23.9.12

SELVAGENS (2012)

Cá estou em Portugal já faz quase duas semanas e finalmente atualizei o recinto! Cheguei agora há pouco da minha primeira sessão de cinema por aqui e, infelizmente, preciso concordar com o amigo Alucard, que havia suspeitado no último post que o circuito comercial daqui era pior que o do Brasil. Digamos que ambos são a mesma porcaria, mas, por exemplo, SELVAGENS, novo trabalho do veterano Oliver Stone, ainda não estreou em terras tupiniquins, enquanto o novo filme do Woody Allen só chegou por aqui neste fim de semana. Então, tudo na mesma... A sala era boa, com poltronas muito confortáveis e curiosamente TODAS as sessões possuem intervalo no meio da projeção. Não sei se isso é bom ou ruim, mas pelo menos fui ao banheiro sem perder um pedaço do filme…


Sobre SELVAGENS, não é nada sensacional, mas é um Stone em boa forma, o que pra mim é muita coisa. Confesso que desde aquele dejeto chamado WORLD TRADE CENTER eu não vi mais nada do homem. E foi por esquecimento mesmo, até queria ter visto W e o novo WALL STREET, mas foi passando o tempo e nada… Agora o Stone resolveu voltar suas câmeras para o submundo do crime, das drogas, aí não tinha escapatória. Os protagonistas são dois traficantes independentes da Califórnia que dividem a mesma mulher e isso é o que há de melhor em SELVAGENS. Em certo momento, a mocinha diz que são como BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID, mas eu prefiro remetê-los a uma espécie de JULES E JIM do tráfico. Só que ao invés de provocar, o diretor trata a relação à três com uma delicadeza absurda. E quando Stone acerta, nem que seja em pequenos detalhes, é imbatível. O trio se mete numa enrascada das boas quando o cartel mexicano decide “propor uma parceria”. É o mote para o diretor expor sem dó nem piedade uma profusão de violência, tensão, cheio de personagens interessantes, como o vivido por Benício Del Toro, um assassino cruel à serviço do cartel; ou John Travolta, na pele de um federal corrupto. E de quebra, temos ainda Salma Hayek como rainha mexicana das drogas.

Contextualizando na filmografia do Stone, digamos que SELVAGENS se alinha esteticamente a ASSASSINOS POR NATUREZA, REVIRAVOLTA, essas realizações mais viajadas visualmente, com planos em preto e branco, outros com tonalidades fortes, fusões de imagens, etc, mas sem exagerar em demasia. A direção tem a energia usual dos seus melhores filmes, mas o resultado final não tem calibre suficiente pra tanto. Tem lá suas parcelas de problemas, mas do jeito que ficou, não tenho do que ficar reclamando.

10.9.12

DEMENTIA 13 EM PORTUGAL

Caros, este é o meu último post em território nacional. Amanhã, justamente na infame data de 11 de setembro, parto para terras portuguesas, onde estarei, provavelmente, pelos próximos dois anos realizando meu mestrado na cidade do Porto.

Tudo ainda é um mistério pra mim, só vou poder "sentir a coisa" (no bom sentido) quando estiver lá, mas pretendo continuar as atualizações do blog normalmente, firme e forte, na medida do possível, cobrindo um pouco do circuito cinematográfico de lá (com certeza bem melhor que o daqui), além das tralhas de sempre...

Se eu sobreviver à longa viagem, trago novidades em breve. Até!

5.9.12

PORTO DOS MORTOS DISPONÍVEL NO NETFLIX


Da Lockheart Filmes:

"O longa-metragem brasileiro PORTO DOS MORTOS, produzido por Lockheart Filmes, está disponível ao público na plataforma VOD (“vídeo on demand”) no Brasil, EUA e América Latina, incluindo Caribe. Mistura de horror, “road movie” existencial e faroeste “spaghetti”, o filme pode ser assistido imediatamente no serviço por assinatura Netflix em mais de 40 países. No dia 2 de novembro, o público de Porto Alegre poderá assistir ao longa na tela do cinema. Vencedor de dois prêmios internacionais e selecionado para o Festival de Cinema Latino de Chicago e Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano (Cuba), entre outros, PORTO DOS MORTOS (também conhecido como BEYOND THE GRAVE ou MÁS ALLÁ DE LA TUMBA) alcançou status de filme de culto entre festivais de cinema “underground” e críticos de Internet ao redor do mundo. Rodado em HD na cidade de Porto Alegre (RS), a produção tem orçamento estimado em 300 mil reais."

