18.6.13

BORN AMERICAN (1986)


Houve uma fase na carreira do diretor finlandês Renny Harlyn em que ele era apontado como uma das grandes promessas do cinema de ação. No entanto, já deu para perceber que o sujeito não conseguiu atingir o potencial que era aguardado, mas chegou a realizar alguns bons filmes. Nada muito profundo, mas muito sólido e sempre divertido, como é caso de DURO DE MATAR 2 e RISCO TOTAL. Hoje quero falar um pouco do seu primeiro trabalho, BORN AMERICAN, um filmeco de ação oitentista com certas peculiaridades...

Produzido com dinheiro americano e finlandês, BORN AMERICAN é estrelado por um jovem chamado Mike Norris. Sim, trata-se do filho do homem, do mito, Chuck Norris, tentando seguir os passos do pai. Nunca achei o velho Chuck carismático, o fascínio pelos seus filmes e pela figura que criou como herói de ação vale justamente pela ausência de variação expressiva e falta de talento dramático. Seu filho segue pelo mesmo caminho por aqui e constrói um personagem que também não possui carisma algum. A diferença é que é tão irritante que não dá para torcer por ele como herói. Aliás, os três personagens centrais são detestáveis, estúpidos e muito mal escritos.


São três amigos americanos que vão passar férias na Finlândia e resolvem atravessar a fronteira com a Rússia por mera diversão, se achando no direito de invadir território alheio, talvez uma alusão ao próprio Estados Unidos. Não demora muito são avistados pelo exército russo, perseguidos, capturados e trancados numa prisão de segurança máxima que faria uma penitenciária brasileira parecer um hotel cinco estrelas. A premissa é simplesmente excelente! Mas existem alguns detalhes que pegam pra cima de BORN AMERICAN.

Uma delas, como eu disse, é a falta de identificação com os protagonistas. Outra é como o filme carece um bocado de ação. Chega num certo ponto que eu já estava com o dedo coçando para apertar o botão fast forward... Há, de qualquer forma, dois ótimos momentos bem movimentados. O primeiro num pequeno vilarejo russo, muito explosivo e com direito ao Norris Jr. Dando alguns chutes em russos malvados; o outro é na fuga da prisão ao final, um tiroteiro frenético bem ao estilo dos anos 80. Há uma ideia GENIAL de um jogo de xadrez humano que ocorre dentro da prisão que é, infelizmente, ignorado. Aparece rapidamente numa cena, mas fico imaginando que poderia render bons momentos...


Mas há também um clima curioso que atravessa o filme, uma mistura de action movie americano dos anos 80 com a atmosfera pesada e o visual do cinema do leste europeu daquele período, estilo VÁ E VEJA, que é bem interessante, funciona muito bem. Em termos de ação, BORN AMERICAN não tem muito o que oferecer, mas no fim das contas é um exemplar um tanto singular que vale uma conferida, nem que seja para saber como o Harlin foi parar em Hollywood e entender porque o filho do Chuck não teve muito sucesso como herói de ação.

31.5.13

SORCERESS (1995)

Série Scream Queens/Femme Fatales #2: Julie Strain


Outro dia eu me preparei pra ver um filme que pudesse servir para homenagear a musa maior, Julie Strain, aqui nessa série. Já que SORCERESS, do Jim Wynorski, tem a moça estampada no cartaz, logo pensei “Fechado! É esse mesmo!”. Com dez minutos de projeção, deu para perceber que a Julie não seria a protagonista. Mas, isso não me abateu. Praticamente todas as cenas em que aparece sua presença encanta de maneira descomunal, especialmente pela ausência de pano sobre o corpo. E que corpo...  ai, ai...

Mas resolvi mantê-la como a homenageada da vez. Julie Strain nunca é demais! Uma das musas que mais me fascinou e que desde a época da adolescência já habitava os pensamentos dos trabalhadores braçais nas madrugadas de sábado para domingo ligados na Band nos anos 90.


Bem, como ela sai de cena muito rápido na trama de SORCERESS, é claro que outras beldades surgem para povoar a história, que é bem bobinha, centrada num grupo de bruxas que querem roubar os maridos uma das outras, a bruxa Fulana encarna no corpo de Ciclana e por ai vai. É sempre bom agradecer ao sujeito que inventou o botão de "passar pra frente", seja lá quem for, e usá-lo com moderação, parando nas cenas mais interessantes.

