5.9.11

RUN (1991)


aka FUGINDO PARA VIVER
direção: Geoff Burrowes
roteiro: Dennis Shryack, Michael Blodgett

Alguém se lembra deste aqui? Anda meio esquecido atualmente, mas RUN é um pequeno thriller de ação do início dos anos 90, divertido à beça, que traz Patrick Dempsey como um estudante de direito que faz qualquer coisa pra ganhar uma graninha extra para ajudar a pagar seus estudos. Por isso, aceita logo de cara o serviço de levar um Porsche até outra cidade para entregá-lo ao seu dono. No meio do caminho, o carro apresenta alguns defeitos e é preciso parar na cidade mais próxima para consertá-lo. Tendo algumas horas pra matar, Dempsey descobre um cassino clandestino onde resolve fazer um dinheiro a mais no poker. O problema é que um de seus adversários toma uma antipatia pelo nosso protagonista e resolve arranjar briga e, acidentalmente, escorrega, bate a cabeça e morre. Acontece que o sujeito é filho do chefão da máfia local, que coloca uma recompensa pela cabeça do mancebo. Agora Dempsey está numa grande enrascada, se escondendo de todas as formas possíveis numa cidade estranha, tendo a máfia e alguns policiais corruptos à sua cola! Eita plot danado de bom!


Patrick Dempsey era um desses “astros de sessão da tarde” naquela época, e RUN talvez seja seu trabalho mais diferentão, voltado pra outro público, mas também é um de seus melhores desempenhos! Nunca o considerei um ator virtuoso, mas longe de ser ruim, e aqui até exagera demais em alguns momentos, mas consegue ser convincente na sua situação desesperadora, além de mostrar as mudanças que seu persongem sofre. Do jovem ousado e arrogante ao sujeito cativante que torcemos até o fim! Nada muito profundo ou reflexivo, obviamente, mas quem procura apenas um bom passatempo e ação sem frescuras vai conseguir encontrar algo interessante por aqui. O roteiro cria as situações movimentadas e frenéticas que o filme precisa pra dar certo e o diretor Geoff Burrowes comanda tudo com mão firme, de maneira funcional, dando ao espectador exatamente aquilo que busca.

A cena do estacionamento que culmina com o carro da dupla policial corrupta despencando de uma certa altura é muito bem construida, do mesmo modo que o climax final. Não sei se chega a ser uma pena o Burrowes nunca mais ter dirigido coisa alguma, até porque sua direção não é nada acima do padrão daquela época, embora seja acima da média para o padrão atual, mas enfim, se houvesse garantia de outros filmes no nível de RUN, então com certeza foi uma pena o cara nunca mais ter dirigido!

ACTION MOVIE of the day #6 - COBRA

3.9.11

BAD DAY AT BLACK ROCK (1955)

 

aka CONSPIRAÇÃO DO SILÊNCIO
direção: John Sturges
roteiro: Millard Kaufman, Don McGuire, Howard Breslin 

Entrei numa de tentar me aprofundar nos clássicos do cinema físico de ação. Acho que já não deve ser mistério pra ninguém que o gênero ação é o meu predileto, então nada mais justo que conferir as raizes de tudo, não? O problema é que são tantos títulos que fica difícil escolher por onde começar… que tal então BAD DAY AT BLACK ROCK (adoro o título original), um dos grandes precursores do cinema badass, dirigido pelo casca grossa John Sturges (FUGINDO DO INFERNO, SETE HOMENS E UM DESTINO) e com um puta elenco formado por vários monstros consagrados do cinema americano?!


Começando pelo protagonista, Spencer Tracy, fazendo um tipo misterioso que chega de trem em uma minúscula cidade no meio do nada! O visual do filme é de encher os olhos desde os primeiros segundos, com um largo CinemaScope sendo preenchido com planos abertos, riqueza de detalhes, formas, cores e segue assim até o fim. A trama se passa nos anos 50 mesmo, mas o local parece que não acompanhou o decorrer do tempo e ficou preso no século anterior, com sua aparência de velho oeste. Há quatro anos o trem não para na estação local, então esta simples chegada do personagem ao local equivale à Copa do Mundo para aqueles habitantes.

