17.11.11

RUGGERO DEODATO É O PRINCIPAL CONVIDADO E HOMENAGEADO DO 6º CINEFANTASY


PROGRAMAÇÃO - RUGGERO DEODATO

22/11 – TERÇA-FEIRA
CINEMATECA BRASILEIRA
LARGO SEN. RAUL CARDOSO, 207


16h30
O ULTIMO MUNDO DOS CANIBAIS (Ultimo Mondo Canibale)
(Ficção, Horror, Itália, 1977, 95’, 35mm)
Direção: Ruggero Deodato
Elenco: Massimo Foschi, Ivan Rassimov, Me Me Lai, Sheik Razak Shikur, Judy Rosly, Suleiman e Shamsi

Alegadamente baseado numa história real (o que não é verdade), o filme mostra o drama de Robert Harper, um magnata do ramo do petróleo, que, perdido nas selvas da Nova Guiné, é aprisionado por uma tribo de primitivos que vivem nos tempos das cavernas e praticam o canibalismo.

18h30
HOUSE ON THE EDGE OF THE PARK (La Casa Sperduta Nel Parco)
(Ficção, Horror, Itália, 1980, 91’, 35mm)
Direção: Ruggero Deodato.
Elenco: David Hess, Annie Belle, Christian Borromeo, Giovanni Lombardo Radice, Marie Claude Joseph, Gabriele Di Giulio, Brigitte Petronio e Karoline

Dois vagabundos arruaceiros entram sem ser convidados* em uma festa chique. Após serem expulsos por seus anfitriões esnobes, os fazem de refém e os submetem a diversos tipos de tortura e sofrimento.

* Nota do editor do blog: não fui eu quem escreveu essas sinopses, portanto, uma pequena correção. Na verdade, os dois vagabundos são convidados sim.

20h
HOLOCAUSTO CANIBAL (Cannibal Holocaust)
(Ficção, Horror, Itália, 1980, 95’, 35mm)
Direção: Ruggero Deodato.
Elenco: Robert Kerman, Francesca Ciardi, Faye Daniels, Perry Pirkanen, Luca Barbareschi, Salvatore Basile, Ricardo Fuentes, Carl Gabriel Yorke, Paolo Paoloni, Lionello Pio Di Savoi e Luigina Rocchi

Professor da Universidade de Nova York vai atrás de uns documentaristas perdidos, quando esses saíram para filmar na Amazônia. Lá chegando, ele descobre os horrores que eles passaram nas mãos de canibais.

** Bate Papo com o diretor Ruggero Deodoto após a sessão do filme “Cannibal Holocaust” - com a participação do crítico de cinema Luiz Carlos Merten e do jornalista especialista em horror italiano Paolo Zelati.



Serviço:
6º CineFantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico
Programação especial – RUGGERO DEODATO - Dia D
22/11 – TERÇA-FEIRA
ONDE: CINEMATECA BRASILEIRA
ENDEREÇO: LARGO SEN. RAUL CARDOSO, 207 - VILA MARIANA 

Site oficial: http://www.cinefantasy.com.br/

13.11.11

LESSONS IN KNIFE FIGHT


CAVALGADA DOS PROSCRITOS (1980), Walter Hill


COMANDO PARA MATAR (1985), Mark L. Lester


A FORÇA EM ALERTA (1992), Andrew Davis


CAÇADO (2003), William Friedkin


SHA PO LANG, aka KILL ZONE (2005), Wilson Yip



SENHORES DO CRIME (2007), David Cronenberg


I SAW THE DEVIL (2010), Jee-woon Kim


THE MAN FROM NOWHERE (2010), Jeong-beom Lee

12.11.11

HIGH CRIME (La polizia incrimina la legge assolve, 1973)

Já tinha escrito um textinho pequeno e superficial sobre este filme tempos atrás, mas como estão me cobrando mais Castellari – e com razão – resolvi rever para postar algo tão superficial quanto o texto anterior, mas um pouquinho mais detalhado e condizente com o especial Enzo Castellari que iniciei aqui no blog há alguns meses e dei uma parada, mas estou retomando a partir de agora. E só um detalhe para os mais aficcionados no homem: pulei dois filmes, ETORE, O MACHÃO e TEDEUM. O primeiro não encontrei em lugar algum e o segundo só achei com uma qualidade horrível e fiquei com preguiça de ver. Prefiro prosseguir com os filmes que me dão vontade ver do que ficar adiando… e no caso do ótimo HIGH CRIME valeu a revisão.
Na época em que foi lançado, o cinema policial italiano, conhecido também como poliziottesco, caminhava para a consolidação que aconteceria no decorrer da década de 70. O comissionário Stefano Belli, personagem encarnado pelo Franco Nero, já havia surgido em UN DETECTIVE, de 1969, comandado pelo Romolo Guerrieri, tio de Enzo G. Castellari.

