17.6.10

Assisti algumas coisas bem interessantes, mas tenho andado um pouco sem tempo ultimamente para escrever e postar com boa frequência, mas valem ao menos alguns comentários rápidos. Um dos melhores foi o clássico esquecido de 1965, do americano exilado na Inglaterra, vítima do Marcartismo, Cy Endfield, PERDIDOS NO KALAHARI (Sands of Kalahari). É um belíssimo trabalho, uma verdadeira aula de cinema na questão dos espaços. Difícil de acreditar que nunca tenha recebido o reconhecimento que merece. O filme começa devagar quase parando, apresentando aos poucos os personagens que embarcam num avião clandestino por causa do preço camarada que o piloto arranjou. Mas como o barato sai caro em quase todos os filmes, a tripulação acaba vítima de um pouso forçado em pleno deserto sul-africano. A cena da queda com a nuvem de gafanhotos é sensacional! A partir desta situação extrema é que o filme vai crescendo cada vez mais até chegar a um dos finais mais aterradores que eu já vi!


Conferi pela primeira vez também o clássico considerado a pedra fundamental do cinema de horror europeu, I VAMPIRI (1956), de Riccardo Freda e Mario Bava. Sempre houve uma discussão sobre o que cada um havia dirigido. O que eu sei sobre o assunto é que Freda era o diretor e Bava o responsável pela fotografia. Freda deveria realizar todo o filme em doze dias. Quando chegou no décimo, só havia filmado a metade, pediu mais tempo, os produtores não deram e ele pulou fora do projeto deixando a bomba explodir nas mãos do seu diretor de fotografia, que conseguiu se virar e terminar o restante nos dois dias que restava. A bem verdade é que essa transição toda não interfere em absolutamente nada a grandeza desta obra. Claro que é um filme torto, possui alguns defeitos principalmente no ritmo e estrutura narrativa, mas tecnicamente é perfeito, com uma atmosfera de horror que envolve o espectador, em especial no último ato, recheado de elementos que seriam melhor utilizados futuramente. Obrigatório.

Depois eu comento mais filmes!

15.6.10

VIGILÂNCIA TOTAL (Under Surveillance, 1991), de Rafal Zielinski

Mais de uma semana sem atualizar, tanto filme bom pra comentar e acabo postando sobre uma bagaceira que provavelmente quase ninguém se lembra, sequer chegou a ver ou tenho certeza que não vai se interessar… Mas é este o espírito do blog, o qual eu tenho me desviado ultimamente sem querer. Mas vamos à tralha: mais indicado para os apreciadores do ator Robert Davi, este UNDER SURVEILLANCE foi uma entre tantas tentativas modestas e frustradas de colocá-lo como um action man dos anos 90.

A escolha de Davi até que é bacana. Acho um ótimo ator e desde a década de 1980 ele acabou se tornando uma dessas figuras subestimadas pelos grandes estúdios, mas sempre marcando presença em produções de gênero. Possui um talento indiscutível e, talvez por não ser muito chegado a beleza, geralmente se dá melhor nos papéis de vilão. Com certeza merecia mais respeito e o direito de ter seu nome ligado às fitas de ação dos anos 90.

O problema é que UNDER SURVEILLANCE é ruim pra burro! Um thrillerzinho chato, de soluções fáceis e reviravoltas das mais forçadas e estúpidas. Para piorar, os diálogos são ridículos demais para um roteiro escrito por quatro cabeças! A direção de Rafal Zielinski é fraca, não possui qualquer momento de inspiração cinematográfica e a fotografia não fica muito atrás. A trilha sonora ao menos é a típica dos filmes deste período.

Forçando um pouco a barra à favor do filme, podemos até encontrar alguns elementos na trama que remetem a um neo noir, com Davi interpretando um ex-policial, agora investigador de seguros, que tenta descobrir o que realmente aconteceu com seu parceiro, morto de maneira misteriosa. Entra em cena até mesmo uma cínica e sedutora femme fatale na pele da loura Melody Anderson para dar um toque de emoção às aventuras do protagonista, abalando seu coração.

