo que sabe, não é lá muito expressivo, mas está tão a vontade no personagem que não chega a fazer falta uma interpretação mais exigente. Uma diferença drástica que o personagem sofre é que agora ele é o “mocinho” do filme.

Quem está surpreendente é o Scott Adkins, habitual colaborador de Florentine, mandando muito bem nas cenas de ação. Ele vive Uri Boyka, o oponente com o qual Iceman terá de enfrentar. As sequências de luta de UNDISPUTED 2 são de encher os olhos. Os movimentos dos atores, coreografia, edição e principalmente o olhar do diretor contribuem para o ótimo resultado!

Por falar em Florentine, assisti ainda no domingo a outro filme realizado por ele, THE SHEPHERD: BORDER PATROL, estrelado por Jean Claude Van Damme e novamente Scott Adkins como o vilão. O baixinho belga é um patrulheiro de fronteira às voltas com um grupo organizado de traficantes de drogas. O filme não é tão bom quanto UNTIL DEATH, SOLDADO UNIVERSAL: REGENERETION, JCVD, mas consegue divertir tanto quanto esses títulos, principalmente porque comprova o talento de Florentine como diretor de ação.

E para finalizar, um boa notícia aqui.
E a ótima parceria se repete.

3.5.10

HALLOWEEN III: SEASON OF THE WITCH (1982), de Tommy Lee Wallace

O assassinato de um sujeito que dera entrada num hospital totalmente fora de si e repetindo sem parar “eles vão nos matar!”, leva um médico e a filha do defunto a iniciarem uma investigação em uma pequena cidade que vive sob as rédeas de Conal Cochran, presidente da Silver Shamrock Corporation, fábrica de máscaras de Halloween. A investigação revela um plano maquiavélico no qual consiste em matar o máximo de crianças possíveis através de um antigo ritual de sacrifício envolvendo um exemplar da Stonehenge roubada e as tais máscaras de Halloween produzidas na fábrica.

E alguém aí provavelmente deve estar se perguntando: onde andará Laurie Strode, o Dr. Loomis e o psicopata Michael Myers enquanto tudo isso acontece?


Bem, se eu não tivesse certas informações também poderia jurar que peguei o filme errado. Poucas coisas em HALLOWEEM III têm relação com a série original, como a famosa e a excelente trilha sonora, por exemplo. O filme também não é um slasher como os anteriores, não há nenhum assassino mascarado atrás de jovens babás ou casais fazendo safadeza em florestas no meio da noite. Está mais para uma ficção científica com elementos de terror, com direito a cientista maluco, planos diabólicos e tudo mais.

Com Myers morto em HALLOWEEN II (ops, era um spoiler isso, esqueci de avisar, foi mal aê), John Carpenter teve a idéia de lançar a cada ano, no período do Halloween, um filme de terror diferente que envolvesse esta data tão popular para os americanos. O primeiro diretor escalado nesta empreitada foi Joe Dante, que, no entanto, acabou se envolvendo em outro projeto. Quem dirigiu este aqui foi um habitual colaborador de Carpenter, um autêntico "faz tudo", Tommy Lee Wallace.

É óbvio que o público não comprou a idéia! Queriam ver Myers de volta em mais um slasher aterrorizante e não um terror onde máscaras corroem cabeças de crianças (!!!) e que não tivesse absolutamente nada a ver com os filmes anteriores. Portanto, já no filme seguinte os produtores se renderam e em HALLOWEEN 4 Myers retornou do mundo dos mortos (e aparentemente o Dr. Loomis também... ainda não pude ver este).


Mas afinal, qual é o problema com HALLOWEEN III? E eu respondo: absolutamente NENHUM! Trata-se de um filme genial! Temos um enredo interessante, Tom Atkins como protagonista, robôs em forma humana que arrancam cabeças, mortes criativas, boa dose de violência, efeitos especiais de maquiagem desenvolvidos pelo genial Tom Burman, a trilha sonora assinada pelo Carpenter, a única questão é mesmo o fato de carregar no título o nome HALLOWEEN e pertencer a série de alguma maneira. Não fosse esse pequeno detalhe, tenho certeza que teria um pouco mais de reconhecimento. Óbvio que o título não atrapalhe o resultado, mas a repercussão negativa da época parece que obscureceu o filme e hoje é pouco comentado. Mas um dos melhores exemplares do terror oitentista e que merece muito ser visto.