DEMENTIA 13 assistiu ao filme em 2010, na sua primeira exibição pública, em São Paulo, no CINEFANTASY. Meu texto escrito na época pode ser lido aqui.

4.9.12

OS MERCENÁRIOS 2 (The Expendables 2, 2012)


CUIDADO - TEXTO COM SPOILERS
Até mesmo aqueles que criticaram o primeiro filme tem-se rendido aos encantos de OS MERCENÁRIOS 2. São poucas as exceções. Mas não é para menos, este aqui é realmente superior e vai muito além do anterior em vários aspectos. É FILME DE AÇÃO com todas as letras maiúsculas, desses que trabalham um estilo narrativo com pouquíssimos momentos de alívio e o fiapo de enredo é todo subordinado à necessidade de ação. Não era isso que queriam no filme anterior? Pois então se preparem! Ignore a história simplória, o McGuffin boboca, o negócio é se deixar levar pelas figuras mal encaradas que protagonizam sequências cuja única pretensão é elevar a adrenalina do espectador num nível acima do normal. Vamos celebrar o festival de testosterona, o espetáculo pirotécnico, tiroteios dos mais variados calibres, perseguições, facadas, chutes, socos, uma motocicleta arremessada contra um helicóptero, tudo filmado da maneira mais brutal e old school possível!

Tudo em OS MERCENÁRIOS 2 é tão maravilhosamente besta, clichê e previsível, exatamente como nos filmes que assistíamos há 25 anos na Sessão da Tarde. É como se houvesse uma linha bem fina separando a intenção de ser apenas uma homenagem ou, de fato, ser um exemplar. Em outras palavras, OS MERCENÁRIOS 2 remete com precisão o cinema de ação exagerado dos anos oitenta, mas em certos momentos parece que estamos realmente diante de um autêntico filme da Cannon! Golan & Globus devem estar orgulhosos.


Mas vamos confessar uma coisa, todo mundo ficou preocupado quando anunciaram o Simon West no comando da bagaça. O mais legal é que já na ação inicial, que é de uma truculência subversiva, somos completamente tranquilizados sobre a possível inaptidão do sujeito. Não tenho nada do que reclamar da ação do primeiro filme, ao contrário de vário de vocês, mesmo com a shakycam e a edição picotada, mas como é bom poder vislumbrar uma ação clássica, fundamentada nos enquadramentos e elegantes movimentos de câmeras. Vai saber de onde West tirou inspiração para orquestrar tais cenas. OS MERCENÁRIOS 2 é, sem dúvida, o ápice de sua carreira e espero que nos próximos trabalhos (sem a “supervisão” do Stallone) consiga resultados semelhantes.

Deram uma boa caprichada também nas coreografias, montagem e direção das cenas de luta. Dessa vez os atores encenam a trocação de porrada e... voilà, enxergamos todos os seus movimentos. Uma ceninha rápida do Jet Li derrubando uns meliantes, que não dura nem 20 segundos, é melhor que todas as cenas de luta do primeiro filme. O aguardado combate entre Stallone e Van Damme mantém o nível, além de ser agressivo à beça, com os dois atores encenando de forma convincente, o belga desferindo seus icônicos chutes rodados na cara do Stallone, etc. A única reclamação que tenho a fazer é quanto à duração. Stallone havia dito que seria a luta do século, blá blá blá... E eu acreditei. Ninguém avisou a ele que uma luta desse porte deveria ser um pouco mais longa para ser épica? Nada que estrague a diversão, é um mano-a-mano ótimo, com muita carga dramática, além de ter um significado maior para os fãs do gênero, a oportunidade de assistir o Rocky trocando socos com o Grande Dragão Branco. No entanto, o confronto que realmente me fez remexer na poltrona, um dos grandes momentos de OS MERCENÁRIOS 2, foi a luta entre Jason Statham e Scott Adkins. Também é curta, mas faz todo sentido ser assim, acontece no calor da ação, é urgente, enquanto a do Stallone e Van Damme possui toda a vibe grandiosa de clímax final. Podia ter durado mais um pouco… Bah!


