14.5.11

COMANDO DELTA 2 - OPERAÇÃO COLÔMBIA, aka Delta Force 2: The Colombian Connection (1990)

Eu sabia que estava esquecendo algo! Escrevi sobre COMANDO DELTA no ano passado, mas deixei de lado a sequência, que é um dos filme mais exagerados e divertidos do ex-astro Chuck Norris, dirigido pelo seu irmão, Aaron Norris. Como não poderia deixar vocês órfãos de mais essa pérola do cinema de ação casca grossa, resolvi retornar ao filme, o qual assistia deslumbrado na época de moleque e até hoje continua um prazer a cada sessão.

Chuck e Aaron já haviam trabalhado juntos no terceiro filme da série BRADOCK. Qualquer hora dessas eu farei uma revisão dessas belezinhas, mas lembro de ter gostado muito deste terceiro. Depois eles fizeram outras bagaças, mas sem dúvida alguma, é em COMANDO DELTA 2 que os irmãos devem ter se saído melhor! É um filme cheio de ação ridícula (no bom sentido), com o velho Chuck chutando bundas em vários momentos, além da presença de Billy Drago como um dos vilões mais estranhos e engraçados da história do cinema de ação!

COMANDO DELTA 2 é muito diferente do primeiro filme e poderia muito bem se passar como um veículo de ação para Chuck Norris sem precisar carregar o título do anterior. Apesar da ação exacerbada do final, o primeiro tem uma levada mais séria, conta com a presença de um elenco de peso, entre eles o maior ator de todos os tempos, Lee Marvin; tem um roteiro mais trabalhado; sem falar naquela musiquinha brega de programa esportivo que fica tocando e gruda na cabeça! Este aqui já parte para uma direção diferente, é grosseiro, truculento pacas e ao invés de terroristas sequestrando aviões e toda aquela burocracia do antecessor, temos um traficante de drogas que sequestrou alguns agentes americanos e Chuck Norris quer apenas detonar tudo da maneira mais explosiva e badass possível!

Mas infelizmente, em determinado momento, apesar do tom totalmente diferente, COMANDO DELTA 2 cai nas armadilhas do primeiro, deixando o filme num marasmo enquanto poderia estar criando situações para cenas de ação desenfreada. No fim das contas, isso não chega a ser um problema, já que o gran finale compensa todos os pecados do roteiro, mas não poderia deixar de apontar isso!

O orçamento até que permite ação de qualidade e os Norris se beneficiam muito disso, especialmente no citado final, onde temos boas doses de explosões e grande poder de fogo utilizado para o nosso deleite. Há uma cena onde Chuck e Drago são arrastados dentro de uma floresta pendurados em um helicóptero que é um primor! Típica sequência que só poderia sair dos anos 80 e início dos 90.

Além das boas sequências de ação, não falta ao filme frases de efeito, personagens mal construídos que tornam a sessão involuntariamente engraçado, sem contar a "cereja do bolo", a presença de Billy Drago, que está realmente impagável, um dos atores mais bizarros que existe!

6.5.11

HUNT TO KILL (2010)

Eu tenho gostado do trabalho do Steve Austin em seus pequenos veículos de ação, embora só tenha visto até agora DAMAGE e este HUNT TO KILL. Obviamente não vamos compará-lo a um Marlon Brando no quesito talento dramático, mas o sujeito tem carisma quando faz um específico tipo de personagem, além de mandar bem em cenas de ação e pancadaria. Em DAMAGE, onde tentam construir uma figura mais complexa para o Austin, até que se saiu bem e o filme é um pretensioso (no bom sentido) estudo de persoangem em meio à violencia das lutas clandestinas. Já em HUNT TO KILL, o negócio é mesmo a ação e às favas com o roteiro!

Austin é um policial e experiente caçador, que vive nas florestas de Montana, perto da fronteira com o Canadá e entra numa enrascada quando precisa servir de guia dentro da mata para um grupo de assaltantes de banco que persegue um traidor. A gangue tem a filha de Austin como refém, e por isso o sujeito age com cautela e segue as ordens do grupo… mas como todo bom filme de ação bem clichezão, uma hora o cara vai ter de usar toda a sua habilidade em sobrevivência na floresta para exterminar cada um dos meliantes e salvar sua filha.