2.5.10

BLACK DYNAMITE (2009), de Scott Sanders / BLOOD AND BONE (2009), de Ben Ramsey

Dois filmes que me agradaram bastante este ano foram essas produções estreladas pelo Michael Jai White, ator que desde o início da década de 1990 busca seu espaço no mercado de filmes de ação, artes marciais e até adaptações de quadrinhos, mas sem grandes resultados. Foi ele quem encarnou Al Simmons, aka Spawn, criação do Todd McFarlane, o qual eu admiro bastante mais como desenhista, na adaptação para o cinema. Pena que o filme é ruim de doer. Dava pra render algo bem interessante com o personagem, embora não faça muito o meu gênero... Ainda nas adaptações, White teve uma pequena participação no último filme do Batman.

Enfim, White finalmente vem acertando em suas escolhas nos últimos anos. BLACK DYNAMITE é um achado que merece ao menos um comentariozinho aqui no blog. Assisti em janeiro deste ano e acabei deixando passar, mas como nesta semana me deparei com o BLOOD AND BONE, lançado logo depois de BD, resolvi consertar. O filme é uma brilhante homenagem/paródia dos blaxploitations setentistas. Fotografia, edição, direção, trilha sonora, personagens, tudo funciona nesta brincadeira que consiste em dar ao filme uma roupagem de outra época, mesmo que para isso seja necessário exagerar na maquinação dos elementos, forjar de maneira escrachada este universo tão pertencente a um estilo enraizado nos anos setenta.

Aparentemente, o resultado pode parecer mais uma zoação do que homenagem, aliás, é algo bem mais fácil de fazer e que já existem aos montes por aí. Mas, olhando mais de perto, percebe-se claramente que os realizadores de BLACK DYNAMITE sabem exatamente onde estão se metendo. Nas mãos de algum sujeitinho que pensa que é diretor, financiado por um grande estúdio, sem dúvida alguma teríamos mais uma comédia explorando futilidades superficiais, roupas e penteados da época, como se fossem muito engraçados. Já o trio de roteiristas, Byron Minns, Scott Sanders (que é o diretor) e o próprio Jai White, demonstram uma paixão fetichista pelo tema e um conhecimento notável pelo cinema blaxploitation.

Tarantino e Rodriguez bem que tentaram algo parecido no projeto Grindhouse, mas não chegam nem perto do resultado de BLACK DYNAMITE. Vejam bem que não estou discutindo a qualidade das obras. Adoro tanto PLANETA TERROR quanto DEATH PROOF, mas no quesito “resgate histórico” não passam de tentativas falhas. PLANETA TERROR é uma delícia, o problema é que se perde no meio de tantos efeitos especiais em CGI e resgata mais os filmes anos 80 do que a década anterior. Já DEATH PROOF é um típico filme de Tarantino, com aquele estilo bem anos 90 que ele ajudou a desenvolver no cinema americano, com bastante diálogos e diálogos e diálogos, por favor, que exploitation tem uma linguagem como esta? O único lampejo setentista são os últimos 30 segundos até surgir o THE END. Mas é bom pra cacete, adoro o personagem do Kurt Russel no filme!

No entanto, se querem assistir a um belo exemplar o qual realmente captou a essência de um subgênero exploitation dos anos 70, assistam BLACK DYNAMITE! Os realizadores pegaram o espírito da coisa com tudo no seu devido lugar. Se você for fã de blaxploitation então, este aqui é obrigatório. Michael Jai White está absolutamente perfeito no papel do policial casca grossa que faria Shaft tremer na base. O sujeito não tem expressão alguma no rosto e carrega o filme nas costas mesmo assim, fora que tem uma puta presença em cenas de ação, especialmente nas seqüências de luta! Fortemente recomendado.