Claro que não chega ao nível de uma única cena entre Bogart e Bacall em qualquer noir que fizeram juntos, mas aí seria exigir demais. No máximo um Guy Pearce e Kim Basinger e mesmo assim a coisa complica…

Bom, ainda assim, vale pela atuação do Davi e o restante do elenco, que conta com a presença de Harry Guardino, Gale Hansen (que dá um toque de buddy movie ao filme) e o grande Charles Napier. E apesar da direção meia boca, algumas cenas de ação, tiroteios e perseguições, devem agradar os fãs ardorosos do cinema de ação old school dos anos 80 e inicio do 90. Chegou a ser lançado em VHS aqui no Brasil com o título VIGILÂNCIA TOTAL, numa época em que era lançado de tudo por aqui...

7.6.10

Notas sobre filmes recentes

- TRUE LEGEND (Su Qi-Er, 2010), de Yuen Woo-Ping
O filme é uma mistura das mais surtadas que homenageia o cinema de artes marciais em todo seu esplendor, especialmente o wuxia, que contempla o lado fantástico do gênero. TRUE LEGEND mais parece uma brincadeira com os vários ingredientes que fizeram – e ainda fazem – a cabeça dos fãs. A narrativa lembra um video game, é porrada do começo ao fim, repleto de referências que vão desde DRUNKEN MASTER a FIVE DEADLY VENONS e muitos outros. Ah, vale lembrar que o diretor Woo-Ping é um dos grandes nomes do cinema de artes marciais de todos os tempos, tendo no curriculo vários clássicos do gênero. TRUE LEGEND marca seu retorno. Desde 1996 ele não dirigia nada para cinema. E continua um mestre em conduzir magníficas sequências de ação (a luta que se desdobra dentro de um fosso é sensacional). Nem os efeitos especiais de CGI exagerados e a abrupta mudança de foco do enredo conseguem atrapalhar a diversão.

- MOTHER (Madeo, 2009), de Bong Joon-Ho
Bong é desses diretores que é sempre bom ficar de olho (Será que vai mesmo pintar um HOSPEDEIRO 2?). Não sei porque demorei tanto, apesar dos elogios de vários amigos, mas finalmente conferi este seu filme mais recente, sobre uma mãe que faz de tudo para provar a inocência do filho retardado, acusado de assassinato. O filme possui alguns ecos que remetem a outro trabalho do diretor, o espetacular MEMÓRIAS DE UM ASSASSINO. MOTHER segue a mesma linha só que desta vez é com essa senhora como protagonista, metendo o nariz em várias situações enquanto investiga o caso, o que não impede de haver momentos de tensão. A direção de Bong é de uma maestria impressionante, administrando sequências de suspense atmosférico com uma carga dramática pra lá de forte, e uma pitada do humor negro habitual em seus filmes. Mas o que mais me surpreende é a atuação devastadora da atriz Kim Lye-ja, que faz o papel da mãe. Ainda prefiro MEMÓRIAS, mas MOTHER não fica muito atrás.

- UM HOMEM SÉRIO (A Serious Man, 2009), de Ethan e Joel Coen
Outro que demorei bastante para assistir, mas só agora foi estrear aqui em Vitória. Tenho sempre boas espectativas com filmes dos irmãos Coen, por isso esperei para ver UM HOMEM SÉRIO no cinema. Dividiu muito as opiniões entre a crítica e os amigos blogueiros, mas valeu a pena a espera. Não chega nem perto de ser uma obra prima, mas é legal acompanhar o protagonista, um bunda mole judeu que vê sua vida afundar em desgraças sem tomar qualquer tipo de atitude racional. O produto final pode soar um tanto vago, uma obra cheia de pretensões que falha em alguns pontos, mas está muito longe de ser a chatice que muitos acharam. Existe um lado espiritual muito forte que me agrada e talvez faça mais sentido se levar isso em consideração. A bela fotografia, as boas atuações e a mão firme dos irmãos na condução também ajudaram bastante.

5.6.10

MISHIMA - UMA VIDA EM QUATRO CAPÍTULOS (Mishima: A Life in Four Chapters, 1985), de Paul Schrader

Uma dessas historinhas de bastidores conta que após realizar A MARCA DA PANTERA a vida de Paul Schrader entrou numa maré de azar danada, como uma espécie de maldição. O sujeito foi parar no Japão onde teve a idéia de filmar a vida de Yukio Mishima, provavelmente o maior escritor japonês do século XX. Conseguiu dinheiro com a dupla Francis F. Coppola e George Lucas, escreveu o roteiro junto com seu irmão, Leonard, e filmou uma cinebiografia incomum e de rara beleza no cinema americano. Um verdadeiro banquete de soluções visuais que impressiona até mesmo o espectador mais exigente.