Gil Bellows interpreta um exagerado lider da gangue, que tem como um dos membros Gary Daniels, numa atuação discreta e supostamente mal aproveitada. Mas o fato é que Daniels marcou presença em HUNT TO KILL como um favor a pedido de Steve Austin, já que os dois se tornaram grandes amigos após contracenarem em OS MERCENÁRIOS. Apesar disso, a sequência na qual Austin e Daniels entram em combate físico contou com a coreografia deste último. É o grande momento do filme e que faz valer ao menos uma conferida!

O final também merece destaque. Aparentemente, tirando Gary Daniels, nenhum dos outros bandidos são grandes ameaças a Steve Austin, que quando finalmente entra em ação, acaba com cada um facilmente. Mas para a nossa surpresa, o vilão de Bellows consegue dar um trabalho imenso ao herói, transformando o gran finale num espetáculo de ação casca grossa que remete aos filmes dos anos oitenta, cheio de exageros, truculência e sem qualquer frescura!

O elenco conta também com a participação de Eric Roberts, numa ponta de respeito logo no início do filme.

HUNT TO KILL nunca vai ser uma obra prima do gênero, o roteiro é fraquíssimo e reaproveita toscamente a idéia de RISCO TOTAL, com o Stallone, e daqui algum tempinho já vai ser esquecido (exceto para os fãs de ação direct to video), mas é um bom trabalho do diretor Keoni Waxman (que fez alguns dos últimos filmes do Steven Seagal), tem um elenco interessante, bons efeitos especiais e uso da locação… pode ser visto sem muito compromisso que é diversão certeira!

5.5.11

SPECIAL FORCES (2003)

Uma jornalista americana é capturada e feita refém depois de tirar fotos de um massacre cometido por um sádico general e seu exército em uma pequena vila de algum país ficcional do leste europeu. Os Estados Unidos decidem então enviar uma equipe altamente especializada em missões ultraperigosas para resgatar a moça, liderado pelo Major Don Harding (Marshall Teague). E aí está a base do simples e prático mote de SPECIAL FORCES, mais um trabalho de Isaac Florentine!

 

Temos aqui ótimas cenas de ação, acompanhadas de alguns detalhes que os fãs do gênero sempre gostam de ver, com aqueles lances de espionagem, os heróis espreitando por trás dos seus inimigos durante a invasão de uma base protegida, assassinatos surpresas passando faca na garganta, pistolas com silenciadores, pescoços quebrados, bombas implantadas em caminhões e barris de combustíveis, para explodirem na hora da fuga, estilo RAMBO III… quem não gosta dessas coisas?

SPECIAL FORCES é uma dessas produções patriotas que exaltam o heroismo americano e blá blá blá, mas o que importa mesmo é que este filme representa dois fatos marcantes na carreira de Florentine.

O fato número 01 (um) é que se trata do primeiro trabalho do diretor em conjunto com o ator britânico Scott Adkins. A partir deste aqui, todos os filmes seguintes do Florentine tem o Adkins no elenco. Menos em MAX HAVOC, que é, na verdade realizado pelo Albert Pyun e o Florentine foi chamado pra tentar consertar a cagada do diretor de CYBORG. Mais detalhes em um post futuro…

Scott Adkins é de um talento impressionante no campo das artes marciais. Como ator, tem carisma suficiente para se tornar um astro popular dos filmes de ação. Aqui, ele tem uma pequena participação, mas é crucial! Rouba o filme pra si toda vez que surge em cena e gostamos tanto do personagem que sempre ficamos com um gostinho de “quero mais”. Ele interpreta um soldado britânico que ajuda a equipe americana a resgatar a jornalista. Só que o cara é um verdadeiro ninja! Luta pra cacete, consegue acertar dois bandidos desavisados, com um chute em cada, mas no mesmo salto, sem tocar o chão. É de encher os olhos.

Aí chegamos ao fato número 02 (dois). A luta final protagonizada entre Scott Adkins e o capanga braço direito do vilão representa o nível de qualidade mais alto do talento de Isaac Florentine como diretor de cenas de luta. A maneira como movimenta a câmera, escolhe os ângulos, a coreografia da luta, é de uma maestria que remete ao estilo old school de filmar sequências como esta. É por isso que eu considero o Florentine o maior diretor de pancadaria da atualidade no cinema ocidental.

É a partir daqui que as sequências de luta ganham uma força descomunal em seus filmes seguintes, como NINJA e UNDISPUTED II e III. É claro que ter um ator que realmente sabe lutar ajuda um bocado, como é o caso do Adkins, mas Florentine demonstra que amadureceu muito ao longo da carreira. O resultado em SPECIAL FORCES é fenomenal em comparação com o que é feito no cinema americano atual, geralmente com câmeras tremidas e cortes rápidos que não deixam o espectador enxergar um simples soco.