Do mesmo modo que o objetivo de Tracy é totalmente desconhecido para os moradores, ao espectador a coisa não muda de figura. A princípio, Tracy parece um detetive da cidade grande, todo engomadinho, com chapéu, maleta e… apenas um braço! Aos poucos, percebemos que algo naquele lugar realmente não cheira muito bem, e Robert Ryan logo surge em cena como o cínico dono da cidade e seus capangas, Lee Marvin e Ernest Borgnine tentam transformar a vida de Tracy num inferno, intimidando o visitante, fazendo perguntas de um jeito não muito agradável sobre as intenções dele no local… obviamente, não gostam da presença dele ali.


E eu já vou soltar logo o maior spoiler de BAD BAY! Não, não estou falando do segredo que aquela pequena cidade esconde. Quero dizer algo que realmente me surpreendeu: o personagem de Spencer Tracy luta karatê neste filme! Há uma cena que é o paroxismo do cinema badass, no qual Tracy está tomando qualquer coisa no bar e Borgnine chega para atazanar a sua vida sem ter a mínima idéia que está diante de um especialista em artes marciais maneta… mas quem poderia saber? Tracy lhe aplica vários golpes com uma facilidade de fazer Steven Seagal se morder de inveja!

 


Apesar disso, o ritmo é bem lento para os padrões do cinema de ação moderno. E não estou criticando o trabalho do Sturges, pelo contrário, acho que o que falta na maioria dos filmes atuais, não só de ação, é justamente um ritmo mais lento, uma narrativa mais elaborada e cadenciada, com diálogos e situações “estáticas” tão tensas e emocionantes quanto explosões e tiroteios frenéticos! Uma das melhores coisas em BAD DAY, por exemplo, é a maneira como Sturges lentamente conduz o mistério da trama e o revela gradativamente. Isso sem contar que a descoberta aborda um assunto que nunca sai de moda.

Não é a toa que o diretor Don Siegel disse que o roteiro de BAD DAY AT BLACK ROCK foi o melhor que ele já leu! O filme consegue ser divertido, cheio de mistério e ação, mas com substância inesperada por trás de tudo. E se você ainda curte karatê com pessoas de apenas um braço, então este filme é pefeito pra você.

26.8.11

ASSASSINATION GAMES (2011)


direção: Ernie Barbarash
roteiro:Aaron Rahsaan Thomas

ASSASSINATION GAMES simplesmente coloca frente a frente – ou lado a lado, como veremos a seguir – Jean Claude Van Damme e Scott Adkins, dois dos maiores astros do cinema de ação classe B da atualidade, num mesmo filme. Isso já aconteceu antes, quando Van Damme enfrentou Adkins em THE SHEPHERD: BORDER PATROL, de Isaac Florentine, e voltará a acontecer no ano que vem com SOLDADO UNIVERSAL 4, de John Hyams. Aqui, os dois interpretam assassinos profissionais que decidem trabalhar juntos depois de perceberem que o próximo alvo de cada um é o mesmo cara. Para o personagem do baixinho belga, a missão é puramente negócios, mas para Adkins, a coisa é pessoal, é vingança!

Apesar disso, o persoangem do Van Damme é mais interessante. Seu nome, segundo o imdb, é Brazil, embora eu não me lembre de tê-lo ouvido durante toda a “projeção”. Ele faz o típico assassino solitário, que vive sozinho em um apartamento chique, que para chegar até ele precisa passar por uma passagem secreta dentro de um apartamento mais humilde… uma espécie de batcaverna de assassinos. Toca violino e fica irritado com a barulheira dos vizinhos e possui uma tartaruga de estimação.