Assim como no filme de 1969, Franco Nero volta à pele de Belli em HIGH CRIME. Logo na abertura, temos uma operação policial para prender um bandido que culmina numa longa perseguição em alta velocidade pelas estradas italianas filmada com a agilidade e o talento preciso de Castellari. O filme começa bem pra cacete, não tenham dúvidas, e mantém o alto nível até o fim, com boas sequências de ação, dosado com uma carga emocional muito forte na figura do policial protagonista em sua encruzilhada contra o tráfico de drogas e corrupção... alvos frenquentemente vistos no gênero.
E Franco Nero aguenta a pressão de carregar tanta dramaticidade. Entrega uma performance magnífica com seu personagem romântico, lutando por aquilo que acredita com todas as suas forças, absorvendo a figura do action man setentista ao mesmo tempo em que precisa encarar de frente as tragédias e perdas pessoais que são consequências de seu empenho conta o crime (Fernando Rey surge aqui como vilão, sempre ótimo).

É difícil tirar da cabeça o olhar desolado e expressivo de Belli no desfecho… resultado de um belo trabalho combinado entre o gigante talento de Nero com uma sensibilidade fora do comum na direção de Castellari. Mas é claro que não poderia deixar de destacar mais uma vez o trabalho enérgico nas cenas de ação deste mestre italiano. Talvez seja o primeiro filme de Castellari com todas as características que marcam sua assinatura como diretor de ação. Os tiroteios sangrentos filmados em câmera lenta ao estilo Peckinpah, a perseguição do início, sequências explosivas de tirar o fôlego. A ação final é uma aula de enquadramentos e movimentos de câmera.
HIGH CRIME é a primeira colaboração entre Nero e Castellari, o filme seguinte do diretor, STREET LAW, já repete a parceria. Os dois ainda fizeram juntos o maravilhoso e crepuscular KEOMA, CIPOLLA COLT, O CAÇADOR DE TUBARÕES e O DIA DO COBRA… Estes três últimos eu nunca vi. Nem STREET LAW, que já está engatilhado aqui e trago minhas impressões em breve.

11.11.11

DUEL TO THE DEATH (1983)

Na história de DUEL TO THE DEATH existe uma tradição na qual a China e o Japão resolvem suas diferenças à base do duelo. O melhor espadachim da China encara o maior samurai do Japão num confronto mortal. Tudo começa com uns ninjas, obviamente japoneses, na calada da noite, invadindo uma escola chinesa de kung fu em busca de alguns pergaminhos, que eu não faço idéia do que sejam… mas já vale destacar aqui o magistral trabalho de câmera, montagem, atmosfera, coreografia de lutas, trilha sonora, tudo de uma grandesa cinematográfica notável.

O fato é que a partir daqui, cria-se mais um motivo para um novo duelo entre os dois países. De um lado Li Chi Wan (Damian Lau), conhecido como The Lord of the Sword; do outro, o samurai Kada Hashimoto (Norman Chu), que embarca numa jornada até a China para enfrentar seu oponente. O filme ainda apimenta a situação com uma conspiração política nos bastidores da luta, que consiste na tentativa do Japão em dominar a China, enviando um exército de ninjas pra lá. Mas basicamente, o roteiro é só isso.

O que você realmente precisa saber sobre DUEL TO THE DEATH é que se trata de um dos exemplares mais absurdamente malucos do cinema de artes marciais! A partir deste mote simples - não faço idéia do que tinha no café do diretor Ching Siu-Tung - o filme transmite uma liberdade criativa quase subversiva, qualquer viagem alucinógena que os caras tinham na concepção de algumas cenas, era transformada em imagens. E é isso que torna DUEL TO THE DEATH tão memorável, embora mesmo que não houvesse os exageros absurdos de encher os olhos, e tivesse apenas lutas realistas, o filme já teria qualidade suficiente para ser grande, pela direção competente e o belíssimo trabalho de coreografia nas sequências de ação!