No fim das contas, SPECIAL FORCES não chega a ser dos melhores filmes do diretor, mas é bom como passatempo, abusa em sequências de ação e, para os fãs ardorosos, serve como marco na carreira do Florentine.


Esse clip dá uma boa noção do que esperar do filme.

3.5.11

U.S. SEALS II (2001)

As notícias da operação que matou o terrorista Osama Bin Laden no último domingo vieram, coincidentemente, quando eu havia acabado de ver dois filmes do Isaac Florentine, U.S. SEALS II e SPECIAL FORCES, que tratam justamente de grupos especiais do exército americano em missões internacionais secretas e perigosas. A diferença entre eles é que enquanto o segundo consegue divertir, sem grandes esforços, quem curte produções de baixo orçamento de ação, U.S. SEALS II é uma tralha que não se deve levar sério em momento algum… é tão ruim que chega a ser engraçado e diverte mais do que muito blockbuster do gênero.

Por enquanto, vamos falar apenas deste, que é a parte do meio de uma trilogia que começa com U.S. SEALS (2001) e termina com OPERAÇÃO TEMPESTADE (2002), mas cada filme é independente entre si. Ainda bem, porque o único que eu vi foi este aqui dirigido pelo Florentine.

Na trama, temos Damian Chapa (o sujeito que interpretou o Ken de carne e osso, na adaptação de STREET FIGHTER, com o Van Damme) como um membro da força especial do título que acaba voltando-se para o lado negro da força, sequestra uma cientista americana e, com uma quipe de mercenários, ocupa uma ilha abandonada de onde pretende ativar dois mísseis nucleares!!! O cara é mesmo do mal e exige um bilhão de dólares ou vai começar a mandar metade da América para os ares!

Para que isso não aconteça, o ex-parceiro (e agora inimigo mortal de Chapa), Michael Worth, junta-se com um general (Marshall Teague) e forma um grupo de ex-combatentes truculentos para invadir a ilha, salvar a cientista, impedir o lançamento dos mísseis e liquidar ao máximo o número de bandidos!

Parece tentador, não é? Mas vamos com calma. U.S. SEALS II tem alguns problemas que exigem da paciência do espectador. Após uma boa sequência de ação no início, o filme entra num marasmo pra deixar a história tomar forma. É até legal ver um pequeno filme como este tomar tempo para desenvolver um enredo, sem se importar o quão brega ele é, ou se os atores são péssimos, etc. Quando a ação recomeça lá pelas tantas, já na ilha invadida, é pratimante ininterrupta, com abundantes sequências de pancadaria. Sim, vale ressaltar que a ação é basicamente formada por cenas de luta, já que o roteiro teve a inteligência de lembrar que armas de fogo na ilha poderiam interferir em dois pequenos mísseis nucleares armados e prontos para utilização. Assim, todos os personagens e até o bandido mais descartável utilizam paus, correntes, facas, espadas samurais, os próprios punhos, para derrubar o adversário.

O problema é que essas sequências de lutas não são lá grandes coisas, são bacaninhas, mas poderiam ser bem melhor e mais elaboradas, o que torna o filme um pouco chato, mesmo com tanta ação. Claro que isso é devido ao baixo orçamento da produção. Por outro lado, cria-se a idéia de que a ilha seja um verdadeiro campo de batalha de corpo a corpo e isso é muito legal! E culmina num confronto final entre Worth e Chapa, que realmente é caprichada e de arrebentar!

Outro problema de U.S. SEALS (e desta vez não tem nada a ver com o orçamento) é o efeito sonoro dos movimentos cortanto o ar. É óbvio que uma espada deslocada de um ponto ao outro no firmamento faz um som. Mas aqui, TODA vez que um persoangem gira a cabeça, levanta um braço, mexe a porra de um dedo ou pisca, ouvimos o som do ar cortanto! Putz… que mania besta que o Florentine pegou de tanto fazer episódios e alguns longas dos POWER RANGERS (que eu fiz o favor a mim mesmo de não assistir nessa peregrinação da carreira do homem). Mas U.S. SEALS II passa… é ruim, mas diverte.

1.5.11

COLD HARVEST (1999)

Depois de Dolph Lundgren, em BRIDGE OF DRAGONS, chegou a vez de Gary Daniels detonar com tudo em COLD HARVEST, mais um trabalho assinado pelo nosso diretor israelense preferido, Isaac Florentine (ou alguém prefere o Amos Gitai?! hehe).

