A princípio, o mais legal em percorrer a carreira do Castellari está sendo descobrir e escrever sobre alguns
Spaghetti's que eu demoraria décadas para ver. Eu nunca tinha ouvido falar de
SETTE WINCHESTER PER UN MASSACRO, um bom exemplar que, dessa vez sim, trata-se da oficial estréia de Enzo G. Castellari como diretor, assinando com um pseudônimo americanizado, E. G. Rowland.
O filme é sobre um ex-coronel sulista, Thomas Blake (Guy Madison), que não aceita a derrota na guerra de secessão e reúne um grupo de peculiares bandidos para tocar o terror pelos territórios por onde passa. Até que um dia, um misterioso pistoleiro, Stuart (Edd Byrnes) se junta ao bando e propõe a todos a ir recuperar um tesouro de duzentos mil dólares enterrado num cemitério indígena.
O tema caça ao tesouro seria abordado por Castellari em seu filme seguinte também, VOU, MATO E VOLTO, que já comentei aqui no blog. E parece que VOU, VEJO E DISPARO também tem esse mote, formando uma espécie de trilogia… este último eu preciso ver ainda. Mas suspeito de que este aqui seja o melhor deles! É um filme bem cuidado e que me fisgou logo de cara, nos créditos iniciais, com aquelas telas com uma cor predominante, mesmo estilo de TRÊS HOMENS EM CONFLITO e outros, com imagens da guerra civil americana e a trilha sonora composta por Francesco De Masi.
Depois disso há um prólogo inspirado, violento e cheio de ação (algumas cenas reaproveitas de POCHI DOLLARI PER DJANGO) que apresentam os personagens do bando, cada um com suas habilidades especiais, como o uso da faca, chicote, um deles dá uma voadora e corta a garganta de um sujeito com as esporas!!!
SETTE WINCHESTER já demonstra também um Castellari mais à vontade na direção, experimentando na edição e em alguns enquadramentos interessantes, como a cena em que o coronel Blake aparece pela primeira vez em seu esconderijo em território mexicano, mostrado em super closes de partes da face, como a boca ou os olhos, antes de mostrar seu rosto. Na sequência da ação no final, no cemitério indígena, Castellari faz um belo jogo de sombras e incrementa com elementos de horror.
Como Peckinpah ainda não havia mostrado ao mundo o que se pode fazer com tiroteios filmados poeticamente em câmera lenta, Castellari ainda filmava ação de modo convencional, o que não quer dizer que seja ruim. A cena do massacre de
sherifes é um belíssimo exemplo disso.
O filme sofre um pouco com o ritmo, tem alguns momentos de marasmo e alguns personagens são bem desinteressantes. Outro problema é que não consigo ver o ator Edd Byrnes na pele de herói de
Spaghetti Western, como é o caso aqui... embora grande parte do elenco esteja ótimo, especialmente Guy Madison. Apesar disso, ainda acho obrigatório para os fãs do gênero e do diretor.
E Castellari ainda iria melhorar muito na direção. Assisti essa semana a JOHNNY HAMLET e estou petrificado, impressionado, embasbacado com o primor que é a direção deste filme, os enquadramentos, a precisão dos movimentos de câmera, é algo absurdo! Mas é assunto para o próximo post! Até lá, muchachos!!!