Até porque o Van Damme está excelente como o cara vil, terrorista, assassino frio, sem coração! É um ser desprezível... e pra melhorar, o nome do personagem é... Vilain. Não escondo a admiração pelos filmes do sujeito, mesmo assim fiquei bastante surpreso com a sua personificação vilanesca. Parece até habituado a esse tipo de papel, mas se não estou enganado, o único bandido que ele havia feito antes foi o clone malvado em REPLICANTE*. Além disso, seu personagem é uma autêntica abordagem clássica de filmes de ação oitentista, cujas habilidades como lutador são tão boas quanto a dos heróis, diferente do Eric Roberts no anterior, que dependia de seus capangas. O belga rouba o filme sempre que surge em cena, a sorte dos outros atores é que sua participação é bastante limitada. Já o britânico Scott Adkins, apesar de ainda não estar em evidência no cinema mainstream, é outro nome a se destacar, interpretando o braço direito sádico de Van Damme. Fiquei extremamente feliz de vê-lo na tela grande, distribuindo alguns tiros e chutes, tendo uma morte horrível, digna de CAÇADORES DA ARCA PERDIDA. Tomara que consiga chamar a atenção de pessoas mais competentes do que os realizadores de EL GRINGO, último trabalho do sujeito que eu conferi e que é um total desperdício.


E o que dizer da pequena participação de Chuck Norris? Era um mistério o que eterno Braddock iria aprontar por aqui. Digamos que sua entrada triunfal, em câmera lenta, com o tema de Ennio Morricone em TRÊS HOMENS EM CONFLITO, seja uma bela homenagem a este sujeito que fez a alegria de toda uma geração de pré-adolescentes nos anos 80 e 90. Seu personagem é quase um ser sobrenatural e as tiradas sobre a áurea mitológica adquirida na era da internet é simplesmente genial. Aliás, acertaram em cheio no humor de OS MERCENÁRIOS 2. Se vocês acharam o primeiro filme engraçadinho o bastante, ainda não viram nada! É praticamente metalinguagem em forma de piadas auto-referenciais. Schwarzenegger e Bruce Willis, por exemplo, finalmente entram na ação, ótimo, mas ambos funcionam mais como alívio cômico, soltando frases clássicas que marcaram suas carreiras. Quem também arrisca o papel de comediante é o Dolph. Gunner é o meu mercenário favorito do filme anterior, o herói maluco psicopata que se transforma em bandido, depois morre - mas na verdade não morre - e ressurge no final arrependido, de volta ao time dos mocinhos. Não me lembro de nenhum momento especial do Gunner em termos de ação neste aqui, no entanto, não faltam situações engraçadíssimas com o sujeito, especialmente quando tocam no lado biográfico do próprio ator. Para quem não sabe, Dolph possui um QI altíssimo e as piadas que surgem a partir disso são hilárias. Continua sendo o meu favorito da série.


Sem se preocupar tanto com a direção, Stallone tem mais tempo para se dedicar a Barney Ross, seu personagem, o manda-chuva dos mercenários. Dentre todos os action heroes saídos da gloriosa década de 80, Sly talvez seja o único com formação dramática, que sabe realmente construir tipos de personagem e trabalhar suas transformações. Basta vê-lo em ROCKY, F.I.S.T., o primeiro RAMBO e vários outros, para notar como o sujeito é um puta ATOR e não apenas um ícone ligado à ação. Uma pena que poucos conseguem reconhecer isso. Gosto da cena do enterro, uma demonstração de como ser sentimental, sem ser piegas, e Sly ainda finaliza com a máxima bad-ass “Track 'em, find 'em, kill 'em!" No resto do filme ele entra na onda junto com o elenco e se diverte. Está cada vez mais com a aparência cansada, mas não impede de fazer boas piadas sobre suas condições físicas ao mesmo tempo em que entra na ação como um garoto, correndo, pulando e aplicando murros violentos no Van Damme. E o Jason Statham recebe novamente um pouco mais de destaque, pois funciona como espécie de elo para a nova geração de admiradores do cinema de ação, embora seus filmes nem se comparem com os clássicos do gênero dos anos 80. Até que se sai bem quando lhe é requisitado pelas suas habilidades físicas. A cena na igreja, disfarçado de padre, é um primor! Sobre os demais atores, o roteiro pode não ser perfeito, mas uma das grandes virtudes de OS MERCENÁRIOS 2 é conseguir, na medida do possível, fazer uma boa divisão para que cada figura tenha o seu momento de brilho. Dessa forma, até os personagens que acabam não tendo tanto destaque, também tenham ocasiões dignas para ganhar a simpatia do público, como Terry Crews, Randy Couture, Liam Hemsworth, Nan Yu, Jet Li (que sai de cena com 10 minutos de filme).