Como já observamos em outros filmes do diretor, a trama de COLD HARVEST se passa em período e ambiente inusitados: em um futuro pós-apocalíptico onde não se vê a luz do dia, um vírus mortal causa o terror em certas áreas infectadas.

Gary Daniels, em papel duplo, é Roland, um famoso caçador de recompensas – desses que pegam o trabalho através de cartazes de “procurado” (vocês vão entender porque) – e é também Oliver, seu irmão gêmeo, um dos poucos que carregam em seu corpo uma possível cura para o tal vírus. Quando ele e sua mulher (a musa dos anos 80, Barbara Crampton) estão sendo levados, junto com outros “portadores da cura”, para uma zona não infectada, o comboio é atacado pelo perigoso vilão Little Ray (Bryan Genesse) e sua gangue, que resolve simplesmente matar todo mundo sem muito motivo. A única que escapa é Barbara Crampton, que está grávida e, por conta disso, também carrega a cura. Procurada pelo bandido, ela encontra seu cunhado que agora tem de protegê-la, levá-la até a tal zona e vingar a morte de seu irmão! Tudo ao mesmo tempo!!!


 
É, o roteiro parece mais elaborado do que as simples tramas que Florentine costuma trabalhar quando escreve seus próprios scripts, mas até que a coisa não é tão complicada assim. Trata-se, no final das contas, da boa velha trama de vingança. Até porque o filme se preocupa mais em desenvolver cenas de ação do que histórinhas e personagens, embora tenha um pano de fundo bem interessante! Não há dúvidas que essa combinação deixa COLD HARVEST no topo, como um dos melhores trabalhos do diretor, na minha opinião!

Uma das coisas mais legais do filme é que o universo que temos aqui, é visto como um encontro entre o futuro e o passado, da mesma maneira que Florentine havia feito em BRIDGE OF DRAGONS, mas o passado em COLD HARVEST é representado por elementos do western. Os personagens andam de bugres estilo MAD MAX 2, motos, helicópteros, etc, ao mesmo tempo em que existem saloons, vestem-se como forasteiros do velho oeste e carregam armas no coldre prontos para um duelo… Eu sei que nada disso é muito original, mas curiosamente, os personagens também lutam kung fu (ou algo do tipo), pra não esquecermos que estamos num filme de Isaac Florentine!

Gary Daniels não tem o carisma de um Dolph Lundgren, mas ele sabe fazer a coisa funcionar. É o tipo de ator que os amantes ardorosos de filmes B de ação aprendem a gostar, especialmente quando o sujeito pode abusar de toda a sua real habilidade em artes marciais, como é o caso de COLD HARVEST. Ainda no elenco, Barbara Crampton tem uma atuação discreta, mas sua presença sempre ilumina o filme; e Bryan Genesse não tem muito perfil de vilão... mas consegue dar o tom sádico que seu personagem precisa, além de uma indefinição sexual que o deixa mais curioso.

E, claro, o diretor não decepciona na condução de vários momentos de pancadaria e tiroteios violentos. Aqui sim, Florentine demonstra porque é um dos melhores diretores de ação direct to video da atualidade! Destaque para a ação final, quando Gary Daniels invade o covil de Little Ray distribuindo tiros e porradas pra tudo quanté lado, filmado num estilo claramente inspirado em John Woo, mas desta vez funcionando perfeitamente, diferente do desastre HIGH VOLTAGE. Inclusive alguns enquadramentos recriam imagens dos filmes do diretor chinês. Outra influência clara presente no filme – especialmente na ação final – é Sergio Leone; o duelo entre o protagonista e seu oponente tem montagem que remete ao “trielo” de THE GOOD, THE BAD AND THE UGLY acompanhada de uma trilha bem tosca de spaghetti western. Mas são detalhes que são um charme, contribuem muito para a ação e resulta num dos grandes momentos da carreira de Florentine!

Vamos ver agora como U.S. SEALS II se sai… este não me cheira muito bem. Quanto a COLD HARVEST, se você curte boa pancadaria e tiroteios em filmes de baixo orçamento, pode ir sem receio! O filme foi comercializado no Brasil com o título NO LIMITE DA VINGANÇA.

27.4.11

HOBO WITH A SHOTGUN (2011)

Antes que eu me esqueça e acabe não escrevendo NADA sobre o filme, assisti a HOBO WITH A SHOTGUN já faz um tempinho e gostei bastante! Como já se sabe, tudo começou com aquela história de trailers falsos no projeto GRINDHOUSE, de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, e um desses trailers acabou despertando a atenção de muita gente e acabou virando longa metragem.