Mishima era uma figura curiosa, um misto de genialidade e loucura, narcisista ao extremo, ativista político, que encontrou um ótimo desempenho aqui na pele de Ken Ogata. O roteiro dos irmãos Schrader é muito inteligente e divide o filme em capítulos e variações temporais, além de inserir três obras de Mishima à narrativa, com o intuito de se aprofundar às variadas máscaras de seu protagonista.

Em seu último dia de vida, Mishima invadiu um quartel em Tóquio, acompanhado de alguns pupilos e praticou o harakiri. Este evento é captado num tom bem realista pelas câmeras de Schrader. Mas a narrativa fragmentada e entrelaçada recua no tempo mostrando, num belo preto e branco, a infância e juventude do autor de Confissões de uma Máscara.

Já as cenas inspiradas na obra do escritor são compostas com uma estética expressionista de cores vibrantes e cenários intencionalmente falsos e estilizados, demostrando toda a segurança artística de Schrader e sua ousadia em transcender visualmente, algo que já tinha esboçado em A MARCA DA PANTERA e em MISHIMA chega ao ápice. A trilha sonora de Philip Glass é um dos grandes destaques, tem um casamento perfeito com as poderosas imagens. Mais um absolutamente obrigatório do diretor.

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Muitos de vocês talvez se lembrem que antes do DEMENTIA 13 eu tinha outro blog, o Cine Art, o qual eu compartilhava com um amigo daqui de Vitória-ES, Felipe Mappa, o trabalho de atualização. Depois de algum tempo, o Felipe abandonou o recinto e eu fiquei mais de um ano carregando o blog sozinho até resolver me mudar para este aqui. Depois de quase dois anos sem atualização, o Cine Art está de volta sob o comando do Felipe, que resolveu embarcar novamente neste prazeroso universo, agora sozinho, ainda que meus velhos e constrangedores textos estejam lá.  Enfim, não deixem de prestigiar o novo Cine Art.

3.6.10

VALHALLA RISING, por Davi de Oliveira Pinheiro

Ao final do visionamento de VALHALLA RISING talvez você esteja um pouco machucado. Algumas marcas de machado no braço, alguns cortes de lâmina na barriga, mas nada que mate, afinal um filme é um filme, mas em tempos de tecnologias que tentam aumentar a imersão do espectador, é interessante uma obra que se atém a preceitos básicos de imagem e som para criar esta imersão.

VALHALLA RISING ao mesmo tempo em que ataca de forma visceral o espectador, lhe dá mais forças através de uma jornada que para cada um deve ser muito particular, já que é um filme de silêncios, da relação do homem com o ambiente, seja o espaço que separa continentes ou mesmo o compacto de uma embarcação. Trata superficialmente de fé, misturando mitologia nórdica e cristã, mas sua relação principal é com a transcendência do homem, a sua própria noção de importância e de seu lugar na história.

O personagem principal, o Caolho (Mads Mikkelsen, um de meus novos atores favoritos), não participa do filme e de ambições históricas, na verdade. Ele é nosso elo de ligação, mas as questões temáticas se estabelecem através dos demais personagens, de suas reações ao Caolho, cujas únicas ações são violentas, sempre seguidas de silêncio, de calma, de observação. Ele não procura conflitos, nem mesmo gera-os; ele os elimina através da violência. Talvez seja o personagem cinematográfico mais antitrama da história. Em todos os momentos que outros personagens reagem para “avançar” a trama, criar os pontos de trama que facilitariam a absorção do filme, o Caolho tem um rompante de violência e mata o plot point.

Ficamos presos a um filme estagnado, de reações. Um grupo de homens em uma procura, mas sem a força de vontade para chegar ao objetivo, sem capacidade de ir adiante. O que acaba por importar é a atmosfera, os enquadramentos, as locações, as cores e texturas do ambiente. Não cai no campo do experimental, pois a narrativa não é algo novo, mas sai do lugar comum dos filmes de aventura contemporâneos. É um filme de ação que a rejeita e com isso traz um leve sabor de novidade.