Mas o que realmente faz de OS MERCENÁRIOS 2 um acontecimento tão extraordinário é que em momento algum tem medo de se assumir como uma homenagem anacrônica do cinema de ação casca grossa e exagerado dos anos oitenta, cujo objetivo é apenas entregar ao espectador sequências de ação da maneira mais eletrizante possível, reunindo os velhos heróis daquele período tão marcante! Missão cumprida. O que eu realmente gostaria de abordar neste primeiro momento é isso, por enquanto. Já estou com vontade de rever! Proponho discutirmos mais assuntos relacionados ao filme na caixa de comentários, afinal, é pra isso que eu exponho minha opinião por aqui, pô!

PS: Já fico no aguardo do terceiro filme da série, que poderia ter Steven Seagal como vilão e Danny Trejo como seu capanga. E penso também que poderiam dar uma atenção na equipe do Trench (Arnoldão), trazendo de volta os mesmos atores que faziam parte da equipe do filme PREDADOR. Carl Weathers, Bill Duke, Jesse Ventura, Shane Black, Sonny Landham… os que estiverem vivos, claro. Fica a dica, Stallone!

*Atualização importante: O Gélikom me lembrou na caixa de comentários que o Van Damme foi vilão em NO RETREAT, NO SURRENDER. Caramba! Isso que dá escrever durante a madrugada, com sono... já até postei sobre a série inteira aqui no blog e não consegui me lembrar deste detalhe. 

31.8.12

VISTO E, ÓBVIO, APROVADO!

O REI DOS KICKBOXERS (The King of the Kickboxers, 1990)

O diretor de OS IRMÃOS KICKBOXERS, Lucas Lowe, se reuniu novamente com o ator Loren Avedon para realizar um dos clássicos mais sensacionais da era dos kickboxer movies. Mesmo que vários dos ingredientes já tivessem surgidos em outros exemplares anteriormente, toda a configuração do cenário narrativo e dos habituais elementos básicos do gênero fazem de O REI DOS KICKBOXERS o CIDADÃO KANE dos filmes de luta no cinema americano!

Não sei direito por onde começar, mas vamos à trama, que é sobre esse policial vivido pelo Avedon, sempre metido em problemas, do tipo que não age segundo as regras e aproveita para demonstrar suas habilidades em artes marciais pra cima da bandidagem. Por esses motivos, o chefe de polícia quer se ver livre do sujeito por uns tempos e decide enviá-lo numa missão na Tailândia, um caso estranho que envolve snuff movies, no qual lutadores americanos são convencidos a participar de filmes clandestinos, mas acabam realmente morrendo durante as filmagens. Especialmente quando enfrentam um certo lutador, ninguém menos que Billy Blanks!

O problema é que há dez anos Avedon já havia estado na Tailândia acompanhando seu irmão mais velho num torneiro de kickboxing. Logo após a luta em que sagrou-se campeão, o irmão acabou assassinado por Blanks. E agora nosso herói tem a chance de se vingar. Mas assim que retorna àquele país, descobre que ainda não está pronto para um confronto com o negrão e passa por um desses inusitados treinamentos, com um inusitado mestre, que só faz sentido mesmo num filme desse tipo.

Já deu pra notar que tem de tudo por aqui, não é? E tudo se encaixa de maneira incrível.

A cena do assassinato do irmão logo no início é extremamente brutal, com o Blanks desferindo violentos chutes até o sujeito perder a vida na base da porrada mesmo! Uma das melhores coisas do filme, obviamente, é Blanks como vilão. Não exagero quando digo que ele está no mesmo nível de um Tong Po ou Chong Li e é claro que isso é fundamental para o sucesso de O REI DOS KICKBOXERS. É o típico vilão que funciona por termos pleno desprezo na mesma medida em que demonstramos respeito por suas magníficas habilidades. E quando finalmente ocorre o confronto final entre Avedon e Blanks, num cenário exótico, fica difícil ter esperanças pelo nosso herói.