E luta é o que não falta em BLOOD AND BONE, que assisti recentemente. Foi lançado direto em DVD, inclusive no Brasil, com o título LUTADOR DE RUA. Não possui a mesma qualidade criativa de BD, mas cumpre perfeitamente a promessa de ser um ótimo passatempo, além de colocar o White oficialmente como uma das mais promissoras figuras do cinema de ação de baixo orçamento, o que não é pouco para um sujeito que possui esse gosto duvidoso como eu.

BLOOD AND BONE é um filme de luta por excelência, à moda antiga e sem frescuras (estou cansando de usar essa expressão, ela aparece em 90% dos meus textos). Parece ter saído do início dos anos 90. Me lembrou o LEÃO BRANCO, com o Van Damme, a febre dos kickboxer movies e vários outros sobre lutas clandestinas. E que se dane se o roteiro elabora uma trama besta que serve apenas como desculpa para que Jai White caia na porrada com um bando de brutamontes, ou que as atuações são ruins pacas e as cenas de lutas exageradas.

Um bom sinal de que esse filme é capaz de proporcionar 90 minutos do mais puro cinema badass acontece logo na abertura. Bone (Michael Jay White) é apresentado no banheiro de uma prisão fazendo suas necessidades tranquilamente, mesmo sabendo que uma gangue de estupradores vem em sua direção com intenções que eu, particularmente, daria tudo para não estar na pele do infeliz. O líder da gangue é ninguém menos que Kimbo, um lutador profissional na vida real que dá medo só de olhar. Mas como não sou eu quem está lá para ser arrombado, Bone consegue se safar simplesmente nocauteando a gangue inteira com socos, voadoras e tchan, surge o título do filme explodindo na tela. Isso é bom pra cacete!

O resto da estória se passa fora da prisão, quando Bone volta à liberdade e tenta se restabelecer perante a sociedade, certo? Errado! Na primeira noite já procura uma luta clandestina para socar alguns sujeitos e ganhar uma boa grana. Aos poucos vamos descobrindo que tudo não passa de um plano de vingança bem elaborado, mas até que suas atitudes fiquem bem esclarecidas, teremos visto Jai White desferindo golpes em muito vagabundo.

Eamonn Walker é um ator do qual eu nunca tinha ouvido falar, mas seu personagem é inesquecível para quem curte um bom vilão. Ele vive uma espécie de cafetão para lutadores de brigas de ruas. Sádico até o talo, mata a sangue frio, solta pitbulls em velhos bisbilhoteiros, mantém sua mulher sob drogas para controlá-la e possui uma coleção interessante de espadas. Anda com ternos caros e um acessório muito cool, uma bengala falsa que esconde uma espada bem afiada. Pena que no confronto físico com Bone ele sairia em pedacinhos. Outro personagem interessante é o do esquecido Julian Sands, mas ele aparece bem pouco, o suficiente pra faturar um cheque e pagar as contas.

Já o herói do filme é um caso estranho. Ele age o filme inteiro de forma ética, praticando o bem (mesmo entrando em lutas clandestinas, já que a finalidade justifica a sua atitude), mas várias perguntas sobre seu passado ficam sem respostas... Apenas sabe-se que ele não era “flor que se cheira”, tanto que inicia o filme como prisioneiro (até o motivo exato da prisão não tomamos conhecimento). Ao final, ficamos sem saber direito quem ele era, apenas que lutou bastante, literalmente, com um objetivo nobre em vista. E logo depois, parte em rumo ao por do sol...

Simples, classudo, brutal e eficiente, recomendo com uma sessão dupla com o BLACK DYNAMITE. Aposto que vão virar fãs de Michael Jai White!

29.4.10

HALLOWEEN II - O PESADELO CONTINUA (Halloween II, 1981), de Rick Rosenthal

Primeiro, uma confissão: da série HALLOWEEN original (e não essa bobagem do Rob Zombie, cujo segundo não me dei nem o trabalho de assistir ainda) os únicos filmes que realmente vi foram os dois primeiros. O do John Carpenter é uma belezura, puta aula de suspense, trabalho atmosférico sensacional, além da utilização magistral de vários elementos que serviram de base para toda uma cadeia de filmes de terror que brotou nos anos 80. Estou sempre revendo. Aliás, toda a obra do velho Carpinteiro deveria ser vista e revista incontáveis vezes...