E não estou falando de MACHETE, mas sim daquele cuja história, bem simples, mostrava um mendigo, uma escopeta, tiros e sangue à vontade, perfeitamente encaixado no espírito da brincadeira. E o canadense Jason Eisner, que realizou este fake trailer, conquistou também o direito de adaptá-lo para uma versão de duração maior e não desperdiçou a oportunidade. HOBO WITH A SHOTGUN oferece em todos os sentidos aquilo que a sua fonte de origem prometia. Diferente de MACHETE, que apesar de não ser ruim, decepcionou profundamente. Até hoje eu não acredito que Rodriguez e sua trupe desperdiçou um material tão genial, com um puta time de atores que tinha em mãos…

Em HOBO não temos um elenco estelar, apenas Rutger Hauer carregando o filme com sua presença sempre marcante. Com ele não há decepção! Nunca vi um filme sequer com o velho Rutger em que ele estivesse ali só pra pegar o cheque para pagar as contas. Nas mais altas produções, como BLADE RUNNER, a filmecos de baixo orçamento dirigido pelo Pyun, Rutger Hauer consegue manter a dignidade e demonstrar talento como poucos.

A história de HOBO continua de uma simplicidade exemplar, mesmo depois de adaptado (aprende Rodriguez!), com Hauer encarnando o mendigo que chega a uma cidade onde a corrupção e violência nas ruas imperam de uma maneira pertubadora, absurdamente exagerada e estilizada, e depois do desenrolar de vários acontecimentos nosso protagonista se vê obrigado a tomar certas atitudes, pega todo o seu dinheirinho e investe numa escopeta para fazer justiça por conta própria estourando a carcaça dos meliantes com calibre 12, como forma de contribuir para que o crime seja varrido das ruas.

O espectador é então trasportado para uma espécie de cinema transgressor e politicamente incorreto que se não atinge perfeitamente seu objetivo nesse sentido, ao menos chega bem perto de um resultado muito eficiente que lembra os exploitations setentistas mesclados aos filmes da Troma, em uma constante de situações de pura violência gráfica, explícita e visceral e um humor que incomoda os moralistas de plantão.

Algumas sequências realmente vieram pra ficar na memória este ano, demonstrando a criatividade e inteligência de seus realizadores, especialmente Jason Eisner que possui um baita potencial e mão firme pra conduzir toda essa sandice! A cena em que um dos personagens tem uma certa “visão” antes de morrer é sensacional, assim como a sequência dos dois cyborgs em ação no hospital (eram ciborgues ou pessoas vestidas de armadura? Já faz um tempo mesmo que vi e realmente não me lembro… mas tanto faz!). E claro, as moças de topless se divertindo e rindo a valer enquanto espancam um sujeito pendurado de cabeça pra baixo... já vale o filme inteiro!

E dentro deste espetáculo grotesco e de humor negro, encontramos um Rutger Hauer extremamente expressivo, cujo carisma atinge o público do início ao fim. Não tem como não gostar...

Desde que iniciou essa onda revival do cinema exploitation, são poucos os exemplares que realmente conseguem sair do lugar comum. Os próprios filmes do projeto GRINDHOUSE acabaram falhando nesse sentido (embora eu adore tanto PLANETA TERROR quanto DEATH PROOF). Calhou de alguns filminhos de pouco orçamento, despretensiosos, como BLACK DINAMYTE e este aqui a missão de representar esse cinema de outrora. HOBO WITH A SHOTGUN já é um dos mais divertidos de 2011.

26.4.11

6° Cinefantasy abre inscrições para filmes de horror, ficção científica e fantasia

Estão abertas as inscrições para a sexta edição do Festival Internacional Cinefantasy, evento que acontecerá entre 30 de agosto e 11 de setembro em vários espaços culturais da cidade de São Paulo.

Diferente do que o Brasil está acostumado a assistir em termos de festival, o Cinefantasy incentiva, divulga e debate a diversidade temática no cinema nacional há cinco anos. Hoje é um evento de grande porte, cuja programação é totalmente voltada ao cinema fantástico.

O material gráfico do Festival apresenta, neste ano, uma divertida, e ao mesmo tempo sombria, ilustração criada especialmente pelo animador e designer Victor-Hugo Borges. O caráter lúdico e fabuloso dessa criação delineia perfeitamente o conceito do Cinefantasy.