1.6.10

O ESCRITOR FANTASMA (The Ghost Writer, 2010), de Roman Polanski

Como se não bastasse apenas uma premissa inteligente e filmar com maestria arrepiante, Polanski faz em O ESCRITOR FANTASMA alguns dos mais belos planos e sequencias que eu vi recentemente numa sala de cinema. Só os mestres filmam desse jeito… O diretor imprime um ritmo mais lento, reflexivo, sem pressa. Todo o filme se baseia em climas e na construção atmosférica de puro suspense. Sim, o filme é anacrônico, mas para quem está de saco cheio das mesmas fórmulas de como se faz suspense atualmente, O ESCRITOR FANTASMA é mais que suficiente.

E estamos falando de uma das maiores autoridades no assunto. REPULSA AO SEXO, O BEBÊ DE ROSEMARY e O INQUILINO são apenas alguns exemplos que provam a genialidade de Polanski na condução do suspense da maneira correta como tem que ser. A trama parte da ótima idéia de um escritor britânico (McGregor), o fantasma do título, contratado para substituir um outro autor que morreu de forma suspeita enquanto escrevia as memórias do ex-primeiro ministro da Inglaterra (Brosnan), agora vivendo numa ilha nos Estados Unidos, rodeado de poucas pessoas e passando por sérias acusações políticas.

No campo das atuações, Ewan McGregor, ator sóbrio, cumpre muito bem suas responsabilidades como protagonista. Mas todo o elenco é um destaque, Tom Wilkinson está sinistro em sua participação, temos Eli Wallach e James Belushi apontando rapidamente e Pierce Brosnan que surpreende num de seus melhores desepenhos. Kim Cattrall e Olivia Williams completam o time no lado feminino.

O ESCRITOR FANTASMA é o melhor Polanski em muitos anos. E isso quer dizer muita coisa. Curioso que o filme me lembrou outro trabalho dele, O ÚLTIMO PORTAL, o qual foi bastante maltratado, apesar de ser muito bom também. Este aqui vem recebendo elogios da "crítica séria", mas nada que realmente apresente a importancia que o filme merece.

29.5.10

DENNIS HOPPER

R.I.P.
1936 - 2010

VALHALLA RISING (2009), de Nicolas Winding Refn

O novo trabalho do dinamarques Nicolas Widing Refn é o que podemos chamar de um curioso experimento perturbado. O ótimo Mads Mikkelsen interpreta uma versão hardcore e silenciosa de seu personagem em FÚRIA DE TITÃS. Aqui ele é um alegórico guerreiro caolho e mudo que parte com um grupo de Vikings cristão em uma jornada surtada à terra Santa. Em tempos de cenários formatados em 3D e criados em CGI pós-SENHOR DOS ANÉIS, VALHALLA RISING é um frescor! Com um fiapo de roteiro, Refn consegue hipnotizar o espectador com uma estética fora do comum no cinema atual e compensa totalmente uma possível falta de conteúdo nos brindando com momentos de rara beleza de imagens e sons sem deixar de lado o impacto causado pela violência e brutalidade explícita praticada pelo protagonista sobre suas vítimas.

O que realmente pega em VALHALLA RISING é que o filme é aparentemente bastante vago para justificar seu projeto e comportar 90 minutos de duração. Na verdade, o filme possui conteúdo, mas é preciso ter um conhecimento prévio da mitologia viking, e como eu não tenho, fiquei boiando. Os diálogos são escassos, os personagens pouco fazem além de andar pelos cenários e Refn preenche muito de seu tempo com imagens das paisagens, imagens belíssimas, diga-se de passagem, mas que podem afugentar o espectador que espera acompanhar de fato uma trama bem definida.

Confesso que isso não me incomodou. Conversando com o Leandro Caraça, ele associou VALHALLA ao AGUIRRE de Herzog. Um filme que segura o espectador mais pela força de suas imagens que pela trama em si, até porque se formos parar pra pensar, uma boa parte do filme do alemão maluco é uma espécie de embacarção rumando sem destino por um rio. Mas alguém consegue desgrudar os olhos da tela? Sei que é bem mais difícil aqui, mas quem conseguir embarcar nesta poesia visual e sonora de Nicolas Winding Refn, vai ser bem recompensado.

Acho difícil não entrar na minha lista de melhores filmes no fim do ano...