A continuação de HALLOWEEN, até onde me lembro, foi um dos primeiros filmes de terror que assisti, antes até do que o original. Mas para um pirralho medroso isso não fez diferença alguma, borrei de medo de qualquer forma. Hoje, revendo depois de tanto tempo, continuo achando um bom filme, inferior ao primeiro, mas não deixa de possuir sua força dentro do gênero.

Escrito pelo próprio John Carpenter em parceria com a sua colaboradora, Debra Hill, HALLOWEEN II continua no mesmo ponto onde o primeiro filme termina. Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), depois de quase comer capim pela raiz nas mãos do louco varrido Michael Myers, vai parar num hospital praticamente deserto sobre o qual o filme transcorre como seu cenário principal. Enquanto isso, o Dr. Loomis (Donald Pleasence), que descarregou seu 38 em Myers, procura o corpo do sujeito, o qual simplesmente levantou, fugiu e desapareceu. O roteiro ainda aproveita para criar um laço familiar entre Myers e Laurie para botar mais lenha na fogueira.

Logo no início, seguimos os passos de Myers espreitando entre aquelas casinhas americanas sem muros. Essas sequências já apresentam o tom do filme, cheio de câmeras subjetivas e uma lentidão quase poética que faz todo sentido em relação ao seu assassino. Michael Myers é daqueles que nunca correm atrás de suas vítimas, deixando o espectador com os nervos à flor da pele com suas perseguições perturbadoras. Enquanto a criatura desesperada sai quebrando tudo pela frente numa correria desenfreada, Myers segue dando seus passinhos calmamente e, exceto os "mocinhos", sempre alcança o alvo onde menos se espera.

Uma das melhores cenas de HALLOWEEN II se caracteriza justamente pela situação acima (tirando o desfecho, claro), quando Laurie corre freneticamente pra não ter a carcaça perfurada e tem de esperar o elevador abrir a porta enquanto Myers vem tranquilo em sua direção. Se ele tivesse apertado os passos um pouquinho, teria cortado mais uma garganta para a sua coleção, mas não seria também uma cena magnífica de puro suspense que simboliza a essência de um dos grandes elementos do slasher movie.

Acho que elogiar a direção de Rick Rosenthal é um tanto equivocada. Não sou o mais indicado a falar sobre o assunto, mas li em alguns lugares que após várias discussões e muitas diferenças de opiniões, Carpenter meteu um pé na bunda de seu diretor e assumiu o posto. Não seria surpresa se ele tivesse dirigido a cena do elevador, mas realmente HALLOWEEN II tem muito de John Carpenter. Se foi mesmo o Rosenthal que dirigiu a maioria das cenas, meus sinceros elogios a ele. Fez um ótimo trabalho!

Só sei que em 2002, Rosenthal dirigiu HALLOWEEN: RESURRECTION, cuja cara não é nada promissora...

Jamie Lee Curtis retorna ao papel que praticamente a lançou no cinema, mas fica meio apagada, até porque sua personagem é uma moribunda na cama do hospital em grande parte do filme. Quem se destaca mesmo é o sempre genial Donald Pleasence em performance inspirada e muito participativo.

Em tempos de HALLOWEEN’s de Rob Zombie, SEXTA FEIRA 13, de Marcus Nispel, e outras tralhas pretenciosas que aparecem nos cinemas atualmente, fico com qualquer slasher menor dos anos 80. Agora que revi esta segunda parte da série iniciada pelo Carpenter, vou procurar assistir logo as partes seguintes que ainda não tive o prazer (ou desprazer) de conferir.

25.4.10

THE SCARAB

Pelo teor do trailer abaixo, dá para notar que esta produção não é bem chegada aos padrões de qualidade aprovada pela crítica “séria” nem pelo grande público. No entanto, em tempos de superproduções milionárias de super heróis inspirados em quadrinhos (e que poucas vezes resultam em algo realmente interessante), quem curte uma boa tralha de baixíssimo orçamento poderá tirar algum proveito de AVENGING FORCE: THE SCARAB (2010).