O que é o cinema fantástico? É um termo usado para unir todos os gêneros que têm um pé no real e outro no irreal. Ou seja, horror, ficção científica e fantasia são subgêneros que integram o fantástico.

O Festival nasceu em 2006 no litoral de São Paulo, migrou para a capital paulista há três anos e hoje ocupa três salas de cinema durante duas semanas. A edição de 2010 consolidou o Cinefantasy como o principal festival de gênero no país, tendo o reconhecimento do público, crítica e mídia.

Com programação dividida em mostras competitivas (curta-metragem, longa-metragem, Desafio Mestre dos Gritos), mostra paralela e atividades de formação, o Cinefantasy visa fomentar a produção do cinema fantástico e a formação de público.

As mostras competitivas selecionam o melhor do mundo em curtas e longas-metragens do gênero fantástico para competir pelo cobiçado prêmio “Corpo-Seco Dourado”. Em 2010, os longas que conquistaram a estatueta foram o belga “Christopher Roth”, o húngaro “1” e o anglo-romeno “Strigoi”; na competitiva de curtas, o gaúcho “Quiropterofobia”, o paulista “Coda”, o francês “La Revelacion” e o argentino “Deus Irae”.

A mostra paralela traz retrospectivas, homenagens, exibições temáticas e encontros com diretores e figuras de importância para o universo fantástico. O Festival também oferece oficinas, workshops e palestras gratuitamente.

Parcerias e intercâmbios com entidades e eventos estrangeiros são provas do prestígio internacional que o Cinefantasy conquistou. Em 2010, uma seleção dos vencedores do 4º Cinefantasy viajou pela América Latina, sendo exibida em festivais da Aliança Latino-Americana Fantafestivales, da qual o Cinefantasy é membro fundador. O Cinefantasy também faz parte da recém-criada Aliança Internacional de Filmes de Gênero.

Inscrições


As inscrições para o 6° Cinefantasy poderão ser feitas no período de 15 de abril a 26 de junho, pelo site do Festival. Para conhecer o regulamento e se inscrever, acesse o endereço www.cinefantasy.com.br.

O participante terá três opções de competitiva: Curta, Longa e Desafio Mestre dos Gritos.

Serão 15 prêmios para a categoria Curta-Metragem e 12 para Longa-Metragem. Entre os prêmios estão: Melhor filme de Horror, Melhor Vilão, Melhor Vítima e Melhor Criatura. O prêmio Mestre dos Gritos será entregue ao filme que arrancar mais gritos e sustos da plateia em, no máximo, 5 minutos.

Serviço:
6º CINEFANTASY
Inscrições: até 26 de junho
www.cinefantasy.com.br
contato@cinefantasy.com.br

21.4.11

Futuros projetos do Drago


Uma pequena análise do que Dolph Lundgren planeja aprontar nos próximos anos.

IN THE NAME OF THE KING 2: Isso mesmo, é a continuação daquela tralha medieval divertida dirigida pelo Uwe Boll e que continha um elenco que até hoje não entendemos como o Boll conseguia reunir. Mas essa sequência não parece ter muita relação com o anterior, e a história vai envolver viagens no tempo, com um agente especial dos dias de hoje (Dolph Lundgren) indo parar na idade média, realizando uma profecia e participando de batalhas épicas. A previsão é que veremos essa belezinha ainda em 2011.

SMALL APARTMENTS: Outro que teremos ainda neste ano é esta comédia policial independente de elenco estranho. Matt Lucas interpreta um sujeito que vivencia uma jornada no mundo do crime, tentando esconder o corpo de seu chefe, a quem matou acidentalmente, e se encontra em situações inusitadas com personagens bizarros. E aí, no elenco, temos James Caan, Johnny Knoxville, Peter Stormare e… Dolph Lundgren, que eu não faço a menor idéia do que vai aprontar, mas só de estar aí no meio, o filme deve valer pelo menos uma conferida.

ONE IN THE CHAMBER: Ainda em fase de pré produção, não se sabe muita coisa sobre o filme. Ou escondem bem o segredo, ou ninguém se interessa pela produção e não vão atrás de informação. O fato é que a fita tem Cuba Gooding Jr. no elenco, que como todos nós sabemos só tem feito filmes discretos de ação policial lançados no mercado de DVD nos últimos anos. Com o Dolph Lundgren também marcando presença, pode ser que tenhamos um habitual “Gooding Jr. movie” recente, mas com algo a mais. Saindo mais informação (ou se alguém tiver algo a acrescentar nos comentários), eu publico aqui.