Além dessa dupla, Avedon e Blanks, temos uma pequena participação do Jerry Trimble, com direito à mullets, como traficante de drogas desmascarado pelo Avedon em sua demonstração de policial bad-ass, e que acaba numa sequência de luta alucinante. Aliás, todas as sequências de pancadaria conseguem manter o mesmo nível dos outros filmes da série NO RETREAT, NO SURRENDER, com coreografias elaboradas (do Corey Yuen, diretor dos dois primeiros filmes da série) e execução perfeita dos atores/lutadores. Apenas para ter uma noção, as filmagens do climax final demoraram duas semanas para serem finalizadas. Hoje, basta tremer a câmera, meter a tesoura na edição e pronto, já se dão por satisfeitos.

Como já havia dito em um dos textos anteriores, O REI DOS KICKBOXERS também faz parte da série NRNS. Em alguns países, foi lançado com o título KARATE TIGER 4, que é outra maneira pela qual a série é conhecida.

27.8.12

OS IRMÃOS KICKBOXERS, aka BLOOD BROTHERS (1990)


Também conhecido como NO RETREAT, NO SURRENDER 3 em alguns países. Não é tão espetacular quanto o segundo, mas é um veículo divertidíssimo que serve de vitrine para que Loren Avedon e Keith Vitali (os irmãos do título) demonstrem suas habilidades em artes marciais em sequências alucinantes de pancadaria! Até hoje me lembro quando eu era um moleque de oito ou nove anos pegando a fita da Top Tape na locadora com meu irmão mais novo. Passamos o fim de semana inteiro assistindo repetidas vezes este que foi o meu primeiro “kickboxer movie”.


Na trama, os dois personagens não vão muito com a cara do outro. Avedon é um professor de kickboxer que dirige um fusca, enquanto Vitali ganha a vida como policial respeitado, seguindo os passos de seu pai. Ambos lutam pra cacete! Para resumir o enredo, uma tragédia na família acontece (leia-se alguém é assassinado) e acaba sendo o motivo de reaproximação dos irmãos, que deixam as diferenças de lado e juntam forças para fazer exatamente aquilo que se espera neste tipo de filme, um espetáculo de chutes na cara.

Eu já havia elogiado o talento de Loren Avedon como lutador no último post, mas aqui ele se destaca também em alguns aspectos dramáticos. Não é que seja bom ator, suas limitações são óbvias. No entanto, contracenar com um sujeito como Vitali faz até o Murilo Benício parecer o Marlon Brando. Vitali manda bem nas cenas de porrada, mas não convence nem como entregador de pizza, imagine então fazendo um policial bad-ass lidando com situações pungentes. O humor involuntário é inevitável…

É claro que qualquer problema é compensado com a abundância de cenas de ação muito bem filmadas, o ritmo acelerado e mão firme do diretor Lucas Lowe, substituindo Corey Yuen, que esteve à frente dos dois primeiro filmes. Lowe não chega no mesmo nível de Yuen, cujo cartel é respeitadíssimo, cheio de obras primas do cinema de artes marciais, mas Lowe demonstra segurança no que faz. A sequência final, por exemplo, uma brutal pancadaria expressionista, me fez parar para pensar… por que o sujeito só possui apenas quatro filmes no currículo? Vai saber...

O vilão de OS IRMÃOS KICKBOXERS é o cão chupando manga! Interpratado por um sujeito chamado Rion Hunter, ficou sempre marcado na minha memória pela sua cabeleira branca e, claro, a tal luta final, na qual enfrenta os irmãos sozinho e dá trabalho à beça! A coreografia do confronto final é excelente, digna dos filmes de artes marciais orientais. Quem quiser conferir:



É ou não é uma beleza? OS IRMÃOS KICKBOXERS – e O REI DOS KICKBOXERS, que comentarei a seguir – são alguns bons exemplares que provam de maneira definitiva que os americanos também tinham competência para fazer cinema de artes marciais de alta qualidade. Pena que foram tão poucos desse nível.

24.8.12

NO RETREAT, NO SURRENDER 2 (1988)


Este aqui é uma lindeza de filme, mas prefiro o título original no qual fora produzido: RAGING THUNDER. Genérico, clichê e sem qualquer sentido! Mas quem se importa? Depois, no entanto, os produtores tiveram a "brilhante" ideia de encorporá-lo como um exemplar da série NO RETREAT, NO SURRENDER, que já comentei por aqui no blog, cuja principal importância para a história do cinema mundial foi ter apresentado ao mundo um certo ator belga que faria a alegria da moçada na década seguinte. Só que RAGING THUNDER, ao menos, torna a fita mais “independente”, já que não possui nada que faça ligação com o filme anterior. Em outras palavras, fiquem à vontade para assistir a este aqui sem se preocupar em conferir o primeiro. Não vai fazer diferença alguma.