Como por exemplo quando Julie aparece, óbvio! Há uma sequência de sonho na qual rola um ménage à trois feminino que é de um teor erótico que chega a ser subversivo! Como se Joe D'Amato tivesse encarnado no Wynorski, que criou uma sequência realmente excitante... o problema dessa minha frase é que o D'Amato ainda estava vivo na época, mas enfim, é softcore da melhor qualidade!


No entanto, nem só de peitos de fora que SORCERESS é feito. É um filme que possui um pé no horror, com elementos sobrenaturais e há alguns momentos de suspense bem tensos para quem resolveu prestar atenção e embarcar na história. Especialmente no clímax final, com a ação paralela, um pouco de violência e... peitos de fora.

O elenco é outro destaque que ajuda a manter a atenção, mesmo quando as atrizes estão vestidas. Como Linda Blair, que vive uma das Bruxas. Mas não se preocupem, ela não tira a roupa em momento algum.


Já a deliciosa Rochelle Swanson, que merece uma futura homenagem aqui na série, faz um bom trabalho embelezando a tela, mostrando seus atributos...


Toni Naples, que fez vários outros filmes com o Wynorski nesse período, também marca presença.


E Kristi Ducati, uma playmate que teve uma curta carreira de "atriz", é quem encara a tradicional cena do banho, obrigatória em quase todos os filmes do Wynorski.


E não podemos deixar de mencionar William "Blacula" Marshall, Larry Poindexter (o herói do filme) , Michael Parks, Lenny Juliano (outro fiel colaborador do diretor) e a ponta de Fred Olen Ray como reporter de tv.

SORCERESS teve uma continuação dirigida por Richard Styles, um colaborador dos projetos de Wynorski nos anos 90. Julie Strain novamente aparece em grande destaque nas artes promocionais, resta saber se a participação dela é maior do que neste primeiro. O que é certo é que num futuro teremos mais dela por aqui.


29.5.13

CASTELLARI WILL BE BACK!

Estou em dívida com vocês. Se clicarem neste link, vão lembrar que comecei a dissecar a filmografia do diretor italiano Enzo G. Castellari e, de repente, há mais de um ano, simplesmente larguei mão. E justamente quando entrava na fase dos anos 80, em que o rebuscamento magistral de filmes como KEOMA, JOHNNY HAMLET e O VINGADOR ANÔNIMO, dava lugar ao estilo mais vulgar e bagaceiro tão característico do cinema popular italiano do período, com O ÚLTIMO TUBARÃO (que cheguei a escrever), THE NEW BARBARIANS, LIGHTBLAST, HAMMERHEAD, mas ainda com alguns exemplares de classe, afinal, Castellari foi um dos maiores entre a italianada: OS GUERREIROS DO BRONX, FUGA DO BRONX e TUAREG.

Bem, o post foi só pra avisar que vamos retomar com a peregrinação em breve. E aqui vai um aperitivo do que vem por aí:


Mistura de THE WARRIORS, de Walter Hill, com FUGA DE NOVA YORK, do Carpenter, OS GUERREIROS DO BRONX (1982) acaba por ser também um autêntico clássico, de personalidade própria! Fiz uns comentários aqui no blog há alguns anos, mas já está na hora de rever.


Belíssimo esse cartaz alemão de FUGA DO BRONX (1983), não? O filme também é uma belezinha, um dos melhores do Castellari deste período.


Esses alemães sabiam mesmo fazer cartazes! Este aqui é do THE NEW BARBARIANS (1983). Quero um desse na parede da minha casa!


TUAREG (1984), também conhecido como RAMBO do deserto! Filmaço que também já fiz breves comentários aqui no blog.


LIGHTBLAST (1985) é inédito pra mim e não sei bem do que se trata, a não ser o fato de possuir umas armas de lasers e ser protagonizado pelo Erik Estrada! Hahaha!


HAMMERHEAD (1990), bom filme policial, com imensa dose de ação. Sem o brilho dos polizieschi que o Castellari fez nos anos 70, mas com diversão garantida. É outro que já cheguei a fazer uns comentários aqui no blog há alguns anos.