Se tem uma coisa que os filmes de assassinos profissas nos ensinaram foi que os frios matadores sem sentimentos por outros seres humanos quando conhecem uma pessoa, geralmente do outro sexo, amolecem o coração e quebram todas as regras de sobrevivência do manual de assassino. ASSASSINATION GAMES matém o clichê e a vida do protagonista se transforma ao salvar uma prostituta que estava levando uma surra de seu cafetão. E é engraçado porque o coração do sujeito não estava totalmente amolecido ainda quando vê a violência acontecendo e não diz algo tipo “Ei, pare de bater nessa mulher, seu covarde!”. Na verdade, diz: “Vocês estão me atrapalhando a praticar violino!”. E pior que estava mesmo…


Já o caso de Adkins é bem diferente e eu não vou gastar tanto falando sobre ele. Seu personagem é um pouco mais genérico, mas o que o motiva é a vingança, o que garante a atenção. Ele quer que os responsáveis que espancaram sua esposa até a beira da morte estejam comendo capim pela raíz o mais rápido possível.

E como podem notar, o roteiro de ASSASSINATION GAMES se preocupa em construir um universo único e personagens elaborados, algo mais detalhado que muito “direct to video” que temos por aí (apesar de ter sido lançado comercialmente em alguns cinemas nos Estados Unidos). O problema é que tanto fosfato de roteirista gasto elaborando detalhezinhos na trama acabou deixando de lado o fato de que temos dois grandes astros do cinema de ação em um filme cuja própria ação é insuficiente. Não estou dizendo que o filme não tem ação. No entanto, não entra na minha cabeça ter Van Damme e Scott Adkins no elenco e colocar ceninhas rápidas e broxantes de tiroteio, um chutinho ali, um soquinho acolá… eu estava esperando uma puta sequência desenfreada com tiro comendo pra tudo quanté lado, estilo John Woo!!!


Não se preocupem que Van Damme e Adkins trocam alguns golpes e é a melhor coisa de todo o filme. Mas um final com um climax e muita ação, ficou devendo… É claro que se você espera um filme mais realista, com uma movimentação mais comedida, focado mais no drama dos assassinos e suas motivações do que na ação exagerada, este filme funciona muito bem. A história de fato é boa e, apesar dos pesares, o diretor Ernie Barbarash tem muito respeito pelos atores que tem em mãos. Especialmente Van Damme, que é filmado com uma certa reverência, como um veterano do gênero, do jeito que merece. E o belga corresponde com mais um desempenho seguro, mantendo a boa média de seus últimos filmes. Adkins esbanja o carisma de sempre e desta geração de atores ocidentais de ação e artes marciais, é disparado o melhor… se bem que o páreo é duro com o Michael Jai White. De qualquer maneira, ter estes dois sujeitos num mesmo filme, garante a diversão de qualquer amante do cinema de ação classe B. 

E relevando o meu problema com a ação – e com a estética, o filme é todo num tom amarelado, que eu não vejo o porque disso – gostei de ASSASSINATION GAMES. Preferia o título anterior, WEAPON... mas enfim, o filme demonstra que ainda existe pessoas se esforçando pra fazer cinema de ação pra gente grande, que utilizam essas figuras truculentas e que filmam ação sem precisar esconder a incompetência chacoalhando a câmera… bem, no caso deste aqui, nas poucas cenas que temos, pelo menos.

ACTION MOVIE of the day #4 - AMERICAN NINJA

23.8.11

A GAIOLA DA MORTE (1992)

Mais um texto escrito para a ZINGU!, sobre A GAIOLA DA MORTE, único representante nacional dos kickboxer movies!
Clique aqui para ler.

ATRAÇÃO SATÂNICA (1989)


Texto que escrevi sobre ATRAÇÃO SATÂNICA, horror nacional dirigido pelo Fauzi Mansur, publicado na ZINGU!.
Clique aqui para ler.

ZINGU! edição #48


"A Zingu! faz uma homenagem aos 70 anos de Ênio Gonçalves, ator importante na história do cinema, com filmes marcantes no currículo, como O Menino e o Vento (1967), de Carlos Hugo Christensen , Brasil Ano 2000 (1969), de Walter Lima Jr., e Filme Demência (1985), de Carlos Reichenbach. No dossiê, uma entrevista em que o ator repassa sua trajetória, depoimento do Carlão, textos sobre 23 filmes e filmografia".

ACTION MOVIE of the day #1 - SILENT RAGE