No entanto, a trama até que não é tão fantasiosa como ZU, do Tsui Hark, por exemplo, mas o que não falta aqui são personagens fazendo coisas bizarras que desafiam todas as leis da física em cenas de lutas old school estonteantes! Todos os mitos que envolvem especialmente o universo das habilidades ninjas são maximizados à potência mais elevada por aqui. Eles voam, são extremamente sorrateiros, desaparecem e aparecem quando bem desejam, explodem seus corpos em ataques kamikases; há uma cena onde um ninja gigante se transforma em vários ninjas de tamanho normal; e num combate contra um monge, um dos ninjas tira a roupa e se revela uma mulher nua, fazendo com que o pobre celibatário feche os olhos e seja capturado.

As coisas não param por aí! Cabeça decepada falante, cenários inusitados, violência estilizada, efeitos especiais incríveis, DUEL TO THE DEATH mantém até o último minuto tanto um ritmo frenético de ação quanto idéias bizarras do subgênero wuxia. Por fim, o derradeiro e mortal duelo nas rochas é algo digno de qualquer antologia, não somente dos filmes de artes marciais, mas do próprio cinema.

OUTLAND - COMANDO TITÂNIO (1981)


O novo xerife chega à uma cidade mineradora e já começa a demonstrar serviço. Descobre irregularidades no trabalho de mineração, bate de frente com o dono do lugar, é ameaçado de morte, pistoleiros são contratados para se livrar dele num duelo mortal… é basicamente a trama de OUTLAND, uma típica história de um western americano como tantos outros. A grande sacada é que se trata de uma ficção científica que se aproveita perfeitamente de todo um conjunto de elementos do faroeste num cenário espacial futurista. Combinação pra lá de bacana!

A ação se passa em um dos satélites de júpiter, onde existe uma colônia de mineração explorada por uma grande corporação interessada em aumentar a produção à todo custo. Pra isso, promove o contrabando de uma droga extremamente forte que acelera a capacidade produtiva do ser humano por determinado tempo, mas depois ferra com o cérebro do sujeito. O’niel, vivido por Sean Connery totalmente badass, é o novo chefe de polícia do lugar que se depara com a situação e procura desmascarar toda a operação, tendo que enfrentar Mark Sheppard (Peter Boyle), o chefe do tráfico, e vários operários gananciosos.

Quando dois assassinos profissionais de fora são contratados para apagar O’Niel, a chegada da nave é acompanhada através dos painéis digitais espalhados pelo local, estabelecendo uma fascinante ligação com o western de Fred Zinnemann, MATAR OU MORRER: o xerife espera seus algozes e recusa-se a fugir, enquanto a cidade recusa-se a ajudá-lo. A mesmíssima coisa acontece aqui, com as devidas diferenças tecnológicas.

A direção de Peter Hyams - pai do promissor John Hyams - opta por sequências de ação bem contidas, sem grandes exageros, até verossímeis dentro do possível. A ação toda é concentrada na própria situação pelo qual o nosso cowboy espacial precisa enfrentar e a tensão que isso causa no público. Mas quando chega a hora do confronto, o filme também não decepciona. OUTLAND segue a linha das ficções científicas dos grandes estúdios do final dos anos 70/início dos 80, como ALIEN, e alguns cenários parecem saídos de 2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO. A diferença é que não temos um monstro extraterrestre à solta, nem computadores com um parafuso à menos querendo assumir o controle de tudo. Aqui, mesmo no espaço, o grande perigo é o próprio homem.

5.11.11

GOLPE FULMINANTE (Knock Off, 1998)

Revisão de GOLPE FULMINANTE, segunda parceria entre o diretor Tsui Hark e um dos nossos action men preferidos, Jean Claude Van Damme. A primeira foi com A COLÔNIA, outro que eu preciso rever, mas que gosto bastante. Já este aqui, lembrava vagamente da história, que era co-estrelado pelo mala do Rob Schneider e de algumas sequências da ação final, que ocorre num navio cargueiro… ah, e claro, das explosões verdes. A única vez que assisti, foi na época do lançamento em VHS no final dos anos 90. O mais legal foi descobrir que é bem mais divertido do que eu lembrava!

A princípio, o filme se concentra nos personagens de Van Damme e Schneider, que trabalham numa empresa de jeans em Hong Kong e aproveitam para para fazer uma grana extra com produtos falsificados. Tomamos conhecimento de uma organização terrorista russa que desenvolve uma micro bomba com o objetivo de implantar em mercadorias simples e cotidianas, como bonecas, celulares, rádios, e até nas calças falsificadas vendidas pela dupla protagonista, para serem espalhadas pelo mundo. Depois, GOLPE FULMINANTE vira uma bagunça deliciosa, cheia de reviravoltas forçadas, personagens se revelando agentes da CIA disfarçados, Paul Sorvino entra em cena, muita ação ao melhor estilo Tsui Hark, explosões esverdeadas e Van Damme comprovando minha teoria de que, sob a direção de orientais, é um dos maiores performáticos em artes marciais da nossa geração.