28.5.10

FÚRIA DE TITÃS (Clash of the Titans, 2010), de Louis Leterrier

Tinha boas espectativas com esta refilmagem, talvez este tenha sido meu erro. Não que esta recauchutagem seja um desastre, possui alguns momentos divertidos, personagens interessantes (como o Draco, de Mads Mikkelsen, uma das melhores coisas do filme), mas o resultado final não deixa de ser fraco. Tenho impressão que os realizadores se perderam em algum ponto entre a adaptação do roteiro, filmagem ou edição. O peso que a trama, seus detalhes e alguns personagens possuem nunca recebem a importância necessária devido ao ritmo que atualmente o público parece exigir e que o filme impõe para agradá-lo. Acaba tudo acontecendo rápido demais, sem profundidade alguma e a narrativa cadenciada do original ganha essa roupagem "videoclíptica" pós-SENHOR DOS ANÉIS. Algo inevitável nos dias de hoje, mas não abro mão de uma reclamação. Isso sem contar certas alterações desnecessárias que não fazem sentido algum. Não gosto de fazer comparações, mas o FÚRIA DE TITÃS de 1981 é infinitamente superior em todos os sentidos.

26.5.10

A MARCA DA PANTERA (Cat People, 1982), de Paul Schrader

Como o papo sobre o Schrader está bom (ver os comentários do último post), vamos prosseguir com mais um filme do homem. Este eu vi já faz algum tempinho (aliás, é o único do Schrader que eu tinha visto até começar essa peregrinação) e acabei não revendo pra escrever esse pequeno comentário, então não sejam exigentes, por favor.

Mas é um filme muito bom, refilmagem do clássico de Jacques Tourneur e Schrader já totalmente a vontade na direção, imprimindo para o público de sua época esta estória fascinante com tons de delírios visuais e erotismo. É difícil esquecer suas imagens. CAT PEOPLE possui extrema beleza cinematográfica, atmosfera carregada de elementos de terror (até um pouco de gore) e um ar onírico que separa os níveis de fantasia e realidade da trama. Mas a essência de tudo é a belíssima Nastassja Kinski como protagonista. Incrível como ela se encaixou ao papel de forma tão instintiva. E ainda há a marcante presença de Malcom McDowell. Obrigatório!

25.5.10

GIGOLÔ AMERICANO (American Gigolo, 1980), de Paul Schrader

Seguindo à risca meu novo vício, o cinema de Paul Schrader, este seu terceiro trabalho, sem nenhum favor, é o melhor filme que realizou dentre os conferidos recentemente. Não sabia que ia gostar tanto, é uma pequena obra prima! Penso que tudo isso se deve um pouco pelo fato de Schrader começar aqui a se soltar na direção. Experimenta algumas soluções mais cinematográficas, sentindo os planos, os movimentos de câmera, é um trabalho visual bem engajado e consciente. E, portanto, se desprende um bocado do realismo latente de seus filmes anteriores.

Mas é principalmente na presença de Richard Gere onde se concentra o maior fascínio de GIGOLÔ AMERICANO. O desempenho deste ator, que hoje ainda demonstra competência em qualquer papel que faz, mas sem a mesma desenvoltura deste aqui, é digno de antologia (o personagem quase foi parar nas mãos de John Travolta). Gere vive um acompanhante de senhoras ricas (leia-se gigolô) que acaba envolvido romanticamente com a esposa de um senador, ao mesmo tempo em que se torna o principal suspeito de um assassinato. Sim, parece trama de novela, mas a junção Schrader + Gere retira disso tudo um retrato estilístico narrativo bem interessante.

Lendo algumas críticas gringas sobre o filme, uma grande parte não gosta muito de GIGOLÔ AMERICANO, várias reclamações quanto ao final, uma possível perda de rumo do diretor, algo que realmente não existe. O final é lindo, uma bela homenagem a Robert Bresson – diretor que Schrader venera – e seu PICKPOCKET.

O Filme inteiro é composto de sequências que marcam, diálogos impecáveis e um elenco forte (embora não tenha rostos muito reconhecíveis do grande público). Será que há alguma obra melhor que esta na filmografia do Schrader? Vou continuar procurando.

24.5.10

CANNES 2010

Palma de Ouro foi entrega ontem para UNCLE BOONMEE WHO CAN RECALL HIS PAST LIVES, do tailandês Apichatpong Weerasethakul (também conhecido como Joe).