UNIVERSAL SOLDIER: A NEW DIMENSION: Rá! Este é um dos mais agardados! Especialmente pelo sucesso que foi o filme anterior, um dos filmes de ação DTV dos mais divertidos que tivemos até agora, e o diretor, John Hyams, volta à comandar este aqui. Nada ainda sobre a trama do filme, mas Jean Claude Van Damme, Dolph Lundgren e, a última aquisição, Michael Jai White é pra deixar qualquer fã de ação de baixo orçamento em constante expectativa! O lançamento está previsto para 2012.

THE PACKAGE: Dolph Lundgren vai se reunir com Steve Austin para um filme de ação. É outro exemplar de informações escassas, mas uma pequena sinopse saiu por esses dias: A courier for a local crime lord must deliver a mysterious package while being chased by a horde of unusual gangsters. “Unusual gangsters”, uau! Com um pouco de criatividade, pode sair muita coisa boa daqui. Vou ignorar o fato do diretor ser o mesmo de CUBO ZERO, quero ver mesmo o Drago e Austin caindo na porrada!

SKIN TREAD: Até agora não tinha citado nenhum filme que seria dirigido pelo próprio Dolph Lundgren. Mas teremos SKIN TREAD, que será dirigido, escrito e estrelado pelo sujeito. Depois de realizar ICARUS, Dolph tem a minha total confiança nesse trabalho atrás das câmeras. Não faço idéia ainda do que se trata o filme, mas é outro para estarmos acompanhando de perto por aqui.

OS MERCENÁRIOS 2: Pra finalizar, esperamos poder assistir ao Drago na continuação do "épico" de ação de Stallone. O personagem de Dolph é um dos meus favoritos no primeiro filme e seria um prazer tê-lo de volta. E já que finalmente o Stallone decidiu que realmente não vai dirigir, me veio à mente agora que o próprio Dolph Lundgren seria um nome capacitado!!! Por que não?! Eu já tenho uma lista de nomes que poderiam muito bem sentar na cadeira de diretor pra comandar a bagaça, e o velho Dolph acabou de ser incluído. Depois publico essa lista com os devidos comentários.

20.4.11

BRIDGE OF DRAGONS (1999)

Este aqui é meio bizarro. Achava que BRIDGE OF DRAGONS fosse um filme de guerra comum, desses com soldados americanos contra soldados japoneses (ou coreanos, ou sei lá) e o elenco é encabeçado por Dolph Lundgren e Cary-Hiroyuki Tagawa, que em meio de uma guerra poderiam cair na porrada como fizeram em MASSACRE NO BAIRRO JAPONÊS…

É claro que os dois se enfrentam aqui, só que o filme é totalmente diferente do que eu imaginava. A direção é do nosso estimado Isaac Florentine, sempre nos surpreendendo e tentando usar da criatividade ao ambientar seus filmes de ação e artes marciais em cenários e épocas atípicas, como desertos, velho oeste americano, futuro pós-apocalíptico, com exceção de HIGH VOLTAGE, seu trabalho anterior, que é bem comum nesse ponto e acabou sendo também o que menos gostei até agora.

Embora não apareça nenhuma ponte ou dragões durante o filme, BRIDGE OF DRAGONS é meio que um conto de fadas… de ação! Transcorre num futuro indefinido, temos armas modernas nas mãos dos soldados, helicópteros, tanques e veículos, ao mesmo tempo, os rebeldes da história andam à cavalo, usam roupas medievais, a trama envolve uma princesa que vai se casar contra a sua vontade com um general malvado (ambos asiáticos, o general é o Tagawa), cujo uniforme lembra algo meio nazista, seus veículos possuem o número 666, e por aí vai...

Dolph Lundgren, sempre carismático, é o lider de um esquadrão de elite que trabalha para o general, altamente treinado para ser o grande badass do pedaço! Acontece que durante o tal casamento, a princesa abandona o altar e foge para o meio do mato. O general, puto da vida, envia seu melhor soldado atrás dela. Só que depois de uns acontecimentos, algo inevitável – e clichezão – não deixaria de acontecer: Dolph e a princezinha se apaixonam. E aí que o bicho pega!