Não sei a que fim levou Kurt McKinney (que trocou o cinema de luta por um casamento), o protagonista do primeiro NRNS, mas aqui é substituido pelo Loren Avedon, que interpreta um kickboxer americano (saudade dos tempos quando os heróis dos filmes de ação ainda possuiam a profissão “kickboxer” e isso quase bastava para desenvolver uma trama) que viaja até a Tailândia e se vê envolvido numa situação perigosa quando sua namoradinha à distância (para os mais novos, naquela época não havia internet e as pessoas se correspondiam através de um papel escrito à mão, chamado carta) é sequestrada por uns russos que, dentre várias atividades, traficar humanos parece ser uma das mais rentáveis. Avedon, então, une forças com a Cynthia Rothrock e um outro americano maluco e enfrenta um verdadeiro exército para salvar a vida da mocinha.

Saudade, também, do tempo em que o herói deveria apenas salvar a mocinha… É que 80% dos filmes de ação da atualidade é protagonizado por metrossexuais com conflitinhos psicológicos banais, cheio de complexidades e missões exacerbadas, mas não aguentariam 30 segundos com um Loren Avedon, Jeff Speakman ou Billy Blanks no mano a mano (o Liam Neeson não faz parte dos 80%, Kurt).

Depois do desabafo habitual, me lembrei que NRNS 2 também foi dirigido pelo Corey Yuen, então existe ao menos essa relação com o filme anterior, que apesar de ser legalzinho, este aqui o supera com folgas, é bem melhor em todos os sentidos. Yuen utilizou a mesma equipe do departamento de ação de BLONDE FURY, com a Rothrock, e que arrebenta nesse tipo de cena. O diretor desta vez foi às favas com aquela mensagenzinha de “acreditar em si mesmo e blá blá blá”  do filme anterior e substituiu com doses brutais de pancadaria e ação.

Loren Avedon nunca vai ganhar um Oscar pelo conjunto da obra, mas o sujeito é um lutador extremamente talentoso e não fica muito atrás dos especialistas no assunto lá do oriente. Da mesma forma Rothrock, que dispensa apresentação (aliás, eu sou o único que acha ela uma tetéia?). Mas para os apreciadores da moça, já aviso que se estão procurando performances interessantes dela por aqui, vão sair desapontados. Recomendo o já citado BLONDE FURY ou RIGHTING WRONGS (ambos do Yuen) para conferir do que a bichinha é capaz! O “chefão dos bandidos” da imagem aí de cima é o alemão fortão Matthias Hues, fazendo sua estréia no cinema, substituindo o papel que seria de Jean Claude Van Damme (que pulou fora para fazer O GRANDE DRAGÃO BRANCO). Responsabilidade! Mas a luta final entre ele e Avedon é épica! Um dos momentos dignos de antologia da era dos kickboxer movies!

Uma curiosidade é que Hues não era bem um especialista em lutas. Nunca havia feito cenas desse porte, contracenando com lutadores e encarando coreografias elaboradas. Era apenas um cara visualmente forte... Então, colocaram o sujeito para treinar intensivamente com o lendário ator e coreógrafo Hwang Jang Lee. Passado algumas semanas, chegou o momento de filmar a tal luta final e... bom, basta conferir no filme o belíssimo resultado.  

Pretendo continuar escrevendo nos próximos posts sobre as “continuações” de NO RETREAT NO SURRENDER. O terceiro filme da série chegou aqui no Brasil com o título de OS IRMÃOS KICKBOXERS, é um autêntico clássico do gênero e possui papel importante na minha formação cinéfila (foi o primeiro kickboxer movie que assisti na vida!). O quarto capítulo nunca recebeu o título NO RETREAT, NO SURRENDER, mas chegou a ser lançado em alguns países como KARATE TIGER 4 (mais uma maneira na qual a série NRNS foi veiculada). Estamos falando de THE KING OF THE KICKBOXERS. E como também possui o Loren Avedon, não dá para não considerar parte da franquia.