Como podem ver, o filme definitivamente não estará cotado para a disputa do próximo Oscar (acho que nem no Framboesa ele teria chance), mas eu tenho uma fascinação obsessiva com este tipo de filme ruim e só descanso depois de ter visto com meus próprios olhos. Posso até me arrepender pelos 90 minutos perdidos, mas na maioria das vezes a diversão é garantida!

THE SCARAB
terá lançamento discreto nos cinemas canadenses no próximo dia 26 de Abril (sim, amanhã, em plena segunda feira), terra natal do diretor Brett Kelly, realizador de algumas “pepitas” classe B nos últimos dez anos. O personagem título é baseado em quadrinhos criado nos anos 40.

24.4.10

GARY SHERMAN EM DOSE DUPLA (OU MAIS UMA DA SÉRIE "TIRANDO O ATRASO")

Risquei dois trabalhos deste ótimo diretor da minha listinha de filmes (quem não tem uma?). Apesar de ser mais conhecido pela sua contribuição na década de 1980, foi no início dos anos 70 que o americano Gary Sherman estreou na direção comandando uma produção britânica, DEATH LINE (1972), bastante elogiado na época. Já em seu país natal, o filme foi distribuído pela AIP e rebatizado como RAW MEAT. Infelizmente teve pouca bilheteria e passou muito tempo esquecido pelo público. No Brasil chegou a ser lançado em VHS como METRÔ DA MORTE

A trama envolve um casal americano em Londres, investigação policial de pessoas desaparecidas e o mito de uma colônia de canibais numa antiga área do metrô da capital inglesa. Tudo muito bem amarrado num roteiro instigante que conta com a presença de vários personagens interessantes, como o chefe da polícia interpretado pelo sempre fenomenal Donald Pleasence, cínico, sarcástico, impagável. Há também uma minúscula participação de Christopher Lee. Sua cena é tão pequena que dá a impressão de que ele devia estar passando pelos sets para dar um “alô” pra moçada e acabou convencido de fazer a ponta. Não deixa de ser curiosa.

Embora seja seu primeiro filme, Sherman marca DEATH LINE com um notável trabalho atmosférico e beleza visual grotesca realmente deslumbrante para os fãs de terror, com direito a vários longos planos que mostram detalhes de corpos esquartejados no covil dos canibais.

Segundo algumas entrevistas, nunca foi a intenção de Sherman se tornar um diretor de filmes de terror, tanto que logo após DEATH LINE ele tentou partir para romances dramáticos, mas ninguém queria comprar as idéias do mesmo cara que havia realizado tal filme de horror britânico. Seu nome já estava enraizado no gênero. No cargo de diretor, ficou sem trabalho o resto da década de 1970.
Em 1981, teve de render-se novamente ao terror e realizou DEAD & BURIED, que foi o outro trabalho de Gary Sherman que assisti recentemente. O filme, que no Brasil recebeu o título de OS MORTOS VIVOS, se passa numa pequena cidadezinha costeira americana e é uma inteligente releitura de filmes de zumbis e seitas misteriosas. Não é coincidência um dos roteiristas ser o Dan O’bannon... E os efeitos de maquiagem ficaram a cargo do genial Stan Winston.

Não temos grandes nomes reconhecidos pelo público no elenco, a não ser a pequena presença de Robert Englund, o eterno Freddy Krueger. Mas todos estão muito bem, principalmente James Farentino que vive o xerife da cidade.
A direção de Sherman é mais contida nesta sua segunda experiência, mas não deixa de ter imagens inesquecíveis. A cena da enfermeira sádica enfiando uma agulha no olho de um paciente que precisava ser eliminado é sensacional. Uma pena que algumas sequências noturnas sejam muito escuras, mas dá um charme atmosférico interessante. Até certa altura de DEAD & BURIED, embora eu estivesse gostando bastante, não conseguia enxergar porque se tornou cult entre alguns fãs do gênero, até que veio o plano final arrebatador e aí eu compreendi o porquê. Filmaço mais que obrigatório! Aliás, DEATH LINE também. É uma pena que Gary Sherman esteja sumido atualmente...