Mas é um filme estranho. E nem me refiro à trama, que é uma maluquice. Certas sequências são bizarríssimas e sem qualquer sentido, ao ponto de você não acreditar que está vendo algo assim… o que é aquela cena da corrida de riquexós? Van Damme é quem puxa Schneider e, em determinado momento, os dois passam por uma rua estreita, cheia de comércios e Schneider pega uma enguia e começa a bater na bunda do baixinho belga, como se estivesse manejando um chicote, dizendo “Mova essa bunda linda!”. Que porra é essa?! É uma dessas imagens surtadas que só mesmo GOLPE FULMINANTE pode lhe proporcionar.

Mas a ação do filme é excelente. O Tsui Hark tem um estilo frenético no qual o mais simples diálogo é filmado e montado como uma cena de ação. Então o filme não para em nenhum instante e passa voando. Há uma sequência onde Van Damme encara uns duzentos caras empunhando facões, canos e correntes, dentro de um local fechado… o tipo de coisa que se espera de um Jackie Chan, mas realmente não lembrava que Van Damme já havia feito algo assim (apesar do belga ser substituido em vários momentos por dublês, mas isso não tira o brilho da cena). E, claro, o final que é sensacional, no navio cargueiro, tiroteio e pancadaria comendo solto no melhor estilo do cinema de ação feito em Hong Kong.

Sem contar que, segundo informações que encontrei em alguns sites, a maioria das cenas de ação coreografadas por Sammo Hung, que eu nem sabia que havia sido coreógrafo neste filme, incluindo várias sequências de lutas do final, foram cortadas. Não sei por qual motivo, mas se do jeito que ficou já estava bom, com as cenas do mestre Sammo Hung deveria ficar melhor ainda! De todo modo, se o que você busca são 90 minutos de ação de qualidade, sem muito compromisso, vale uma revisitada neste filmaço! Agora, se ainda não assistiu, GOLPE FULMINANTE se torna obrigatório pra você!

1.11.11

A FORÇA EM ALERTA (Under Siege, 1992)

Já faz um tempinho que não posto algo sobre Steven Seagal por aqui. Quase um ano, pra ser exato! Então, ao trabalho! Estava revendo outro dia A FORÇA EM ALERTA, possivelmente o filme mais acessível para o público que não é fã do ator. Trata-se da primeira incursão de Seagal no mundo mainstream das grandes produções hollywoodianas, ao mesmo tempo em que volta a trabalhar com o Andrew Davis, que o dirigiu em seu primeiro – e bem mais modesto – filme, NICO – ACIMA DA LEI.

Estamos no início dos anos 90 aqui. A modinha dos filmes de ação americanos possuia duas vertentes que eu gosto de destacar: a) Os inspirados pelos filmes do John Woo; b) Variações de DURO DE MATAR. O que surgiu, a partir dos anos noventa, de protagonistas voando em câmera lenta com uma pistola em cada mão, descarregando os pentes em seus alvos, não é brincadeira. Mas não é o caso de A FORÇA EM ALERTA, que segue a fórmula da letra “b”. Mudando vários detalhes da trama, claro, porque os roteiristas são extremamente criativos, e transportando a ação dentro de um porta aviões das forças armadas americanas, temos um não-assumido rip-off de DURO DE MATAR.

Seagal interpreta Casey Ryback, um cozinheiro militar, que trabalha preparando os banquetes do seu capitão e tripulação de bordo. Sério! Steven Seagal é o cozinheiro! Qual é o problema nisso? Tá certo que no passado ele era um agente das forças especiais altamente treinado e capacitado no uso de armas, explosivos e artes marciais e que em uma operação liderada por ele no Panamá, toda sua equipe acabou morta e ele resolveu se aposentar dessa vida e virar cozinheiro… mas é apenas um detalhe e quem já viu o filme sabe que isso não interfere muito na narrativa*.

* Spoiler: mentira, interfere sim.

