22.8.11

12.8.11

THE CHALLENGE (1982)

 

aka O GRANDE DESAFIO (Portugal)
direção: John Frankenheimer
roteiro: Richard Maxwell,John Sayles

É impressionante como um filme deste nível é subestimado. Só pela lista de nomes que aparece nos créditos, já merecia algum respeito. Claro que “nomes” não é sinônimo de qualidade, mas no caso de THE CHALLENGE é um destaque a mais de um puta filmaço!

Então vejamos, temos um diretor que aquela altura já possuia uma carreira de dar inveja a qualquer cineasta aspirante, John Frankenheimer; o ator preferido de Akira Kurosawa, Toshiro Mifune; um jovem roteirista e relevante diretor do cinema independente americano, John Sayles; Scott Glenn provavelmente interpretando o papel de sua vida e é a estréia de Steven Seagal no cinema, ainda atrás das câmeras, trabalhando como coordenador de artes marciais.

 

Na trama, um boxeador (Glenn) é contratado para transportar uma espada sagrada até o Japão e entregá-la ao mestre Yoshida (Mifune) em sua escola de samurais. Mas a coisa toda dá errada assim que o sujeito pisa no país do sol nascente se metendo numa enrascada. Sem dinheiro para retornar ao seu país, acaba ficando na escola, se aprofundando nas artes marciais e absorvendo a cultura até chegar num ponto onde resolve entrar na guerra pela tal espada que Yoshida trava com seu próprio irmão, Hideo, um poderoso homem de negócios que deseja a arma de qualquer maneira, nem que tenha de travar um duelo mortal com o irmão.

O lance do choque cultural é bem típico, nenhuma novidade, até porque não precisa de muita coisa, está tudo do jeito que tem de ser. E existem várias sequências de treinamento nas quais o protagonista desenvolve um estilo de luta e aprende certos valores que antes ignorava e etc. É uma espécie de encontro entre INFERNO VERMELHO (choque cultural) com KARATE KID (treinamento e todo blá blá blá). No início, temos um Scott Glenn jogado num sofá, bebendo cerveja, sem dinheiro, sem trabalho e depois de uma longa trajetória o sujeito se transforma em um nobre guerreiro. Talvez nem tão nobre assim. Enquanto Yoshida enfrenta os capangas armados de seu irmão com arco e flecha, estrelinhas e a tal espada sagrada, Glenn utiliza uma sutil metralhadora. O cara é samurai, mas não é bobo!

 

O roteiro é assim, tem um lado mais sério, mas não tem vergonha de ser apelativo quando se trata de ação. Da mesma forma as lutas coordenadas pelo Seagal são brutais e realistas, mas Frankenheimer não liga de mostrar uma cabeça sendo partida ao meio como uma melancia madura e muito sangue para agradar os fãs mais viscerais. Belo filme! Cheio de detalhes, excelente direção e contrastes que tornam THE CHALLENGE um filme tão humano e ao mesmo tempo divertido.

5.8.11

SINNERS & SAINTS (2010)


direção: William Kaufman
roteiro: William Kaufman, Jay Moses

Desde 2001, com FALCÃO NEGRO EM PERIGO, Johnny Strong não realiza nenhum trabalho como ator. Peraê, Johnny quem?! Pois é, eu também não fazia idéia de quem era o sujeito até vê-lo em SINNERS & SAINTS. Não me lembro dele no filme do Ridley Scott, nem em VELOZES E FURIOSOS e O IMPLACÁVEL. Mas depois de vê-lo aqui, bateu uma curiosidade… por que esse cara sumiu? Johnny Strong é nome de ator de filme de ação e o cara se completa com porte físico e uma atuação digna para o padrão do gênero. Enfim, todas essas características ele demonstra muito bem aqui em SINNERS & SAINTS, um belíssimo retorno ao cinema policial old school, com um protagonista casca grossa, espécie rara nesta era do politicamente correto.

 

Em uma New Orleans devastada pelo furacão Katrina, Sean Riley (Strong) é o oficial badass e amargurado do corpo policial. Depois de perder o filho pequeno, sua mulher o abandonou e agora vive em estado de bala, sem muito amor à vida, matando bandidos à sangue frio e entrando em tiroteios sem se preocupar tanto se vai sair andando ou carregado para o necrotério. No entanto, Riley é designado para um novo caso, o qual as vítimas são assadas ainda com vida por uma gangue misteriosa, demonstrando-lhe que não há nada que esteja ruim e não possa piorar!

SINNERS & SAINTS segue a mesma trilha de alguns clássicos policiais oitentistas, como VIVER E MORRER EM LA, por exemplo, com o protagonista destruido por problemas do passado e até um parceiro novato e certinho lhe é colocado para ajudar a resolver o caso. Longe de mim querer comparar os dois filmes, que são bem diferentes, até porque o do Friedkin é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. Mas William Kaufman e seus roteiristas conseguem de alguma maneira dar um frescor aos clichês do gênero, a este tipo de trama tão desgastada, comprovando que com um pouco de criatividade e sem as frescuras do cinema atual, ainda é possível realizar um filme policial truculento!

 

E como não é só de herói que o cinema de ação policial sobrevive, o diretor é esperto o bastante pra colocar bandidos extremamente sádicos, que matam sem remorso até jovens inocentes e realmente apresentam ameaças aos heróis. E ainda temos Jurgen Prochnow como o habitual chefão de terno engravatado e uma gostosa do lado, falando ao telefone com seus capangas, andando de limosine. O elenco se completa com Costas Mandylor, Sean Patrick Flannery, Kim Coates e o sempre ótimo Tom Berenger. Só por esse time já vale uma conferida, não?!

Além disso, William Kaufman demonstra boa habilidade para sequências de ação de qualidade. Temos vários tiroteios tensos, bem elaborados, sem câmera chacoalhando, bem fácil de seguir e desprovido de qualquer CGI. Ação à moda antiga, do jeito que tem de ser! Também há algumas ceninhas de pancadaria que mantém o mesmo nível! SINNERS & SAINTS não é nenhuma obra prima do cinema policial e nem parece ter a pretensão de ser. O roteiro é previsível e simples, mas funciona extremamente bem como thriller policial com boas cenas de ação. Pra mim, é mais que suficiente!

KILLER ELITE - Poster

2.8.11

NYMPHOMANIAC


"Como um radical cultural, eu não posso fazer um filme sobre a evolução sexual de uma mulher sem mostrar penetração. É uma coisa meio europeia... Mas isso não significa que será um pornô. É principalmente um filme com muito sexo e muita filosofia"

Lars Von Trier, sobre seu próximo trabalho, THE NIMPHOMANIAC.

TWIXT - trailer

I SAW THE DEVIL - Poster


Textinho aqui.