BRIDGE OF DRAGONS está longe de ser uma obra prima dos filmes de ação, mas a pretensão também não parece ser essa. O filme diverte facilmente qualquer fã de b movies do gênero, até porque Florentine já estava mais seguro nas sequências de ação, as quais já começam a criar uma certa nostalgia, remetendo àquelas tranqueiras de baixo orçamento dos anos 80, pós RAMBO, com explosões de merda que fazem os dublês darem saltos mortais dignos de medalha de ouro e em câmera lenta e tiroteios onde o herói em campo aberto não leva um tiro sequer, mesmo rodeado por um exército de metralhadora! Os filmes atuais do diretor trazem essa sensação, mas é partir deste aqui que percebemos isso de fato.

As cenas de pacadaria são excelentes. O velho Dolph tem uns movimentos bacanas e a direção do Florentine contribui bastante. Só o aguardado confronto final entre Lundgren e Tagawa é que desaponta um pouco, esperava algo grandioso por toda expectativa que o filme cria e o histórico dos dois atores, por já terem se enfrentado antes em outra produção. Mas dá pro gasto e se não estraga o resultado final da fita, tá bom demais...

BRIDGE OF DRAGONS recebeu o título de PASSAGEM PARA O INFERNO no Brasil.

19.4.11

PERVERT! (2005)

Foi mais por negligência minha mesmo, mas finalmente eu parei para assistir a essa sandice anárquica e sem vergonha dirigida por Jonathan Yudis, o cara responsável por Ren & Stimpy, um dos meus desenhos favoritos de todos os tempos!

PERVERT! Conta a história de um rapaz que vai passar uns tempos no rancho de seu pai (Darrell Sandeen, que é a cara do Charlton Heston) durante as férias na faculdade, para tentar uma reaproximação com o velho que há muito tempo não via. A propriedade fica no meio de um deserto do oeste americano, isolado de tudo, e assim que chega ao local, percebe que seu pai está bem até demais, casado com uma gatinha robusta bem mais nova, interpretada pela pornstar Mary Carey.

A moça, sentindo cheiro de carne nova no pedaço, fica toda ouriçada. Ainda mais que o mancebo é desses com carinha de mané inocente, meio nerd, característica que toda atriz pornô adora! Não demora muito, os dois estão se atracando em cada canto da casa e ao ar livre na propriedade, sem que o velho tenha noção de que isso esteja acontecendo debaixo do seu nariz.

Até aí, o filme segue a linha da comédia sexy, com excelentes doses de nudez. Mas quando o velho finalmente descobre que seu filho está traçando sua mulher, o filme acrescenta outros elementos, um mais bizarro que o outro, para deixar a coisa ainda provocativa, iconoclasta, perturbadora, politicamente incorreta e pervertida, claro, como assassinatos misteriosos, uma escultura de carne humana, magia negra e maldições, muito gore e um pênis assassino! Yeah! PERVERT! é o tipo de filme que com 5 minutos você sabe se vai gostar ou não do que vai ver nos próximos 80 ou 90 minutos. A combinação disso tudo é perfeita pra mim, então eu adorei definitivamente!


Para aumentar ainda mais o deslumbre, o filme é uma carta de amor ao cinema de Russ Meyer, um dos diretores mais radicais do cinema americano, um pioneiro ao explorar volumosas mamárias das atrizes em seus filmes, além de dar ao universo feminino um valor libertário magnífico. As mulheres são sempre personagens fortes e decididas e os homens, geralmente machistas bestas ou inocentes presas dessas feras sexuais! Jonathan Yudis captou com perfeição o espírito de Meyer, que teria aplaudido de pé o resultado (morreu um ano antes do lançamento deste aqui)!

Há de se destacar o desempenho de Mary Carey. É provável que não conseguisse sobreviver no mundo do cinema como uma "atriz comum", mas percebe-se claramente que ela se diverte com sua personagem, está bem à vontade, muito à vontade mesmo, nua durante quase todas suas cenas, fazendo um bem danado ao filme. Em determinado momento, ela precisa sair de cena, e é substituídas por outras moças de seios volumosos e naturais (atrizes do cinema adulto também), mas a saudade de Carey é a que permanece…

Mas isso não chega a ser um problema, PERVERT! é frenético, bem dirigido, divertido, muitas mulheres rechonchudas peladas desfilando na tela (nada dessas magrelas que parecem meninos de 15 anos e que parece ser o padrão de beleza atual), litros de sangue e violência explícita, temos a participação do próprio diretor como um mecânico nazista, redneck e homossexual que é impagável… enfim, um verdadeiro desfile de situações porra-louca que se você estiver no clima é impossível não gostar, principalmente se você for fã do mestre Russ Meyer.