A história se passa exatamente no dia do aniversário do capitão e um dos seus comandantes, Krill (Gary fucking crazy Busey), está organizando os preparativos e surpresas para a comemoração desta data. Duas delas são bem interessantes. A primeira inclui um conjunto musical, cujo membro principal é o Tommy Lee Jones encarnando uma espécie de Mick Jagger mais afetado que o verdadeiro. A outra, bem mais estimulante, é a coelhinha da Playboy, Miss Julho, que sai do bolo pra fazer um topless pra alegria da moçada! Outro ponto importante é que a intenção principal de Krill nesta data especial é tomar o controle do porta aviões, matar o capitão, e fazer toda a tripulação de refén, até que suas exigências baseadas em suas causas políticas sejam cumpridas pelo governo americano… tudo isso, vestido de mulher, pra enfatizar ainda mais a insanidade de Gary Busey. Tommy Lee Jones se revela um ex-agente da CIA que possui as mesmas intenções de Krill. Miss Julho não sabe de nada e fica esperando o momento de mostrar os peitos… e o cozinheiro vivido por Seagal vai precisar utilizar dos seus dotes culinários para salvar todo mundo.

Mamma mia!!!
O trabalho de roteiro aqui é árduo: conseguir manter a narrativa com uma certa regularidade, porque este tipo de filme de ação específico é frágil e qualquer divisão de cenas e situações equivocadas pode tornar o filme chato e cansativo. Temos o herói, geralmente zanzando pra lá e pra cá, bolando estratégias mirabolantes para salvar o dia, enquanto o(s) bandido(s) demonstra o quão malvado pode ser, revelando suas intenções maquiavélicas, temos os reféns, a parte burocrática das negociações, o drama do par romântico do herói, e por aí vai… Aqui a coisa transcorre numa boa, especialmente com o elenco escalado. Um filme cujo herói tem Gary Busey e Tommy Lee Jones como inimigos mortais é quase impossível de dar errado! Seagal já tinha enfrentado vários grandes vilões, como Henry Silva, William Forsyth, William Sadler e jamaicanos macumbeiros, mas nunca dois vilões de peso ao mesmo tempo, como em A FORÇA EM ALERTA! A direção de Andrew Davis é segura, apesar de salientar a intrigante teoria de que o Davis não gosta muito do rabinho de cavalo do Seagal. É a segunda parceria dos dois e em ambas o astro precisou passar a tesoura na nuca. Mas em termos de ação, não dá pra reclamar. Pancadaria, tiroteios, explosões e uma bela luta de facas, com desfecho violento, entre Seagal e Jones.

Primeira super produção estrelada por Steven Seagal precisava de alguns incrementos para diferenciar um pouco dos filmes anteriores, especialmente a persona habitual do ator. Apesar da estrutura grandiosa dos cenários e efeitos especiais de ponta pra época, Ryback é mais do mesmo em se tratando de figuras dramáticas vividas pelo Seagal, até porque não se pode ter a exigência com ele da mesma forma como teríamos com um Daniel Day Lewis, por exemplo. Mas em A FORÇA EM ALERTA Seagal não é um policial! Um grande avanço, já que todos seus filmes anteriores ele era um homem da lei. Aqui é uma ocupação extremamente diferente, cozinheiro, gerando uma série de diálogos sobre filosofia culinária, além das frenquentes mensagens politicamente corretas e cultura oriental e artes marciais, que não poderiam faltar…Acho que a partir deste aqui, Seagal se tornou praticamente um ator completo e versátil!

Gary Busey soltando a franga.
Até agora fui só elogios, mas algumas coisas precisam ser ditas… ou escritas. O fato é que sou um grande admirador da primeira fase da carreira do Seagal, quando a coisa era mais pessoal, a ação acontecia na vizinhança, as vítimas eram sua família, amigos ou o padre da igreja onde frequenta e os temas eram vingança, limpar a sujeira da cidade, coisas simples, mas sem frescuras. Seus quatro primeiros trabalhos são excelentes filmes de ação da mais pura casca grossa! A FORÇA EM ALERTA segue mais o estilo mainstream de ação, ainda que divertido pacas. No entanto, as motivações são outras, são maiores, pretensiosas e nem sempre fisgam o tipo de público consolidado com os primeiros filmes. Aqui inaugura uma nova fase na qual a carreira do homem começa a entrar em um lento e gradativo declínio e por mais que eu goste da maioria das coisas que Seagal fez depois, nunca mais obteve o nível dos trabalhos anteriores. Mas não vamos chorar! A FORÇA EM ALERTA continua bom pra cacete!

E teve uma continuação que eu preciso rever antes de bater o martelo e dizer que é uma porcaria… Talvez hoje, eu ache divertido…

ACTION MOVIE of the day #10 - HARD BOILED